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Quinta-feira, Abril 08, 2004
Enviado às
17:39
por Maria João Carvalho
O mundo da aviação e das artes e letras está em festa: foram autenticados os destroços, encontrados ao largo de Marselha, do bimotor americano Lightning P38, pilotado por Saint-Exupéry, que desapareceu dos radares em plena II Guerra Mundial. O aventureiro escritor fazia uma missão de reconhecimento para os aliados e devia regressar à base, na Córsega,ao fim da manhã de 31 de Julho de 1944. Desapareceu às 9:30 e sempre se pensou que se despenhara nos Alpes.
Os primeiros sinais de que não era assim foram dados há seis anos, quando um pescador, hoje reformado, encontrou a pulseira do aventureiro, com o seu nome
gravado assim como o da sua mulher Consuelo. Tinha sido o editor de O Principezinho que a oferecera, aquando da publicação do best seller que acabou por ser traduzido em mais de 150 línguas. Nunca se provou que a pulseira encontrada, no mesmo sítio de onde foram retirados os destroços do avião, fosse falsa (agora, pelo contrário, está provado que é verdadeira). Com esta novidade vem uma outra: a cidade de Marselha vai construir um museu em memória do sonhador que "mordia as estrelas", como ele próprio dizia.
Antoine de Saint-Exupéry, aristocrata de sangue e igual linhagem da alma,nasceu em Lyon e ficou orfão de pai aos quatro anos; tinha 12 no seu primeiro baptismo de voo. Evolou-se no azul aos 44 anos de idade.
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Quarta-feira, Abril 07, 2004
Enviado às
16:57
por Maria João Carvalho
NUNCA MAIS?
O funeral dos restos mortais encontrados entre duas vivendas marcaram a inauguração do Memorial Nacional do Genocídio do Ruanda. O ano de 1994 não é lembrado apenas agora... em todos os meses de Abril de todos os anos a atmosfera fica mais pesada e a angústia dos sobreviventes só é apaziguada pelas sessões públicas dos tribunais do povo, Gacaca, que proporcionam uma catarse quase psiquiátrica.
O presidente do Ruanda e os seus homólogos sul-africano e belga foram as figuras mais emblemáticas da cerimónia no Memorial e no maior estádio de Kigali. A França apenas enviou um secretário do Ministério dos Negócios Estrangeiros. Os dirigentes ocidentais querem evitar o encontro com o antigo comandante dos capacetes azuis que mais criticou a indiferença da comunidade internacional: o general Roméo Dallaire. Foi ele que disse ao regressar a este "país das mil colinas" que os ruandeses, ele e as suas forças foram abandonados. Enquanto a França não assumir a sua cumplicidade na matança "não serão extirpados os germes ideológicos, políticos e militares que a conduziram à cumplicidade", como dizia hoje o Liberation.
François Mitterrand disse em Julho de 1994 que "num país como o Ruanda, um genocídio não é muito importante". Ele, que foi o responsável pelo armamento e mobilização dos hutus contra os seus próprios irmãos mais moderados e contra todos os tutsis que encontraram.
"Nunca mais" é a mensagem gravada a sangue na memória de todos.
...
"Never hapen's again", nunca mais, afirma-se na sede das Nações Unidas em Genebra. Kofi Annan era o responsável pelas operações de manutenção de paz no Ruanda e, durante o seu mandato, privou as suas forças de meios de prevenção e contenção dos massacres. Já fez o "mea culpa" mas optou por manter-se longe do presidente Kagame, que aproveita o décimo aniversário para criticar o silêncio da comunidade internacional durante o genocídio.
Hoje, depois de dois minutos de silêncio pelas vítimas, Annan afirmou que "não podemos esquecer este fracasso colectivo na protecção de mais de 800 mil homens, mulheres e crianças que pereceram no Ruanda há dez anos. Estes crimes não podem ser anulados; estes fracassos não podem ser repetidos; os mortos não podem voltar".
Kofi Annan anunciou um plano de acção para prevenir o genocídio, nomeadamente para socorrer os civis no Sudão. Tal afronta à Humanidade não se pode reproduzir.
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Enviado às
10:41
por Maria João Carvalho
Não deixem de ir a este site :
http://agirard.free.fr É de um colega meu, o Alain Girard, que organiza e faz raides nos sítios mais incríveis!
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Terça-feira, Abril 06, 2004
Enviado às
17:11
por Maria João Carvalho
No dia 6 de Abril, há dez anos atrás, o Ruanda mergulhou na escuridão quando o presidente Juvenal Habyarimani e o seu homólogo do Burundi, Cyprien Ntaryamira morreram - o avião em que regressavam de uma conferência de paz na Tanzânia foi abatido por um míssil terra-ar. Naquele ano de 1994, a ONU retirou-se do Ruanda sem conseguir impedir o genocídio.
Amanhã haverá uma cerimónia do 10° aniversário do horror e a ausência de altos dirigentes ocidentais (com excepção dos belgas) e mesmo da ONU está a provocar imensa indignação aos sobreviventes.
O último censo mostrou que 937 mil pessoas (tutsis e hutus moderados) foram vítimas do genocídio. Na rádio estatal, era ininterrupta a incitação ao assassínio em massa e o relatório com os nomes das famílias dizimadas eram transmitidos como boletins eleitorais. Muitos assassinos hutus tentam justificar o crime continuado como se de um trabalho se tratasse por terem passado por uma "lavagem ao cérebro".
Aqueles cujos braços pegaram nas catanas serão, eventualmente punidos. As cumplicidades ocidentais é que não.
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Domingo, Abril 04, 2004
Enviado às
15:37
por Maria João Carvalho
No dia 7 de Dezembro de 2002 contei a história, neste blog: a história de como um estudante com os copos e alguma droga, depois de uma tentativa de zaragata na festa dos alunos do ISMAI (à qual ele era alheio), esperou no exterior para se vingar, às 6 da manhã - em frente à discoteca Gallery, na Maia. A sua arma foi um automóvel. Apontou-o à minha filha e a uma colega, mas elas foram salvas e atiradas, literalmente, por um outro estudante para cima do capô de um carro estacionado. Insatisfeito, o assassino chegou ao fim da rua e fez meia volta. Aí já estavam os estudantes à vontade pelos passeios, a espreitar o louco que guinava pela rua fora, "apontando" às pessoas. Nada fazia prever que voltasse a arrancar a 100 à hora, no sentido inverso e que atropelasse deliberadamente os jovens. Oito ficaram muito feridos (ao todo foram 17 feridos). Mas o Cláudio Vale (Vizela) morreu. E o Nelson, que estava em Desporto, ainda não anda nem voltou a estudar e continua a fazer operações (sofreu 70 por cento de lesões para toda a vida) .Apesar dos óptimos advogados (escritório do Nabais) que a família do arguido André Resendes pôde pagar (trataram imediatamente de lhe colocar uns óculos "fundo de garrafa" para dizer que via mal), ele foi condenado a cumprir uma pena de prisão de 18 anos por homicídio (pena de 24 anos de prisão que no seu cúmulo jurídico perfaz 18 de cadeia). Não se sabe ainda quanto vai pagar de indemnização. Mas destruiu duas vidas - o Nelson não volta a fazer desporto. Quanto aos outros jovens, incluindo a minha filha... não creio que esqueçam jamais tanta maldade. É que ele fugiu depois do que fez. Foi buscar a irmã e telefonar aos advogados. A polícia apanhou-o às 9:30 da manhã seguinte com o cúmplice e a irmã dentro da sua máquina de matar, muito longe do local do crime, no Porto.
O mais estranho disto tudo é o Tribunal Judicial da Maia que condenou o André inibiu-o de conduzir por dois anos. Agora pergunto: se o juíz o condena a 18 anos que estupidez é esta? Será que pensam que ele se pode passear de carro daqui a dois anos e um dia?
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