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Sexta-feira, Setembro 30, 2005
Enviado às
22:41
por Maria João Carvalho
Interessa o que, como, quando, quem, porquê e onde?
De verdade? Verdadinha?
Quando eu estiver no fundo escuro da gruta onde é mais negro do que a noite, interessa o que, como, quando, quem, porquê, e onde?
Juro que deixo um desenho na parede, talvez naïf... mas um peixe é sempre melhor do que um coração.
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Quinta-feira, Setembro 29, 2005
Enviado às
13:46
por Maria João Carvalho
As minhas férias têm sido de muito trabalho...mas não gostaria de deixar passar em claro o trabalho de Armando Alves, que saiu ontem, no Correio da Manhã. Junto o meu protesto, obviamente. Leiam:
Os habitantes da serra do Caldeirão, que liga o Algarve ao Alentejo, estão revoltados com a decisão do Tribunal de Mértola, que absolveu por falta de provas os dois acusados de fogo posto no violento incêndio de Julho de 2004, o terceiro maior do País, em que arderam 32 mil hectares, provocando 40 milhões de euros em prejuízos. Tanto mais que os arguidos até tinham confessado.
O homem de 27 anos suspeito de ter ateado o fogo decidiu não falar em Tribunal e quando o fez foi para dizer que fora coagido a prestar as declarações registadas pela PJ, logo aí consideradas nulas.
O silêncio também marcou a presença em Tribunal da mulher de 43 anos acusada da autoria moral do crime, alegadamente devido a uma vingança relacionada com a perda da casa em que vivia.
¿Como é possível que tenha recursos para pagar a um dos melhores advogados [João Nabais] quando enfrentava uma acção de despejo da sua moradia por falta de pagamento das rendas?¿, interroga-se José Tadeu Freitas, com Valentina de Sousa, presidente da Associação de Produtores Florestais da Serra do Caldeirão, a manifestar as mesmas dúvidas.
Esta responsável recebeu durante o dia de ontem ¿várias manifestações de descontentamento de associados. Mostram-se defraudados e tristes, pois não acreditavam que viessem a ser indemnizados ¿ 16 reclamavam-no ¿ mas pretendiam que o Tribunal se decidisse por uma pena pedagógica, que servisse de exemplo para o futuro¿.
Face à decisão tomada, ¿sentem--se ainda mais vítimas, pois sofreram os prejuízos e terão de arcar com os custos do processo¿.
O incêndio lavrou entre 26 e 30 de Julho de 2004 e começou em S. Barnabé (Almodôvar), sendo extinto perto de Santa Catarina da Fonte do Bispo (Tavira), depois de atravessar toda a serra do Caldeirão.
PRESOS 134 INCENDIÁRIOS SÓ ESTE ANO
A Polícia Judiciária (PJ) deteve, desde o início do ano,134 pessoas suspeitas da autoria do crime de fogo posto, 44 das quais ficaram a aguardar julgamento em prisão preventiva. Segundo informações da PJ, a maioria dos detidos (94) é suspeita de ter causado incêndios em zonas florestais. Os restantes 34 arguidos respondem por fogos ateados em zonas urbanas. Do total de presumíveis incendiários apanhados pelas autoridades em todo o País, quase um terço (39) recebeu ordem de detenção na área de influência da Directoria de Coimbra da Polícia Judiciária.
Destes, 31 foram detidos por suspeita de fogo posto em florestas, enquanto os outros oito foram presos por alegada responsabilidade em incêndios urbanos. Após serem interrogados por um juiz de Instrução Criminal, pelo menos 18 dos detidos pela PJ de Coimbra ficaram em prisão preventiva.
A maior parte dos presumíveis incendiários é do sexo masculino, tem idades entre 20 e 40 anos, é dependente de álcool ou de drogas e tem baixa escolaridade. Por norma, age por motivos fúteis.
Armando Alves / F.P
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Sexta-feira, Setembro 23, 2005
Enviado às
02:12
por Maria João Carvalho
Reaprende-se a vida quando se toca o humor do tempo na Figueira. Não é uma praia de postal. É a Rainha. O sol põe-se conforme a solicitude, os pássaros prendem-se nas três árvores (só podem ser plátanos) da marginal, chilreando como se fossem morrer naquele breve instante de sol laranja agarrados às folhas. Há duas palmeiras insolentes no lado direito da esplanada, mas ninguém liga a tanta vulgaridade. As gaivotas cortejam cada traineira que entra como no último baile daquela debutante com quem ninguém dançou.Há sempre um cargueiro a sair e um mergulhador a chegar com a caça do dia: "queres um congro ou um robalo?"
Estou em dia de "percebes" meu amigo. Arrancam-se, com destreza, às rochas.
O "filme" começa às seis da tarde em grande ecrã: tan tan tan tan...a núvem vem e a luz difunde-se e eis que o sol brilha mais laranja do direito da negra bruxa que os seus raios malévolos estende sobre a praia mas o Deus Sol espreita mais um pouco e uma difusão de algodão branco de feridas que não chegaram a tanto requinta-se de luz e estende-se lá para os lados do horizonte. Jorge Perestrelo, que ainda sonha com o seu Sporting lá pelos campos do Paraíso, grita: "...da-se...que ganda frango foi o da celestial peúga fofa da direita contra a defesa do Relógio encobrindo a Marina e o Mercado que estão em crise existencial desde que lhes roubaram a amante...ai filho...o Jardim!".
Conhecem-se escritores que resumem histórias de crianças que começam assim: conhecemos uma princesa da Atlântida que era laranja e morava aqui.
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Quarta-feira, Setembro 14, 2005
Enviado às
01:25
por Maria João Carvalho
Tenho saudade de mim, mundo, a correr com a mochila às costas para uma guerra e fugir dela com dezenas de crianças pelas mãos, e mão na mão, e um padre a benzer-nos à partida para que os demónios não nos desaconcheguem com os seus malefícios.
A vida desapercebe-nos, e eu teimo, em falar como os africanos, lusófonos, quando isso acontece.
Não me apetece mais. Desapetece-me o quotidiano como se desmultiplicam as velocidades em rally.
Mas nunca me "desamo". Isso não está no meu vocabulário. Sempre me gostei mais e gosto mais com os olhos esfomeadamente calorosos de quem me ama e quer e me gosta.
Tudo isto para dizer que a vida é linda e o sol me apraz e estou de férias na Figueira que cheira a maresia e as ondas continuam espumosamente brancas. Os meus amigos mergulhadores continuam a caçar bons e olhudos congros, robalos e raias gigantescas. Quando não há percebes para o resto do país, aqui há.
Mas tenho saudade de mim, do meu ser vagabundo que já vem de antes de França e de África e de todas as guerras europeias e das guerras das tríades.
O meu ser mais minúsculo e pequenino que está escondido atrás da jornalista em férias quer voltar ao ponto de partida: ao sítio, apenas, mais miserável do mundo onde não haja cheiro de sal na pele com congros e raias e robalos mas muita fome sem fisioterapeutas nem massagistas nem calorosos beijos de alô estás boa que estás tão linda e a vida nos apraz????!!
Terei encontrado Deus e não sei?
O meu amigo mais filósofo depois de Agostinho da Silva e do seu gato vem visitar-me no próximo fim de semana.
Não "uso" peixes de aquário e, de qualquer maneira, não quero sermões.
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Quarta-feira, Setembro 07, 2005
Enviado às
20:06
por Maria João Carvalho
Visitem o site
Há lá outros apelos como o que transcrevo:
I was in Waveland this morning (I`m a news reporter). There are dozens of injured and emaciated dogs and cats roaming the streets and the beach, and NO animal rescue is doing anything for them. The Waveland shelter is closed, the animals have no food and water. When I stopped my car, I was immediately surrounded by half a dozen
friendly dogs - labs, australian shepherds, dachshunds - who have been abandoned by their owners and now are looking for help since seven days now!!!
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Segunda-feira, Setembro 05, 2005
Enviado às
18:55
por Maria João Carvalho
Ouvi de passagem a deputada Helena Roseta fazer o seguinte comentário:"Fui expulsa do PSD por ter apoiado o candidato Mário Soares à Presidência da República; agora, espero não ser expulsa do PS por não apoiar o candidato Mário Soares".
Eh...eh...Esta pré-campanha aquece...
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Enviado às
18:52
por Maria João Carvalho
Ora dêem para cá uma camisolitas ou a viagem fica por aqui!. Foi mais ou menos assim que, na passada sexta-feira, os polícias bósnios que escoltavam o autocarro onde seguia a selecção belga se dirigiram aos jogadores, a meio caminho entre Sarajevo e Zenica. Ia a viagem pela metade quando a escolta parou e exigiu camisolas aos futebolistas belgas ou ficavam mesmo ali. Os atletas explicaram que camisolas não podia dar, que precisavam delas para o jogo do dia seguinte, que viriam a perder por 1-0, mas uns fatos de treino... O negócio foi aceite e a viagem prosseguiu. A federação belga é que achou pouca piada e decidiu apresentar queixa à FIFA, pois esta forma de chantagem é inaceitável. A história é contada hoje pelo presidente da federação, Jan Peeters, ao diário La Dernière Heure.
In O Jogo, 05.09.2005
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