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Quinta-feira, Março 16, 2006
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00:17
por Maria João Carvalho
Pronto, enganei-me e não percebo nada desses mundos com candeias que fazem essas notazinhas azuis de que me falou o Pacheco Pereira, exímio nesta arte de bloggar... os meus textos ficam azuis quando eu quero apenas links de umas palavras...uma frase.
Enfim, sou mais do mato, do mundo, do que do ciber-espaço...
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00:05
por Maria João Carvalho
Tives uns problemazitos no último post (essa coisa dos links....)mas, prometo-vos que estará resolvido rapidamente...
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Quarta-feira, Março 15, 2006
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23:47
por Maria João Carvalho
O filme "Lágrimas de Sol" fez-me recordar e chorar como nunca! Ainda bem que estava sozinha... ninguém entenderia os meus soluços, a minha falta de ar.
É um filme de acção, de guerra, com Monica Bellucci e Bruce Willis (foram apenas páginas que encontrei... e não as melhores, claro), uma a fazer de médica numa missão numa Nigéria (pode ser um Ruanda...para mim foi Angola) em fogo, e o outro, chefe de missão de salvamento da dita cuja, mas que acaba por se envolver para salvar todo um grupo de sobreviventes, sacrificando parte do comando.
Parece uma treta, não é? É um filme de guerra que me fez mergulhar nas profundezas do horror da guerra de guerrilha em Angola (mães a quem cortam os seios para não amamentar, no filme. Bebés atirados contra uma árvore, na realidade, em Oliva, Angola, depois da explosão de um comboio cuja linha férrea foi minada. Entrevistei os sobreviventes que se esconderam sob os cadáveres...). As barrigas das gestantes foram, simplesmente, cortadas ou perfuradas. Eu... fui perseguida pelo cheiro dos corpos em decomposição, durante anos. Sou veterana. Usei os melhores e os piores perfumes. Os melhores e os piores subterfúgios. Posso falar. De quem sacrificou, sacrificando (tá bem, eram mercenários....), de quem salvou, matando (generais, eu sei...) de quem curou, padecendo...enfim...dos amigos que não conseguimos salvar ...aqueles sobas infelizes de futuros por realizar e os amigos com que brindei saúdes perdidas no tempo. Acho que tenho lágrimas para chorar até ao fim da vida.
E muito para agradecer a quem enviou helicópteros, rações de combate e uma Walter com intruções para uma jornalista se suicidar em caso de emboscada do inimigo, obrigada a carregar equipamento fotográfico, gravações altamente comprometedoras e AK 47 (chinesa), proibida pela Convenção de Genebra.
Como reaprender a vida?!
E porque conto isto? Quem me absolve?
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17:38
por Maria João Carvalho
O ex-Presidente sérvio e jugoslavo Slobodan Milosevic vai ser sepultado sábado
às 14:00 horas de Lisboa na sua cidade natal, Pozarevac, cerca de 70 quilómetros a
sudeste de Belgrado. Os preparativos para a cerimónia já começaram.
O corpo chegou à capital sérvia, onde foi recebido por responsáveis do
partido socialista, do qual ele foi dirigente até à morte - mesmo sendo arguido por crimes de guerra e genocídio no tribunal criado pela ONU em Haia.
O partido socialista sérvio, afastado do poder juntamente com Milosevic em
2000, espera obter ganhos políticos com a morte do seu líder no centro de
detenção do TPI, onde estava a ser julgado por crimes contra a humanidade e
genocídio.
O SPS pediu um funeral com honras de Estado num cemitério de Belgrado reservado
às grandes figuras do país, mas as autoridades recusaram o pedido.
Hoje, o Partido Radical Sérvio (ulta-nacionalista) apelou aos militares e
polícias na reserva para que acompanhem o funeral de Slobodan Milosevic
fardados, em sinal de respeito pelo homem que os dirigiu em quatro guerras.
Da parte da manhã, à entrada da sede do partido socialista em Belgrado, dezenas
de nacionalistas continuaram a depositar flores e velas em homenagem ao que
consideram o "pai da Nação".
O corpo vai estar em câmara-ardente na sede do SPS, no centro de Belgrado, até
ao funeral. Um conselheiro jurídico do antigo ditador jugoslavo, Branko Rakic,
adiantou "esperar que toda a família esteja presente". O governo sérvio até suspendeu o mandado de captura contra a viúva do criminoso de guerra, Mira Markovic, que fugiu para a Rússia,
em 2003, quando foi acusada de corrupção e abuso de poder.
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Enviado às
17:23
por Maria João Carvalho
A morte de Slobodan Milosevic aconteceu quando faltavam apenas 40 horas de
audiência do processo no Tribunal Penal Internacional, das 1864 horas já
esgotadas nestes últimos cinco anos.
Milosevic tinha de apresentar a sua defesa até ao mês de Abril. O veredicto
final devia ser pronunciado até ao fim do ano, esperando-se uma condenação a
prisão perpétua.
"Não abuse deste tribunal e do seu tempo", dizia o juíz a Milosevic na última
audiência.
A sua morte e as três precedentes mortes na prisão de Scheveningen, perto de
Haia, suscitaram críticas em relação às condições de detenção do
estabelecimento, consideradas permissivas (porta aberta durante o dia, cozinha
comum para elaborar pratos sérvios, autorização de marijuana e cigarros), mas
também à lentidão do TPI num processo mediático como este.
Milosevic respondia por 66 acusações, nomeadamente por crimes de guerra, crimes
contra a humanidade e genocídio cometidos em oito anos de poder e três guerras
na Croácia, na Bósnia e no Kosovo. A acusação chamou 295 testemunhas; Milosevic
reclamava 1400, entre as quais Bill Clinton...o custo do processo elevou-se a
167 milhões de euros.
Um processo demasiado longo que apenas beneficou Milosevic, que abusou
largamente do direito de se defender sem advogado.
Negando as acusações e a legitimidade do tribunal pôs em causa os testemunhos
contra ele, ripostando com acusações contra a comunidade internacional.
Alegando problemas de saúde, atrasou o processo durante 66 dias e obteve o
direito de limitar as audiências a três por semana.
Há 18 meses, um relatório do TPI provava que Milosevic se recusava a tomar os
medicamentos prescritos pelos médicos para a hipertensão e doença cardíaca.
Era filho e sobrinho de suicidas. Dizia que tomava os remédios do seu médico
sérvio. No mês passado o TPI recusou a sua desloca4ão a Moscovo para receber
tratamento.
Como explicou um analista político sérvio, Milosevic morreu depois de um longo
processo sem ter sido proferida sentença, legalmente falando...inocente.
Conseguiu um lugar na História melhor do que alguém poderia prever há dois ou
três anos.
A morte de Milosevic dá origem a uma outra "autópsia": o exame à lupa do
funcionamento e eficácia do próprio Tribunal Penal Internacional - De 133
arguidos, só 40 foram declarados culpados e condenados, seis foram absolvidos,
quatro transferidos para serem julgados em tribunais nacion. 25 acusações foram
retiradas e 10 arguidos morreram.
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Quinta-feira, Março 09, 2006
Enviado às
16:05
por Maria João Carvalho
Prémio O Mais Mal Educado e Pior Perdedor:
Mário Soares abandonou São Bento sem cumprimentar o novo presidente da República, Cavaco Silva.
Recusou-se a prestar quaisquer declarações aos jornalistas depois de ter abandonado o Parlamento, ao lado da mulher, Maria de Jesus Barroso, sem passar pelo Salão Nobre onde decorria a sessão de cumprimentos ao novo Presidente da República.
Mas acabou por ter um pequeno contratempo. No momento em que se dirigiu às escadas de saída, Maria Barroso ficou a falar com o ex-chefe de Estado de Moçambique Joaquim Chissano. Ele podia ter ficado a falar também, por exemplo, sobre o amigo de Chissano, o Professor Jorge Campinos, fundador do PS morto em Moçambique, mas que ele, Soares, apagou da memória pública.
Sozinho nas escadas, o candidato que ficou em terceiro lugar nas últimas presidenciais, com cerca de 14 por cento dos votos, pediu a um segurança pessoal para apressar a sua mulher.
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Enviado às
13:08
por Maria João Carvalho
Comentário da Patrícia Cardoso: É preciso ter azar! Atropelado por um morto?
0099 DEU /AFP-OR71
Allemagne-transport-accident
Cortège funèbre percuté par une camionnette: au moins 25 blessés
MUNICH (Allemagne), 9 mars 2006 (AFP) - Au moins 25 personnes participant à un cortège funèbre ont été blessées en Allemagne après avoir été percutées par une camionnette conduite par un homme décédé d'un infarctus au volant, a annoncé jeudi la police.
Le cortège funèbre avait quitté l'église et se dirigeait vers le cimetière de Jettingen-Scheppach, en Bavière, à l'ouest de Munich, au moment de l'accident.
Huit hélicoptères et trente ambulances se sont rendus sur place.
pan/jlv/sg
AFP 091236 MAR 06
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Quarta-feira, Março 08, 2006
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17:18
por Maria João Carvalho
Em defesa da língua portuguesa - Artigo de Opinião de Luís Queiró
Eurodeputado do CDS/PP publicado pelo Diário de Notícias no domingo, 5 do corrente mês.
A língua portuguesa e a Europa são, ou deveriam ser, dois vectores fundamentais da política externa portuguesa, das preocupações do nosso Estado. A língua dá-nos universalidade; a União Europeia confere-nos escala e é um dos eixos definidores do nosso projecto colectivo contemporâneo.
Assim sendo, o facto de em Portugal - e no mundo onde se fala português - ser praticamente impossível ver o Euronews em língua portuguesa é surpreendente e lamentável, sobretudo sabendo que há uma versão portuguesa desse canal, transmitida 24 horas sobre 24. O Euronews, o canal televisivo de notícias da Europa, dispõe de um financiamento comunitário para programas sobre assuntos relativos à União Europeia. Este canal é participado por diversas entidades, entre elas a RTP, titular de 1,4% do seu capital social, o que traduz, por parte dos poderes públicos, o reconhecimento da relevância que a Europa tem para Portugal. A este facto acresce que há 16 jornalistas portugueses a trabalhar na produção do Euronews em língua portuguesa que, não tendo qualquer vínculo laboral com a nossa empresa pública de televisão, representam um esforço financeiro para a RTP superior a dois milhões de euros por ano, segundo dados da própria.
Acontece que aquilo que parece ser uma actuação concertada e reveladora de uma orientação de serviço público acaba por ter um resultado quase nulo. Senão, vejamos:
Como qualquer telespectador pode verificar, a RTP difunde o Euronews em língua portuguesa em horários quase clandestinos. No canal a 2: há dois blocos diários de 30 minutos transmitidos entre as duas da madrugada e as sete da manhã. Na RTP-N, quase em concorrência directa, o Euronews era transmitido até há poucos dias durante o mesmo horário (o leitor sabia?). De resto, tanto a RTPi como a RTP África passam dois a três curtos blocos diários. No canal 1, o canal generalista, o canal de grande divulgação, o Euronews não conhece nem a luz do dia nem a da madrugada! Entretanto, na TV Cabo, o Euronews faz parte da programação oferecida, mas na versão em língua inglesa. A explicação reside, segundo a RTP, no facto de esta versão ser de acesso gratuito, o que não acontece com a versão portuguesa. Pelos vistos, a RTP não está disponível para facultar à TV Cabo, sem custos, o respectivo sinal. Estes factos são do conhecimento do Governo português, já que em devido tempo tive oportunidade de colocar estas questões ao ministro da tutela, dr. Santos Silva, que me enviou alguns dados fornecidos pela RTP. Curiosamente, poucos dias depois a RTP-N prolongou o período de transmissão do Euronews em língua portuguesa até às dez horas da manhã. É uma pequena vitória, mas não chega.
Em termos práticos, a verdade é que há 16 jornalistas portugueses a trabalhar no Euronews, há um custo directamente suportado pela televisão pública de dois milhões de euros ao ano, há programação em língua portuguesa produzida 24 sobre 24 horas e, no entanto, ela é difundida ou fora de horas ou então em língua inglesa. Salvo melhor opinião, estamos no domínio do absurdo.
Se a Europa é um desígnio e a língua uma ferramenta, convinha que os poderes públicos em Portugal agissem em conformidade. Não é possível obrigar os operadores de TV Cabo a adquirir a versão em língua portuguesa do Euronews, mas é lógico e razoável que o Estado, o único accionista da RTP, contrate com o operador público uma transmissão do canal europeu em termos consentâneos com o esforço financeiro suportado pelos contribuintes. Não faz sentido lamentarmos a distância que há entre os nossos cidadãos e a "Europa" e depois, podendo, nada fazer para a combater. Tal com não faz sentido dispor dos meios para divulgar de uma forma eficaz os temas europeus junto das comunidades portuguesas e também dos PALOP, suportar os respectivos custos e, no entanto, não o levar a efeito.
Há momentos em que a defesa dos nossos interesses, em particular da língua portuguesa, é simples de concretizar. Basta decidir.
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Quinta-feira, Março 02, 2006
Enviado às
00:00
por Maria João Carvalho
A coragem, força de carácter e rectidão de Drª Natércia Crisanto (vereadora da Câmara Municipal da Figueira da Foz, que morreu com pouco mais de 50 anos) exemplificarão, para sempre, o melhor capital humano da Figueira. A sua dignidade na defesa dos princípios políticos e do trabalho dos políticos eleitos em prol da comunidade é um exemplo para todas as gerações. Tomara que aprendam com ela e que sigam as suas coordenadas. A Professora deixou trabalhos de casa para os cidadãos....não esqueçam.
Foi uma verdadeira socialista...como não há.
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Quarta-feira, Março 01, 2006
Enviado às
23:37
por Maria João Carvalho
Sem uma lágrima
sem um som nem um lamento
sem sequer ter sangue da cor do sangue
que a terra empurra de novo para dentro
sem uma adaga leve que se empunhe
sem voz que acompanhe este tormento
a guerra não é nunca um momento
é algo mais que da dor só salva a sorte.
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Enviado às
23:27
por Maria João Carvalho
Vivo a absoluta crise da ignorância e da humildade. Ao rever velhas cassetes de documentários que filmei, noto que lidei com génios sem os conhecer verdadeiramente. E a sua simplicidade informou sempre, a mim e ao público, sem delatar.
Depois de os ler, ver e com eles conviver, ganhei uma mais profunda impressão de contemporaneadade e de etéreo.
A Vida surpreende-me sempre.
Recordo que os meus entrevistados nunca foram limitados por fronteiras, achando que a Arte é um estado de alma organizável, genuíno, comunicável...além-fronteiras.
De uma parede com fotos do México e da fronteira com o sul da América faz-se uma nação de inconformados com a sorte de emigrantes latino/ibéricos.
O meu sonho, agora e sempre, é a disciplina. Não tenho outro que me mova como o sonho de ser assim como os outros: disciplinada e forte.
Se a cor me surpreendesse, agora, eu faria um desfocado sorriso... a preto e branco.
Atrás de mim, uma projecção de 8 mm.
O sorriso a preto e branco (claro).
Faço um discurso:
"Meus amigos e camaradas...eu não queria dizer Nietzsche, mas Niet....Não percebo".
E depois oferecem-me uvas frescas e maduras, das quais se fará o vinho da colheita de Setembro.
A Meni embala-me na cadeira de baloiço de madeira ao som da música "Angie" dos Rolling Stones - juro-lhe, Meni, não vou embora.
E vou. Desesperada ela diz-me adeus à janela. É o último dia em que me vê.
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