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Quinta-feira, Novembro 27, 2003
Enviado às
14:25
por Maria João Carvalho
Estou muito triste porque a "Mundialização", com o que tem de pior, chegou a todas as modalidades do Desporto, nomeadamente à Vela. Assim já o escrevia o jornal Liberation, muitas horas antes de ser conhecido, em Genebra, o local de acolhimento da America's Cup. Todos sabiam que seria Valência, em Espanha. O "lobbie" do Rei era muito forte e as empresas como a equivalente à EDP ofereciam milhões de euros em patrocínio para as estruturas. Cascais, Marselha e Nápoles não puderam competir com tal pressão. Quer dizer... poder...até puderam... mas outros desígnios mais altos se levantaram. Mas vistas as coisas pelo lado optimista... cabe agora a Valência tornar a cidade num feudo espartano em termos de segurança para o acolhimento das equipas internacionais. Montar toda uma estrutura adequada ao tempo de instabilidade que se vive. Nós já temos dor de cabeça q.b. com o Euro 2004. Muita despesa e ao mesmo tempo visibilidade. Os espanhois que se amanhem agora.
Mas estou triste pelos trabalhadores da Docapesca e pelo facto de se saber, antecipadamente, que seria Valência a acolher a Taça da América. Leia-se o editorial do Liberation de ontem, 26 de Nov.
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Quarta-feira, Novembro 26, 2003
Enviado às
09:34
por Maria João Carvalho
Trouxe um poema meu do arquivo do Rotativas antigo... para lembrar a guerrilheira que há em mim:
No tornozelo pára o teu beijo
quando grito
e da boca me saiem borboletas
quero sempre dizer
e tenho medo que as palavras
me saiam à laia de muletas.
Dói-me a borbulha do champanhe
no céu da boca...
o caviar na ponta dos dedos
que chupo nas pequenas tostas.
Eu trouxe mortos para o Happy Hour
Mutilados para pôr às costas.
MJC
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Enviado às
09:04
por Maria João Carvalho
Estou a pensar enviar uma carta a Jean Paul Trichet, que no início dos anos 90 era ministro do Tesouro em França e agora está no Banco Central Europeu (deve ser prémio), exigindo os meus 23 euros de volta. Passo a explicar.
O Credit Lyonnais era um banco nacionalizado, público, em 1993. Por intermédio da Maas Insurance (trets) comprou o capital de uma seguradora californiana que estava a ir à falência, Executive Life. Segundo a lei californiana nenhum banco poderia deter mais de 25 por cento de uma seguradora americana. A ilegalidade foi reposta com uma denúncia em 1998 e o procurador californiano e o FED nunca mais largaram a investigação.
A França vai pagar mais de 500 milhões de euros consoante um acordo judicial. Nunca extraditou os dirigentes que administram o crédito do que ficou do banco estatal (o que é hoje privado Credit só paga 100 milhões). 17 milhões de contribuintes vão dividir entre si e à força a dívida destes ladrões de casaca. Trichet foi premiado: agora administra em euros... naquela altura "administrava em francos".
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Enviado às
08:24
por Maria João Carvalho
Uff! Que bom é ter amigos como a camarada de trabalho, amiga e madrinha deste blog, Dulce Dias. Só ela me poderia "forçar" à continuação desta magnífica experiência!
Bem, estreando o rotativas BR, quero apenas que pensem num pormenor: viram como a coca-cola é a bebida oficial do parlamento georgiano?
Passei o fim de semana na cabine dos directos da Euronews. Comentei, informei, traduzi. Reparei que, quando os opositores de Schevarnadze conseguiram entrar no Parlamento, as mesas todas tinham garrafas de coca-cola. Atribuí o facto ao patrocínio americano da construção do oleaduto que liga o Mar Cáspio ao Mediterrâneo - e que tanto irritou os russos.
Hoje, o rendimento per capita é de 30 dólares, mas o transporte do equivalente a um milhão de barris de crude por dia através da Geórgia vai trazer muita riqueza a esta república do Cáucaso.
Claro que tanto os Estados Unidos como a Rússia ambicionam o controlo estratégico das jazidas de petróleo e de gás natural da região... e as reservas do Mar Cáspio devem ser muito semelhantes às sauditas.
O corredor energético estabelecido entre Baku, Tbilissi e Ceyhan beneficiou de um novo fôlego, duas semanas antes da tomada do parlamento pela oposição georgiana, quando o Banco Europeu para a Reconstrução e Desenvolvimento aprovou um empréstimo de 250 milhões de euros para a construção. Dias antes, o Banco Mundial aprovara um outro de 310 milhões de euros.
Assim, o oleaduto que seria a grande vitória de Washington, de repente, com a II Revolução de Veludo (chamou-a assim Mickail Saakashvilli, da oposição), torna-se, de repente, uma reconquista de importância geopolítica para a Rússia.
Como?
O Kremlin conseguiu enviar Igor Ivanov como intermediário para Tbilissi, antes que a Casa Branca enviasse Colin Powell (o que chegou a anunciar). Ivanov não é um ministro dos Negócios Estrangeiros qualquer. Sua mãe é georgiana e ele, só por acaso, nasceu em Moscovo. A sua infância foi passada em Tblissi, a mãe ainda lá mora, sempre que pode retorna, e se alguém quiser matá-lo será fácil encontrá-lo num famoso restaurante georgiano em Moscovo (não, não digo... mas é o mais luxuoso e toda a gente sabe qual é).
Quer isto dizer que não lhe foi difícil convencer o chefe de Estado deposto, Eduard Schevarnadze, a assinar a sua demissão perante os ocupantes do parlamento. Ainda tinha um trunfo na manga: apesar de jovem, na altura, trabalhou no ministério dos Negócios Estrangeiros da ex-União Soviética quando o titular da pasta era... quem? Pois, precisamente, a velha "raposa branca" Schevarnadze.
Pois que passam os dias e são anunciadas as eleições, o jornal alemão Südeutsche Zeitung lembra que a revolução de Tbilissi foi tirada a papel químico da de Belgrado, em 2000, e que os sérvios poderão fazer futuro a "criar" rebeldes estrangeiros... e pum: a chefe de Estado interina, Nino Bourjnanadze fala no Parlamento... com uma garrafa de coca-cola estrategicamente colocada no seu podium. Zoom: e todos os intervenientes têm duas garrafas de coca-cola e uma de água na sua mesa parlamentar (nem sabem o mal que faz... sempre seria melhor o Mateus Rosé que o Sadam tanto apreciava....)
O nosso querido jornalista Fernando Pessa admirar-se-ia com tanta coca-cola para as televisões de todo o mundo e proferiria o seu célebre: "e esta, hem?"
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Terça-feira, Novembro 25, 2003
Enviado às
08:18
por Maria João Carvalho
Olá!
Bem-vindos ao novo endereço do Rotativas.
Os arquivos antigos continuam lá no Blogger americano - ondem podem sempre ser lidos - mas, seguindo o conselho de algumas amigas, acabei por mudar-me para o Blogger Brasileiro, onde é possível voltar a utilizar acentos...
Assim, marco aqui novo encontro com os meus leitores. Claro, sempre sem periodicidade obrigatória...
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