Rotativas

Sexta-feira, Janeiro 27, 2006


O funeral de Rugova, o Ghandi dos Balcãs, decorreu ontem...mas como estive em directo não tive tempo de deixar aqui algo sobre ele. Mas, estou certa, mais vale tarde do que nunca...

Muitos milhares de pessoas prestaram uma última homenagem ao mais acérrimo defensor da paz e da união no Kosovo. O cortejo fúnebre de Ibrahim Rugova desfilou durante horas da Sala Primeiro de Outubro, no Parlamento de Pristina, até ao cemitério dos Mártires, perante kosovares de todas as etnias e religiões.
Estiveram presentes 40 delegações internacionais.
O funeral não seguiu qualquer rito religioso por vontade expressa do líder histórico, que foi baptizado algumas horas antes de morrer. Mas, mais uma vez, não quis dividir muçulmanos e cristãos, albaneses e sérvios.
Ibrahim Rugova foi eleito em Março de 2002 como o primeiro presidente do Kosovo, uma província autónoma da Sérvia administrada pela ONU. Tinha prometido deixar de usar a sua écharpe, que o caracterizava tão bem, no dia em que o território fosse independente. Curiosamente, a sua doença e morte provocaram o adiamento, para Fevereiro, da discussão do estatuto da província, sob mediação da ONU, em Viena.
A sua morte provoca um vazio no poder. O presidente do Parlamento, Nexat Daci, oi nomeado chefe interino. Mas, até ver, ninguém tem o carisma do pacifista que logrou conter os mais radicais neste território onde a NATO mantém 17 mil homens, para impedir que se repitam os actos de violência de 1999.
Rugova era considerado o pai da Nação pela maioria de albaneses do Kosovo. Era um homem de Estado sem um verdadeiro Estado, era o Ghandi dos Balcãs.


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Quarta-feira, Janeiro 25, 2006


Bem me parecia: o turco que tentou matar o Papa João Paulo II, matou um jornalista em 1979 e esteve envolvido em atentados que mataram um númro ainda indeterminado de pessoas, vai voltar para a cadeia, como muito bem decidiu o Supremo Tribunal turco. Porque era absolutamente inconcebível que o assassino fosse agora cumprir o serviço militar do qual tinha desertado no devido tempo sem ser julgado. Assim, o Exército turco lava as mãos, e a Justiça, admitindo o erro, reenvia o criminoso para a prisão até 2010.
Agca regressou na sexta-feira à prisão de alta segurança de Kartal, de onde fora libertado há oito dias. Hoje, o Supremo Tribunal decidiu que tinha de cumprir mais quatro anos de prisão pelo assassínio de um jornalista turco, em 1979, entre outros crimes.
O ministro da Justiça, Cemil Cicek, respondendo a críticas generalizadas quanto à libertação de Ali Agca, pedira ao tribunal que revisse o caso e os juízes determinaram sexta-feira que a libertação fora um erro.
Ali Agca cumprira 19 anos numa prisão italiana pelo atentado a tiro contra o Papa João Paulo II e, mais tarde, cumpriu cinco anos e meio de uma sentença de dez anos na Turquia pelo assassínio do jornalista Abdi Ipekci.



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Quarta-feira, Janeiro 18, 2006


Passo a transcrever uma Carta Digital, rubrica do Diário Digital que, penso, é de leitura obrigatória. Com a devida vénia à autora.


Uma heroina incomum, para um caso (infelizmente) comum
Paula Isabel Santos



Em Abril de 1874, Etta Wheeler - uma assistente social norte-americana - teve conhecimento de uma criança que sofria de severos maus tratos por parte dos pais. Apresentava queimaduras, cicatrizes, e vivia fechada, nunca havia saído à rua.
Mary Allen Wilson, de 9 anos de idade, despertou o altruísmo de Etta, que tentou por todo os meios legais, ajudar a criança. Fez apelos à policia, à Igreja e aos tribunais, tendo recebido a resposta de que entre pais e filhos não se deve intervir.

Mas Etta estava determinada, e em desespero de causa dirigiu-se a Henry Bergh, presidente da Sociedade Americana para a Prevenção da Crueldade nos Animais, Se não existiam leis que protegessem as crianças, aplicar-se-iam as dos animais. Qualquer lei, servia, desde que servisse a pequena Mary.

O que se seguiu mudou para sempre a história desta pequena menina e a história da protecção de crianças na América. Foi a primeira vez que pais foram punidos por maus tratos a filhos. A história veio a publico através do New York Tribune, Brooklyn Eagle e New York Times, em 1874. Este caso levou ainda à criação da sociedade para a prevenção da crueldade nas crianças, em 1874, que mais tarde - em união com outras sociedades - originou a Associação Humanitária Americana (AHA), em 1877.

Através da intervenção da Sociedade Americana para Prevenção da Crueldade com os Animais, o caso foi levado a tribunal, tendo como alegação que a menor deveria, tal como os animais, ser legalmente protegida, visto tratar-se de um ser humano e como tal pertencer ao reino animal. O caso de Mary Ellen Wilson constituiu o primeiro reconhecimento oficial de um caso de maus tratos infantis..

Etta Wheeler, lutou contra séculos de história, pois o infanticídio, os maus tratos e a negligência sempre fizeram parte do cenário das crianças e são conhecidos desde a antiguidade, inclusive o infanticídio encontra-se relatado nas referências bíblicas. A prostituição usando crianças praticava-se em Roma e Grécia antigas. No Antigo Egipto mantinha-se relações com as meninas até ao surgimento da menarca. Na Pérsia, China e Índia eram vendidas a prostíbulos.

Na idade Média, as crianças eram castigadas de forma humilhante, como forma de lhes fornecer educação. Paralelamente verificava-se um despojo quase total de afectos e quando não existia abandono físico, existia-o de carinho.

Entre os séculos XIV e XVII surgiram instituições que tinham por objectivo proteger e educar as crianças, o que trouxe alguma moderação no castigo. No século XVII foi criada a Roda, em Igrejas, misericórdias ou outras instituições, onde se abandonavam os filhos ilegítimos, que na sua esmagadora maioria acabava por morrer.

A partir de finais do séc. XVIII e séc. XIX, muito por influência de grandes filósofos, entre os quais Jean-Jaques Rosseau, a criança começou a ser olhada com algum respeito, considerando-se merecedora de cuidados especiais.

No século XX, sobretudo na segunda metade, a defesa das crianças, sobretudo no respeitante aos abusos sexuais ganham nova força, muito por causa da emancipação da mulher. Desde a década de 90 que se multiplicaram as comissões e leis que pretendem proteger a integridade física e mental das crianças.

Hoje já existem leis, mas não faltam crianças tão mal tratadas como Mary. Talvez faltem Ettas.


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Quinta-feira, Janeiro 12, 2006


Decididamente perdeu-se qualquer senso que ainda restasse: então o indivíduo que tentou matar o Papa João Paulo II, Mehmet Ali Agca (pronuncia-se Adja, conforme explicou a embaixada da Turquia em Lisboa), o turco condenado a prisão perpétua e amnistiado, foi chamado para a tropa? Como não cumpriu o serviço militar - andava ocupado a matar jornalistas em 1979 - e a conspirar com os búlgaros para tentar matar o Sumo Pontífice em 1981, o cidadão de 48 anos pode cumprir o serviço militar obrigatório ao qual desertou. A questão é que não se coloca a hipótese de ele ser agora julgado em tribunal militar. Apensa se sabe que o "rapaz" já saiu "furtivamente" do hospital onde foi fazer o seu exame médico de rotina para ser considerado apto ou não para vestir a farda.
Só me pergunto: como quer a Turquia que a gente leve a sério as suas pretenções europeias e as suas instituições militares nacionais se incorpora assassinos confessos (mesmo que perdoados pelo Santo Padre) na tropa?
É verdade que a sua pena foi reduzida graças à reforma do código penal turco exigido pela União Europeia.
Mas não exageremos, ok?


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Quarta-feira, Janeiro 11, 2006


Anda aí uma discussão pelo ciber-espaço sobre uma questão que a mim apenas me mereceu repulsa: o "Plano de Acção Nacional para Combate à propagação de Doenças infecto-contagiosas em Meio Prisional" engloba a criação de um grupo de trabalho para avaliar a troca de seringas nas prisões.
Das considerações absolutamente irrealistas de alguns esquerdistas utópicos e, diria mesmo, loucos de todo (como a de que se devem soltar os presos preventivos e pô-los a todos com pulseira e legalizarem-se as drogas leves e duras para se cobrarem taxas sobre os produtos e impostos aos traficantes) às considerações jocosas (as seringas vêm com o produto ou têm de se adquirir à parte?), apenas gostaria de lembrarm, se é que está tudo amnésico, que a droga é proibida nas prisões. É por isso que se revistam as visitas, não é?
Sendo assim, porque não se deixa o governo socialista de hipocrisias e constroi mas é mais uns centros de detenção modernos, com células "privadas" para os reincidentes no tráfico de droga em meio prisional?
Não dá votos?
Ah...pois...
não se percebe a justificação da prevenção da SIDA desta maneira. Só se for para justificar o pagamento dos salários de mais uns boys e ainda por cima agradar aos insistentes bloquistas e amigos dos fóruns prisões e etc, etc.


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Segunda-feira, Janeiro 09, 2006


E que não, dizem as fontes hospitalares e o governo israelita...
um fim de semana e um dia depois, uma coisa é certa: Ariel Sharon deixou de ser o Falcão, o buldozer. Nunca mais recuperará para a vida política.
A AFP é que cada vez está melhor... divulgou, há pouco, que
0017 FRA /AFP-HY91
JERUSALEM - Ariel Sharon a bougé légèrement son bras droit et son pied droit
(hôpital)
pa/feb




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Quinta-feira, Janeiro 05, 2006


O porta voz do Hospital onde está internado o primeiro-ministro israelita diz que "Sharon está em coma induzido e com respiração assistida (...) e continuará assim nas próximas 48 horas".
Como, aqui, posso interpretar: acho que está morto desde a interrupção de uma hora, esta manhã, da operação cirúrica para travar a hemorragia cerebral (ou derrame...) e que vão aguentá-lo como aguentaram o Arafat...ou o Franco...quiça Salazar...enfim... o tempo de "preparar" a coisa no partido Kadima, que fundou, e em Israel, no geral.

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A esquerda italiana, que até agora fazia o papel de paladino da moralidade pública, mergulhou num escândalo com imprevisíveis consequências. Piero Fassino, chefe do Partido Democrático de Esquerda, foi um dos que bloqueou ilegalmente o acesso dos bancos estrangeiros ao capital da Banca Nazionale del Lavoro, BNL.
O escândalo foi revelado com a transcrição de umas escutas telefónicas pelo jornal do irmão de Sílvio Berlusconi...houve uma quebra do segredo de justiça que está ser investigada.
A história é complicada mas, basicamente, Fassino estava de conluio com o director demissionário da seguradora UNIPOL, ligada à esquerda, para barrar a entrada do grupo espanhol BBVA e de um outro holandês ABN Amro no BNL e na Banca Antonveneta.
Romano Prodi, líder da oposição, veio dizer que "a Itália precisa de novas regras e que se devem separar os mundos da política e da economia".
Mas Berlusconi já tinha dito que o caso da UNIPOL mostrava ligações inaceitáveis entre a política e os negócios, não resistindo a comentar que os eleitores da esquerda vão ficar decepcionados".
A esquerda estava à frente nas sondagens para as legislativas Abril.


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Quarta-feira, Janeiro 04, 2006


Acabo de ler o comentário de Ferreira Fernandes ao óbito do camarada de trabalho Cáceres Monteiro. Apesar dos meus últimos posts registarem outras mortes, não resisto a transcrever o que o Correio da Manhã publicou do Ferreira Fernandes( entre aspas, claro...coisa que este blogger não quer reconhecer)


Ontem morreu Carlos Cáceres Monteiro e eu não pude fazer nada. Mas podia ter feito alguma coisa para me salvar. Ele morreu sem que eu lhe tivesse dito quanto eu gostava dele e o admirava.

Eu julgo, quero julgar, que ele o sabia. Guardo uma carta dele, de um dia em que as nossas vidas profissionais se afastaram, lamentando termos falhado um melhor encontro. Nem dessa vez eu soube dizer-lhe o que devia. Agora, é irremediável. Conto sem pudor estas coisas íntimas porque o leitor faz parte da história. Os jornais e os jornalistas são espuma e coisa breve, mas os cidadãos não se fazem sem eles.

Cáceres Monteiro marcou o jornalismo português depois do 25 de Abril. Ele contava. Vão dizer que foi director disto e daquilo. Coisa pouca, comparada com o repórter que foi.




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