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Segunda-feira, Agosto 29, 2005
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17:15
por Maria João Carvalho
Quinta-feira, dia 3 de Setembro, celebra-se o triste aniversário da tragédia da escola de Beslan, na Ossétia do Norte. O jornalista e filósofo francês Andrè Glucksmann, de 67 anos, que mantém a mira apontada para os regimes totalitários, escrevia para a revista do Corriere della Sera (26/8/2004) o artigo "Chechênia, shopping e normalidade (assim Putin faz propaganda)". Reprodução do Observatório de Imprensa. Omiti o primeiro parágrafo, que fala apenas numa rapariga com uma mala muito fashion made in Italy nas ruas de Grozni.
(...)
Glucksmann começa seu texto de forma irônica, dizendo estar temeroso pois achava que, ao tolerar uma guerra colonial de extermínio, os europeus estivessem vendendo sua alma; que, convidando para a mesma mesa como irmão um ex-oficial da KGB, cujo exército esta massacrando um povo inteiro, os dirigentes estivessem vilipendiando os princípios basilares do projeto europeu. Temeu Glucksmann pelos civis abandonados no mundo quando o Museu do Holocausto, de Washington, colocou a Chechênia em primeiro lugar na sua lista "Genocide Watch" (observatório de genocídios); e finalmente teve medo quando viu pela televisão Putin pavonear-se por Roma, Madri e Berlim.
Mas Glucksmann concluiu que estava errado, e que a opinião pública faz muito bem em não preocupar-se com o calvário de 1 milhão de chechenos: eles não existem. Assim como não existe Grozny, a primeira capital européia arrasada depois de Varsóvia (em 1944). Não existem dezenas de milhares de mortos, centenas de milhares de refugiados em países vizinhos. Não existem as matanças, os estupros, as "zatchistkas" (operações limpeza), as torturas, os campos de filtragem. Como disse o presidente do Conselho de Ministros italiano Silvio Berlusconi, "em Grozny tudo está bem".
Claro que "tudo está bem": no centro foram reconstruídas duas ruas. Jornalista e fotógrafos ocidentais são convidados a inspecioná-las durante as visitas guiadas por agentes da FSB.
Catarina II tinha suas "aldeias Potenkin", os dirigentes soviéticos as viagens programadas pela pátria do proletariado, Vladimir Putin sua Grozny "normalizada".
"Cenário de Hollywood"
Nenhum jornalista ou fotografo tem autorização de transitar na Chechênia sem ser "guiado". Correriam o perigo de cair em uma fossa comum onde são sepultados os mortos civis, ou encontrar um soldado bêbado achacando uma velha, ou milicianos que raptam jovens para seus chefes ou para si próprios. É esta a Rússia que o presidente francês Jacques Chirac classificou como "na primeira fila entre as democracias pelo respeito aos povos em primeiro lugar, pelo diálogo entre culturas e, simplesmente, pelo respeito aos outros".
Glucksmann continua dizendo que deve estar divagando, já que Putin afirma que a "guerra acabou". Mentira perfeitamente digerida pelo Ocidente, que insiste em acreditar que a resistência chechena esteja ligada à al-Qaeda.
A Chechênia é a terra do "não direito". A FSB está experimentando um sistema de abolição do princípio da realidade e da submissão por meio do terror. A segunda vítima da guerra de Putin, depois da população, é a verdade ¿ e a imprensa livre e independente. A mídia repete docilmente a propaganda do Kremlin, como nos velhos e "bons" tempos.
Andrè Glucksmann termina seu artigo contando o seguinte caso: Putin estava sobrevoando Grozny e, ao tomar ciência da destruição, exclama: "Que horror!". O ministro da Economia, o responsável pela reconstrução da cidade, concorda e acrescenta cinicamente: "Parece até um cenário de Hollywood, para filme da Segunda Guerra Mundial".
Convém reiterar que o artigo foi escrito antes da tragédia de Beslan, portanto não foi usado como justificativa ou explicação para o injustificável e o inexplicável. Mostra tão-somente o que garantiu Vladimir Putin ao começar a Segunda Guerra da Chechênia: "[Nós] os seguiremos [os chechenos] até nos banheiros e os exterminaremos" ¿ e está cumprindo rigorosamente sua promessa.
[Texto de apoio: "Triste verita sulla guerra dell¿orrore", de Eugenio Sacalfari, la Repubbllica (5/9/04)]
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17:07
por Maria João Carvalho
A Polícia Judiciária ficou indignada com a informação e veio a público dizer que tem 120 detidos... não disse foi que o mais certo é os juízes os mandarem embora depois do julgamento!
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Quinta-feira, Agosto 25, 2005
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14:32
por Maria João Carvalho
Acabo de ouvir esta, e é de pasmar: Em 50 mil incendiários, apenas um por cento foi levado a julgamento em Portugal. A última pena proferida contra um criminoso deste calibre foi há 8 anos, em 1997. A pena estabelecida é de 3 a 10 anos de cadeia e, se morrer alguém (e como a vida vale muito pouco em Portugal) a pena passa a ser de 5 a 15 anos. E, que se saiba, não há prisão efectiva em Portugal. Com a dedução da p. preventiva, as amnistias e o bom comportamento ninguém faz metade da pena, sequer.
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Quarta-feira, Agosto 24, 2005
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19:12
por Maria João Carvalho
Jacques Chirac e Hugo Chavez, quiseram mostrar publicamente, que estão solidários com o povo na maior cerimónia fúnebre do Estado francês a vítimas francesas de um acidente. Os passageiros eram, na sua maioria, funcionários públicos da Martinica, território francês ultramarino, que regressavam de férias no passado dia 16 do
corrente mês, com as famílias. Os tripulantes eram colombianos. O avião transportava-os do Panamá, e despenhou-se na Venezuela. A última coisa que se soube foi que o piloto deu conta de problemas no motor durante um contacto com a torre de controlo do Aeroporto de Caracas, na Venezuela, e desviou da sua rota original. Dez minutos mais tarde, as autoridades perderam contacto com o avião. Pouco depois confirmava-se a queda do aparelho, um MD-82, e que não havia sobreviventes.160 crianças colocaram uma vela em frente das fotografias e dos nomes dos malogrados passageiros. No final da cerimónia ecuménica (todos os cultos da ilha estiveram representados) fez-se um minuto de silêncio.
Pois houve um camarada de trabalho que ficou muito ofendido por eu chamar território ultramarino à Martinica, dizendo que a ilha é como os Açores para o Continente. Eu acho que sim, por um lado, mas não por outro. É como seria Angola para o continente se não tivesse havido independência no 25 de Abril mas uma autonomia negociada com os angolanos. Lá porque continuaram a colonizar depois do fim da escravatura não pode deixar de ser comparada às ex-colónias dos outros países. A Martinica de hoje é um departamento regional francês e os seus cidadãos são europeus. Essa é a diferença entre a autónoma Martinica e a independente República de Angola. Agora não me queiram dizer que é como os Açores e a Madeira, porque não é...
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Segunda-feira, Agosto 22, 2005
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18:51
por Maria João Carvalho
A Justiça do Rio de Janeiro condenou a 23 anos e meio de prisão mais três acusados de envolvimento no assassínio do jornalista Tim Lopes, da TV Globo.
O crime aconteceu em Junho de 2002, numa favela do Complexo do Alemão, na zona Norte do Rio de Janeiro, onde o jornalista fazia uma reportagem sobre bailes "funk" em que haveria consumo de drogas e sexo explícito.
O corpo do jornalista foi esquartejado e queimado em pneus.
Elizeu Felício de Souza, Reinaldo Amaral de Jesus e Fernando Satyro da Silva foram condenados por homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver e formação de quadrilha.
A sentença foi decretada após quase três dias de debates no tribunal.
Outros dois acusados, o traficante Elias Pereira da Silva, conhecido como Elias Maluco, e Cláudio Nascimento, o Ratinho, já tinham sido condenados pelo crime.
Notícia da Lusa
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18:25
por Maria João Carvalho
O governo português acordou tarde e a más horas e pediu ajuda, finalmente, aos outros parceiros europeus para o combate aos incêndios. Dá impressão que deixaram queimar até que as labaredas invadissem o centro das aldeias e cidades, e desalojassem as pessoas das suas casas. Aliás, não é impressão, é a realidade. Claro que os outros disponibilizaram-se imediatamente a ajudar, o que Durão Barroso aplaudiu com razão. O problema é que o pedido de ajuda foi feito quando as inundações e o mau tempo já atingem o resto da Europa. Prevê-se que o céu nublado também se desenhe sobre Portugal. Só por isso, por negligência criminosa, acho que os governantes portugueses deviam ser obrigados a explicar na praça pública porque levaram tantas semanas a ver arder Portugal sem mobilizarem o exército e sem pedirem ajuda aos países amigos. E porque é que se fizeram justificações tão estúpidas para entravar a declaração de calamidade pública?
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Quinta-feira, Agosto 11, 2005
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14:46
por Maria João Carvalho
Está a circular na Net um artigo do jornalista José Gomes Ferreira (a Indústria dos Incêndios") que, com a devida vénia, reproduzo.
A evidência salta aos olhos: o país está a arder porque alguém quer que ele arda. Ou melhor, porque muita gente quer que ele arda. Há uma verdadeira indústria dos incêndios em Portugal. Há muita gente a beneficiar, directa ou indirectamente, da terra queimada.
José Gomes Ferreira SIC - Sub-director de Informação
Oficialmente, continua a correr a versão de que não há motivações económicas para a maioria dos incêndios. Oficialmente continua a ser dito que as ocorrências se devem a negligência ou ao simples prazer de ver o fogo. A maioria dos incendiários seriam pessoas mentalmente diminuídas.
Mas a tragédia não acontece por acaso. Vejamos:
1 - Porque é que o combate aéreo aos incêndios em Portugal é TOTALMENTE concessionado a empresas privadas, ao contrário do que acontece noutros países europeus da orla mediterrânica?
Porque é que os testemunhos populares sobre o início de incêndios em várias frentes imediatamente após a passagem de aeronaves continuam sem investigação após tantos anos de ocorrências?
Porque é que o Estado tem 700 milhões de euros para comprar dois submarinos e não tem metade dessa verba para comprar uma dúzia de aviões Cannadair?
Porque é que há pilotos da Força Aérea formados para combater incêndios e que passam o Verão desocupados nos quartéis?
Porque é que as Forças Armadas encomendaram novos helicópteros sem estarem adaptados ao combate a incêndios? Pode o país dar-se a esse luxo?
2 - A maior parte da madeira usada pelas celuloses para produzir pasta de papel pode ser utilizada após a passagem do fogo sem grandes perdas de qualidade. No entanto, os madeireiros pagam um terço do valor aos produtores florestais. Quem ganha com o negócio? Há poucas semanas foi detido mais um madeireiro intermediário na Zona Centro, por suspeita de fogo posto. Estranhamente, as autoridades continuam a dizer que não há motivações económicas nos incêndios...
3 - Se as autoridades não conhecem casos, muitos jornalistas deste país, sobretudo os que se especializaram na área do ambiente, podem indicar terrenos onde se registaram incêndios há poucos anos e que já estão urbanizados ou em vias de o ser, contra o que diz a lei.
4 - À redacção da SIC e de outros órgãos de informação chegaram cartas e telefonemas anónimos do seguinte teor: "enquanto houver reservas de caça associativa e turística em Portugal, o país vai continuar a arder". Uma clara vingança de quem não quer pagar para caçar nestes espaços e pretende o regresso ao regime livre.
5 - Infelizmente, no Norte e Centro do país ainda continua a haver incêndios provocados para que nas primeiras chuvas os rebentos da vegetação sejam mais tenros e atractivos para os rebanhos. Os comandantes de bombeiros destas zonas conhecem bem esta realidade.
Há cerca de um ano e meio, o então ministro da Agricultura quis fazer um acordo com as direcções das três televisões generalistas em Portugal, no sentido de ser evitada a transmissão de muitas imagens de incêndios durante o Verão. O argumento era que, quanto mais fogo viam no ecrã, mais os incendiários se sentiam motivados a praticar o crime...
Participei nessa reunião. Claro que o acordo não foi aceite, mas pessoalmente senti-me indignado. Como era possível que houvesse tantos cidadãos deste país a perder o rendimento da floresta - e até as habitações - e o poder político estivesse preocupado apenas com um aspecto perfeitamente marginal?
Estranhamente, voltamos a ser confrontados com sugestões de responsáveis da administração pública no sentido de se evitar a exibição de imagens de todos os incêndios que assolam o país.
Há uma indústria dos incêndios em Portugal, cujos agentes não obedecem a uma organização comum mas têm o mesmo objectivo - destruir floresta porque beneficiam com este tipo de crime.
Estranhamente, o Estado não faz o que poderia e deveria fazer:
1 - Assumir directamente o combate aéreo aos incêndios o mais rapidamente possível. Comprar os meios, suspendendo, se necessário, outros contratos de aquisição de equipamento militar.
2 - Distribuir as forças militares pela floresta, durante todo o Verão, em acções de vigilância permanente. (Pelo contrário, o que tem acontecido são acções pontuais de vigilância e combate às chamas).
3 - Alterar a moldura penal dos crimes de fogo posto, agravando substancialmente as penas, e investigar e punir efectivamente os infractores
4 - Proibir rigorosamente todas as construções em zona ardida durante os anos previstos na lei.
5 - Incentivar a limpeza de matas, promovendo o valor dos resíduos, mato e lenha, criando centrais térmicas adaptadas ao uso deste tipo de combustível.
6 - E, é claro, continuar a apoiar as corporações de bombeiros por todos os meios.
Com uma noção clara das causas da tragédia e com medidas simples mas eficazes, será possível acreditar que dentro de 20 anos a paisagem portuguesa ainda não será igual à do Norte de África. Se tudo continuar como está, as semelhanças físicas com Marrocos serão inevitáveis a breve prazo.
José Gomes Ferreira
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Quarta-feira, Agosto 10, 2005
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17:56
por Maria João Carvalho
Terão sido precisos quatro meses para escavar os 80 metros de túnel que permitiu a uma quadrilha chegar ao cofre forte do Banco Central de Fortaleza, no Brasil. Durante o último fim-de-semana, os ladrões levaram cerca de 150 milhões de reais, mais de 50 milhões de euros. A polícia diz que as notas pesavam 3,5 toneladas. É o maior assalto do Brasil e um dos maiores do mundo.
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Sexta-feira, Agosto 05, 2005
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18:12
por Maria João Carvalho
O país é uma enorme queimada que esses políticos (que deviam ter atestado de ingovernabilidade crónica) ajudaram a atear. Porque a inconsciência é um crime
quando deliberadamente escondida ou desculpada. Independentemente dos partidos que estiveram no governo, verificou-se, nas últimas décadas, que, apesar dos organismos institucionais que ostentam o título "de prevenção" nada foi feito em prol da defesa da nação. A lei continuou a permitir que os incendiários fossem alegremente para casa depois de presentes aos juízes com medidas de coacção inapropriadas para os gigantescos crimes contra a natureza (que é de todos). O criminoso que ateou o primeiro fogo da época junto ao Centro Hípico de Quiaios, Figueira da Foz, já tinha respondido anteriormente por outros três crimes idênticos. Não é de admirar que alguém um dia o ate a uma árvore e lhe ponha fogo... Antes do incêndio de hoje,em Leiria, foi vista (por várias testemunhas) uma avioneta, vinda do lado da Guia, que deixou um rasto de fogo na terra que sobrevoou. Que se saiba, nem polícias nem militares tiveram ordem para "atirar à vista". E, ao longo de tantos anos, não foi alterada a lei no sentido de julgar e condenar os autarcas corruptos que autorizaram construções em terrenos que eram protegidos quando foram queimados. Falta, aliás, uma lei que proíba a construção, durante 100 anos, após os fogos. Que monstros levam a cabo esta estratégia da terra queimada? Que monstros são
imunes ao desespero da população que fica sem nada e teme pelo futuro? Que monstros ignoram a terra a chorar quando as fagulhas entram pelas janelas? E que políticos são estes que deixam os seus soldados da paz combater o fogo em fato-macaco? Não há fatos de protecção, capacetes e luvas para todos? Peçam à União Europeia, que é para isso que tem uma verba para catástrofes...aliás, ainda não foi decretada a calamidade pública porquê? Ainda não ardeu a casa de nenhum político, não é? As suas propriedades devem estar bem regadas e ajardinadas. Com o dinheiro que devia ter sido gasto a desmatar as florestas portuguesas, decerto. Que país herdará a geração de 2000? Um país de sucessivos golfes e hoteis de capital estrangeiro e herdades espanholas no Alentejo para produzir o azeite que vai fazer concorrência ao nosso no mercado internacional (é só fazer as contas aos hectares que os espanhois já têm em solo português para produção do azeite da Extremadura deles onde já não ha espaço para oliveiras).
O presidente Chissano, de Moçambique mostrou ter sido mais inteligente do que todos os políticos portugueses das últimas décadas. Autorizou algumas centenas
de fazendeiros brancos (que o Mugabe expulsou do Zimbabué) a comprarem terra em Moçambique, mas poucos hectares, cada um, e jamais a confinarem uns com os
outros. Eram milhares, os pedidos.
Se um louco pedir um fósforo ao primeiro-ministro, decerto ele oferece um
coktail molotov para fazer conjunto. É o que se deduz do seu comportamento e do comportamento dos seus antecessores. Um governante que "pede" ajuda ao exército para apagar fogos, em vez de ordenar a completa mobilização das Forças (Des)Armadas para palmilhar todos os quilómetros de mato português mal começa o
calor de Março é como um psiquiatra endoidecido pelos relatos dos pacientes. Um governante que apela às populações para apagar os fogos que os seus institutos
de prevenção não preveniram está a gozar com as hostes.
Como dizia Gaius Julius Caesar, que viveu de 100 a 44 anos antes de Cristo:
"Há nos confins da Ibéria um povo que nem se governa nem se deixa governar..."
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Quarta-feira, Agosto 03, 2005
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18:23
por Maria João Carvalho
Porque é importante, é mesmo urgente, e é jornalismo, visitem e tornem obrigatório o:
http://ocomerciodoporto.blogspot.com/
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11:45
por Maria João Carvalho
Gostei do destaque do artigo de opinião de Helena Roseta no Público. Passo a transcrever (sem aspas porque me saiem uns pontos de interrogação ao contrário)
Soares já foi presidente duas vezes. Não querer deixar espaço a outros, sobretudo a um amigo de tão longa data e tão duras lutas como Manuel Alegre, não abona a seu favor. Sair a tempo, abrindo caminho a quem vem a seguir, é uma qualidade. Foi o que fez Cunhal, com um desprendimento e uma coerência que foram justamente reconhecidos no dia do seu funeral. Soares não parece ser capaz de fazer o mesmo. É pena. O apego ao poder diminui o que deles padecem.
E já agora: nunca um co-fundador de um partido fez tanto para apagar o nome de outro co-fundador e personagem incontornável do Direito Internacional, sobejamente reconhecido em França e em Espanha. Mário Soares apagou o nome de Jorge Campinos - morto em Moçambique num rocambolesco atropelamento por um camião.
Como se Jorge Campinos nunca tivesse sido o português socialista que foi. Mário Soares quer tentar a sorte de novo? Já tentou duas vezes e nós calámo-nos todos, inclusivamente Yvonne Campinos, que era secretária de Maria de Jesus Barroso em Belém. Agora é altura de dizer basta.
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Terça-feira, Agosto 02, 2005
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17:06
por Maria João Carvalho
O Sindicato de Jornalistas (SJ) apresentou, ontem, duas soluções para o regresso dos jornais Comércio do Porto e A Capital às bancas durante um plenário com trabalhadores e que decorreu em simultâneo. No Norte, desenvolvem-se contactos entre empresários e a Junta Metropolitana do Porto no sentido de se salvar o diário da Invicta.
As propostas fazem renascer a esperança de cerca de 150 trabalhadores, que não abandonaram as redacções, mesmo com os títulos fora de circulação. À semelhança do jornal O Comércio do Porto, também A Capital lançou, anteontem, um blogue para desabafos, despedidas, mas, sobretudo, para noticiar. Afinal, segundo muitos deles. Rogério Gomes, director do matutino portuense, explicou ainda que a Junta Metropolitana do Porto, bem como empresários do Norte estão a desenvolver contactos no sentido de encontrarem mecanismos que permitam salvar o diário portuense.
A Federação Internacional de Jornalistas enviou ontem uma carta à Prensa Ibérica, com o intuito de a sensibilizar a reconsiderar sobre o encerramento dos dois jornais. Entretanto, o CMsabe que alguns jornalistas dos dois jornais já começaram ontem a assinar as rescisões de contrato.
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16:56
por Maria João Carvalho
O defunto Rei Fahd bin Abdul Aziz Al-Saud da Arábia Saudita foi homenageado pela Família Real, dirigentes árabes amigos e convidados do mundo árabe e ocidental, na mesquita do Imã Turki Ibn Abdullah.
Ao contrário do padrão luxuoso de outras cerimónias do mundo árabe, as exéquias do rei Fhad foram austeras devido à restrita e radical interpretação do Islão wahabismo), que rege a Arábia Saudita.
O Rei Abdullah deve manter o rumo da nação no sentido que o definiu o Rei Fadh. No entanto, num primeiro momento, os mercados reagiram com alguma precipitação.
Por exemplo, o barril do crude em Nova Iorque atingiu o máxmo desde os anos 80 fixando-se hoje nos 61,57 dólares. Os investidores parecem estar a acreditar que a Arábia Saudita vai manter a política petrolífera dos últimos anos. Entretanto, Janan Harb, que foi mulher do rei Fahd garantiu hoje, surpreendentemente, que vai continuar a reclamar nos tribunais parte da fortuna do seu marido. Harb, de 58 anos, já tinha processado Fahd no Reino Unido, por este não lhe pagar a pensão. De origem palestiniana, Harb conheceu o rei Fahd em 1967, quando trabalhava como tradutora para a embaixada venezuelana em Jidda, capital administrativa da Arábia Saudita.
Enquanto estiveram casados, o rei Fahd gastou milhões de dólares na compra de várias residências, entre elas sete palácios na Arábia Saudita e um em Marbelha
(sul de Espanha), além de um castelo no sul de França, um Boeing 747 e dois iates.
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Segunda-feira, Agosto 01, 2005
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18:03
por Maria João Carvalho
Não resisto a reproduzir um irónico e extremista (também) artigo de Robert Fisk, de Maio de 2003 do Independent. Em vésperas do funeral do Rei Sadh é bom reavivar a memória sobre os factos que conhecemos da Arábia Saudita sem esquecer as manobras de geo-estratégia de alguns países ocidentais para dominarem a região do petróleo. Tradução do Resistir.info
Pobres sauditas. É preciso muito para chegar a sentir compaixão por esses decapitadores, cortadores de mãos, anti-feministas, misóginos, feudais e antidemocráticos sauditas. Foram eles, além disso, que financiaram a resistência islâmica contra o exército soviético no Afeganistão. Esta é a nação cujo ministro do Interior costumava manter conversações amistosas com Osama Bin Laden na Embaixada Saudita em Islamabad. De facto, trata-se do país que escolheu Osama como o seu ¿príncipe¿ numa campanha contra o ateísmo soviético, porque os seus verdadeiros príncipes não tinham valor para encabeçar a ¿legião¿ árabe contra os russos. Também se trata da nação de onde provieram 15 dos 19 atacantes suicidas que perpetraram os atentados de 11 de Setembro de 2001. E, por conseguinte, este é o país cujos atacantes suicidas assassinaram mais ocidentais em Riad na noite da passada segunda-feira [12 de Maio]. Se o saldo mortal é superior a 90 vítimas, será o maior triunfo da Al Qaeda desde 2001.
Mas depois do mais recente ataque contra o Iraque, dessa invasão ilegal segundo qualquer padrão internacional, e após os pronunciamentos ilusórios e perigosos dos novos amos coloniais norte-americanos ¿ e aqui me refiro às bravatas do seu mais recente fracasso, o ex-general sionista Jay Garner ¿, não se pode deixar de sentir ao menos um lampejo de compaixão pelos sauditas. Depois de tudo eles, tal como Saddam, foram criados pelo Ocidente.
Os britânicos aceitaram a família Al Saud uma vez que ficou claro que os haxemitas estavam fora da jogada, e logo Franklin D. Roosevelt deu a benção ao reinado da família a bordo do navio norte-americano "Quincy". Um arrufo de Winston Churchill com o monarca saudita no Egipto pôs fim à aventura imperialista britânica na terra dos Dois Lugares Sagrados. O rei Ibn Saud não achou cordial a afirmação de Churchill de que ¿enquanto a religião de Sua Majestade [Ibn Saud] obriga a abster-me de fumar e beber álcool, pela minha parte devo afirmar que no mandamento da minha vida se considera um rito absolutamente sagrado fumar puros e beber álcool antes das refeições, depois das refeições, durante as refeições e em todos os intervalos¿.
A família real Saud é, verdadeiramente, um elefante branco. Os seus milhares de príncipes, todos dignos da Idade Média, são perfeitamente indignos de governar. São donos de 60 por cento do petróleo do mundo e dividem esse tesouro global com outras quatro famílias. A monarquia saudita teve como resultado os xeques mais gananciosos e os bairros mais paupérrimos do Golfo, além da instituição feudal wahabita mais ferozmente anti-ocidental que jamais existiu no mundo desde o cerco de Viena. O dinheiro do petróleo corrompeu a família real. Os seus imãs e os seus ¿sábios¿ religiosos decidiram há muito tempo que os Al Saud são títeres ocidentais que se alimentam da prostituição, da corrupção e dos subornos norte-americanos.
No entanto, entre os neo-conservadores que agora ditam o rumo do governo de Bush, como os Perle, os Wolfowitz e os Cohen, diz-se que a Arábia Saudita foi durante muito tempo o lugar de financiamento de Saddam. Apesar de tudo, quem ganhou com a chegada de Hussein ao poder? Quem pagou pela demencial guerra de oito anos com o Irão, com todo o armamento químico do qual todos agora se surpreendem? Quem, de facto, enviou jovens muçulmanos a combater o exército soviético no Afeganistão? Os sauditas. Mas é melhor que esqueçamos ¿ como querem os Perle, Wolfowitz e Cohen ¿ que os sauditas fizeram tudo isso com as nossas bênçãos e estímulo.
Desde o 11 de Setembro de 2001 ¿ escrevo a data completa para que não se confunda com o dia de Setembro de 1982 em que ocorreu a matança de 1700 palestinianos em Chabra e Chatila, nem com o 11 de Setembro que marcou o golpe contra Salvador Allende no Chile, orquestrado por Henry Kissinger ¿ os neo-conservadores do governo norte-americano têm estado a recordar-nos da maldade inerente ao regime saudita.
Foi Perle quem conspirou para que um analista da Rand Corporation ¿ o muito estranho sr. Laurent Maurawiec ¿ dissesse num comité assessor do Pentágono (só Deus sabe sobre quê ¿assessorava¿) que ¿os sauditas estão muito activos em todos os níveis da cadeia terrorista, na planificação, no financiamento; há comandantes e soldados rasos, há ideólogos e gente para a porrada¿. A Arábia Saudita, afirmou, é ¿a semente do mal¿.
Como se o público necessitasse de uma tradução destes disparates, o Washington Post proporcionou uma com todo o gosto, em Agosto passado, citando um funcionário norte-americano anónimo. O diário conjecturou que uma vez que uma invasão norte-americana derrubasse Saddam Hussein, o regime iraquiano que sucederia ao presidente seria amistoso para os Estados Unidos da América e se converteria no principal exportador de petróleo para o Ocidente. Esse petróleo diminuiria a dependência dos EUA face à exportação saudita, o que permitiria ao governo de Bush enfrentar o ¿terrorismo¿ saudita. ¿O caminho para todo o Médio Oriente passa por Bagdad¿, anunciou este valente (e naturalmente anónimo) funcionário. ¿Uma vez que tenhamos um regime democrático (sic) em Bagdad, as possibilidades são muitas.¿ Não ajudou em nada os sauditas que durante este debate absurdo o doutor Kissinger defendesse a postura do funcionário anónimo.
Desde então existe uma campanha para denegrir a família real Al Saud. O esforço mais recente nesse sentido foi um amplo e detalhado artigo do ex-"oficial de campo" da CIA no Médio Oriente, Robert Baer, no The Atlantic Monthly , sobre o iminente colapso da casa real saudita. Descreveu, com pormenores devastadores, o ataque cardíaco que quase custou a vida ao rei Fahd em 1995, motivo pelo qual o ancião príncipe herdeiro Abdullah governa de facto o país enquanto Fahd sobrevive. Baer assinala que ¿por toda Riad podia escutar-se o ruído dos helicópteros¿ no momento em que os príncipes se reuniam à volta da cama de hospital do rei.
No ano passado, quando o monarca estava na Suíça, às portas da morte, este repórter encontrava-se nesse país europeu e pôde escutar o mesmo ruído de helicópteros que transportavam todos os príncipes que exigiam uma fatia do pastel real. A verdade é que actualmente há demasiados príncipes, uns 15 mil, e acabam por ser muito difíceis de controlar. Para mais, as 19 mil libras esterlinas que recebem por mês parecem não bastar para levar um estilo de vida principesco. Muito rapidamente haverá 30 mil príncipes, e dentro de mais uma geração, 60 mil.
Não é disto de que sempre tem falado Osama Bin Laden? Que curioso é que os ódios de Osama e o cinismo de Baer se concentrem igualmente na família real saudita. Osama quis converter a Arábia Saudita numa verdadeira nação islâmica, e algumas das suas descrições da corrupção saudita ¿ durante uma entrevista que eu mesmo fiz¿ soam exactamente iguais à bílis que derramam os senhores Perle e Baer.
De facto, o símbolo mais repugnante dessa corrupção mencionada no artigo de Baer é a imagem do rei Fahd, que se recupera da operação cardíaca, defecando na piscina real diante de toda a sua família.
Mas digo-lhes que não tenham receio. Porque como assinala perversamente Baer, o comércio norte-americano está unido irremediavelmente à família real saudita. O grupo Carlyle foi o principal beneficiário do esplendor saudita. Frank Carlucci (assessor para a Segurança Nacional e depois secretário da Defesa nos governos de Reagan) foi presidente da dita companhia. Um dos consultores do grupo Carlyle é James Baker, o secretário de Estado de Bush pai, e também assessor da firma Arthur Levitt, que encabeçou o comité de Garantias e Comércio de Clinton.
O actual presidente do grupo Carlyle é o nosso muito querido ex-primeiro ministro britânico, John Major. Halliburton, a companhia presidida por Dick Cheney até ele se ter convertido em vice-presidente dos EUA, beneficia-se actualmente da ¿reconstrução¿ do Iraque, mas também obteve grandes dividendos da Arábia Saudita, onde ganhou um contrato de 140 milhões de dólares para desenvolver um campo petrolífero.
Além disso, a Chevron Texaco uniu-se a Saudi Aramco em novas operações de exploração. A Chevron Texaco teve como membro do seu conselho de administração Condoleezza Rice, a assessora de Segurança Nacional dos norte-americanos.
Assim é desde que o queiram ver, e se duvidam investiguem o papel que desempenharam nas operações petrolíferas com a Arábia Saudita Carla Hills e Nicholas Brady, respectivamente representante do Comércio e secretário do Tesouro de Bush pai, que agora prestam os seus serviços em companhias que exploram a riqueza petrolífera do Azerbaijão em colaboração com empresas sauditas.
Eis aqui um prognóstico. Não importa o que se passe na Arábia Saudita, os Estados Unidos continuarão resguardando a casa real dos Al Saud. A menos, claro, que os monarcas sejam depostos, caso em que os Estados Unidos poderão tomar os campos petrolíferos do país a partir das suas bases mais próximas, sediadas no Iraque. Se em algum momento as forças norte-americanas estiveram a somente 12 minutos de voo das reservas petrolíferas iraquianas, o mesmo acontecerá se partirem de Bassorá para ¿assegurar¿ os campos petrolíferos sauditas, a maioria dos quais se encontra em territórios habitados por muçulmanos xiitas, cujos líderes, esperemos, se terão ido para o Irão e o sul do Iraque.
É óbvio de onde sopra o vento. Temos o Iraque. Esqueçam-se da Arábia Saudita. Esqueçamos, naturalmente, até que fique claro que Osama Bin Laden pode muito bem estar em Meca, em Medina ou em Riad. Então vamos dizer: ¿Esperem um momento; então não o derrotamos no Afeganistão?¿. De qualquer forma, vamos ficar com o petróleo, sem importar quantas pessoas morram às mãos de Osama durante esse tempo.
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