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Segunda-feira, Fevereiro 28, 2005
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15:15
por Maria João Carvalho
Mais uma vez Martin Scorcese foi afastado inderectamente pela Academia. O seu filme sobre a estranha vida de Hudson, no Aviador, obteve 5 Óscares. Mas o pagamento pelo seu sonho (e de Caprio) escorregou-lhe entre os dedos. O velho Clint continua a levar a melhor...
ACTOR IN A SUPPORTING ROLE
Morgan Freeman
MILLION DOLLAR BABY
ACTRESS IN A LEADING ROLE
Hilary Swank
MILLION DOLLAR BABY
ACTRESS IN A SUPPORTING ROLE
Cate Blanchett
THE AVIATOR
ART DIRECTION
THE AVIATOR
Dante Ferretti (Art Direction); Francesca Lo Schiavo (Set Decoration)
BEST PICTURE
MILLION DOLLAR BABY
Clint Eastwood, Albert S. Ruddy and Tom Rosenberg
CINEMATOGRAPHY
THE AVIATOR
Robert Richardson
COSTUME DESIGN
THE AVIATOR
Sandy Powell
DIRECTING
MILLION DOLLAR BABY
Clint Eastwood
FILM EDITING
THE AVIATOR
Thelma Schoonmaker
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Domingo, Fevereiro 27, 2005
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23:03
por Maria João Carvalho
Acordei tarde e não ouvi as notícias. Ao telefone, perguntei como estava o Papa. A minha interlocutora respondeu-me que "Lúcia está a puxar por ele".
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Sábado, Fevereiro 26, 2005
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00:43
por Maria João Carvalho
Começa a fazer-me mal assistir aos programas de televisão francesa. Nomeadamente os que versam sobre people ( pronuncia-se pípalle) . Pois é, people deixou de ser gente, em francês. O termo inglês foi arrebatado directamente pelos ultra-branchés que ditam as tendências. Ora aí está. Branché quer dizer que se está in e se veste, se for gajo, à metro boy, quer dizer, o homem maquilha-se, depila-se e arranja o cabelo como o nosso conde por osmose e por ter casado com Lady Beth. A questão é que o que é mostrado nas imagens, por exemplo, das boites branchés, não tem nada a ver com normalidade. São sempre os ultra-rainbow que se beijam para as câmaras ou os pedos (pronuncia-se pêdôs) assumidamente queens da night ) naite é sempre naite, né?
Baralhados ?
Tendence (tandanse que eu estou tanganizi): a tendence frenchy ou a french way é algo para levar muito a sério. O ministro da Cultura francês condecorou mesmo os mais reputados DJs de França numa festa super branché num palácio do séc. XVII. Estavam lá todas as tendências tecno, house, funcky, etc e a fauna dos gays que a promove. De tudo fazem tubes. Tubes são os êxitos musicais do momento, carton já são os êxitos cinéfilos com muitos royalties.. Por divulgarem uma arte reconhecida no mundo e porque qualquer forma de arte deve ser aplaudida.
Assim, quem não tiver uns piercings no umbiguinho, umas blusas pretas transparentes de cavas (vale para ele e para ela), cabelo azul, laranja, madeixas descoloridas ou coloridas e maquilhagem exagerada arrisca-se a ficar à porta das discotecas por não estar branché de todo. Se der um linguado ao parceiro do lado, na bicha ou no bicha ou o raio que o parta, terá direito a cocktails na noite toda. E os meus amigos homossexuais que não se melindrem pela maneira como me exprimo, mas começo a sentir-me discriminada, enraivecida, mesmo : até uma feira fizeram para apresentarem produtos como o fois gras rainbow, panificação, marketing, etc, etc, etc.Como se o arco-íris fosse exclusivo de alguns. E todos os outros adeptos da cor e da decoração dita gay (alegre) ? Ficam de fora?
Bom week end a todos.
Não tarda nada mudo-me mas é para Dublin. Londres também já era.
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Terça-feira, Fevereiro 22, 2005
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13:01
por Maria João Carvalho
In GLOBO ONLINE
Diziam que os ingleses tinham conquistado o mundo para fugir do seu clima, da sua comida e das suas mulheres. Em certos lugares remotos onde, segundo Noel Coward, só ingleses e cachorros loucos saíam ao sol do meio-dia, os cachorros tinham a desculpa da loucura, mas quem entendia os ingleses? Estavam purgando do organismo gerações e gerações sem sol, obrigadas a comer comidas e mulheres insossas. A alegria de um inglês no deserto, mesmo cercado de beduínos furiosos, era proporcional aos anos que seus antepassados tinham penado em casa, antes do império.
O clima inglês continua o mesmo mas a comida e as mulheres melhoraram muito. Não sei se foi conseqüência ou causa da perda do império, mas vão longe os dias em que você caminhava em Londres boiando no cheiro da gordura de carneiro. Em que se dizia que os ingleses tomavam tanto chá para tentar esquecer o almoço e que o costume de executar criminosos na forca depois de lhes dar como última refeição um típico jantar inglês provocou tantos protestos de grupos humanitários que o jantar foi abolido. E a típica mulher inglesa era grande, angulosa e algo equina, se chamava Fiona, preferia jardinagem ao sexo mas provavelmente fora amante da Vita Sackville-West. O padrão antigo mudou nos anos 60 quando a típica inglesa diminuiu de tamanho, ficou mais arredondada e passou a usar minissaia. Hoje algumas das mulheres mais bonitas do mundo são inglesas. Elas têm aquela pele que só se consegue com anos de cuidados como os que os ingleses dedicam à sua grama.
O único inglês que aparentemente ainda prefere o modelo antigo (e, certamente, tempo úmido, carne cozida com geléia e cerveja morna) é o príncipe Charles.
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00:13
por Maria João Carvalho
Amargo-me
de horrores contidos
Desafogo-me de frios.
Sei-me tão assim que gelo. E quando é gélido o coração
ardo o gesto
em picos de fogo na mão.
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Segunda-feira, Fevereiro 21, 2005
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22:10
por Maria João Carvalho
Muitos pacientes sofreram acidentes de trabalho em garagens, por exemplo. É aflitiva qualquer tentativa de conversa com eles. Facilmente se percebe que há mais possibilidade de estabelecer um diálogo na ala de Neurotraumatologia: é preciso ter neurónios para os afectar de alguma forma. Na ala dos queimados, uma argelina rica contou no seu mau francês que experimentou verniz das unhas em vários tons de vermelho e que depois pediu diluente ao marido para retirar o produto da experiência. Como o marido é mecânico por conta própria leva diluente da garagem para casa. E como via televisão no momento e discutiu com a mulher atirou-o violentamente contra ela. Entornou-se e logo secou. Ela, sentindo o odor do pão a queimar no forno, correu para a cozinha e, sem pensar, abriu o forno. As labaredas agarraram-se-lhe dos cabelos ao peito, braços e mãos (a filha também se queimou). Voltou de L Argentière para o hospital há pouco tempo porque a pele agrafada não pega e ela não poderá fazer qualquer outra recuperação por agora. Antes, comprou uns aneizitos de ouro que cá vêm vender os exploradores da desgraça. Como ela há outros, que foram refazer transplantes e já cá estão outra vez. Dizem os enfermeiros que os voltam a enviar para recuperação porque são maus pacientes, não páram quietos, são eles que provocam as quebras na pele implantada e têm de repetir as operações várias vezes. Um deles chegou como um herói de bairro, aguardado pelos seus seguidores. Queixada nova, envolta num molde branco e rígido. Tee-shirt cortada rente nas mangas de forma a mostrar as tatuagens. Cabeça rapada e guitarra para animar o pessoal dos fumos. (...)
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22:05
por Maria João Carvalho
Como estou a escrever o livro dos Queimados posso contar algumas coisas. Há histórias difíceis de digerir, como a de uma mulher que o marido desejou matar. A golpes de machado deitou-a por terra ; como respirava ainda, enterrou-lhe uma faca quantas vezes foi capaz : pelo dorso, abdómen, omoplatas. Depois, lançou-lhe o fogo. Mesmo assim, quase exangue, a mulher arrastou-se até à rua para pedir socorro, mas um automóvel passou-lhe por cima. Fugiu. Mesmo assim, essa mulher, prenhe de vida, arrastou-se até conseguir ajuda. Os bombeiros socorreram-na. E ela retribuiu o gesto, sobrevivendo.
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21:52
por Maria João Carvalho
Agora que os socialistas vão governar Portugal, as fábricas de têxteis vão ser obrigadas a manter as portas abertas contra ventos e marés. Isto se depreende da campanha do grilo falante que será nosso Primeiro. Assim, os chineses deixam de ser concorrência e o Estado obriga-se a não enviar mais ninguém para o desemprego.
Com o Bloco de Esquerda cheio de força, teremos mais abortos e portanto menos filhos e, com o tempo, a eutanásia. Assim, importaremos, de vez, filhos de outras pátrias para fazerem o que nos será impossível, por preguiça, falta de vontade, de perícia ou capacidade.
No meio de tanta desgraça, desejo mesmo, do fundo do coração, muita genialidade a Sócrates para resolver Portugal. E eu acho que lhe falta. Ou se rodeia bem de gente capaz ou pode ver fugir-lhe o chão debaixo dos pés como aconteceu a Santana.
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Sábado, Fevereiro 19, 2005
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14:39
por Maria João Carvalho
Uma mãe francesa, de origem tunisina, faz um apelo aos imans de França e do Mundo, ao mesmo tempo que os acusa de roubar a alma do seu filho, Peter Cherif. Ele foi para a Síria estudar e acabou no Iraque, em Fallujah. Era um jovem normal que usava jeans e ouvia música. E quase de um dia para o outro, deixou a namorada que adorava, substituiu os jeans pela túnica, os cd¿s normais por textos alegadamente (não é evidente se não estarão todos alterados) do Corão, e partiu para a Síria. Deixou uma webcam à Mãe para ela falar com ele. Mas um dia, deixou de transmitir. Antes, já dara a entender que nunca estava sozinho. Aqui traduzo o apelo. Sem aspas, porque este computador (ou o sítio) está com um problema¿
Lanço um apelo, um grito enquanto mãe. O meu filho, de 22 anos, está detido no Iraque, desde Dezembro de 2004. É prisioneiro de guerra, com a etiqueta de terrorista. Testemunho em nome de todas as mães que viram os seus filhos ir para o estrangeiro para seguirem cursos de teologia e aprendizagem da língua árabe, e assistiram à sua deriva nas seitas. As mães silenciosas não ousam exprimir-se, com medo das represálias dos próprios familiares, vizinhos e amigos. O governo e a sociedade devem compreender que estas mães também são vítimas. Roubaram-me o meu filho. Quiseram-no sacrificar. Ele tinha partido para estudar, por amor a Deus e por nada mais. Nunca quis fazer qualquer jihad nem matar ninguém. Ele foi traído, enganado, drogado ! Apelo a todos os imans nas mesquitas de França para que adoptem uma posição firme, a falarem, a manifestarem-se e prevenirem os jovens contra certas correntes islamitas. Esses jovens plenos de vida que, de repente, se vêem mergulhados no obscurantismo, no ódio e no fundamentalismo, tomando parte num combate que não é o seu. Que Deus de amor, paz e justiça, pode exigir o preço do sangue ? O Corão é um livro santo que divulga uma mensagem de tolerância e de fraternidade entre todos os povos. É a sujar e a ofender Deus que se pega nestes jovens para os utilizar como bombas humanas ou como combatentes.
Myriam Cherif
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Quinta-feira, Fevereiro 17, 2005
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16:43
por Maria João Carvalho
O noticiário abriu com a notícia que já se esperava há muito : um agente foi abatido em patrulha automóvel num bairro problemático da capital portuguesa. E só se pergunta que milagre é este que livra os polícias de serem abatidos diariamente nas suas patrulhas ? Terão um anjo da guarda especial de corrida que estende as suas asas protectoras quando os energúmenos que os juízes soltam com penas suspensas voltam à rua para os seus tráficos obscuros ? Na última guerra entre polícias e ladrões nas favelas do Rio, Brasil, os telespectadores bem viram como os agentes se aproximavam das zonas quentes para recolherem corpos de bandidos : em blindados do Exército ! Não digo que em Lisboa se utilizem os veículos do Exército - até porque a maior parte também está a cair - mas ao menos usem automóveis com vidros à prova de bala, se não ouver dinheiro para os blindados. E armem os homens, caramba ! Tirem-lhes essas armas encravadas em 30 anos de burocracia !
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Quarta-feira, Fevereiro 16, 2005
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12:34
por Maria João Carvalho
A polícia chinesa resgatou, em 2004, cerca de nove mil crianças e mulheres que tinham sido vendidas, noticia hoje o jornal chinês Xinbao. Imagina-se quantas vítimas terão ficado nas malhas do tráfico.
Se, há uns anos, as mulheres e crianças eram raptadas e vendidas para casamento ou para adopção, agora as autoridades têm-se deparado cada vez mais com casos mais violentos.
É cada vez mais comum a venda de pessoas para trabalhos forçados ou para a prostituição, graças à entrada em cena do crime organizado. Outra mudança é que, até hoje, a venda de mulheres e crianças ocorria sobretudo entre províncias do vasto continente chinês, mas agora o crime já envolve parceiros fora das fronteiras da China.
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Segunda-feira, Fevereiro 14, 2005
Enviado às
15:52
por Maria João Carvalho
Lúcia, de Fátima, morreu serenamente num dia 13, talvez para congregar os portugueses em torno da sua mensagem , depois, num dia dedicado ao amor por imperativos comerciais : o Dia dos Namorados.
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Domingo, Fevereiro 13, 2005
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00:12
por Maria João Carvalho
O correio normal, em França, é entregue num prazo de três a sete dias. Por isso, há um ano, utilizei, optimista, um serviço Chronopost. Mal dos meus pecados. Os estupores iluminados espetaram no envelope almofadado com uns autocolantes, no aeroporto de Orly, Paris, que taparam o endereço. Assim, a encomenda que chegou a Liverpool, não tinha endereço ! A mim, chegou-me 45 dias depois (de retorno e depois de muitas reclamações) porque o « destinatário tinha o endereço incompleto ». Uma festa à qual os queridos Chronopost ainda não se juntaram por falta, decerto, dos 50 euros que hão-de pagar à remetente (+ juros acrescidos).
A França é um mundo.
Um dia hei-de conseguir explicar, aqui, as virtudes do multibanco ou o que quererá dizer um correio azul e, para os mais inteligentes, um correio verde ! ! !
Quand, há três anos, enviei uma garrafa de Moet et Chandon e respectivo queijo para a minha irmã, nos Açores, esperando que celebrasse o São Valentim com termos, jamais pensei que seria tarefa impossível. Ao mesmo tempo, noutra encomenda, mandei pinceis chineses e tintas, que ela recebeu a tempo. A encomenda de bebes e comes foi resgatada dois meses depois (em S. Jorge) directamente para o lixo.
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Quinta-feira, Fevereiro 03, 2005
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21:07
por Maria João Carvalho
Os primeiros 10 minutos do debate organizado pelo Clube de Jornalistas entre os principais candidatos nesta corrida eleitoral foram, na verdade uma tristeza. Falar de boatos desta forma, acusar-se um líder de os fazer circular, é na verdade demagógico e triste. No meu caso particular, ouvi pela primeira vez o boato concernante ao Dr. Sócrates da boca de um socialista, daqueles que promovem serões com gente de todos os quadrantes políticos. Agora que o tempo de antena devia ser melhor aproveitado, devia. Depois, lá aproveitaram ambos o melhor possível . Sócrates, empertigado, arrogante, tal grilo falante dos desenhos animados (o senhor está aqui para responder pelas promessas do Dr. Durão Barroso, proferiu o líder socialista). Santana, vitimizado, tal infeliz Calimero, também dos meus tempos de infância (responsabilizo-me sim, se o senhor Sócrates responder pelos défices ocultos deixados pelo seu partido, respondeu o líder do PPD/PSD, como tanto gosta de sublinhar).
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Quarta-feira, Fevereiro 02, 2005
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21:00
por Maria João Carvalho
Agradeço ao K o seu comentário ( o seu blog é http://insensocomum.blogspot.com), mas o colinho dos candidatos é o que menos interessa neste momento quando está em causa o futuro de todas as crianças, inclusive as suas (de que se servem sem parcimónia). É mais forte do que eu ver o noticiário. No resumo da grande entrevista de ontem, Sócrates prometeu fazer tudo o que o seu mestre Guterres não fez quando foi primeiro-ministro. A seguir dava uma reportagem sobre o frio nas escolas de Guarda e Castelo Branco, um gelo herdado do governo socialista e do governo do que é hoje presidente da Comissão Europeia e do que foi seu sucessor.
Lembro as jocosas bocas anarcas do pós-25 de Abril, quando os ladrões e os investidores saiam pelo aeroporto da Portela quase de braço dado : o último a ir, que apague a luz... podia ler-se nos murais.
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Enviado às
13:58
por Maria João Carvalho
Em primeiro lugar, lamento que os nortenhos não enviem erva e água aos agricultores do sul (Portugal é pequeno), para salvar o gado alentejano... a não ser que condenem deliberadamente o gado dos mouros (para alguns regionalistas, abaixo de Lisboa, inclusive, é Mouraria). Depois, acho que os acordos com Espanha estão feitos como a cara de quem os fez: então os espanhois fecham as barragens e represas dos rios que vêm desaguar a Portugal, sem contrapartida neste caso de seca? Enfim...abaixo as compras de produtos espanhois!
Condeno o Prof Freitas do Amaral e a sua desmedida ambição ao aconselhar o voto no PS e, poucos dias depois, admitir que não está longe dos seus planos candidatar-se à Presidência da República com o apoio socialista. Ele que, como dirigente centrista, expulsou um dirigente local por apoiar um outro candidato quando ele próprio concorria. Por falar em défice democrático : Louçã esteve muito além dos princípios que apregoa quando, em debate televisivo, retirou a Paulo Portas o direito a manifestar-se sobre determinada matéria por não ter filhos, o que não era o seu caso, Louçã-pai .
Entre Santana e Sócrates, o vazio de ideias e a falta de nobreza de princípios é flagrante. Os dois jovens ex-comentadores televisivos, rapidamente catapulcados para a ribalta do Executivo, não estão preparados para governar o país, é evidente. Em caso de vitória socialista sem maioria (o que é quase certo) o PS deve acautelar-se para que não aconteça a Sócrates o que aconteceu a Santana. É que, por disputa de liderança e movimentações internas, o presidente poderá ser de novo pressionado a dissolver o Parlamento, e o PS não poderá alegar a insconstitucionalidade que lhe serviu antes. E eu sei quem está em bicos dos pés, no PS, para fazer cair Sócrates quando for chefe do Executivo; até porque ser bom líder da oposição não é condição sine qua non para ser um bom chefe do Executivo.
Veremos após 20 de Fevereiro. Até lá, vou evitar assistir às notícias da campanha, ler os maravilhosos livros e ver a boa colecção de filmes que trouxe da Figueira para este final de convalescência em Lyon, antes do meu retorno ao trabalho, no dia 15.
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