Rotativas

Domingo, Abril 23, 2006


A RTPi retransmitiu uma entrevista de Ana Sousa Dias na sexta-feira 21 que deu a conhecer um dos mais interessantes portugueses da actualidade, Ricardo Diniz. Primeiro, porque fez questão de se apresentar literalmente com a bandeira do seu projecto, "Made in Portugal" . (www.goportugal.org) E, literalmente, porque se apresentou vestido de vermelho com a bandeira portuguesa bem visível, cosida na manga.
Isto, quanto à forma.
O conteúdo foi absolutamente espantoso.
O Ricardo Diniz é um homem do mar, o homem do leme. Suficientemente jovem para poder cumprir todas as promessas de volta ao mundo e para convencer diferentes parceiros comerciais, e não só, a embarcar em todas as aventuras. Suficientemente experiente para já ter o conhecimento e a humildade, a capacidade de comandar homens e tonelagem.
Consultem e apoiem o seu projecto Made in Portugal. Procurem a sua biografia e sigam as suas viagens.
E, a propósito, não é porque a Ana Sousa Dias também entrevistou o Gonçalo Cadilhe... mas a verdade é que, ao ouvir o Ricardo falar da prancha na Caparica e da Volta ao Mundo, lembrei-me do amigo Gonçalo Cadilhe antes da sua própria Volta ao Mundo por Terra e Mar.
Portugal parece estar a começar a cumprir-se ...


Exerça aqui o seu Direito de resposta! Comente!


Sexta-feira, Abril 21, 2006


O Hospital de S. João, no Porto, inaugura sexta-feira uma unidade de queimados, um serviço público inexistente até agora na região Norte, que regista 37% dos casos graves desta tipologia a nível nacional.
Orçada em dois milhões de euros, a nova unidade revelava-se «uma emergência» porque «ao todo são mais de 200 casos de elevada gravidade que anualmente chegam ao S. João», afirmou José Amarante, responsável pela nova unidade.

O serviço, direccionado a doentes com queimaduras greves, representa «uma contribuição fundamental para a gestão destes casos ao nível hospitalar em todo o país», sublinhou o catedrático de medicina.

Esta é a primeira valência do género numa unidade pública do Norte do país, dado que até agora o Hospital de S. João do Porto era obrigado a encaminhar os casos graves de queimados que recebia para uma alternativa privada (Hospital da Prelada) ou para os Hospitais da Universidade de Coimbra.

José Amarante referiu que, apesar da criação desta unidade, equipada com a mais avançada estrutura técnica disponível, a região Norte fica ainda deficitária relativamente à capacidade de tratamento de queimados.

«Há necessidade de pelo menos mais uma unidade deste tipo, que preferencialmente se deveria situar em Braga, o que aliás já está previsto», disse o clínico.

A nova estrutura inclui cinco quartos individuais, um bloco operatório próprio, banhoterapia, ar condicionado específico para cada divisão e música ambiente.

É também disponibilizado um conjunto de equipamentos que reduz ao máximo o risco de infecções e que permite tratar o doente em toda a fase do processo naquele local.

A equipa é constituída por quatro médicos especialistas em cuidados intensivos e 23 enfermeiros.



Exerça aqui o seu Direito de resposta! Comente!


Quinta-feira, Abril 20, 2006


Os números da Amnistia Internacional:


Pelo menos 2.148 pessoas foram executadas, em 2005, no mundo. Só na China, o total de penas de morte aplicadas foi de 1770. Este país, o Irão, a Arábia Saudita e os Estados Unidos somam 94% do total de execuções. A Aministia Internacional, que divulga os números adverte que a realidade pode ser, no entanto, bem mais negra

Cerca de 82% do total de execuções no ano passado foram registadas na China. Em todo o mundo, ascende a 2148 o número de penas de morte aplicadas, de acordo com dados revelados esta quinta-feira pela Amnistia Internacional (AI), advertindo que o número real pode ser «muito mais elevado».

Em 2005 registou-se uma «melhoria» em relação a 2004, ano em que se registaram 3.797 execuções em todo o mundo, segundo os dados sobre a pena de morte divulgados pela organização de direitos humanos. «É mais interessante se se tiver em conta a evolução nos últimos dois decénios. Em 1985, 44 países levaram a cabo execuções e em 2005 esse número foi de 22, o que implica uma diminuição de 50% do número de países que aplicaram a pena capital», afirmou o autor do relatório, Piers Bannister.

Todavia, o investigador da AI advertiu que o número de penas de morte aplicadas no ano passado «é apenas a ponta do iceberg», uma vez que muitos países mantêm «um grande secretismo» acerca do número de execuções que levaram a cabo.

Nos dados divulgados esta quinta-feira, a organização calcula, contudo, que o número real de execuções no gigante asiático, em 2005, poderá aproximar-se das 8 mil. A AI sublinha que os dados nacionais oficiais sobre a aplicação da pena de morte na China continuam a ser classificados como segredo de Estado.

Além da China, outros 21 países aplicaram penas de morte em 2005, como o Irão e Arábia Saudita, onde se registaram pelo menos 94 e 86 execuções, respectivamente, enquanto nos Estados Unidos foram executados 60 condenados, mais um do que no ano anterior.

Os restantes países onde se realizaram execuções em 2005 foram o Bangladesh, Bielorrússia, Indonésia, Iraque, Japão, Jordânia, Coreia do Norte, Kuwait, Líbia, Mongólia, Paquistão, Singapura, Somália, Taiwan, Uzbequistão, Vietname e Iémen, além da Autoridade Nacional Palestiniana.

A organização calcula que o número de pessoas condenadas à morte e que aguardam execução poderá oscilar entre as 19.474 e as 24.546. Estes números baseiam-se nas informações obtidas por grupos de direitos humanos e meios de comunicação social e nos números oficiais disponíveis.












Exerça aqui o seu Direito de resposta! Comente!


Acabo de ler a frase do ano:

Stanley Ho - Portugal não está em crise. Sei disso porque falei com o primeiro-ministro e com o ministro da Economia.


Exerça aqui o seu Direito de resposta! Comente!


Quarta-feira, Abril 19, 2006


O Supremo Tribunal italiano confirmou hoje a vitória eleitoral da coligação de centro-esquerda liderada por Romano Prodi, a União, nas legislativas italianas de 9 e 10 de Abril.
A confirmação dos resultados baseia-se na recontagem de cerca de 5.200 votos que não foram incluídos na primeira contagem por não ser claro o sentido do voto neles expresso.

O anúncio dos resultados oficiais das eleições de 09 e 10 de Abril está previsto para as 17:00 locais (16:00 em Lisboa).

Segundo os dados do Ministério do Interior já conhecidos, a União de Prodi venceu a Casa das Liberdades, de Silvio Berlusconi, por uma estreita margem de 25.000 votos no Congresso e de dois lugares no Senado.

Todavia, Berlusconi recusou reconhecer os resultados e impugnou parte do escrutínio, apesar de o Ministério do Interior sustentar que os 5.200 votos em causa não iam alterar os resultados finais, mesmo que fossem todos pela Casa das Liberdades.

Terça-feira, o primeiro-ministro italiano pediu ao Supremo Tribunal que «com a exactidão que lhe é própria, e que neste caso é ainda mais necessária, realize todos os controlos necessários para garantir um resultado eleitoral que vá além de qualquer dúvida razoável».



Exerça aqui o seu Direito de resposta! Comente!



Passam hoje 500 anos sobre um dos episódios mais trágicos da História de Portugal: quatro mil judeus foram mortos num banho de sangue sem precedentes, justificado pela Semana Santa e pela perseguição feita pelos cristãos. A data é assinalada com a inauguração de um memorial no Largo de São Domingos, um dos palcos principais da tragédia. Ao mesmo tempo, no Rossio quatro mil velas vão avivar a memória.



Eram judeus convertidos ao cristianismo. Mas a conversão não os livrou da morte certa.

Na Semana Santa de 1506, e no decurso de três jornadas sanguinárias, mais de quatro mil foram assassinados.

Uma multidão enraivecida, apoiada pelas marinhas alemã, holandesa e francesa, massacraram homens, mulheres e crianças nas ruas da capital.

À época, corria o boato de que quem matasse um judeu, veria esquecidos os pecados de cem dias.

O massacre de Lisboa veio na sequência da expulsão dos judeus da vizinha Espanha. Aí, apenas o exílio surgia como alternativa a uma conversão ao Cristianismo.

Muitos encontraram então refúgio em Portugal, onde o Rei D. Manuel mostrava atitude mais tolerante para com o judaísmo.

Mas sob a pressão de Espanha, também em Portugal os judeus foram forçados a converter-se. A Inquisição seguia de perto a vida destes cristãos à força, pois acreditava-se que viviam a culto judaico em segredo. Condenados por heresia, centenas foram queimados vivos em Autos de fé nos séculos 16 e 17.

Com o exemplo do Clero, foi ganhando força na sociedade portuguesa o anti-semitismo, e aconteceu o massacre de Lisboa.
A matança caiu no esquecimento e são poucos os historiadores que lhe fazem referência.

Quinhentos anos depois, a memória é reavivada.





Exerça aqui o seu Direito de resposta! Comente!


Quinta-feira, Abril 13, 2006


É dia 13 de Abril. Festejemos o Dia do Lótus Branco!

Helena Petrovna Blavatsky (em russo: Елена Петровна Блаватская), cujo nome de baptismo era Helena Petrovna von Hahn, nasceu em Ekaterinoslav, uma cidade às margens do rio Dnieper, no sul da Rússia (actualmente Ucrânia), em 12 de Agosto de 1831 e faleceu a 8 de Maio de 1891 em Londres, Inglaterra. O corpo foi cremado e um terço das cinzas foi levado para a Europa, um terço foi para os Estados Unidos, levado por William Quan Judge, e o outro terço, para a Índia, onde foi lançado ao rio Ganges. O sobrenome Blavatsky deve-se a um curto casamento com um homem bem mais velho, chamado Nikifor V. Blavatsky, aos 17 anos de idade.

Blavatsky é a responsável pela sistematização da moderna Teosofia, e foi uma das fundadoras da Sociedade Teosófica. O seu mais importante livro foi A Doutrina Secreta, escrito em 1888.

No testamento, Blavatsky pede aos teósofos que celebrem a data de seu falecimento como o Dia do Lótus Branco. Atendendo ao seu pedido, desde 1892 os membros da Sociedade Teosófica ao redor do mundo reúnem-se nesta data para homenagear Blavatsky.

Após sua morte, a liderança da Sociedade Teosófica foi entregue à discípula favorita de Blavatsky, Annie Besant, e a William Quan Judge.


Exerça aqui o seu Direito de resposta! Comente!


Portugal perdeu o direito ao mar

O TRATADO assinado na semana passada, em Roma, atribui a competência exclusiva de exploração e aproveitamento, conservação e gestão dos recursos biológicos do mar à União Europeia. Ou seja, a Constituição Europeia retira a Portugal a soberania sobre a sua Zona Económica Exclusiva (ZEE). «É incrível como o Governo português deixou passar esta medida sem qualquer contestação. Em Bruxelas ficaram muito surpreendidos por Portugal não se ter oposto», comenta João Salgueiro. »



Exerça aqui o seu Direito de resposta! Comente!


Quarta-feira, Abril 12, 2006


QUE VIVA FRIDA (Apasionada)

Frida Kahlo, prisioneira de um corpo destroçado por um grande acidente,

amante de Trotski, esposa "intermitente" do desmedido e fascinante muralista

Diego Rivera, foi, durante 30 anos, protagonista da vida artística e

política mexicana. A sua obra, uma sublimação da dor com tendências

surrealistas, tornou-a conhecida, embora já tarde.


Que Viva Frida (Apasionada) explora, entre outros paradoxos, a ideia de

vitalidade que rodeia quotidianamente a dor e a morte (tema tipicamente

mexicano, que se celebra anualmente na Fiesta de los Muertos). O trabalho

pictórico de Kahlo presta-se bem a projecções de imagens - quase

tridimensionais -, uma técnica já investigada pelos Ex Machina. O projecto

segue as tendências estéticas de Robert Lepage e o seu desejo de utilizar as

tecnologias teatrais de forma significativa e, possivelmente, inéditas.



FRIDA KAHLO

É uma mulher de unhas vermelhas, como a cor da lua em algumas noites de

Verão. Os seus olhos espelham sempre uma sombra inquietante. Na sua boca há

um grito de raiva e quando os olhos se fecham, ouve-se por todo o México,

através desta boca, um grito que ressoa já há muito tempo, desde os

primeiros massacres dos aztecas. O sangue desta mulher é dum vermelho que dá

vida a todas as cores da paixão humana.

Estas cores que vêm do seu sangue, são lançadas no lenço branco da sua vida

para pintar os mais misteriosos segredos da sua existência.

Esta mulher é Frida Kahlo.

(Wajdi Mouawad)



Nascida em 1907 no México, Frida Khalo viveu permanentemente exposta à prova

da dor, de onde extraiu todo o seu talento. Sofrendo de poliomielite desde

os 6 anos de idade, foi vítima de um atropelamento por um eléctrico aos 18

anos que a deixou aleijada para o resto da sua vida. Este acidente que a

marcou para sempre pelo sofrimento do corpo, será a origem duma nova

compreensão da arte e uma redescoberta da mitologia do seu país, através da

história do seu povo, revalorizando uma arte popular, afastada dos programas

académicos. Graças a esta procura de sensações, Frida Kahlo transportará

para a arte os quadros mais estranhos e dolorosos do século XX.


"Para fugir ao tédio e à dor" (provocada pelo colete ortopédico) " a minha

mãe mandou fazer um cavalete a um carpinteiro, especialmente concebido para

se fixar à minha cama, visto que o colete de gesso me impedia de levantar".

Colocaram ainda um espelho sobre a sua cama, de forma a que ela própria

pudesse servir de modelo. Aquele foi o princípio de uma vasta série de

auto-retratos, género que predominou na obra de Frida Kahlo. Mas os seus

auto-retratos estão muito longe de serem uma auto-glorificação, como é

habitual em muitos pintores. No seu trabalho percebe-se uma expressão de

angustia existencial intensa, como nas obras de Louise Bourgeois ou de Cindy

Sherman.


Toda a sua vida foi uma sucessão de operações e longos internamentos em

hospitais. Os seus temas preferidos: o aborto, as operações, a sexualidade,

a fecundidade, a carne ferida, o sofrimento físico e psíquico. Tudo se

reflectiu na sua obra. Sobre um quadro, escreveu: "Estou sentada ali, com o

colete de coiro na mão. Por trás, estou deitada numa padiola com uma parte

das costas nua, e onde se podem ver as cicatrizes das incisões que os filhos

da puta dos cirurgiões me fizeram. Sete operações à coluna

vertebral...Sempre na mesma cadeira de rodas...Sinto um grande cansaço, um

desespero indescritível. No entanto, tenho vontade de viver".


O seu encontro com o pintor Diego Rivera foi decisivo, tanto no plano

político como no artístico. Casaram-se (e divorciaram-se e voltaram a casar)

e seguiram a linha trotskista e os surrealistas. Graças à sua amizade com

André Breton, expôs a sua obra pela primeira vez no estrangeiro, em 1938.

Conheceu Marcel Duchamp, Mary Schapiro e Trotski.

Mulher de Rivera, amante de Trotski e de Georgia O'Keefe, conheceu no amor

aquilo que este tem de mais apaixonante, com as suas torturas e angustias.

Nunca foi suficientemente amada, mas sim por todos adorada. Morreu em 1954.

As suas obras estão expostas em museus de todo o mundo.



Sophie Faucher e a obsessão por Frida ou O sonho de uma actriz

Frida Kahlo, uma mulher tão resoluta como Lady Macbeth, tão vulnerável como

Blanche Dubois e com uma grandeza de alma como Andrómaca, é a personagem que

toda a actriz sonharia interpretar.

Decorreram mais de dez anos desde que a actriz Sophie Faucher se apaixonou

pela vida, a obra e o mito de Frida Kahlo. Leu e viu tudo sobre Frida.

Deslocou-se ao México atrás das suas pisadas. Posteriormente, decidiu

escrever uma obra sobre esta célebre pintora. O seu primeiro texto

dramático.

De início, Sophie Faucher bateu a várias portas. Em vão. Ninguém dava

crédito a esta actriz que queria criar para si uma personagem. Ao vê-la

desanimada, o seu marido perguntou qual seria a pessoa ideal para viabilizar

essa obra. "Robert Lepage..." disse ela, não muito convencida.

"Pergunta-lhe, dá tudo por tudo e envia o teu projecto à sua companhia, a Ex

Machina", disse-lhe o marido. Sophie seguiu o conselho, mas sem grande

esperança.

"Os meus projectos não se concretizavam - lembra ela. Tinha em casa uma

reprodução de uma obra de Frida, pendurada na parede da sala. Quando passava

por ela, tinha a impressão que Frida me vigiava. Estava verdadeiramente

obcecada...Um belo dia, o quadro caiu. Vá! Diz-me, é isso Frida, agora

deixas cair tudo sobre mim!". No dia seguinte, Ex Machina entrou em contacto

com ela! Robert Lepage tinha-se interessado pelo seu projecto.


Nasce Que Viva Frida (Apasionada). "Uma criação que pressupõe todo um

desafio para uma actriz. É uma responsabilidade enorme. Não é possível

abordar a vida de Frida Kahlo sem me comprometer a fundo". Frida Kahlo tem

algo mais que uma história, tem um destino. Cultivou as suas contradições

como outros cultivam o seu jardim. Mulher, simultaneamente forte e frágil,

radiante e sofrida, esposa fiel e grande sedutora, feminista até à medula,

mas seguidora da tradição mexicana, comunista e anti-americana mas também

burguesa na vanguarda da moda nova-iorquina...Até a sua relação com Diego

Rivera, que sobreviveu a múltiplas separações e traições, representou uma

enorme contradição - "É o matrimónio de uma pomba com um elefante" - disse o

pai de Frida quando soube do seu casamento.

Ainda que a vida de Frida Khalo tenha sido atravessada permanentemente pela

dor, Sophie Faucher não quer que se recorde unicamente o seu sofrimento e a

sua desgraça. "Quero que o público descubra também o seu humor, a sua

vitalidade, a sua delinquência, o seu lado demoníaco, a sua loucura e a sua

ânsia de liberdade. " E há ainda o seu lado politico e todo o México por que

sempre lutou.


Para escrever Que Viva Frida (Apasionada), Sophie Faucher inspirou-se no

diário íntimo de Frida, que abrange os últimos 20 anos da sua vida. A peça

decorre na Casa Azul, onde vivia o casal Frida-Diego, nos arredores da

cidade do México, em 1953, na tarde da inauguração da sua exposição, quando

Frida dialoga com a morte..."Não é uma biografia, é a nossa Frida, a Frida

nossa - enfatiza a autora - É uma proposta a partir da sua palavra de

mulher, de poetisa, de visionária. Ela tinha força, intensidade,

autenticidade. Agarrava-se à vida. Não era porque tivesse uma perna mais

curta que outra que se considerava menos válida. Não era porque fosse tímida

e mostrasse um rosto duro que não fosse capaz de seduzir e ser magnífica.

Porque, apesar do sofrimento, da enfermidade e dos acontecimentos que a

marcaram, Frida Kahlo recusou-se a atormentar-se. Apreciava mais a ligeireza

da vida do que as profundezas das trevas. Não há nada mais ridículo do que a

tragédia - escreveu no seu diário - Não há nada mais importante do que o

riso".




Exerça aqui o seu Direito de resposta! Comente!


Alma Schindler, oficialmente Mahler-Werfel:

Estou fascinada! Acabo de ver um filme sobre Alma: a mulher do vento, título com base no tema da obra-prima de Oskar Kokoschka (1886-1980), pintor austríaco.
Alma foi uma mulher muito à frente do seu tempo.
Intérprete de uma vida apaixonada, Alma Mahler ainda hoje é um desafio para seus biógrafos. Linda, culta e muito vaidosa, virou a cabeça da Viena de sua época e passou à história como a viúva das 4 artes: Música, Arquitectura, Pintura e Literatura. Tudo o que Alma queria, no entanto, era um outro tipo de fama: a de compositora talentosa. Justamente a que lhe foi negada por Mahler, seu primeiro marido.

Sempre amei a Sinfonia de Mahler, que é cheia de energia e contrastes, emoções, e sobretudo com uma variedade harmónica algo estranha para os admiradores do romantismo tradicional. Gustav Mahler escreveu nove sinfonias completas. Esta é a 10ª. Não concluída, apenas esboçada. Durante anos permaneceu a dúvida. Será que alguém se atreveria a preencher os espaços em branco da partitura de Mahler. O compositor morreu em 1911. A primeira apresentação da 10ª sinfonia só foi possível passados 50 anos, depois de ter sido acrescentado à partitura o mínimo indispensável para ser tocada. Mas não soou bem aos ouvidos dos especialistas. E foram necessários mais 40 anos para surgir uma versão aclamada.
Mahler era um homem de paixões. Um ano antes de morrer ficou arrasado quando soube que a mulher, Alma Mahler, tinha tido um caso amoroso com o arquitecto alemão Walter Gropius. Com a partitura da 10ª sinfonia entre mãos, Mahler reflectiu na música o desconcerto mental. A meio do 1º andamento a orquestra parece gritar, num acorde prolongado e dissonante.
Um dos andamentos da sinfonia chama-se Purgatório. A designação escolhida por Mahler refere-se a um poema sobre a Traição, escrito por Siegfried Lipiner, amigo do compositor. A ideia de redenção é transmitida pelo tom optimista da música.
O 4º andamento é uma valsa. Na partitura há uma anotação de Mahler: ¿é como se o diabo dançasse comigo...¿
O esboço do último andamento foi concluído poucos meses antes de Mahler morrer. Nessa altura parecia já reconciliado no casamento. Á margem da pauta o compositor escreveu uma frase dedicada à mulher: ¿Viver por ti, morrer por ti¿.
Nunca saberemos o que seria esta 10ª sinfonia no seu aspecto final, se fosse Mahler a concluí-la. Mas a partir do esboço, é desde logo detectável a marca do compositor. Se por um lado há quem considere uma heresia apresentar uma obra que o próprio autor não deu por terminada, por outro lado há quem acredite que seria ainda mais penoso deixar algumas das páginas mais empolgantes de toda a obra de Mahler, na prateleira dum museu, entregues ao pó.

Viúva, Alma dedicou-se à família, sim, e sacrificou os sonhos e a lealdade aos que amou. Foi a musa dos cabelos de fogo de vários pintores, amiga dos artistas do seu tempo, amante, mãe dedicada e triste (perdeu duas filhas). Quando tinha 37 anos, um teólogo e reverendo abandonou a fé por ela.
Esta femme fatale do início do século XX , foi casada com Gustav Mahler, a 9 de Março de 1902 (ele morreu) Walter Gropius, a 18 de Agosto de 1915 (o arquitecto da Bauhaus,) e por fim, Fritz Werfel, escritor, a 6 de Julho de 1929.
Teve um sem fim de namoriscos mais ou menos inconsequentes, à mistura com adultérios qb...,
Gustav Klimt (1862-1918), pintor austríaco
Oskar Kokoschka (1886-1980), pintor austríaco
Max Burckhard (1854-1912), advogado e director do Viennese Burgtheatre
Felix Muhr, arquitecto
Joseph Maria Olbrich (1867-1908), arquitecto e designer alemão
Erik Schmedes (1868-1931), tenor dinarmaquês
Alexander von Zemlinsky (1871-1942)
Johannes Hollnsteiner (1895-1971), padre austríaco

Alma morreu nos Estados Unidos, aos 85 anos, de mãos dadas com a filha Anna, de seu casamento com Mahler, depois de ter assistido às mortes, uma a uma, de todos os homens geniais que a amaram.



Exerça aqui o seu Direito de resposta! Comente!


Terça-feira, Abril 11, 2006


A subjectividade e mediocridade dos jornalistas em geral esteve em evidente destaque durante a contagem dos votos em Itália. Como fiz a maratona eleitoral, em directo, para a EuroNews, sei do que falo. Mal o "pareggio" se instalou, houve como que um bloqueio de todos os Media na NET. Durante quase todas as horas em que a Casa das Liberdades de Berlusconi dominou o Senado e a Câmara dos Deputados, os títulos continuavam a destacar a grande vitória da União liderada por Prodi. E o mais estranho era que a minha televisão foi actualizando a Web, mas os links da google news portugal, por exemplo, nunca o mostraram. Mantinham títulos de horas antes....um silêncio comprometidíssimo.
Agora que as coisas estão provisoriamente definidas (nas municipais de 28 de Maio ainda andará tudo andará em guerra por causa dos resultados contestados (cerca de 83 mil, neste momento) e a margem da vitória da esquerda é exígua, o ex-primeiro-ministro da Comissão Europeia assume a vitória e diz que vai governar cinco anos. Da última vez que tentou, os parceiros da Refundação Comunista provocaram a sua queda e deram a origem ao governo de Massimo D'Alema. Vamos ver o que se passará agora.
Passo a transcrever, a propósito do tema, o Blog Belgique Mobibe:

A l'heure où j'écris ces lignes, on peut encore lire sur le site du Soir, de la
Libre et de la RTBF que Prodi a remporté les élections italiennes. La RTBF
annonce d'ailleurs une défaite cinglante pour Berlusconi. La presse belge écrit
le même genre de choses avec des analyses encore plus poussées. Pourtant,
EuroNews annonce actuellement que le Sénat est aux mains de Berlusconi. La
Chambre pourrait également suivre le même chemin. Mais une chose se dégage
particulièrement : l'incertitude. Il reste encore 55% de bulletins à
dépouiller.

Ca me semble être la preuve de la pauvreté et de la médiocrité des médias
francophones belges, tout comme d'autres médias européens d'ailleurs. Peu demédias ont opté pour la prudence en diffusant les résultats des sondages. C'est
tout simplement hallucinant de lire une analyse de ce qui va changer avec Prodi
et comment il va prendre la place de Berlusconi alors qu'on n'a encore aucune
certitude, loin de là. L'info-spectacle, c'est vraiment pitoyable. D'autant
plus si tout le monde s'y met.
Dans 10 ans, on annoncera le vainqueur 15 jours avant les élections. Et lors de
l'annonce du vrai vainqueur, on ne prendra même pas le temps de présenter ses
excuses aux lecteurs, qui payent pour avoir une info de qualité, pour avoir
écrit des torchons pendant 15 jours.




Exerça aqui o seu Direito de resposta! Comente!


Segunda-feira, Abril 10, 2006


Não posso deixar de transcrever o que foi escrito em Angola, e tão triste me deixou, sobre a cegueira dos jornalistas e políicos portugueses em Luanda.

Manchete de Notícias Lusófonas
Esta é a Angola
que os portugueses
não quiseram ver
- 10-Apr-2006 - 12:25


Não basta descrever a beleza da marginal de Luanda. Era preciso dizer que 70% do nosso povo (sobre)vive na miséria

Os jornalistas portugueses, bem como os políticos e demais membros da comitiva que acompanhou o primeiro-ministro José Sócrates na visita a Angola não sujaram os sapatos para ver, in loco, os nossos descalços e famintos cidadãos. Ficaram, contudo, com a alma bem suja. Se é que a têm. Sócrates correu na marginal de Luanda, comeu e bebeu do melhor, conheceu a parte dos poucos que têm muitos milhões. E o povo? E os muitos milhões que têm pouco ou nada? Que os políticos e empresários portugueses assim se comportem, ainda vá que não vá. São todos iguais. Mas então os jornalistas? Desses, nós ¿ o povo angolano, esperávamos muito, muito mais.


Por Jorge Castro

Os políticos portugueses escudam-se nas relações Estado/Estado para, impávidos e serenos, justificarem que não podem hostilizar quem dirige Angola. Comem bem e calam ainda melhor. Esquecem-se, contudo, que Angola actual não é um Estado mas, apenas, um reino do senhor José Eduardo dos Santos onde ele faz o que quer sem prestar contas.

Que os políticos portugueses comam bem e calem ainda melhor, é aceitável embora revele uma cobardia pouco digna de um Estado democrático e de direito. A comitiva de José Sócrates não veio a Angola para conhecer o país real e, por isso, o povo aparece nas preocupações de Lisboa logo a seguir ao último ponto da agenda.

Espanta-nos, contudo, que os jornalistas também façam parte da mesma panela e, com algumas muito raras excepções, se limitem a ser reprodutores dos interesses instalados (muitos deles paridos nas mais vis latrinas) e do que os políticos querem que eles digam. Será uma mera questão de subsistência? Será porque, afinal, o jornalismo português é mesmo assim?

Ainda queremos nós, pobres inocentes, aprender com os jornalistas portugueses. Aprender o quê? A ocultar a verdade? A ser correia de transmissão dos poderes instalados? A ficar nos melhores hotéis e a tapar os olhos perante a realidade que está na rua ao lado? A falar da árvore esquecendo a floresta? A descrever a beleza da marginal de Luanda e a esquecer que 70% do nosso povo (sobre)vive na miséria?

É claro que Angola precisa de investidores. Por isso cá vieram empresários de todo o tipo, dispostos a ajudar a nossa economia, seja pelo crédito assegurado pelo Governo de Lisboa, seja pelo petróleo de Cabinda. É a função deles.

É claro que Angola precisa de intercâmbio político. Por isso cá vieram políticos e governantes, dispostos, neste caso, a ajudar a perpetuar a elite que está no poder. É, se é que é, a função deles.

É claro que Angola precisa de ser notícia. Por isso cá vieram jornalistas dispostos a contar o quê? Esperávamos nós que fosse a verdade sobre o país. E essa só em parte foi revelada. Contaram que o país está a crescer, que a economia está pujante, que os empresários querem investir. Faltou, contudo, o outro lado. Faltou falar do povo. Desse povo que está na miséria, das crianças que são geradas com fome, nascem com fome e morrem com fome. Esta também é, ou deveria ser, a função deles.

Aliás, não era preciso muito esforço para ver essa realidade. Mesmo que não quisessem sujar os sapatos nas lixeiras onde sobrevivem as nossas crianças, bastaria olhar à volta dos hotéis. Era tão simples...




Exerça aqui o seu Direito de resposta! Comente!


Quinta-feira, Abril 06, 2006


Coragem de PP:
"A Constituição de 1976 é um erro histórico: atrasou economicamente o país, equivocou-o socialmente e excluiu-o da realidade contemporânea", criticou Paulo Portas, numa sessão parlamentar especialmente dedicada a evocar os 30 anos
da aprovação da Constituição da República Portuguesa, a 2 de Abril de 1976.

Para o deputado do CDS, a Lei fundamental é "a matriz cultural do atraso português" e constitui "um dever político geracional" a sua reforma aprofundada.

Primeira intervenção de Portas depois de um ano de deputado

"Não há outro dever político geracional que não seja lutar incessantemente pela reforma aprofundada da Constituição portuguesa até que se atinja um padrão constitucional novo aceitável por todos", salientou, naquela que foi a sua primeira intervenção de fundo no Parlamento desde que foi eleito deputado, há mais de um ano.
Portas recordou ainda o voto contra do CDS-PP à Constituição de 1976 (o único partido a fazê-lo) como o "mais visionário": "Quem denunciou a Constituição estava cheio de razão".

"Tudo o que começa mal, dificilmente se equilibra, mas quanto mais mudar no caminho da neutralidade ideológica menos mal ficará", defendeu, considerando que "o mal" da Constituição reside nas suas finalidades. Como exemplo, apontou Portas, o preâmbulo da Constituição, que refere ainda como meta o "abrir caminho para uma sociedade socialista".

"Como se Portugal tivesse nascido numa manhã de Abril ou Maio, quando nasceu há mais de oito séculos, como se todos tivessem obrigação de caminhar para o socialismo, mesmo não sendo socialistas", criticou.

Paulo Portas responsabilizou ainda a Lei fundamental pelas diferenças de desenvolvimento entre Portugal e Espanha e alertou para as Constituições dos novos países da União Europeia: "São Constituições enxutas, a nossa é prolixa, são pragmáticas, a nossa é programática".

Paulo Portas foi aplaudido de pé pela bancada do CDS.

Exerça aqui o seu Direito de resposta! Comente!


Quarta-feira, Abril 05, 2006


Eleições na Hungria


Os socialistas querem estabelecer um recorde na república húngara: protagonizar
uma reeleição, o que não acontece desde 1990. A poucos dias das eleições, as
sondagens dão uma pequena vantagem ao partido liderado por Ferenc Gyurcsani que
a oposição, à frente há alguns meses, tenta vencer.

Gyurcsany, jovem milionário conhecido como o "socialista da limusine" acha que
não há razão para ter medo, nem para aceitar que os adversários andem de porta
em porta a dizer para não votarem em si.
A demissão do primeiro-ministro Peter Medgyssy, em 2004, causou uma pequena
revolução no seio do partido socialista, em queda nas sondagens nessa altura.

Mas, com Gyurcsany, a crise foi solucionada no interior do Parlamento, ao menos
durante o tempo necessário para acabar a legislatura em curso. Agora, oito
milhões de húngaros vão às urnas escolher os próximos deputados.

O principal partido da oposição, centro-direita, é o Fidesz. Concorre em
aliança com a pequena União Cívica húngara e tem razões para almejar o retorno
ao poder: o seu líder, Viktor Orban foi primeiro-ministro entre 1998 e 2002. O
partido, saído dos movimentos de resistência anti-comunista, evoca agora os
seus fantasmas, insistindo nas raízes comunistas do partido socialista. Aliás,
ambos têm as mesmas prioridades:

Na primeira década do século XXI a Hungria continua a mostrar um forte
crescimento e a trabalhar para aproximar a sua economia da média da União
Europeia, à qual aderiu há três anos. Mas, para entrar na zona euro ainda tem
de reduzir a dívida pública e o défice.

O sector privado é responsável por mais de 80% do PIB. Há muito investimento
estrangeiro e posse por estrangeiros de firmas na Hungria, com o investimento
estrangeiro directo a totalizar mais de 23 mil milhões de dólares desde 1989.
As autoridades financeiras internacionais temem que as reformas preconizadas
pelos principais partidos possam travar o crescimento económico.



Exerça aqui o seu Direito de resposta! Comente!


Berlusconi, Prodi, Bossi e os comunistas de Itália

Silvio Berlusconi

Silvio Berlusconi e o seu partido Forza Italia acusam algum cansaço depois de
cinco anos de governo num contexto difícil, a nível interno e externo... Mas
pela primeira vez na história da república italiana, um primeiro ministro
manteve-se no poder durante os cinco anos da legislatura. E Silvio Berlusconi
está orgulhoso do seu mandato. Afirma ter baixado os impostos a 80 por cento
dos italianos, salvo aos grandes capitalistas.
Diz que, por falta de acordo com dois partidos da sua coligação, não conseguiu
reduzir o imposto mais alto, de 43 para 39 por cento, e depois para 36 e 33 por
cento.

Mas, aparte este diferendo, o seu executivo cumpriu todas as promessas
eleitorais "por isso é credível".
A coligação governamental é composta pela Forza Italia, fundada por Berlusconi
nos anos 90, a Liga Norte (federalista), nascida em 80, e a UDC, ala dos
cristãos-democratas, e por fim a Aliança Nacional, partido reformado por Fini
há cerca de 15 anos.

A coligação registou notarialente um programa eleitoral ambicioso, em 2001:
redução dos impostos, infraestruturas, reformas federalista, da justiça, da
escola, do mercado do trabalho. Todas cumpridas, mas o tempo dirá se gozam de
eficácia. O caminho foi árduo, com crises internas com Fini e a UDC e moções
parlamentares.

A nível internacional, Berlusconi é conhecido por algumas derrapagens, a
primeira das quais no Parlamento europeu, quando explicava o programa do
semestre italiano da presidência da União Europeia: quando foi atacado pelo
chefe dos euro-deputados socialistas, Martin Schultz, respondeu-lhe que o ia
propôr para o papel de Kapo num telefilme.
Tentou dar a Itália um novo destaque na Europa, estabelecendo um elo com a
Espanha e o Reino Unido, em alternativa ao eixo franco-alemão, e depois apoiou
Bush em relação ao Iraque. Também aprofundou laços de amizade com Vladimir
Putin.

É verdade que os seus problemas pessoais assombraram o mandato: esteve sempre a
braços com a justiça por causa da sua gestão do grupo Fininvest, antes da sua
entrada na política.
Os processos judiciais, por um lado, e os conflitos de interesses por outro,
têm sido os temas mais batidos pela oposição.

Não é político de formação, mas um empresário que construiu uma fortuna imensa
no imobiliário e nos média em Itália. E é proprietário do Milan.

.....................
Romano Prodi

Romano Prodi, o candidato da esquerda italiana à presidência do Conselho é
conhecido como Professor e homem das missões espinhosas. No tempo da União Soviética era tido pelo KGB como um homem de confiança. Está bem
consciente da árdua tarefa nesta campanha eleitoral: na falta de carisma deu mais força ao slogan preferido: seriedade para o governo.

Para dar força à candidatura, Prodi rodeou-se de aliados de peso, como o antigo
presidente da Câmara de Roma e católico de esquerda, Francesco Rutelli,
dirigente da Margherita - e de Piero Fassino, chefe dos Democratas de Esquerda,
antigos comunistas. Com este núcleo duro, Prodi fez uma ampla coligação:

Dela fazem parte os antigos aliados do seu primeiro governo de 1996: a
Margherita, os Democratas da Esquerda e a Rifondazione Comunista, de Fausto
Bertinotti. Cinco pequenos partidos completam o quadro.

Sem o partido por trás de si, este jogo de equilibrismo podia falhar se Prodi
não tivesse adquirido a legitimidade para a liderança através das eleições
primárias. Em Outubro passado, três milhões de eleitores participaram no que
foi considerado um sucesso para este economista que prefere a participação do
Estado nas questões sociais aliada ao liberalismo.

A sua campanha eleitoral tem-se baseado no estado das finanças públicas e na
luta contra a evasão fiscal.

Mostra-se chocado com a fuga aos impostos no valor de 200 mil milhões de euros,
este ano. Segundo as suas contas, apenas um terço dessa evasão daria para
regular as contas públicas.

Sem prometer o paraíso, este austero economista prometeu, no entanto, uma baixa
no custo do trabalho, o que permite aumentos de salário na ordem dos 500-600
euros por ano. Como, não disse. Mas desenha o retrato de uma Itália fragilizada
por todo o género de divisões, e promete unificar o país na senda da
concertação internacional. Conclui que o pacto assinado pelos membros da
coligação permite criar uma equipa governamental coesa e forte.
....................

A Liga Norte do polémico Bossi


A Liga Norte celebra em Veneza, anualmente, o Estado virtual da Padania,
resultado de uma ambição federalista desenhada para as regiões do rio Pô. A
Liga nasceu nos anos 80 por iniciativa de Umberto Bossi e três amigos para a
Lombardia, apenas, mas depressa cresceu.
Liga aliou-se a outros movimentos regionais e reivindicou a independência do
norte.

Assumiu-se, então, como federalista.

Em 1994, a Liga Norte formou governo com a Forza Italia de Silvio Berlusconi,
continuando a criticar o Estado central. Não se conseguiu manter até ao fim do
ano e forçou a queda de Berlusconi.
Depois de longos meses de troca de insultos, Bossi e Berlusconi acabam por
fazer as pazes. Formam uma nova coligação com a Aliança Nacional de Fini e com
a UDC (um partido centrista saído das fileiras da democracia-cristã) e, em
2001, ganham as eleições e voltam a formar governo.

Bossi era ministro das Reformas quando sofreu uma grave crise cardio-vascular,
que o deixou bastanto afectado, mas não o impediu de voltar à ribalta.
Apareceu num comício no fim de 2005.

Nesta legislatura, a Liga Norte mostrou-se um aliado mais leal do que na
primeira, mas a linguagem e gestos de alguns membros do partido criam situações
embaraçosas para o executivo. O ministro Calderoli mostrou na televisão a sua
t-shirt com as caricaturas de Maomé, no calor da crise em toda a Europa. E foi
obrigado a demitir-se.

A Liga Norte tem estado em conflito permanente com os aliados mais
centralistas do governo, a Aliança Nacional e a UDC. Mas conseguiu pôr em
prática as suas reformas. Resta saber se, em caso de reeleição, a coligação
sobreviverá a mais crises internas.
............................
Comunistas

Os comunistas italianos são aliados incontornáveis ou constrangedores? Seja
como for, os comunistas estão na coligação de centro-esquerda liderada por
Romano Prodi, o ex-presidente da Comissão Europeia. Entre eles, a vedeta tem
sido o patrão da Rifondazione Comunista. Sulfuroso, elegante e um carismático
orador.

Fausto Bertinotti fez cair o governo de Prodi em 1998, ao chumbar o orçamento.
As razões pelo qual o fez e em que se baseia a sua luta, são de cariz social,
as mesmas de sempre.

Este político acha que, actualmente, há dois modelos justapostos na Europa.
Vários governos sofreram revezes nas eleições (o Não à Constituição Europeia na
Holanda e na França confirmam-no) Esta passagem à oposição em muitos países
aconteceu em nome da justiça social; e o que se passa em França confirma-o.

A outra grande formação comunista é a do Partido Comunista italiano, nascido
apenas em 1998, mas que conduziu, indirectamente, à vitória de Silvio
Berlusconi.

Um dos seus dirigentes é Marco Rizzo.

Este líder defende que os grupos económicos e financeiros têm razões para se
inquietar, pois ele pugnará para que os trabalhadores do centro-esquerda sejam
ouvidos, já que estão tão mal representados no mundo do trabalho. O programa
eleitoral dos rivais comunistas da União é um programa de coligação por isso o
PCI pretende, na realidade, fazer respeitar os trabalhadores.

Os comunistas italianos irão contribuir para a vitória eleitoral da União de
Prodi ou, pelo contrário, darão mais força ao anti-comunismo primário da classe
média italiana? A previsão é difícil.




Exerça aqui o seu Direito de resposta! Comente!


Primeira página