Rotativas

Quinta-feira, Outubro 28, 2004


Se eu não fosse tão preguiçosa, importava a foto que o meu amigo Ricardo Figueira fez comigo e colocou no seu blog e faria um "vistaço". Mas eu venho aqui sempre com pressa e nunca pensei no futuro.Nesse futuro partilhado das fotos nos blogs. Um dia destes vou pensar nisso, prometo. Hoje, a minha completa concentração foi para coisas tão estúpidas como médicos, fisioterapeutas e "aides ménagéres" que não pedi mas como tenho direito cabe-me essa linha de infortúnio anunciada. Tive de escravizar o meu tempo a comprar produtos para a casa que nunca pensara comprar. Li todos os rótulos e tentei decifrar todos os porquês. No fim, quando estava na fila prioritária a piquena teve a lata de me perguntar se eu era dessas... claro que sim, piquena? Queimaduras em terceiro grau servem-lhe? Ok, não foi preciso cartão e passei os 20 ou mais quilos de produtos de limpeza para fazer não sei o quê na minha casa. Até se me esticam os cabelos ao pensar que me podem tocar nos papeis. Mas acho, segundo a empresa dos Seguros, que a empregada de limpeza só mexerá naquilo que eu mandar. Acho que a vou entreter a tirar e pôr as coisas dentro dos armários e entretanto as limpar muito limpinhas.
Dormirei feliz.... se não me entrarem no escritório.
Acabo de pensar que guardei na cave tudo aquilo de que não precisei durante cinco anos. Espero que ela seja árabe. Escolherá sem desperdiçar. Assim, já durmo com os anjos.

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Segunda-feira, Outubro 25, 2004


Ontem fui ao Circo a convite de uma amiga que faz parte da Associação Russa em Lyon. Fizémos um grupo giro (da EuroNews éramos vários, e ficámos encantados como espectáculo. Eu não ia ao Circo desde que este entrou em crise em Portugal e me entristecia imenso ver as cadeiras vazias - quando todos ficavam a ver telenovelas na televisão, e os artistas, sempre fabulosos, faziam o seu espectáculo como se tivessem a casa cheia. Muitas vezes com os fatos rotos do uso, que a falta de dinheiro impedia susbstituir... enfim, reentrei no mundo da magia dos artistas de circo russos e franceses como uma criança satisfeita por ver um sonho realizado. Comprei mesmo um livro escrito por um destes amantes do circo, polícia reformado, mago nos tempos livres. Um must!

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Sábado, Outubro 23, 2004


Trouxe um poema do Rotativas original. Gosto.



No tornozelo pára o teu beijo
quando grito
e da boca me saiem borboletas
quero sempre dizer
e tenho medo que as palavras
me saiam à laia de muletas.
Dói-me a borbulha do champanhe
no céu da boca...
o caviar na ponta dos dedos
que chupo nas pequenas tostas.
Eu trouxe mortos para o Happy Hour
Mutilados para pôr às costas.




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Quero aqui deixar aqui o meu agradecimento à blogspoter Dulce Dias, quem sempre me incentivou a voltar e não deixar este espaço de crítica ao "Deu Dará". Bem Haja, ciber-madrinha.

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Foi muito, o tempo que passou. Doeu muito. E sem os meus amigos, de todas as nacionalidades, não teria conseguido, em primeiro, sobreviver; depois, salvar o meu pé da amputação e depois sair da cadeira de rodas. Estou a escrever um livro, não sobre mim, que nunca considerei existir como pessoa-jornalista....sou mais da área dos factos! Mas sobre o desenvolvimento da medicina neste campo, ultra-moderno: o cuidado pós-operatório com os queimados. Assim, o meu livro, Les Brulés foca as emoções dos queimados, os problemas dos trabalhadores nesta área e o avanço da medicina assim como as reticências de alguns em "andar para a frente". Conto as lindas histórias do Professor Mimoun no Vietnam com as crianças queimadas. A vida e a esperança. Sempre.

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