Rotativas

Domingo, Janeiro 23, 2005


Já não é choque, é uma revolta imensa! A alegada morte à sede dos animais no Alentejo, por causa da seca, é o maior embuste dos últimos anos dos sugadores profissionais de subsídios! Enquanto os donos das ovelhas derem entrevistas à sombra dos chaparros com enormes cisternas ao fundo da paisagem e um ou dois animais mortos aos pés (mortos, quiça, de uma doença qualquer inominável...indizível...), profiro 500 imprecações, no mínimo.
Sede é o que eu vi em Sarajevo quando a explosão das bombas impedia as pessoas de sair para procurar água ou comida, ou os "snipers" faziam pontaria às crianças que iam buscar um pão às traseiras de um qualquer edifício onde se traficava o trigo e havia um forno e pingos de água aos canos contaminados de um qualquer edifício em ruínas! Ou no Cuíto, onde os cadáveres ficaram enterrados nos jardins e os cães foram comidos das orelhas às patas por falta de amigos menos fiéis e mais alimentícios!
Não concebo que haja possibilidade de fazer furos de água e ninguém os faça! Não concebo que haja rios e não se desviem uns caudaizitos ou se tragam umas cisternas. Não concebo isto quando se está a vender o Alentejo às grandes empresas olivicultoras espanholas ao ponto do hectare estar já a 7.500¿ - foram vendidos 25 mil, até agora, e o movimento da reforma agrária comunista (vender a quem trabalhe) continua. Portugal é pequeno...
Fome? Sede? A terra está seca? Eu sei como fazer saír os preguiçosos das tocas...não há um só governante que o saiba? Enfim...não posso ler mais nada dos ignorantes arautos da desgraça que apontam a morte às causas naturais quando a ignomínia se chama apenas preguiça, egoísmo e (como se dizia na revolução industrial) uma sobredose de "deixa andar".

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Quinta-feira, Janeiro 20, 2005


Há dias em que penso que o "mundo deve estar louco", com provas de facto para o pensar. Na sala de espera da fisioterapia, cheíssima, uma mulher senta-se numa cadeira onde o paciente que a antecedeu deixou um jornal. E eu disse-lhe meio a medo..."a senhora sentou-se em cima do jornal". E vai daí, com uma lata enorme, a gaja responde: "eu sei, é porque o assento está quente, de certeza!". E eu respondi: "de certeza que mais ninguém aqui pode ler o jornal em que o seu rabo assenta, não é?" E ela teve a insensatez de ficar mal disposta... mas só até vermos todos um daqueles cinquentões com pera de espanhol-conquistador do tempo dos maias, inrromper no corredor em tronco nu, barriga ao léu com as banhitas estúpida e chocantemente brancas em despudor total. Aí, toda a gente ficou de "boca aberta"... as cortinas que protegem cada marquesa servem, em cada sala, para evitar indiscrições... porque raio se andam os pacientes a mostrar meio nus pelos corredores? Mistério. Entretanto, também há uma outra que deixa as botas debaixo de umas das cadeiras da sala de estar... um dia destes, meto-as dentro do caixote do lixo da sala. A falta de civismo é tão latente que acho que a Figueira precisa de uma onda que varre a praia, só para assustar, para que esta gente perceba que há valores primordiais para que haja bem-estar comum. É que a educação da geração seguinte cabe aos que hoje evidenciam este desrespeito total pelos outros.

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Quarta-feira, Janeiro 12, 2005


http://insensocomum.blogspot.com Um blog a visitar e a revisitar para rir das pequenas grandes dúvidas existenciais.

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Foi um Natal intenso, a nível familiar e a nível de actualidade. Não tive, mesmo, disponibilidade para escrever, tão cheia estava a casa e tanta gente vinha para os "chats" aqui no escritório ou trabalhar ou consultar emails. Depois, foi o estupor geral, durante vários dias, seguindo as notícias da grande tragédia asiática que arrancou à vida 165 mil almas, sendo 113 mil da Indonésia. Chocou-me que o governo indonésio dificulte a chegada das equipas de socorro a Aceh e desvie a ajuda humanitária. Será por causa das forças cristãs independentistas da região? Chocou-me ver que havia portugueses com uma pedra no lugar do coração que partiram para a Tailândia depois do maremoto. Houve a idiota do ano, que viu a sua foto extraída da entrevista televisiva a circular pela NET com os comentários que teceu a propósito. Por exemplo, à pergunta "está triste com o que aconteceu", a besta, por sinal jovem, respondeu que "até é bom ter acontecido o que aconteceu porque assim vê o país mais ao natural".
Abu Mazen (Mamoud Abbas, sim senhores, aquele a quem damos dois nomes) chefia o destino dos palestinianos, o que traz um vento de esperança ali para os lados de Ramallah. O sucessor de Arafat é conhecido como homem cordato e moderado, o que facilitará as relações israelo-palestinianas.
Aqui na Figueira da Foz, entristecem-me as lojas vazias e o comércio tradicional de rastos por causa de mais de meia dúzia de grandes superfícies abertas nesta pequena cidade de 60 mil habitantes. Entristecem-me as construções selvagens que continuam a ser aprovadas e a descaracterização total da cidade. Não há pachorra para tanta estupidez humana!
Ps: não me lembro de ouvir as vozes de protesto que se levantam hoje contra a viagem de Estado de Morais Sarmento ecoarem, da mesma forma, quando Soares esgotou, em Março, o orçamento de viagens para o ano inteiro!
Quanto ao Sampaio: o presidente português acorda tarde... o Chirac já tinha declarado, no ano passado, o Ano da França na China. Levou todos os empresários possíveis e até promoveu o Concerto do Jean-Michel Jarre, para milhões, na Praça de Tiennammen. Perante isto, depois de todos os outros, acho que vamos apenas colher migalhas. Os jornalistas portugueses não têm lido a imprensa internacional?

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