Rotativas

Sexta-feira, Novembro 26, 2004


A RTP dizia hoje que ele "atravessou três séculos e dois milénios". Ele era o meu amigo (e de tantas centenas de outras pessoas e alguns milhares de conhecidos) o Dr. Fernando Valle. Extinguiu-se a sua chama de excelente conversador e ouvinte, de político inesquecível e inolvidável, de gentil cavalheiro que, até aos 104 anos de idade, escolheu as palavras mais doces sempre que tinha por interlocutora uma mulher. Era socialista e republicano; e eu centrista e monárquica. Brincávamos com isso. Para o fim, ele já não me escrevia cartas; escrevia cartões de visita que, quando "transbordavam" , tal era a sua vida, ele numerava e enviava para a Figueira da Foz ou para Lyon. A última vez que falámos por telefone foi há quatro anos, quando os amigos e correlegionários lhe levaram a salva de prata assinada pelo seu sáculo de vida. Um mês depois ele ria como um miúdo feliz ao comentar a homenagem. Até ao fim esperou a minha visita a Coja - que também o capitão Serra, dos Bombeiros Voluntários, teimava em me fazer conhecer. valle descrevia-me as giestas em flor e sublinhava que eu devia ir na Primavera. Foi sempre adiada a visita. Por 100 mil motivos agora sem qualquer validade. A saudade provoca um nó na garganta. Mas o meu coração está quente por ter conhecido e tido tão ilustre amigo.

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Quinta-feira, Novembro 25, 2004


Finalmente, o jornal Público dá a notícia (divulgada pela LUSA) mais esperada no seio da Orquestra Metropolitana: Miguel Graça Moura vai pagar o que roubou (pelo menos com a sua imagem pública...que fica de rastos):
A Polícia Judiciária entregou à guarda da Associação Música Educação e Cultura (AMEC) bens apreendidos na casa do maestro Miguel Graça Moura, detido para interrogatório, que tiveram de ser transportados em três camiões, disse hoje à Lusa fonte da associação.

A mesma fonte adiantou que os três camiões depositaram ontem vários caixotes selados com bens apreendidos ao maestro Graça Moura, um dos fundadores da Orquestra Metropolitana e seu gestor até Outubro do ano passado.

O maestro Miguel Graça Moura foi detido pela Polícia Judiciária ontem à noite, no âmbito da "Operação Partitura", e está hoje a ser ouvido no Departamento de Investigação e Acção Penal, no mesmo edifício do Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa.

Em comunicado, a PJ anuncia a detenção para interrogatório de "um indivíduo, responsável pela presidência e gestão de uma importante pessoa colectiva de utilidade pública, na área musical, educacional e cultura", ou seja, o maestro Miguel Graça Moura, ex-presidente da Orquestra Metropolitana de Lisboa.

O detido está indiciado pelos crimes de peculato (apropriação ilegítima de dinheiro ou bens), peculato de uso (uso indevido de bens), infidelidade (administração de interesses causando prejuízo patrimonial) e abuso de poder. Em causa estará uma quantia na ordem de milhão e meio de euros.

A investigação da PJ começou no início deste ano depois de uma queixa apresentada pelos membros fundadores da AMEC por suspeitas de gestão danosa, em Outubro de 2003.


As dívidas são relativas à Segurança Social, às Finanças, a bancos, para além de indemnizações devidas a músicos por decisão judicial. O maestro é também suspeito de ter cometido "várias irregularidades" de ordem administrativa.

A queixa contra Miguel Graça Moura foi apresentada pelos ministérios da Educação, da Cultura, do Turismo, das Actividades Económicas e do Trabalho, pela Secretaria de Estado da Juventude, pela Câmara de Lisboa e por membros fundadores da orquestra e da AMEC.

A denúncia das alegadas irregularidades cometidas por Miguel Graça Moura levou o então presidente da Câmara de Lisboa, Pedro Santana Lopes, a solicitar uma auditoria às contas da AMEC, em Julho de 2002, que rvaio a revelar diversas anomalias na gestão. Apesar disso, o maestro manteve-se na direcção da associação, embora com os seus poderes reduzidos.

Cansados de esperar pela saída de Graça Moura, estudantes, músicos e professores manifestaram-se então em frente às instalações da AMEC. Com o passar das horas os manifestantes acabaram por fechar Graça Moura dentro do edifício.

Quatro horas e meia depois de o edifício ter sido fechado a cadeado, Graça Moura abandonava as instalações sob escolta policial, garantindo que não se demitiria. As suas declarações levariam os alunos, funcionários e músicos a prometer montar um piquete para que o maestro não voltasse a entrar.

A 10 de Outubro seria a vez de os membros da direcção da OML tomarem uma posição: demitiam-se em peso, deixando Graça Moura sozinho à frente da direcção da AMEC, mas sem qualquer poder. O maestro foi também afastado da OML, e atrás de si, em ambas as instituições, deixou problemas salariais.

A questão da gestão futura da associação motivou um braço-de-ferro entre os associados, com os promotores regionais a rejeitarem a direcção proposta pelos promotores nacionais (ministérios da Educação, Cultura e Segurança Social e Trabalho, secretarias de Estado da Juventude e Turismo e Câmara Municipal de Lisboa).

Os promotores nacionais reagiram com a suspensão do financiamento da instituição, impedindo o pagamento dos salários dos 160 trabalhadores da AMEC desde Setembro. O conselho fiscal da AMEC acabou por solucionar o problema e, ao fim de 16 meses de impasse na orquestra, em Novembro de 2003 nova direcção foi eleita e a AMEC voltou a viabilizar-se financeiramente.

PUBLICO.PT



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Terça-feira, Novembro 16, 2004


Não "batam mais no ceguinho"... eu escrevo, sei que já o devia ter feito, e morro de remorsos por não ter comentado sequer a morte e funeral de Arafat. Mas estava demasiado absorvida a ouvir e analisar as notícias para escrever sobre elas num blog. Estava aqui em casa, aliás, a minha colega inglesa Leslie, e entretivémo-nos a fazer "zapping" por todos os canais de notícias, tendo o cuidado de, no nosso (EuroNews), comparar a emissão em cada uma das sete línguas. Não entendemos russo, é certo, mas verificam-se dados como a respiração, o "à vontade com que se fala", as pausas desmesuradas ou não...Leslie, no entanto, estava mais preocupada com a possibilidade dos militantes palestinianos conseguirem roubar a urna em Ramallah para irem correr com ela aos tiros para o ar... como fazem em todos os funerais de activistas. Entretanto, eu ia-me perguntando porque raio se dizia que não se sabiam as causas da morte de Arafat se a Time tinha publicado já com semanas de antecedência a causa do sofrimento que o levou à morte: um cancro no estômago impossível de tratar na Mukata. Mas Arafat não quis deixar Ramallah, com mdo que os israelitas lhe fechassem a porta de retorno. Desde há algumas semanas que nem os corn flakes, que tanto detestava, conseguia engulir. Quanto a mim morreu de fome e de insuportável dor. Agora, é hora de se esgatanharem os possíveis sucessores pelo seu lugar na cadeira do poder. Porque o seu lugar como elo de união das várias facções palestiniana vai ser muito difícil de conseguir edificar de novo - Será Ahmed Qoreï, Mahmoud Abbas, Barguti?!. Ao velho guerreiro foram necessários 40 anos. Quanto à sua viúva, Souha, e a direcção palestiniana, as divergências não são políticas, mas financeiras. Todos lembram a investigação judicial francesa sobre as contas bancárias da esposa de menos 34 anos do raïs, com quem viveu apenas o tempo de ter uma filha. Foi muito notada a transferência de 9 milhões de euros para a sua conta numa altura em que o povo palestiniano tantas necessidades passa. Souha gosta de costureiros parisienses. O montante da sua pensão de viuvês foi já divulgado e é tão escabroso que é inacreditável e há que voltar a confirmar antes de o escrever para não ser acusada de especulação. O FMI, já em 2003, fez uma auditoria (pelo palestiniano Karim Nashashibi) às transferências de dinheiro do orçamento do governo palestiniano para uma conta especial de Arafat, apurando o "desaparecimento" de 900 milhões de dólares. salam Fayad, o ministro das Finanças da Autoridade Palestiniana confirmou, depois, esta soma e todo o resultado do inquérito. Mas, Arafat não só desviou somas astronómicas de dinheiro, como detinha mil milhões de dólares em acções da Coca Cola, em acções numa companhia de telemóveis tunisina e e fundos em paraísos fiscais.
Quanto ao meu país... que tristeza: uma direcção de Informação inteira, da televisão estatal, demite-se sem fazer pública a causa da sua demissão? Ou há diálogo, sem demissão, ou não há diálogo e vai-se em frente. Acusações de pressão inadmissível podem ser feitas a ambas as partes, meninos e meninas. Portem-se bem e durmam melhor.
PS: soube depois porque foi a demissão. Num concurso interno na TV pública para o posto de responsável pela delegação de Madrid (sucedendo a cesário Borga), o delgado de Washington ficou em último lugar (sétimo, na escala). Como podia (perguntava-se a administração) o delegado mais bem pago da RTP ficar em último? Bem, a primeira, resolveu ir para Moçambique. E a administração parece ter querido mexer os lugares, não para pôr o sétimo em primeiro, mas, pelo menos lhe dar um quarto e digno lugar. Dos Santos recusou-se e demitiu-se a tais "mexidas ilícitas". Afinal, desculpa, caro amigo... tinhas razão no teu silêncio.

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Quinta-feira, Novembro 04, 2004


A minha "Assurance Maladie" atribuiu-me uma "aide ménagère" que nunca tinha visto daquelas "lingetes" com auto-colante na abertura E cortou-a pelo rabo. Enfim... Unha muito bem tratada, enorme como nos filmes, cabelo esticado e coloridoaté à cintura, pálpebras cor-de-rosa saltos de 12 cm. Côr de ébano que vai logo dizendo à entrada: eu sou dos Camarões. Hoje, quando eu me "esfalfava" a separar jornais e revistas, a Madama telefonou a perguntar-me se eu tinha visto bem a chuva que fazia????Claro....estou toda molhadinha... coffff...cofff....
A Madama não se pode movimentar com tal chuva . Pode esperar até segunda -feira?
Exijo que me pagem, a partir de agora, o que exige tal espécimen.

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Terça-feira, Novembro 02, 2004


Não poderia ser se não fosse. Vou gritar até não ter pulmões. Até que ninguém me oiça.

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