Rotativas

Terça-feira, Maio 30, 2006


DOIS TRABALHADORES DA CBS MORTOS NO IRAQUE
O operador de câmara Paul Douglas e o técnico de som James Brolan, ambos britânicos ao serviço da cadeia televisiva norte-americana CBS, foram mortos a 29 de Maio em Bagdade, no Iraque, quando a unidade militar em que seguiam foi atacada por um carro-bomba. No ataque ficou ainda ferida com gravidade a jornalista Kimberly Dozier.
Leia mais
em: http://www.jornalistas.online.pt/noticia.asp?id=4686&idCanal=483



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Quinta-feira, Maio 04, 2006


Devagar te toca
abisma
pepita aos tombos
falésia abaixo
até que o murmúrio
das águas
te assombre em ecos
espantosos.
Que não se estranhe
o mundo
que se entranhem
desesperos
de lágrimas
tão briosos!

MJC dt o passeio às Gargantas de Ardèche

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No http://entramula.blogspot.com - o Francisco Botelho escreveu sobre o livro «Kafka à beira-mar»

«Seiscentas páginas de prosa que são pura poesia. Haruki Murakami era, para mim, um perfeito desconhecido. Acabei ontem de ler o primeiro dos seus livros que me passaram pelas mãos. Por sinal, por mero acaso. Numa das minhas visitas à FNAC do Chiado, atraiu-me o título do livro. Kafka à beira-mar. Talvez porque ia brevemente para Praga e levava Franz Kafka na cabeça, comprei-o de impulso. Pensando que se tratava de um romance à volta do Kafka que conhecia. Não era mas é um livro extraordinário. Sobre a procura do sentido da vida por um rapaz de 15 anos que se baptizou de Kafka Tamura. Fui de tal modo conquistado pela escrita de Murakami que, esta semana, voltei à FNAC à procura de mais trabalhos seus.»

Antes, eu tive estado a ver o programa da Bárbara Guimarães com outra Bárbara, a Reis, deditora de Cultura do Público. A sua descrição do realismo mágico de Murakami foi extraordinária!


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Quarta-feira, Maio 03, 2006


Também estou contente por a Comissão Europeia ter suspenso a aproximação à Sérvia-Montenegro. Sem criminosos de guerra não há adesão. Sem Mladic e Karadzic, o governo tem de reciclar a polícia e os serviços secretos que tanto os ajuda na clandestinidade...

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Tive saudade de Angola e andei pelo Angonotícias e outros sites a saber dos generais que me permitiram mover absolutamente à vontade em todo o território durante a guerra, em zonas onde só chegavam os mercenários, soldados...e, pior, onde o povo era atacado e chacinado sem ter militares que lhe acudisse.
Continua a achar imperdoável que a comunidade internacional, por causa das riquezas que rapina em Angola, não pressione a organização de elições livres no país.
Agora leiam o que encontrei, escrito pelo Nicola Guardiola, com o título Os «novos ricos» apostam nos negócios

«INVESTIR em Angola é agora a divisa dos nossos ricos» diz o «Semanário Angolense». O jornal, que causou escândalo em 2004 com a publicação da lista dos homens mais ricos da «nomenklatura» angolana, voltou a carga há duas semanas com um «retrato» dos grupos privados que proliferam em Angola, à boleia do «boom» económico e da intenção confessa do Governo de favorecer a criação de grupos privados nacionais e a sua entrada em sectores estratégicos como a banca, o petróleo ou os diamantes.

A directora do «Semanário Angolense», Graça Campos, admite que a lista não é exaustiva e não se apoia numa aturada investigação. São os «negócios» que dão que falar e que ilustram a importância do lóbi político e a «apetência» dos investidores estrangeiros para formarem sociedades com figuras políticas do regime ou seus familiares.

Com a devida vénia ao «Semanário Angolense», eis, em resumo e de A a Z, o retrato dos grupos privados mais «badalados» da actualidade em Luanda.

ARMINDO CÉSAR & FILHOS

No começo esteve a Maboque, empresa especializada em restauração, hotelaria e «catering». Diz-se que conta entre os seus accionistas com membros da família do Presidente Eduardo dos Santos e uma plêiade de generais. Mas nos últimos cinco anos o grupo cresceu e multiplicou-se.
Actividade: as anteriores, mais pescas (captura e comercialização), hotelaria e turismo, imobiliário, comércio (hipermercado Interpark), formação profissional e serviços.

BANCO INTERNACIONAL DE CRÉDITO (BIC)
Isabel dos Santos, primogénita do Presidente Eduardo dos Santos, e o empresário português Américo Amorim (25%) são os principais accionistas. Criado em Junho, já abriu 13 balcões (8 em Luanda) e arrecadou mais de 165 milhões de dólares em depósitos.

BANCO COMERCIAL DE ANGOLA (BCA)

Inclui entre os seus accionistas três ex-primeiros-ministros: Lopo do Nascimento, França Van-Dúnem e Marcolino Moco. Salomão Xirimbimbi (ministro das Pescas), Augusto Tomás (ex-governador de Benguela, ex-ministro das Finanças) e o empresário Jaime Freitas (COSAL, Interauto, Tecnomat) são os outros sócios. Em 2005 vendeu 50% das acções ao Absa Bank, de África do Sul, que por sua vez foi comprado pelo Barclays Bank, do Reino Unido.

CABUTA ORGANIZAÇÕES
«Holding» criada pelo general Higino Carneiro, ministro das Obras Públicas e governador do Kwanza Sul, e família.
Actividade: agricultura, agro-indústria, hotelaria, turismo, banca, seguros.

FINANGEST

Entre os accionistas figuram José Pedro de Morais, ministro das Finanças, general Pedro Neto, chefe do Estado-Maior da Força Aérea, e Kundi Paihama, ministro da Defesa.
Actividade: jogos e lotarias, edição discográfica, transportes, serviços, construção, «import-export», seguros, segurança.

GEMA

Criada por Simão Júnior, o seu actual presidente é José Leitão, ex-chefe da Casa Civil da Presidência. Conta entre os seus accionistas com o jurista Carlos Feijó e António Pitra Neto, vice-Presidente do MPLA e ministro do Emprego e Segurança Social.

Actividade: supermercados, salas de cinema, clínica privada, accionista da Coca-Cola Angola, parcerias com empresas sul-africanas e chinesas.

GENI

Empresas dos sectores da banca, petróleo, diamantes e construção florescem com o «boom» angolano. O FMI projecta um crescimento económico de 15% em 2005

O ponto de partida foi a criação da UNITEL (telefonia móvel) em parceria com a Portugal Telecom. Fundadores: Isabel dos Santos, brigadeiro Leopoldino Fragoso do Nascimento (chefe das Comunicações da Presidência), António Van-Dúnem (ex-secretário do Conselho de Ministros) e Manuel Augusto da Fonseca, do gabinete jurídico da Sonangol. Juntou-se-lhes o empresário franco-brasileiro Pierre Falcone.

Actividade: telecomunicações, serviços.

GENIUS

Criada pelo general João de Matos (ex-chefe de Estado-Maior-General das FAA) e Mário Pizarro (ex-governador do BNA). A jóia da coroa do grupo é a GEVAL-Angola Joint-Venture com a brasileira Vale do Rio Doce, n.º1 mundial de mineração.

Actividade: minas (diamantes, manganésio, outros). Projectos: electricidade, telecomunicações.

Participações: Torres do Carmo (Luanda), Belas Shopping Center

IMPORÁFRICA-IMPORCAR

Faustino Muteka ex-ministro da Administração do Território e actual secretário do MPLA para a mobilização é a figura-de-proa do grupo, a que estão associados capitais de Portugal à Índia.

Actividade: construção civil, agricultura, comércio, venda de automóveis, imobiliário.

MACON

Revolucionou o transporte público em Luanda (autocarros e táxis). Hélder Vieira Dias, chefe da Casa Militar da Presidência e director do Gabinete de Reconstrução Nacional, brigadeiro Leopoldino Fragoso e Júlio Bessa, ex-ministro das Finanças, em parceria com o brasileiro Minoru Dondo são os sócios-fundadores.

Actividade: transportes, comércio (o Shopping Center Kinaxixi está «encalhado» há dois anos).

MELLO XAVIER

Há muito que Jorge Mello Xavier deputado pelo MPLA em 1992 deixou de ser «o empresário do regime» mas continua activo, influente e irreverente.

Actividade: construção civil, turismo, hotelaria, bebida, agro-indústria,

PECUS

Criada pelo grupo português Tecnocarro, de José Récio, foi vendida aos irmãos António e Luís Faceira.

Actividade: produção e comercialização de carne, sector que lidera.

PRODOIL, Exploração e Produção de Hidrocarbonetos

Associou-se à Amec Paragon (Houston, EUA). Entre

os sócios angolanos citamos Marta dos Santos, irmã mais velha do Presidente da República.

Actividade: petróleo, gás natural, serviços, hotelaria.

SAGRIPEK

Capital repartido entre um grupo de sócios angolanos (BAI, BPC, Banco Keve, Higino Carneiro, Mello Xavier, irmãos Faceira, Isabel dos Santos) que detém 51% e um consórcio brasileiro

Actividade: agricultura; pecuária, produção agro-industrial.

SOMOIL

Primeira empresa privada angolana a entrar na exploração de petróleo. Criada por Desidério Costa, ministro dos Petróleos, e Alberto de Sousa.

Actividade: petróleo e derivados (lubrificantes)

SUNINVEST

Dirigida por Ismael Diogo, cônsul de Angola no Rio de Janeiro e presidente da FESA (Fundação Eduardo dos Santos).

Actividade: indústria farmacêutica (parceria com o Laboratório Teuto do Brasil), transportes urbanos, recolha de lixo (Luanda), comércio.

VALENTIM AMÕES

Veio para Luanda vindo do Planalto Central, onde possui um grande património imobiliário e controla boa parte do comércio. Entrou para o Comité Central do MPLA em 2004 e entre os seus sócios figura o general Fernando Miala, dos serviços de informação externos da Presidência.

Actividade: transportes rodoviários e aéreos, hotelaria e turismo, «rent-a-car», comércio.

SEGURANÇA

As empresas de segurança merecem ser tratadas separadamente, pois foi por esta via que muitos generais se estrearam nos negócios e adquiriram o capital que lhes permitiu mais altos voos. São agora às centenas, mais ou menos sofisticadas, e fornecem todo o tipo de serviços, desde a segurança de instalações a escoltas pessoais, transportes de fundos e instalação de sistemas de vigilância. O «Semanário Angolense» destacou as seguintes:

ANGO SEGU

Empresa pioneira na segurança industrial. Tem como fundadores os generais Fernando Miala e José Maria e Santana André Pitra (Petroff) ex-ministro do Interior e comandante-geral da Polícia.

ALFA 5

Criada pelo general João de Matos e outros oficiais generais. Controla 50% da segurança das grandes áreas de exploração de diamantes.

TELESERVICE

Monopólio da segurança dos campos petrolíferos. Os seus fundadores foram os generais João de Matos, França Ndalu, Armando da Cruz Neto, Luís e António Faceira e Hendrick.

Participações na Air Gemini, Companhia do Lumanhe (diamantes) com a Escom, ligada ao Grupo Espírito Santo.

COPEBE

Criada por Pedro Hendrick Vaal Neto (ex-ministro da comunicação social), Roberto Leal Monteiro «Ngongo» e Nelson Cosme, embaixador de Angola na Organização dos Estados da África Central.


Nicole Guardiola


5 Novembro 2005



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Terça-feira, Maio 02, 2006


Bernardo Provenzano, o "capo de tuti capi" ou seja, o número um da Mafia siciliana foi preso depois de, quase, 43 anos de fuga.
Nos últimos anos, a sua figura de permanente fugitivo deu origem a uma «lenda», alimentada pelo facto de ser tido como um homem sem rosto, do qual só se conheciam fotografias antigas, de quando tinha 30 anos, e retratos-robot elaborados a partir de descrições de «arrependidos».
Nascido em Corleone a 31 de Janeiro de 1933, Bernardo Provenzano inicou a carreira na Cosa Nostra nos anos 50.
Era o "braço direito" do incostestado "capo" Luciano Liggio, que lhe reconhecia "um talento nato de atirador, mas um cérebro de galinha".
Provenzano foi um dos 14 assassinos de Michele Navarra, que era o chefe máximo na altura. O seu automóvel foi atingido por 112 balas.
Esta morte acaba por levar à prisão Luciano Liggio, em 1974, e marca o início da clandestinidade de Bernardo Provenzano.
Passa a ser o número dois da Mafia nas décadas de 80 e 90, durante a guerra de poder sangrenta, em que a família de Corleone se torna dominante.
O Padrinho era Toto Riina, "a Besta". Foi ele quem declarou guerra ao Estado italiano quando ordenou a morte, em 1992, dos juízes Giovanni Falcone e Paolo Borsalino.
Em Janeiro de 93, Riina foi detido e condenado a prisão perpétua; Provenzano sucede-lhe, com a máxima discrição.
Era muito prudente: apenas comunicava por notas escritas, os "pizzini", com os fiéis mais chegados, a quem transmitia as ordens à Cosa Nostra.
O fugitivo mais procurado de Itália, até 11 de Abril, gozou da protecção de personalidades públicas, conforme já acusou o novo procurador nacional anti-Mafia, Piero Grasso. Só assim se explica que tenha sido operado à próstata em Marselha, sul de França, a expensas da Segurança Social italiana, em 2003.
"Zio Binu", ou Tio Bernardo, como lhe chamavam os amigos, foi encontrado por causa da roupa lavada que lhe foram entregar à casa de campo na terra natal, onde se escondia.






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Bem, Dominique Villepin, primeiro-ministro francês, afirmou hoje, perante os deputados, estar a ser vítima de uma "campanha de calúnias e de mentiras ignóbil" no "caso Clearstream", excluindo qualquer possibilidade de vir a demitir-se.
Diz-se que ele é "a cabeça do turco", expressão do género da que em Portugal manda alguém para a cabeça do touro.
Seguem-se os próximos capítulos desta intriga "da corte".

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Segunda-feira, Maio 01, 2006


Intrigas da Corte em França



A permanência de Villepin no governo francês está ameaçada pelas intrigas contra o ministro do Interior, Sarkozy, o seu principal rival conservador . Amanhã, Dominique de Villepin vai elucidar o parlamento sobre a sua intervenção no caso Clearstream e contestar as questões.
O escândalo eclodiu em 2001, quando a sociedade financeira luxemburguesa Clearstream foi acusada de lavar dinheiro de comissões ilegais a políticos.
A justiça está a tentar identificar a fonte anónima que, três anos depois, falsamente acusou figuras públicas, entre as quais Sarkozy de ter contas escondidas no estrangeiro através da sociedade Clearstream para receber comissões à margem da venda de fragatas francesas a Taiwan.
Na lista dos nomes secretos de políticos e empresários figuram os nomes Bocsa e Nagy, que são os apelidos do ministro Nicolas Sarkosy, associados a nomes próprios fictícios, o que configuraria a presumível falsificação.
A audição (transcrita pelo Le Monde) de um responsável dos serviços secretos revela que, em 2004, o chefe da diplomacia francesa, por indicação do presidente, ordenou uma investigação confidencial sobre a implicação do ministro do Interior no caso Clearstream, quando já sabiam que a lista era falsa.
O clima é, por isso, de desconfiança política, apesar dos desmentidos de intervenção por parte de Villepin e Chirac.
O conselheiro de Sarkozy, Patrick Devedjian, sublinha que é muito grave utilizar o aparelho de Estado para satisfazer interesses políticos, usando documentos falsos.
Por seu lado, o dirigente socialista François Hollande, mostra-se surpreendido por saber que há "complots" organizados por membros do governo contra outros membros do governo, pondo em causa a autoridade do Estado, acrescentando que, por isso, é imprescindível ouvir Villepin.
A ministra da Defesa, Michelle Alliot Marie, foi o alvo da perseguição dos juízes durante o mês de Abril, por, alegadamente ter conhecimento da espionagem a Sarkozy.
Villepin nega ter ordenado qualquer investigação a Sarkozy, seu rival conservador para as eleições presidenciais de 2007.




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