Rotativas

Sexta-feira, Junho 24, 2005


A Comissão Baleeira Internacional aprovou uma resolução que pede ao Japão para acabar com a captura de baleias para "fins científicos" mas os nipónicos anunciaram que vão continuar com o seu programa. Os países desfavoráveis ao abate de baleias acusam o Japão de explorar brechas no tratado que proibiu a caça, pois a carne dos mamíferos marinhos capturados para fins científicos acaba nos talhos e nos restaurantes de luxo que vendem cerca de 300 pratos de baleia diariamente. Os japoneses consomem 2500 toneladas de carne de baleia por ano.
A continuar com o seu plano, o Japão passará da captura de 440 baleias minke para cerca de 900, e eventualmente também ultrapassará a quota de espécies ameaçadas, como a rorqual e a baleia de bossa (humpack), fixada em 50. Os ambientalistas acusam o japão de caçar, de facto, 650 baleias por ano.
E Tóquio quer ir mais longe: O comissário japonês, Minoru Morimoto, diz que a vontade dos japoneses é de continuarem com a caça comercial sob a supervisão da
Comissão Baleeira.
Pela primeira vez em 20 anos, os japoneses não conseguiram fazer pender a balança para o seu lado. Na reunião anual, de 66 membros, 29 aprovaram a resolução, 23 votaram contra, cinco abstiveram-se. Os novos aderentes - Gâmbia, Togo e Nauru - que votarão ao lado dos japoneses, não puderam votar desta vez por não terem pago as quotas. A moratória que impede a caça comercial desde 1986 esteve quase a ser levantada.
Tóquio ainda propôs eliminar um santuário de baleias do Sul do Pacífico...e também perdeu essa batalha.
Outros países como a Islândia praticam a caça para fins científicos. A caça comercial é assumida pela Noruega, desde 1993 e Tóquio ameaça desde há muito juntar-se a este país.
Portugal extinguiu a caça à baleia em 1980. Os pescadores da ilha do Pico caçaram a última baleia em 1981.


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Quinta-feira, Junho 23, 2005


" A Família Real britânica custa a cada súbdito de sua majestade menos de um euro por ano... o equivalente a um jornal ou uma carcaça. A conclusão é do relatório anual de finanças da Família Real, publicado esta quarta-feira. O Príncipe William, quando chegar a Rei vai herdar um sistema muito bem planeado, do ponto de vista conómico. 36,7 milhões de libras, o equivalente a 55 milhões de euros, é quanto custa, por ano, a monarquia, o que representa 91 cêntimos do bolso de cada britânico. Este istema permite, segundo os economistas do Reino, uma monarquia com uma boa relação qualidade-preço... essa expressão é a utilizada por Alan Reid, o homem que trata das finanças da Família Real.Para muitos, o preço a pagar é pequeno, perante a importância da realeza... para outros, os tempos da monarquia têm os dias contados.As críticas cresceram com a recente visita do Príncipe Carlos ao Sri Lanka, que terá custado aos contribuintes mais de 290 mil libras... ou 450 mil euros. Uma quantia digna de um marajá." Texto de Ricardo Figueira para a EuroNews.
Agora comparem:
As dotações orçamentais de 2005 para os ministros da República dos Açores e da Madeira são de 200 milhões de euros (para cada um, sim). O gabinete do ministro da Defesa (o português, sim) leva 159 milhões de euros.
A minha família é açoriana...não é por isso que acho que se deve conceder a independência às ilhas...é por os governos autónomos serem tão pouco autónomos, tão sorvedouros de dinheiros públicos. Claro que os Açores poderiam depois sair da Europa e deixar de pagar multas por produzir leite a mais. Os jovens produtores agrícolas que estão a vender vaquinhas e a emigrar para as Bermudas (sim, como na década de 60), talvez pudesseam vender o leite necessário para a subsistência familiar e honrar o pagamento dos créditos pessoais.



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Sexta-feira, Junho 17, 2005


E, porque é fim de semana, vamos lá a sorrir com o caso do Duda, de mil oitocentos e troca o passo.
Sentença condenatória de Alagoas, de 1833.
(texto na íntegra):

"O adjunto de promotor público, representando contra o cabra Manoel Duda,
porque no dia 11 do mês de Nossa Senhora Sant'Ana, quando a mulher do
Xico Bento ia para a fonte, já perto dela, o supracitado cabra que
estava de tocaia em uma moita de mato, sahiu della de supetão e fez
proposta a dita mulher, por quem queria para coisa que não se pode
trazer a lume, e como ella se recuzasse, o dito cabra abrafolou-se dela,
deitou-a no chão, deixando as encomendas della de fora e ao Deus dará.

Elle não conseguiu matrimonio porque ella gritou e veio em amparo
della Nocreto Correia e Norberto Barbosa, que prenderam o cujo em
flagrante".

Dizem as leises que duas testemunhas que assistam a qualquer naufrágio do
sucesso faz prova.

CONSIDERO:

QUE o cabra Manoel Duda agrediu a mulher de Xico Bento para conxambrar com
ella
e fazer chumbregâncias, coisas que só marido della competia conxambrar,
porque casados pelo regime da Santa Igreja Cathólica Romana;

QUE o cabra Manoel Duda é um suplicante deboxado que nunca soube respeitar
as famílias
de suas vizinhas, tanto que quiz também fazer conxambranas com a Quitéria e
Clarinha,moças donzellas;

QUE Manoel Duda é um sujetio perigoso e que não tiver uma cousa que atenue
a perigança dele,
amanhan está metendo medo até nos homens;

CONDENO:

O cabra Manoel Duda, pelo malifício que fez à mulher do Xico Bento,
a ser CAPADO, capadura que deverá ser feita a MACETE.

A execução desta peça deverá ser feita na cadeia desta Villa.

Nomeio carrasco o carcereiro.

Cumpra-se e apregue-se editais nos lugares públicos.

Manoel Fernandes dos Santos,
Juiz de Direito da Vila de Porto da Folha
(Sergipe), 15 de outubro de 1833.".
(Fonte: Instituto Histórico de Alagoas).


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Quinta-feira, Junho 16, 2005


«O país perdeu a inteligência e a consciência moral.
Os costumes estão dissolvidos, as consciências em debandada, os carácteres corrompidos.
A prática da vida tem por única direcção a conveniência.
Não há princípio que não seja desmentido.
Não há instituição que não seja escarnecida.
Ninguém se respeita.
Não há nenhuma solidariedade entre os cidadãos.
Ninguém crê na honestidade dos homens públicos.
Alguns agiotas felizes exploram.
A classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e na inércia.
O povo está na miséria.
Os serviços públicos são abandonados a uma rotina dormente.
O Estado é considerado na sua acção fiscal como um ladrão e tratado como um inimigo.
A certeza deste rebaixamento invadiu todas as consciências.
Diz-se por toda a parte: o país está perdido!»

Isto foi escrito em 1871, por Eça de Queirós, no primeiro número d'As Farpas.




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Quarta-feira, Junho 15, 2005


Nélida Piñon, primeira mulher presidente da Academia Brasileira de Letras, foi galardoada com o Prémio Príncipe das Astúrias para Letras de 2005. O anúncio foi feito pelo presidente do júri para este galardão, Victor Garcia de La Concha, director da Real Academia Espanhola.
Nélida Piñon nasceu em 1937 no Rio de Janeiro. O seu nome é um anagrama do nome do avô galego, Daniel. A sua escrita (segundo a pequena apresentação do ministério brasileiro da Cultura) vai dos fragmentos à saga, do individual ao colectivo, do canónico ao experimental do sagrado ao sensual e do quotidiano ao mítico com a mesma familiaridade com que recebe prémios ou dá cursos e palestras pelos quatro cantos do mundo.
A "República dos Sonhos", obra-prima considerada pela própria autora como a sua "suma-teológica", relata, pela óptica da sua família de emigrantes galegos, uma ampla história do século XX com as suas utopias nacionais e europeias.
Para esta descendente galega, "o bacalhau, por prestar-se a tantas receitas, assemelha-se a 400 queijos franceses, que motivaram o presidente De Gaulle a declarar a ingovernabilidade de um país que criou do mesmo produto tantos sabores. Os portugueses, por sinal, donos de estômagos aguerridos, e apreciadores de alimentos contundentes, também não são facilmente governáveis. O que nos parece bem acertado".
E (não resisto) sobre a Língua Portuguesa, leia-se o que escreveu no discurso de tomada de posse na Academia das Letras em 1995:
Unicamente por minhas mãos ingressariam ambos na língua portuguesa, que é (...) um feudo forte e lírico ao mesmo tempo. Um barco que até hoje singra generoso o Atlântico, ora consolando Portugal, ora perturbando o Brasil. E porque esta língua tem vocação marítima, entende bem os impropérios do vento, mais que qualquer outra se deixa levar pelos sentimentos. Os ais e os prantos a seduzem tanto, que esta língua busca as estradas de ferro para medir de perto a intensidade das mágoas que só ganharão corpo e expressão através de seus recursos. E porque ela se orgulha do que é humano, esta língua portuguesa, de rosto e sexo ardentes, é capaz de saber, apenas pelo apito do trem, se quarta-feira é dia de usarem-na os amantes quando se querem perder para sempre. E como está em todas as partes, é privilégio seu provar a saliva de qualquer beijo, sentir-lhe a densidade do sal. Pois quanto mais salgado o beijo, mais as desesperadas palavras do seu patrimônio ganharão saída pelos poros, os olhos arregalados.
Nestas horas, como de propósito, a língua estimula os lamentos africanos, que lhe foram incorporados nos últimos quinhentos anos brasileiros. Com eles, ela ganhou força e ardência. Ficou uma língua morena. Talvez por isso se comova com tanta facilidade, e se solidarize muito mais com um corpo em frangalhos do que com quem sai altivo do embate amoroso. Tornou-se a língua portuguesa plangente, de índole excessiva, e deseja que usem vinte de seus vocábulos, quando apenas três talvez expressem parte dos seus sentimentos.
Daí esta língua precisar de que seus amantes se excedam, imaginem o coração incapaz de novo afeto. É nestas horas que a língua, sob tão grave ameaça, ganha dimensões impensadas. Usa da pena de Camões, Cecília, Machado, Clarice, só para não perecer. Ela quer ser usada até mesmo pelos sentimentos menos nobres. Não lhe falem jamais de poupança, nem pensem conferir-lhe a sobriedade que não seria outra coisa que prendê-la com cordas às camas secas de um quarto de hotel com luz néon, para que não lhe escutem os lamentos.
Fechar aspas...e fim de citação.
Parabéns, grande Nélida!



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Importante vaga de detenções, em Espanha, neutralizou 11 radicais islâmicos ligados a Ansar al Islam, célula europeia da Al Qaeda - a mesma rede de Al Zarqaui no Iraque. Cinco outros presumíveis terroristas detidos estão ligados aos atentados de 11 de Março de 2004 em Madrid. Uff...que bom não ter de dizer "presumíveis"...As 16 detenções, no total, ocorreram com enorme aparato na Catalunha, Andaluzia, Madrid, Levante e Ceuta, no âmbito de duas operações diferentes, a Operação Tigre e a Operação Selo. na ocasião, vários detidos islâmicos manifestaram a vontade de se tornarem "mártires". As investigações tiveram início em 2004 e permitiram concluir que a rede islâmica em Espanha era financiada na Síria, onde também se encontram os organizadores das actividades da rede - informações veiculadas pelo ministério espanhol do Interior. Todos os detidos são de origem marroquina. Quanto aos cinco indivíduos relacionados com o 11 de Março financiavam as acções do grupo com narcotráfico. Eram todos de origem marroquina e argelina.
Estiveram envolvidos mais de 500 agentes de diferentes polícias, nomeadamente da científica e da polícia de minas e armadilhas.



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Quarta-feira, Junho 08, 2005


A justiça espanhola enviou para os Estados Unidos uma comissão rogatória para interrogar três militares envolvidos no ataque ao Hotel Palestina, em Bagdad, que provocou a morte ao jornalista espanhol José Couso. O pedido foi expedido pelo juiz Santiago Pedraz, da Audiência Nacional, a mais alta instância judicial, em Espanha. Os militares são o sargento Shawn Gibson, o capitão Philip Wolford e o tenente Philip de Camp.

Com a devida vénia ao Diário de Notícias e ao blog Comunicar a direito


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Terça-feira, Junho 07, 2005


A Figueira da Foz está arder. O incêndio que lavra, desde ontem, já atingiu uma quinta de habitação rural...a fábrica da Tifanny/Sidney foi evacuada. Três bombeiros sofreram intoxicações e um outro partiu uma perna. O fogo já esteve incontrolável mas, se o vento não mudar, dentro de horas deve estar controlado. Mais de 200 coorporações estão a combater incêndios, neste momento, em Portugal. É muito triste que os fogos se desencadeiem assim quando aumentam as temperaturas. Sinal que a prevenção está a ser insuficiente.
Aqui homenageio os bombeiros do meu país.

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