Rotativas

Sexta-feira, Junho 30, 2006


Apaziguei a alma no Lago de Como, Itália, e nos Banhos de Saillon, Suíça. Pago impostos altíssimos e gozo o mínimo com muito bom gosto. Trabalho imenso e não suporto párias - sempre achei que há loiça para lavar nos restaurantes e escadas de prédios para esfregar...todos o podemos fazer. Ninguém pode morrer à fome na Europa.
Trazia o sorriso estampado no rosto quando fiz os primeiros passeios na marina da Figueira, contando os mastros aos veleiros enquanto descascava tremoços com a imperial fresca de doer. Pior foram as caminhadas junto ao rio, mercado adentro, esplanada, casinos, calçadão. Os romenos, expulsos de toda a Europa, não nadam. Quer dizer: a Figueira é o fim da linha de uma vagabundagem interdita no resto da Europa.
À primeira que esmolou, disse, não. À segunda, expliquei que dou à minha Igreja, que redistribui (eu sou católica apostólica romana). Quando a terceira me tentou vender pensos rápidos que recusei, passei a ser perseguida por um bando de crianças-profissionais da exploração da desgraça, com as tiras de pensos rápidos estendidas: - "senhora compra, compra, compra para ajudar". Apeteceu-me gritar: "onde está o serviço de estrangeiros que deixa explorar crianças que vêm explorar adultos, culpabilizá-los de terem dinheiro para viver e eles não?????"
Apeteceu-me gritar pela polícia e pelos deputados todos que elegemos para não prosseguirem políticas que possam alterar alguma coisa.
No Picadeiro, Casino, o meu passeio acabou depressa quando um romeno - um cigano rom, e não um cidadão de nacionalidade romena) me perseguiu com um carrinho de bebé e o cujo lá dentro, e mais duas crias de romeno pegadas aos lados do embaladoiro, com cerca de dois e três anos e o anormal a lançar-me pragas: "vai sofrer, mulher, porque não ajuda quem precisa, quem é pai de três crianças desgraçadinhas".
Em primeiro: eu quero decidir da minha vida, quem ajudo e quem quero impelir a ser tudo menos desgraçado. Não quero deixar de caminhar à beira-rio e frente ao mar porque as autoridades do meu país permitem uma tal violação do espaço individual dos seus cidadãos.
O meu avô dizia que, a menos de 75 cm, aproximação passava a ter cheiro e a ser invasão.
Detesto que me toquem para exigir. Detesto que exijam e toquem sem amar.


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Segunda-feira, Junho 19, 2006


A caça da baleia pode voltar a ser permitida. Os países que defendem o levantamento da proibição da captura dos maiores mamíferos do mundo conseguiram, este domingo, vencer a primeira votação da Comissão Internacional das Baleias.
A votação passou apenas por um voto. Apesar de ter ficado ainda longe dos 75 por cento necessários para abolir a protecção legal que é dada há 20 anos a estes animais. A moratória sobre caça comercial que estava em vigor desde 1986 deixa de ser necessária.
Com o País do Sol Nascente, a Islândia, e a Noruega, estão alinhados, pela primeira vez, uma maioria de pró-caçadores que as ONG's acusam de ter vendido o voto aos nipónicos - caso da Guatemala e das ilhas Marshall. Os maiores opositores são a Nova Zelândia, Austrália e Brasil.
O Japão reiniciou a caça usando uma brecha na Comissão Internacional das Baleias, que permite a caça para "pesquisa científica". E foi seguido pela Islândia.
Para voltar aos tempos da caça comercial livre, ambição que nunca escondeu, o Japão tem de conseguir dois terços dos votos, o que é improvável.
Mas uma maioria simples é suficiente para impedir a Comissão de regular formas de matança, bem-estar, turismo em santuários e assuntos relacionados com pequenos cetáceos, como os golfinhos.
O método utilizado para caçar baleias é cruel e os produtos dessa actividade não suprimem necessidades humanas essenciais.
O Kujiraya, por exemplo, é um restaurante de luxo, em Tóquio, especializado em baleia. Serve, de 200 a 300 pratos desta carne por dia.







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O voto do parlamento de transição que aprovou a presença de uma força de manutenção de paz na Somália é meramente simbólico já que os islamitas recusam-na . Mas pode ter conduzido ao fim da tentativa de cooperação entre as instituições provisórias do país e aqueles que controlam quase todo o sul da Somália, se acreditarmos no chefe das milícias islâmicas, Sharif Ahmed:
"Queremos que a comunidade internacional saiba que não precisamos de forças manutenção de paz. Queremos apenas assistência humanitária. Não prosseguimos qualquer conversação com o governo interino se eles chamarem estrangeiros", avisou.
Dizem que as anteriores intervenções estrangeiras causaram mais mal do que bem. Os somalis não esquecem a debandada americana em 1993, seguida de uma missão-relâmpago da ONU que acabou em 95.
A Somália afundou-se no caos a partir de 1991, quando os senhores da guerra derrubaram o ditador Mohamed Siad Barre e depois se voltaram uns contra os outros. Desde então, o país encontra-se sem um governo central.
A União dos Tribunais Islâmicos controla todo o sul da Somália, com excepção de Baidoa, onde está estabelecido um governo provisório apoiado pela ONU.
O nordeste da Somália é controlado por um governo autónomo aliado ao governo de transição liderado pelo presidente Abdullahi Yusuf. Diversos senhores da guerra refugiam-se na região.
Os Estados Unidos ajudam alguns senhores da guerra para impedirem que toda a Somália seja tomada por militantes islâmicos ligados à Al-Qaeda.
Este apoio pode ter incentivado o sentimento anti-americano na população.
Os fundamentalistas islâmicos apresentam-se como uma força alternativa capaz de impôr a ordem ao país. Já no Afeganistão foi assim: os talibãs
conseguiram governar com mão de ferro depois de anos de violência generalizada entre os senhores da guerra locais depois da queda do governo comunista.




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Terça-feira, Junho 13, 2006


O presidente norte-americano George W. Bush está em Bagdad numa visita de surpresa mantida no mais completo secretismo.

Bush recorreu, para este efeito, aos seus principais conselheiros e ministros reunidos na residência presidencial de Campo David, em Maryland.

Desta forma, o presidente norte-americano tratou de se informar sobre o parecer dos diplomatas e dos comandantes militares do seu "gabinete de guerra" na sequência dos acontecimentos registados após o completamento do governo de Maliki há menos de uma semana.



Bush esteve reunido com o novo primeiro-ministro iraquiano, Nuri Al-Maliki, na chamada zona verde, agora que está completada a formação do novo governo deste país.

Antes da chegada de Bush, o aeroporto de Bagdad esteve totalmente fechado ao tráfego aéreo sob justificação da chegada de "uma importante personalidade".

Não foram fornecidos pormenores sobre a visita, mas as autoridades norte-americanas tinham informado que Bush realizaria hoje consultas com o primeiro-ministro Maliki através de uma tele- conferência a partir de Campo David.

O presidente dos Estados Unidos lançou segunda-feira uma ampla consulta sobre os meios para ajudar o novo governo iraquiano a combater a violência e para fornecer ajuda à população iraquiana em produtos essenciais, considerando prematuro falar da retirada norte-americana do Iraque.



A visita de George W. Bush ao Iraque ocorre num dia marcado neste país por uma série de ataques que causaram pelo menos 32 mortos, 18 dos quais em Kirkuk em cinco atentados com viaturas armadilhadas com explosivos.



A viagem está rodeada de um clima de optimismo, com o anúncio da morte na semana passada do líder da Al-Qaeda no Iraque, Abu Musab al-Zarqawi.

E após o anúncio da nomeação dos novos ministros da Defesa, da Segurança e do Interior no Iraque.

O governo de Bush acredita que estes sejam progressos reais e espera que aumentem a credibilidade do novo governo iraquiano. Mas a onda de violência no país continua.



Na reunião de Camp David Bush recordou à comunidade internacional a promessa da doação de mais de 10.330 milhões de euros para a reconstrução daquele país do Médio Oriente.



A Comissão Europeia prevê para este ano uma ajuda de 159 milhões de euros ao Iraque.

O presidente norte-americano classificou de "extremamente positiva" a actual produção petrolífera iraquiana, que ultrapassou os dois milhões de barris diários, e exortou o governo de Bagdad a tirar partido do potencial para aglutinar à sua volta a população.



Acusando o antigo ditador iraquiano Saddam Hussein de responsabilidade na deterioração das instalações petrolíferas, Bush, sem mencionar actos de sabotagem, apenas aludiu ao muito trabalho necessário para as reparar e modernizar.

"Há oportunidades de exploração muito interessantes", reconheceu Bush que, antes de entrar na política norte-americana, esteve à frente de uma empresa petrolífera.



A reunião do "gabinete de guerra", com o vice-presidente, Dick Cheney, os secretários de Estado (Condoleezza Rice) e da Defesa (Donald Rumsfeld), o director dos Serviços Nacionais de Informações, John Negroponte, e da CIA, Michael Hayden, bem como o conselheiro para a Segurança Nacional, Stephen Hadley, sem esquecer o embaixador iraquiano, Zalmay Khalilzad, incidiu nos meios a disponibilizar para que "o Iraque de possa governar, manter e defender a si próprio", em palavras do presidente.



Bush garantiu por outro lado que Abu Hamza al-Mohayer, alegado sucessor do jordano Abu Mussab al-Zarqawi como chefe da Al-Qaeda no Iraque, vai ser colocado na lista dos alvos dos Estados Unidos.

Falando aos jornalistas depois da reunião do "gabinete de guerra", declarou: "O sucessor de Al-Zarqawi vai entrar para a lista dos que têm de prestar contas".

A morte de Al-Zarqawi "foi um duro golpe contra a Al-Qaeda, os terroristas e os assassinos que tentam disseminar a violência e impedir o surgimento de uma democracia" no Iraque, concluiu.

A Al-Qaeda anunciou segunda-feira na Internet que Al-Mohayer é o novo líder das operações no Iraque, depois da morte de Al-Zarqawi, na semana passada.



A popularidade do presidente norte- americano, George W. Bush, aumentou ligeiramente de acordo com uma sondagem realizada após a morte do chefe do grupo da Al-Qaeda no Iraque, Abu Mussab Al-Zarqawi.

A informação que se segue é do Diário de Notícias:
Entretanto, a inspecção norte-americana está a investigar os Video News Releases. Uma designação que pode traduzir-se por Lançamento de Notícias em Vídeo e esconde a sua verdadeira natureza: vídeos publicitários que são realizados para parecerem notícias e que são emitidos nos telejornais dos Estados Unidos como se fossem reportagens.



O organismo regulador do sector, a Comissão Federal de Comunicações (FCC), abriu uma investigação à proliferação desses vídeos, que são considerados pu- blicidade encoberta e enganosa.

A investigação pode ter consequências políticas, tanto mais que os VNR têm estado tradicionalmente ligados a empresas privadas, mas nos últimos três anos a Administração americana adoptou de forma entusiástica este modelo propagandístico. A Administração Bush usa maciçamente os Video News Releases para promover as suas iniciativas políticas.



As "reportagens" oficiais vão desde medidas relativas à assistência pública sanitária para pessoas de baixos recursos, passando pela reforma educativa, até à guerra do Iraque.

Um destas "reportagens" foi transmitida pela cadeia de televisão de Kansas City, na qual um iraquiano residente nos Estados Unidos dizia "Obrigado Bush, obrigado América" pelo derrube do regime de Saddam.

No total, 20 agências governamentais utilizam estes vídeos no âmbito do programa de relações públicas da Administração Bush e gastaram nestes três últimos anos 1600 milhões de dólares (1260 milhões de euros) a promover as suas iniciativas políticas.



A investigação da FCC é um novo elemento de pressão para que a Administração americana abandone estes vídeos . Em Maio de 2005, o Gabinete de Contabilidade do Governo declarou que o uso dos VNR pela Administração era ilegal. Segundo o New York Times, a resposta da Administração foi a de pura e simplesmente ignorar esta deliberação. Já na altura a FCC fixou uma multa de 32 500 dólares (25 500 euros) a aplicar às cadeias de televisão que transmitissem as "publirreportagens" sem as anunciar como tal. O Centro dos Media descobriu 77 cadeias que as transmitiram.


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Quinta-feira, Junho 08, 2006


Zarqawi por Zarqawi:

Setembro de 2004 - "Os mujahideen vão dar aos USA um gosto à degradação que infligiram ao povo do Iraque" ameaça proferida no vídeo em que ele decapita Eugene Armstrong.

20 de Janeiro de 2005 - "Os frutos da Jihad virão, após muita paciência e uma duradoura permanência no campo de batalha (...) que pode durar meses ou anos".

23 de Janeiro de 2005 - "Declaramos uma guerra amarga contra o princípio da democracia e todos aqueles que procuram decretá-la" - uma semana depois das eleições legislativas no Iraque.

Abril de 2005 - "Prometemos a Deus que o cão Bush não gozará de paz de espírito e que o seu exército não terá uma vida boa enquanto os nossos corações baterem".

Maio de 2005 - "A morte de infiéis por qualquer método, incluindo operações de martírio, foi sacralizada por muitos académicos, mesmo que leve à morte de muçulmanos inocentes. O derramamento de sangue muçulmano é permitido para evitar o grande mal de interromper a Jihad".

Julho de 2005 - "Declaramos que o Exército iraquiano é um apóstata, agente armado dos cruzados que veio para destruir o Islão e os muçulmanos. Vamos combater isso."

14 de Setembro de 2005 - "A organização Al Qaeda declarou guerra aos xiitas em todo o Iraque".



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Com a morte de Abú Musab al Zarqawi o terrorismo no Iraque perde o único rosto conhecido. Este jordano era o único que sobressaía da nebulosa em que operam os grupos terroristas no Iraque, já que estes aparecem encapuzados.

Al Zarqawi era o símbolo da Al Qaeda no Iraque, apesar de ter tido agenda própria, inimigo número um dos Estados Unidos, que puseram a sua cabeça a prémio por 25 milhões de dólares, ao mesmo preço que a de Osama Bin Laden.

A primeira vez que o seu nome veio a público, relacionado com o Iraque, foi em Fevereiro de 2003 no Conselho de Segurança da ONU. Nas suas alegações contra Bagdad, Collin Powell acusou al Zarqawi de ser o elo de ligação entre a Al Qaeda e Saddam Hussein, que lhe dava refúgio.
Zarqawi não era o seu verdadeiro nome, mas esse, diverge segundo as fontes...Certo é que nasceu a 20 de Outubro de 1966 em Zarqa, perto de Amman. Sunita, pertencia a uma das grandes tribos da Jordânia. Uma série de fotos dele, com aparências diferentes, era divulgada com alguma frequência pelo governo norte-americano.

Depois de fazer a guerra contra os soviéticos no Afeganistão, voltou ao país natal. Lá, foi condenado a uma pena de 15 anos de prisão, e amnistiado em 1999, quando o rei Abdullah II subiu ao trono. Fugiu de novo para o Afeganistão para lutar contra os americanos. Era considerado, pela CIA o maior perito da Al Qaeda em armas químicas e biológicas.

A seguir, em Julho de 2003, foi para o Iraque.
Zarqawi conseguiu semear o terror em todo o país, divulgando imagens de decapitações dos seus reféns ou discursos com um ódio, a tudo e todos, visceral. O seu grupo, Al Tawid, de tendência wahabita mais tarde rebaptizado Tanzim, ataca as forças de ocupação mas também os próprios iraquianos. Sobretudo a comunidade xiita, considerada um desvio do wahabismo e transformada em alvo permanente.

Cérebro do atentado de Hila, em Fevereiro de 2005, o mais sangrento no Iraque, Zarqawi conseguiu espalhar o ódio nas comunidades, queimando as fronteiras entre resistência e terrorismo.

Num vídeo de Dezembro de 2004, Osama Ben Laden confirma Zarqawi como o novo "emir" da Al Qaeda no Iraque e que os "irmãos" lhe devem obediência.

Zarqawi foi condenado à revelia, em Abril de 2004, à pena de morte na Jordânia pelo assassínio, em Amã, de Laurence Foley, da Agência Americana Internacional para o Desenvolvimento. Mas, ao todo, já tinha sido condenado à morte quatro vezes.



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Quarta-feira, Junho 07, 2006


A crónica de Vasco Pulido Valente intitulada "Os violinos de Ingres", no Público de 21/05/2006, é 5 estrelas. Aqui a transcrevo com a devida homenagem.

"Recebi uma carta assinada por três ministros (a sra. Ministra da Cultura, a sra. Ministra da Educação e o sr. ministro Santos Silva), que me convidava para ser membro de uma Comissão de Honra do Plano Nacional de Leitura. Com a carta vinha uma síntese do dito Plano. O papel da Comissão de Honra seria dar o seu "prestígio e aconselhamento à execução do Plano". Por outras palavras, fazer alguma propaganda à coisa, como de resto o dr. Graça Moura, "muito penhorado", já começou a fazer. Propaganda por propaganda, resolvi responder em público que não aceito. Por várias razões. Em primeiro lugar, porque a carta e a "síntese do Plano" estão escritas num português macarrónico e analfabeto (frases sem sentido, erros de sintaxe, impropriedades, redundâncias, por aí fora). Quem escreve assim precisa de ler, e de ler muito, antes de meter o bedelho no que o próximo lê ou não lê.

Em segundo lugar, não aceito por causa do próprio Plano. O fim "essencial" do Plano é "mobilizar toda a sociedade portuguesa para a importância da leitura" (a propósito: como se "mobiliza" alguém "para a importância"?). Parece que as criancinhas do básico e do secundário não lêem, apesar do dinheiro já desperdiçado no ensino e em bibliotecas. Claro que se o Estado proibisse a televisão e o uso do computador (do "Messenger") e do telemóvel, as criancinhas leriam ou pelo menos, leriam mais. Na impossibilidade de tomar uma medida tão drástica, o Estado pretende "criar um ambiente social favorável à leitura", com uma espécie de missionação especializada. A extraordinária estupidez diste não merece comentário.
Em terceiro lugar, não aceito por que o Plano é inútil. Nunca se leu tanto em Portugal. Dan Brown, por exemplo, vendeu 470 000 exemplares, Miguel Sousa Tavares, 240 000, Margarida Rebelo Pinto vende entre 100 e 150 000 e Saramago, mesmo hoje, lá se consegue aguentar. O Estado não gosta da escolha? Uma pena, mas não cabe ao Estado orientar o gosto do bom povo. No interior, não há livrarias? Verdade. Só que a escola e a biblioteca, ainda por cima ?orientadas?, não substituem a livraria. E um hiper-mercado, se me permitem a blasfémia, promove a leitura mais do que qualquer imaginável intervenção do Estado.
O Plano Nacional da Leitura não passa de uma fantasia para uns tantos funcionários justificarem a sua injustificável existência e espatifarem milhões, que o Estado extraiu esforçadamente ao contribuinte. Quem não percebe como o país chegou ao que chegou, não precisa de ir mais longe: foi com um número infinito de ?causas nobres? como esta.
?Causas nobres?, na opinião dos srs ministros, convém acrescentar."



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O PAÍS QUE NÃO MERECE SER DESENVOLVIDO

João César das Neves


PORTUGAL FEZ TUDO ERRADO, MAS CORREU TUDO BEM.

Esta é a conclusão de um relatório internacional recente sobre o desenvolvimento português.

Havia até agora no mundo países desenvolvidos, subdesenvolvidos e em vias de desenvolvimento. Mas acabou de ser criada uma nova categoria: os países que não deveriam ser desenvolvidos. Trata-se de regiões que fizeram tudo o que podiam para estragar o seu processo de desenvolvimento e... falharam.

Hoje são países industrializados e modernos, mas por engano. Segundo a fundação europeia que criou esta nova classificação, no estudo a que o DN teve acesso, este grupo de países especiais é muito pequeno. Alias, tem mesmo um só elemento: Portugal.


A Fundação Richard Zwentzerg (FRZ), iniciou há uns meses um grande trabalho sobre a estratégia económica de longo prazo. Tomando a evolução global da segunda metade do século XX, os cientistas da FRZ procuraram isolar as razões que motivavam os grandes falhanços no progresso. O estudo, naturalmente, pensava centrar-se nos países em decadência. Mas, para grande surpresa dos investigadores, os mais altos índices de aselhice económica foram detectados em Portugal, um dos países que tinha também uma das mais elevadas dinâmicas de progresso.


Desconcertados, acabam de publicar, à margem da cimeira de Lisboa, os seus resultados num pequeno relatório bem eloquente, intitulado: "O País Que Não Devia Ser Desenvolvido"


O Sucesso Inesperado dos Incríveis Erros Económicos Portugueses.

Num primeiro capítulo, o relatório documenta o notável comportamento da economia portuguesa no último meio século. De 1950 a 2000, o nosso produto aumentou quase nove vezes, com uma taxa de crescimento anual sustentada de 4,5 por cento durante os longos 50 anos. Esse crescimento aproximou-nos decisivamente do nível dos países ricos. Em 1950, o produto de Portugal tinha uma posição a cerca de 35 por cento do valor médio das regiões desenvolvidas. Hoje ultrapassa o dobro desse nível, estando acima dos 70 por cento, apesar do forte crescimento que essas economias também registaram no período. Na generalidade dos outros indicadores de bem-estar, a evolução portuguesa foi também notável.


Temos mais médicos por habitante que muitos países ricos. A mortalidade infantil caiu de quase 90 por mil, em 1960, para menos de sete por mil agora. A taxa de analfabetismo reduziu-se de 40 por cento em 1950 para dez por cento.


Actualmente a esperança de vida ao nascer dos portugueses aumentou 18 anos no mesmo período. O relatório refere que esta evolução é uma das mais impressionantes, sustentadas e sólidas do século XX. Ela só foi ultrapassada por um punhado de países que, para mais, estão agora alguns deles em graves dificuldades no Extremo Oriente. Portugal, pelo contrário, é membro activo e empenhado da União Europeia, com grande estabilidade democrática e solidez institucional. Segundo a FRZ, o nosso país tem um dos processos de desenvolvimento mais bem sucedidos no mundo actual.


Mas, quando se olha para a estratégia económica portuguesa, tudo parece ser ao contrário do que deveria ser. Segundo a Fundação, Portugal, com as políticas e orientações que seguiu nas últimas décadas, deveria agora estar na miséria. O nosso país não pode ser desenvolvido. Quais são os factores que, segundo os especialistas, criam um desenvolvimento equilibrado e saudável? Um dos mais importantes é, sem dúvida, a educação.













Ora Portugal tem, segundo o relatório, um sistema educativo horrível e que tem piorado com o tempo. O nível de formação dos portugueses é ridículo quando comparado com qualquer outro país sério. As crianças portuguesas revelam níveis de conhecimentos semelhantes às de países miseráveis. Há falta gritante de quadros qualificados. É evidente que, com educação como esta, Portugal não pode ter tido o desenvolvimento que teve. Um outro elemento muito referido nas análises é a liberdade económica e a estabilidade institucional. Portugal tem, tradicionalmente, um dos sectores públicos mais paternalista, interventor e instável do mundo, segundo a FRZ. Desde o "condicionamento industrial" salazarista às negociações com grupos económicos actuais, as empresas portuguesas vivem num clima de intensa discricionariedade, manipulação, burocracia e clientelismo. O sistema fiscal português é injusto, paralisante e está em crescimento explosivo. A regulamentação económica é arbitrária, omnipresente e bloqueante.


É óbvio que, com autoridades económicas deste calibre, diz o relatório, o crescimento português tinha de estar irremediavelmente condenado desde o início. O estudo da Fundação continua o rol de aselhices, deficiências e incapacidades da nossa economia. Da falta de sentido de mercado dos empresários e gestores à reduzida integração externa das empresas; da paralisia do sistema judicial à inoperância financeira; do sistema arcaico de distribuição à ausência de investigação em tecnologias. Em todos estes casos, e em muitos outros, a conclusão óbvia é sempre a mesma:

- Portugal não pode ser um país em forte desenvolvimento.


Os cientistas da Fundação não escondem a sua perplexidade.

Citando as próprias palavras do texto:

"Como conseguiu Portugal, no meio de tanta asneira, tolice e desperdício, um tal nível de desenvolvimento?"

A resposta, simples, é que ninguém sabe.


Há anos que os intelectuais portugueses têm dito que o País está a ir por mau caminho. E estão carregados de razão. Só que, todos os anos, o País cresce mais um bocadinho. A única explicação adiantada pelo texto, mas que não é satisfatória, é a incrível capacidade de improvisação, engenho e "desenrascanço" do povo português. No meio de condições que, para qualquer outra sociedade, criariam o desastre, os portugueses conseguem desembrulhar-se de forma incrível e inexplicável.



O texto termina dizendo:

"O que este povo não faria se tivesse uma estratégia certa?".




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Terça-feira, Junho 06, 2006


Já agora: tratem de fazer com que os vossos amigos assinem contratos imobiliários convosco. Vocês usufruem e, depois, eles é que pagam quando vocês andarem a curtir pelas estranjas! Nomeados chefes pelos amantes, de preferência...eh...eh...

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Pensando bem: se a desonestidade intelectual que permite a catedráticos fazerem as filhinhas passarem Doutoramentos plagiados sem qualquer referência a obras consultadas, porque é que o crime, em geral, não há-de compensar???

O gang dos "suspeitos" de homicídio voluntário da transexual Gisberta, encontrada num poço de um edifício abandonado no Porto, vai levar, em média, com uma ano e meio de internamento em colégio de reiserção social.

O crime compensa, em Portugal. Avante, crianças! Sois menores....podeis treinar para adultos criminosos em toda a liberdade!

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A cunha devia passar a ser legislada para ter sanção penal. Porque é um caso de polícia, essa coisa da absoluta desonestidade intelectual, profissional, do atropelo dos princípios da transparência e do livre arbítrio.
São todos iguais até passar um qualquer, de quem se duvida das capacidades mesmo que as tenha, por cima dos curricula dos mais brilhantes colegas da mesma área.


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Leia-se o que o Ferreira Fernandes escreveu no C.M. a proposito da independ«encia do Montenegro (suscrevo inteiramente):

Já foi independente e volta a sê-lo, mas sem os antigos príncipes de bigodaças, que ficam tão bem nos selos e nos álbuns do Tintin. Tem sido uma polémica há década e meia: a quem interessou a divisão da Jugoslávia? Hipóteses, muitas: a Alemanha, o Vaticano...

Eu julgo que são os autores de manuais de Geografia: assim, os mapas dos Balcãs têm de ser actualizados todos os anos... Desta vez, não se apressem. No Montenegro há 43% de montenegrinos, 32 de sérvios, oito de bósnios, cinco de albaneses... Os nacionalismos são como o apetite, vêm com o comer.

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