Rotativas

Sexta-feira, Julho 29, 2005


Este ano, houve mais de 20 mil incêndios até agora.
Não vale a pena fazer comentários a esta desgraça, pois não?

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Quinta-feira, Julho 28, 2005


Desculpem o humor negro, mas não resisto: é que parece que até os paramilitares irlandeses do IRA estão chocados com o terrorismo da Al Qaeda em Londres e renunciaram, de vez às armas em troca de vagas promessas dos políticos!

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Os cientistas norte-americanos fizeram um gigantesco avanço no tratamento do cancro: através da nanotecnologia, arranjaram uma técnica de combate dentro da
própria célula cancerígena.
Ou seja, inventaram uma espécie de bomba inteligente que, através dos vasos sanguínios larga os químicos nas células afectadas.
Os minúsculos engenhos foram baptizados como "nanocélulas": são mais pequenas que um glóbulo vermelho, e são formadas por um envólucro de gordura onde
alguns medicamentos são diluídos. Esse envelope cobre um balão sólido biodegradável que contem a quimioterapia numa molécula clássica, a doxorubicina, sob a forma de nanopartículas. No interior do tumor, o envólucro desintegra-se, libertando rapidamente o tratamento que trava a formação de vasos que alimentam o tumor. Esses vasos fundem-se e são apanhados pelas nanopartículas dentro do tumor, o que corta o fornecimento de sangue. Estas, largam a quimioterapia que mata as células cancerígenas.
Os intestigadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), que projectaram a bomba molecular, garantem que nenhuma célula saudável é destruída, o que elimina os efeitos colaterais como perda de cabelo, náusea e emagrecimento.
"Se não se fecharem as linhas de fornecimento, as células do tumor podem escapar, e é assim que acontece a metástase. Ao matar esse abastecimento, limita-se a chegada dos agentes quimioterapêuticos às células saudáveis", disse Ram Sasisekharan, da Divisão de Engenharia Biológica do MIT.




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Quarta-feira, Julho 27, 2005


Compare-se a rapidez dos tribunais franceses e dos portugueses:
O pior caso de pedofilia entre os que agitaram a França ultimamente vai ter o seu veredicto ainda hoje. Histórias familiares sórdidas, que envolvem incesto e abusos de bebés estão condensadas em 25 mil páginas de provas, 430 de acusação, testemunhos de 150 pessoas contra 65 réus defendidos por 60 advogados.
Em troca de pequenas somas de dinheiro e cigarros, os acusados ofereceram para sexo crianças com idades entre os seis meses e os 14 anos. Os crimes foram
cometidos entre Janeiro de 1999 e Fevereiro de 2002 no distrito de Saint Leonard em Angers, Oeste de França.
Durantes os cinco meses de julgamento os juízes ouviram testemunhos gravados das crianças.
O veredicto tem de responder a 1972 questões e demorará mais de duas horas a ler. Os acusados, no seu conjunto, arriscam penas até 672 anos de prisão.


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Terça-feira, Julho 26, 2005


Os números foram retirados da Visão n° 645 do artigo "o país chaminé" - quanto ao distrito de Coimbra: "A quantidade de área florestal ardida já é 25 vezes superior à que foi queimada em igual período de 2004.Só no mês de Junho houve uma média de 138 incêndios por dia."

Palavras para quê? A frustração em relação ao poder político português é enorme. Não só não se desmata o país, como não se previne nada - os espanhois andam, na Primavera, a recolher plantinhas das florestas para verificar o grau de humidade... Os criminosos dos incendiários são sujeitos a leves medidas de coacção e não a prisão efectiva e longa para servir de exemplo. E, escândalo dos escândalos, os bombeiros do país andam a apagar fogos intensíssimos vestidos com os meros fatos-macaco, como se estivessem no ambiente protegido de uma garagem fresquinha! Onde estão os fatos de protecção? Os capacetes obrigatórios? Que raio de país é Portugal que manda os soldados da paz para o fogo sem os meios mais elementares? E que fazem esses gajos que cumprem penas por violação e homicídio à custa do erário público? Não lhes faria bem trabalhar um pouco pelo seu país, no Inverno, desmatar, limpar de detritros reflectores e preparar a terra para replantar? Decerto vão gostar de ser pagos para, à saída condicional a menos de metade do cumprimento das penas (com amnistias e etc), como é hábito, terem dinheiro para investir nalgum "biscate." (leiam negócio, se forem honestos).
Não posso mais, não quero, ver atropelos de tubarões para umas eleições presidenciais que nem são este ano (é mesmo recriação da actualidade noticiosa portuguesa) quando o país está a arder e precisa de tempo de antena para defender o que resta, que é pouco.
Também acho inconcebível que um primeiro-ministro como Sócrates, com Portugal em chamas, se passeie pelo Porto a um sábado em campanha eleitoral pelo partido de que continua a ser o secretário- geral e o sublinhe deseducadamente a um jornalista que lhe perguntou algo sobre o país. Tenham paciência, senhores! A necessidade não se compadece com farsas! O país precisa de um chefe a tempo inteiro. Passe a pasta socialista a outro porque o caos não interrompe o seu curso por ser sábado ou domingo. Tenha bom senso, senhor primeiro!!!

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Quinta-feira, Julho 21, 2005


O Serviço Nacional de Bombeiros e Protecção Civil (SNBPC) indica que às 12h30 lavravam dez incêndios em Portugal continental, três dos quais circunscritos.
Segundo o ponto de situação do SNBPC divulgado às 12h30, há 1748 bombeiros, auxiliados por 491 veículos e 16 meios aéreos em actividades de "combate, rescaldo e vigilância" em todo o país.
O SNBPC chama a atenção para a "continuação de tempo quente e seco", que cria "condições propícias à ocorrência de incêndios florestais" e frisa que todos os cidadãos evitem os "comportamentos negligentes" que por vezes estão na origem dos fogos.
Os bombeiros reforçam a ideia de que, conforme está patente no decreto-lei n.º 156/2004, de 30 de Junho, nesta época devem ser evitadas as queimadas e fogueiras, sobretudo em espaços florestais, e é obrigatório "manter limpa uma faixa de protecção das habitações".



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Onte, os magistrados italianos perderam o que consideravam ser um braço de ferro com Berlusconi pelas liberdades e garantias da profissão: o parlamento italiano adoptou definitivamente a reforma da magistratura italiana .
O objectivo desta reforma é modernizar o aparelho judicial e introduzir as promoções por mérito no sistema. Proibe a filiação partidária e instaura as acções disciplinares automáticas por erro judicial (deixam de ser facultativas).
Os juízes fizeram greve quatro vezes desde que o projecto-lei foi apresentado, em 2002, a última das quais foi no dia 14 do corrente mês.





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Segunda-feira, Julho 11, 2005


11 de Julho de 1995, as tropas sérvias-bónias tomavam o enclave de Srebrenica, declarado "zona de segurança" pela ONU. A ofensiva croata na chamada Bolsa das
Krajinas tinha provocado a resposta dos ultra- nacionalistas sérvios, Karadzic e Mladic. Com o assalto ao enclave bósnio-muçumano, apenas se punha em prática o acordo pragmático entre Milosevic, da Sérvia, e Tudjam, da Croácia, à custa do governo legítimo de Sarajevo. Desde que tinham surgido as forças paramilitares de Arkan, Aguias Brancas, e os Tigres e Escorpiões, que nada se sabia das populações sitiadas. Milosevic e a UNPROFOR calavam, a União Europeia fingia ignorar. Mas o rumor das matanças era cada vez mais forte. Havia testemunhos de sobreviventes. E mesmo que o nacionalismo exarcebasse algumas descrições, o importante era transmitido de boca a boca.
O comandante holandês destacado em Srebrenica, Robert Franken, confirmava que a evacuação se tinha feito de acordo com os princípios da Convenção de Genebra.
Antes disso, os habitantes de Srebrenica fizeram tudo, em vão, para reter na região o general Philipe de Morrillon (a quem a imprensa francesa, descaradamente pró-sérvia chamava Philipe da Bósnia. Como dizia o correspondente espanhol do El Pais, Juan Goytisolo, o Philiope da Bosnia "calou como um morto, o genocídio, embora se tivesse comprometido a impedi-lo perante as vítimas).
O que aconteceu:
Primeiro, depois da tomada de Srebrenica, as forças sérvias separaram todos as pessoas do sexo masculino com idades compreendidas entre os 14 e 65 anos - uns
15 mil de uma população de 25 mil; Segundo, os homens foram aglomerados a céu aberto, longe das famílias, mas iam recebendo relatos de execuções em massa dos prisioneiros dos arredores do enclave. Assim, lançaram-se numa corrida desenfreada pela vida nos campos minados, sob fogo das metralhadoras e morteiros dos sérviso. Apenas sobreviveram seis ou sete mil. A outra metada foi morta. Terceiro: se houve sobreviventes, foram depois executados pelas tropas de Mladic, depois de detidos por algum tempo nas escolas e instituições públicas.
Os satélites norte-americanos fotografaram nos dias 13,14 e 15 de Julho grandes aglomerações de prisioneiros a céu aberto e, dias depois,as fotos mostraram terrenos sem rasto humano, removidos por escavadoras e outra maquinaria pesada. A comunidade internacional evitava conclusões. A Cruz Vermelha Internacional pediu para ver os detidos de Mladic e ele, de 8000 mostrou-lhe 200. Não houve questões. Durante os três anos de guerra prévios as matanças de 600 e mais pessoas nas aldeias foram apenas como que o estudo prévio para este genocídio estruturado por Milosevic. As democracias ocidentais mostraram-se absolutamente afastadas da realidade de racismo nacionalista e de exaltação delirante do totalitarismo de identidade. Quando Milosevic iniciou o seu discurso contra os albaneses kosovares, a comunidade internacional nada mais viu que a promoção do espírito nacionalista numa província autónoma sérvia. E quando Milosevic se dispôs a fazer do território da ex-Jugoslávia a Grande Sérvia, os seus propósitos de expansão não assustaram ninguém. Miterrand, o aliado pró-sérvio incondicional, terá mesmo tido um papel essencial no silêncio das tropas francesas da ONU em relação a bombardeamentos e assassínios. Um dos casos mais flagrante foi o assassínio a sangue frio do vice-presidente bósnio, tirado à força do blindado em que era transportado do aeroporto aos Correios de Sarajevo. Foi executado com uma bala à frente dos franceses, que nada fizeram para o impedir e o oficial graduado opresente, sartre, foi mesmo condecorado rapidamente com a Legião de Honra.
Se a ONU tinha dito, depois da II Guerra Mundial que "genocídio nunca mais", o Ruanda e a Bósnia vieram, tristemente, lembrar o quão vãs são as promessas. Srebrenica foi o culminar de varias experiências de um macabro laboratório em todo o território.
Hoje, na cerimónia do 10 aniversário do genocídio, O representante de Kofi Annan, Mark Brown, reconheceu terem sido feitos vários erros de julgamento por causa da filosofia onusiana de impacialidade e não-violência, o que se viu ser desajustado no conflito da Bósnia. A tragédia de Srebrenica ficará sempre na história da ONU, pelas priores razões, disse.
Só Jack Straw, chefe da diplomacia britânica, reconheceu a vergonha da comunidade internacional cujo genocídio se passou debaixo do nariz.
Por enquanto, apenas metade da população sérvia acredita no genocídio de Srebrenica e dois terços consideram que os sérvios bósnios Radovan Karadzic e Ratko Mladic são inocentes dos crimes que lhes são imputados. A maioria crê que os sérvios são os grandes prejudicados da guerra dos Balcãs.





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Quinta-feira, Julho 07, 2005


Com a devida vénia, reproduzo aqui o texto divulgado pelo correspondente da LUSA. Estou sem tempo e a descrição dele dá uma ideia mais do que suficiente do horror vivido na baixa londrina.

João Cepeda, da Agência Lusa
Londres, 07 Jul (Lusa) - "Um inferno debaixo da terra" foi o cenário descrito por um responsável da polícia que desceu ao túnel do metro de Edgware Road, indicando que "qualquer que seja o número de mortes, será sempre um milagre".
A Scotland Yard pediu aos seus agentes para não passarem informações concretas à imprensa, sobretudo sobre o número de mortes, mas muitos dos que estão a trabalhar nas operações de emergência, nos locais afectados pelos ataques terroristas de hoje, têm quebrado esse sigilo, precisamente para apelar à sensibilidade dos jornalistas.
"O cenário é horrível e é difícil imaginar como é que todas estas pessoas sobreviveram", acrescentou a mesma fonte, realçando, no entanto, a necessidade da maior prudência em relação a informações visto que há familiares das vítimas que ainda não têm qualquer informação.
Além dos agentes de polícia, das equipas de urgência e dos peritos que estão a recolher provas sobre os atentados, dezenas de enfermeiros, médicos e psicólogos voluntários acorreram aos locais mais afectados da cidade, para poder ajudar as vítimas.
Em Edgware, a polícia montou um hospital de campanha dentro do hotel Hilton, à porta da estação de metro, para onde foram transportadas mais de 60 pessoas.
Sean Barron, um estudante de medicina norte-americano que está em Londres a fazer um estágio temporário, diz ter "voado para o sítio assim que ouviu as notícias e ao perceber que estava perto".
Depois de passar horas a ajudar as pessoas que ficaram feridas pela explosão, Sean contou à Agência Lusa que "mais do que os ferimentos, a maioria ligeiros - provocados por pequenos cortes dos estilhaços de vidro ou intoxicações pelo fumo -, o que realmente impressiona é o estado em que estas pessoas estão. É mais do que
pânico".
Nos relatos que ouviu das vítimas, uma delas "um miúdo que não devia ter mais de seis anos", Sean soube de um passageiro que foi projectado pela explosão até à linha do lado e acabou atropelado pelo metro que passava no sentido contrário.
Travis Bomke, um australiano de 24 anos que trabalha em Londres, tem um testemunho ainda mais impressionante, porque viajava na carruagem da frente do metro que explodiu.
Em declarações à Lusa, Travis disse que "o caos começou logo após a explosão. Foi mesmo ao nosso lado e por isso foi o pânico total. Havia pessoas a gritar, a chorar e a pedir ajuda".
Com o auxílio de alguns passageiros que conseguiram manter a calma e rebentar as portas e janelas cujos vidros estavam estilhaçados pela explosão, Travis contou aos jornalistas que conseguiu "sair rapidamente da carruagem".
O "pior veio depois", continuou, quando "tivemos de passar pela outra carruagem e vimos que metade estava completamente destruída. Tinha-se desintegrado. Havia sangue por todo o lado. Horrível".
Edgware Road é a avenida central de Londres onde existem mais negócios pertencentes a muçulmanos e são estes londrinos os que mais temem pelo seu futuro.
Muitos optaram por fechar as lojas assim que a polícia selou a zona, outros, sem dar o nome, dirigiram-se aos jornalistas para dizer que condenam os atentados.
"Os principais prejudicados disto vamos ser nós. Se havia racismo, vai haver muito mais", afirmam.
Mais disponíveis para falar estavam as centenas de londrinos que se concentraram junto aos cordões policiais para se tentar inteirar do que tinha acontecido.
Peter MacMorick, um taxista irlandês de 71 anos, disse só ter visto uma coisa assim "na altura da Segunda Guerra Mundial. Eu sou irlandês, sei bem o que são mortes inúteis, mas nunca as consigo
perceber. É repugnante".









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Quarta-feira, Julho 06, 2005


Londres vai ser a cidade anfitriã dos Jogos Olímpicos de 2012, apesar do lobby fortíssimo da cidade-luz. Tinha um argumento de peso, viu-se no vídeo: uma Rainha! Não é aqui a monárquica que refere... o vídeo de apresentação da candidatura é que o realçava...

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O Refúgio Nacional Ártico do Alasca, nos Estados Unidos, abriga uma população estável de ursos pardos que ali encontram proteção contra a depredação - região protegida onde Bush quer autorizar a exploração petrolífera.
Os ursos pardos são, indiscutivelmente, os reis do campo aberto da tundra e das montanhas do Alasca. No Refúgio Ártico, vivem mais ao Norte do que outros de sua espécie. A maioria dos ursos pardos do Refúgio fazem suas tocas nas montanhas do sul da planície costeira. Como o Refúgio está sobre um solo permanentemente gelado, os ursos selecionam tocas em rochas, ou solos arenosos que se descongelam a mais de quatro pés de profundidade.
Os ursos pardos fogem durante os longos invernos no Refúgio hibernando até oito meses por ano. Durante esse longo sono, não comem nem bebem. Entretanto, dão à luz e amamentam seus filhotes. Os ursos pardos no Refúgio enfrentam uma longa hibernação de inverno e fontes limitadas de alimentos. Por isso, podem ter corpos pequenos, baixas taxas de reprodução e jovens que amadurecem lentamente. Porém, a maioria desta população mais setentrional permanece assombrosamente estável. Os únicos inimigos que têm no Refúgio são a velhice, outros ursos pardos e, de vez em quando, o homem.
Fora dos abrigos, exploram amplamente buscando alimentos frequentemente escassos. Enquanto dura a neve da primavera, os ursos comem carniça, esquilos e raízes. No início de Junho, alguns ursos devoram as renas recém-nascidas. Esta oportunidade dura poucas semanas, até que essas crias fiquem espertas. Durante o Verão, os ursos pardos alimentam-se principalmente de verduras. Posteriormente, os ursos consomem grandes quantidades de bagos. Quando a neve volta, normalmente em meados de Setembro, os ursos vão novamente em busca de esquilos e raízes.


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Estava eu, inocentemente, à procura de documentação para as mudanças climáticas e posição teimosa e assassina de Bush (em rejeitar o protocolo de Quioto) quando encontrei este artigo no site daTerraAmérica, ambiente e desenvolvimento (não tem data, mas é relativamente recente). Agora, Bush dá aos amigos texanos a exploração petrolífera de uma reserva ártica. Nunca é demais divulgar:
Título do artigo (escrito em português do Brasil):
Bush lança nova ofensiva pelo petróleo no Ártico
Por Katherine Stapp*

A Casa Branca considera fato consumado a exploração de petróleo em uma prístina reserva do Alasca. As empresas petrolíferas mantêm cautela.
NOVA YORK.- Uma delegação de legisladores e funcionários norte-americanos percorreu, tiritando, a gelada tundra costeira do Alasca, para avaliar um projeto, incentivado por Washington, de extração de petróleo no prístino Refúgio Nacional de Vida Silvestre do Ártico. Entretanto, o grupo não contatou os mais firmes opositores locais à iniciativa. Cinco senadores, dois ministros e um funcionário da Casa Branca visitaram, no dia 5 de março, a Vertente Norte do Alasca e conseguiram se reunir com líderes de uma aldeia inupiat, mas não com a comunidade gwichin de Vila Ártica. Os gwichin são inflexíveis em sua rejeição à exploração do Refúgio, baseados, entre outras razões, no temor de que sejam afugentados os caribus (Rangifer tarandus), espécie de rena que habita a região, que caçam desde tempos ancestrais.
Pedimos ao senador (Pete) Domenici que trouxesse a delegação à comunidade gwichin, mas nunca nos respondeu. Senti que já haviam tomado uma decisão, e isso entristeceu meu coração, disse ao Terramérica Luci Beach, diretora-executiva da Comissão Diretora Gwichin. A Câmara de Representantes norte-americana aprovou vários projetos para autorizar a extração de petróleo no Refúgio, mas o Senado nunca os aceitou. Agora o governante Partido Republicano faz uma nova tentativa para autorizar as perfurações: incluir a previsão de renda por concessões para explorar o Refúgio em uma próxima resolução orçamentária, que requer maioria simples e não poderia ser obstruída pelo opositor Partido Democrata.
O presidente George W. Bush pediu e tratamos de fazer o que pediu, explicou aos jornalistas, sobre essa iniciativa, Judd Gregg, presidente da Comissão de Orçamento da Câmara de Representantes. A exploração petrolífera no Refúgio é uma parte central e pendente da política energética de Bush que, segundo os críticos, ignora a conservação e a sustentabilidade, para centrar-se quase exclusivamente no uso de combustíveis fósseis. Os Estados Unidos têm apenas 3% das reservas mundiais de petróleo, e consomem 25% da produção global. De acordo com o estatal Centro de Pesquisa Geológica norte-americano, a probabilidade de o Refúgio ártico possuir 5,7 bilhões de barris (de 159 litros) de petróleo é de 95%, e há 5% de probabilidade de possuir 16 bilhões de barris.
Entretanto, a planície costeira também é lar do caribu, do touro almiscarado (Ovibos moschatus), do urso polar (Thalarctos maritimujs) e de outras espécies árticas. O caribu é um dom que nos foi dado e não o caçamos às pressas. É algo frágil, com o que não queremos fazer experiências, afirmou Beach. Embora não estando em sua aldeia, Beach e outros ativistas conseguiram se reunir com a delegação por cerca de uma hora na cidade de Anchorage, no Alasca, antes de seu regresso a Washington, no dia 7 de Março. ¿Nos deram respostas políticas, e não creio que realmente se preocupem com os direitos humanos dos gwichin, afirmou a dirigente indígena.
Michael Musante, porta-voz do Poder Ártico, o principal grupo de pressão pela atividade petrolífera no Alasca e integrante da delegação, disse ao Terramérica que os inupiat com os quais se reuniu caçam na mesma região que os gwichin e sentem que o projeto (de explorar petróleo no Refúgio) é absolutamente necessário para melhorar suas vidas. Argumentou ainda que a infra-estrutura de extração ocuparia entre 2,4 e 3,2 hectares dos 607 mil que o Refúgio possui. Várias das grandes empresas petrolíferas, incluindo a BP, ConocoPhilips e ChevronTexaco, já se retiraram do Poder Ártico e uma fonte do Poder Executivo assegurou que essas empresas não iriam ao Refúgio, apesar de o governo ter dado concessões a elas, segundo informou o jornal The New York Times).
Há dois anos, o Alasca ofereceu concessões para exploração de petróleo em uma faixa da plataforma continental de aproximadamente cinco quilômetros em frente ao Refúgio, e não houve interessados. Entretanto, para Ed Porter, gerente de pesquisas do American Petroleum Institute, há incentivos suficientes para investir no Refúgio. Me surpreenderia se a maioria das empresas não se apresentasse para uma licitação, pois (o Refúgio) é o maior território potencialmente explorável na América do Norte. O preço do barril de petróleo está acima dos US$ 50, e duvido que isso diminua o interesse, disse Porter ao Terramérica. Além disso, nos últimos 30 anos, houve avanços na tecnologia de extração, com a perfuração horizontal, que permite explorar várias jazidas com uma única boca de saída primária, e isso reduz de forma significativa o impacto ecológico, acrescentou.
Musante reconheceu que a ExxonMobil é a única multinacional que permanece no Poder Ártico, mas alegou que as empresas não podem tomar decisões até que o Congresso atue, o que espera que ocorra logo". Russ Roberts, porta-voz da ExxonMobil, admitiu em conversa com o Terramérica que a informação crítica, como a sísmica, é quase inexistente, e isso dificulta elaborar interpretações e previsões significativas sobre o projeto. A empresa acredita que o Refúgio pode ser explorado com escasso risco para a ecologia da planície costeira, em parte pelo uso de técnicas de mapeamento tridimensional que permitem aos engenheiros localizar as jazidas, mesmo quando os dados geológicos são muito complexos, afirmou.
O orçamento para 2006 do Executivo norte-americano considera como fato consumado a aprovação da exploração de gás natural e petróleo no Refúgio, e assume que o país receberá por isso US$ 2,4 bilhões. Um cálculo questionado por Lydia Weiss, especialista em relações com o governo da organização Defensores da Natureza. Para conseguir essa soma, o Refúgio deveria ser arrendado a preços de US$ 10 mil a US$ 15 mil por hectare, e o preço médio na Vertente Norte nos últimos 20 anos é de aproximadamente US$ 123 por hectare, acrescentou Weiss. Esperamos que ¿os presidentes das comissões orçamentárias do Congresso não se envolvam em ardis para aprovar uma idéia tão controvertida, à qual se opõe a maioria dos norte-americanos, ressaltou a especialista. Contudo, se essa exploração for aprovada, a comunidade ambientalista lutará contra cada passo do processo, afirmou.

* A autora é editora da IPS para a América do Norte e o Caribe.



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A alteração climática, assunto quente desta era, vai ser discutida na cimeira do G8 a pedido do Reino Unido. A única solução para este problema internacional parece ser o protocolo de Quioto de 1997, mas nem todos os países ricos e industrializados parecem querer chegar a acordo. A intenção é reduzir 5,2 por cento das emissões de dióxido de carbono até 2012 em relação a 1990.
Os Estados Unidos, que são quem polui mais com CO2, relativamente a todos os outros países do planeta, aumentaram as missões em 15 por cento, desde 1990. A União Europeia tem mostrado maior contenção. A China progride rapidamente em relação à Rússia. O Japão tende a conter as emissões poluentes, embora também tenha aumentado.
Contrariamente aos outros membros do G8, os Estados Unidos não ratificaram o Protocolo de Quioto, ao qual Bush se opôs desde sempre, com os mesmos argumentos: "Quioto, em muitos pontos, é irrealista. Muitos países não podem atingir os seus objectivos, e estes nem sequer são baseados na ciência".
Para o presidente americano, a solução está nos avanços tecnológicos, como por exemplo o carro movido a hidrogénio, a quarta geração nuclear ou o armazenamento subterrânio de dióxido de carbono. Só que este progresso é esperado daqui a quarenta anos...
Muitas cidades americanas quiseram avançar antes. Em São Francisco, no Dia do Ambiente de 2005 promovido pela ONU, o governador republicano Arnold Schwarzeneger comprometeu-se pessoalmente e assegurou que a California vai liderar a luta contra o aquecimento global.
Também o presidente democrata da Câmara de Seatle, envolveu numa acção ambiental outras 10 cidades que vão cumprir medidas muito específicas preconizadas pelo Protocolo de Quioto. O objectivo final é envolver, ao todo, 140 cidades - 140 é o número de países que ratificaram o tratado.


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Terça-feira, Julho 05, 2005


Dar uma feição humana à globalização implica o combate à pobreza em África, uma pobreza endémica e persistente para a qual se mobilizam todas as consciências
políticas em tempo de G8 e Live 8. É verdade que para combater as desigualdades todas as iniciativas são de louvar. Uma delas é a do perdão da dívida externa aos países mais pobres.
Quando o grupo dos mais ricos perdoou dívidas de 40 mil milhões de dólares aos mais pobres, a 18 países africanos, 280 milhões de africanos foram afectados positivamente. Até ao final de 2010 deverão ser anulados créditos africanos no valor total de 100 mil milhões de dólares.
Moçambique foi o único país da CPLP que beneficiou do perdão da dívida. Angola, por causa da riqueza mineral e energética (mal distribuida) não foi beneficiada com um só euro. Angola, de acordo com o Índice de Desenvolvimento Humano, num ranking de 173 países, é o n° 162. 68 por cento da população vive com menos de dois euros por dia.
Bruxelas mostrou querer avançar com o dossiê das reformas nas ajudas à exportação agrícola depois de Bush ter dito que bania as subvenções agrícolas norte-americanas se a União Europeia o fizesse também.
Louis Belanger, director de uma organização não governamental britânica, acha que o que pode fazer a diferença é a nível de exportações agrícolas: se aumentar apenas em 1 por cento isso corresponde a 7 vezes o total da ajuda ao desenvolvimento dada anualmente a África.
Seja como for, os mais pobres entre os pobres precisam ainda de outra medida de auxílio (defendida pela acção Global Contra a Pobreza) ou seja: que o Banco Mundial, o Fundo Monetário Internacional e a Organização Mundial do Comércio abandonem políticas prejudiciais e programas de ajustamentos estruturais que têm devastado as economias africanas e provocado o enpobrecimento de muitos milhões de homens, mulheres e crianças.


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