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Quarta-feira, Julho 26, 2006
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16:09
por Maria João Carvalho
A declaração produzida pelos participantes na Conferência Internacional sobre o Líbano em Roma reflecte a necessidade imediata de um cessar-fogo e de prestar assistência humanitária, mas não avança nenhuma medida concreta. O chefe da diplomacia italiana, leu a declaração. Depois, Maximo D'Alema, o primeiro ministro do Líbano, Fouad Siniora, a secretária de Estado norte-americana Condoleeza Rice e o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, responderam às questões dos jornalistas.
Siniora denunciou mais uma vez a desproporção da retaliação de Israel. Se ele estivesse na posição de Ehud Olmert daria os passos necessários para resolver os problemas. Mas nos últimos anos, as acções de Israel garantiram alguma segurança e estabilidade na região? Não.
O primeiro-ministro libanês repetiu, ao longo de várias intervenções, que Israel deve devolver as Quintas de Sheeba e todos os territórios ocupados.
Condoleeza Rice sublinhou a importância da contribuição da Síria para a aplicação da resolução 1559 da ONU e mostrou preocupação com o papel a ONU neste conflito. "Todos têm de fazer as suas escolhas", disse, "e o povo libanês merece uma soberania efectiva, estável, democrática, merece ter paz com os vizinhos".
Muito ficou por dizer. Condoleeza Rice não elucidou os jornalistas e tudo o que tratou com Olmert ou Siniora continuará em segredo. Afirmou apenas que pediu a Israel para cessar as hostilidades.
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Segunda-feira, Julho 24, 2006
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19:06
por Maria João Carvalho
Quem pode aplaudir a estratégia de Israel, a combater com o seu exército tradicional contra uma milícia diluida em bastiões escudados por civis? Por mais apoiado que seja o objectivo de resposta às ofensivas dos combatentes do Partido de Deus (note-se que as milícias xiitas libanesas foram criadas nos anos 80, com o apoio da Guarda Revolucionária do Irão, para combater a ocupação israelita).
Eis a análise que fiz hoje para a EuroNews, somente sobre o poder de fogo. Ninguém duvida que o poder de fogo do Hezbollah e do Tsahal são incomparáveis - o Hezbollah tem foguetes, roquetes e apenas alguns mísseis. Mas pode fazer estragos irreversíveis com acções terroristas.
O braço de ferro entre o Partido de Deus e o Tsahal tem-se feito, principalmente, no céu. Os tiros dos roquetes do Hezbollah têm desafiado a hegemonia aérea de Israel, e, por isso, a sua segurança.
A norte da fronteira, os milicianos do Partido de Deus lançam dezenas de roquetes. No início do conflito, os peritos calculavam que eles teriam uns13 mil foguetes Katiusha, de 107 e 122 mm, com um alcance de 11km e 20 km. Israel acusa-os de terem utilizado o míssil iraniano Zelzal - cópia dos soviéticos FROG 4,5 e 7, movidos a carburante sólido,armazenado no interior do míssil, como os foguetes katiucha. Fácil e eficaz, com tiro curto.
Também acusa o Hezbollah de possuir uma centena de mísseis Raad-1 de fabrico iraniano com alcance de 70 km. Este têm a particularidade de não serem teleguiados e, portanto, pouco precisos, mas o impacto numa zona residencial é considerável.
O Hezbollah tem 600 combatentes a tempo inteiro, e cerca de 4000 antigos combatentes prontos a ser mobilizados. Mas ainda pode recorrer a 15 mil reservistas.
O Tsahal tentou tudo para vergar este inimigo invisível. Desde 12 de Julho, fez dos seus esconderijos e bastiões o alvo dos aviões de combate supersónico F16: até agora, destruiram mais de 100 objectivos ao longo da fronteira, mas isso não é suficiente.
No solo, as forças israelitas são travadas pelos obuses de 150 mm, com frequência de tiro de 20 segundos, e pelos blindados Merkava.
Israel deslocou nove mil soldados para o sul do Líbano. Objectivo: afastar os combatentes do Hezbollah cerca de 20 km para lá da fronteira.
O Tsahal ainda pode reforçar esse contingente com quatro divisões, cada uma com cinco mil soldados e uma centena de blindados.
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Quarta-feira, Julho 19, 2006
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17:46
por Maria João Carvalho
Fouad Siniora, primeiro-ministro do Líbano, disse sobre Israel: "Abriram portões do inferno e da loucura."
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16:58
por Maria João Carvalho
Transcrevo, com uma alegria imensa, a notícia da ANGOLA PRESS: CESSAR-FOGO DEFINITIVO E TOTAL EM CABINDA! YUPIIII! (e envio saudações especiais ao General Nunda, que conheci bem durante a guerra)
"Um cessar fogo vigora desde às zero hora em todo território de Cabinda, no âmbito do processo de pacificação e reconciliação para a província, com a rubrica da respectiva declaração terça-feira, em Chicamba, comuna de Massabi, pelas chefia das Forças Armadas Angolanas e o Comando da FLEC sob autoridade do Fórum Cabindês para o Diálogo (FCD).
No documento do Comando da FLEC sob autoridade do FCD, lido no acto solene pelo secretário de Defesa e Segurança, general Maurício Amado Nzulo, aponta-se, como fundamental, a observação do cessar-fogo total e definitivo, bem assim a firme determinação cumprir escrupulosamente o plasmado, visando garantir a paz e a reconciliação na circunscrição.
Por seu turno, a declaração das Forças Armadas Angolanas, apresentada pelo chefe adjunto do seu Estado Maior General, general Sachipenda Nunda, reitera que as FAA observarão, com rigor, o cessar-fogo subscrito, resultante do processo de reconciliação e paz para Cabinda, após o entedimento de Brazzaville.
As FAA propõe-se, na sequência da nova situação militar, adequar o seu dispositivo na província, consubstanciado na reducção das forças sem perda da capacidade de defesa militar, tendo em conta as missões naquela parcela do território nacional.
Testemunharam, na qualidade de chefes das delegações negociais, o ministro da Administração do Trritório, Virgílio Fontes Pereira, pelo governo, e António Bento Bembe, Presidente do Fórum Cabindês para o Diálogo, entre membros do governo local, autoridades tradicionais, representantes de partidos políticos sedeados em Cabinda, para além da população da aldeia de Chicamba.
Na oportunidade, Bento Bembe manifestou-se agradado com o desfecho da ronda, fruto de encontros, realizados na mesma localidade de Chicamba e recentemente em Brazzaville.
A propósito, considerou ter chegado uma nova era, de paz definitiva, para o povo de Cabinda, apontando que "agora é preciso que tenhamos fé e confiança nos contactos com o governo".
Apelou ao "não receio, muito menos julgar que estes encontros redundem em fracasso, pois a situação é séria e está a ser acompanhada pela comunidade internacional e nacional".
Várias individualidades ressaltaram a importância da realização desta cerimónia formal de assinatura do cessar-fogo, considerando a forma engajada, transparente e responsável que as partes têm assumido os contactos para a recolciliação e paz naquela parcela do país. "
Angola Press, 19 de Julho de 2006
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Segunda-feira, Julho 17, 2006
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18:06
por Maria João Carvalho
A ofensiva israelita no Líbano é, de uma maneira geral, um alívio para os judeus que, nos últimos meses, começavam a duvidar do potencial do exército. Com o rapto de soldados e os morteiros disparados contra o território, Israel tornou-se mais vulnerável e os Media salientaram-no suficientemente. Mesmo sem querer a guerra, o Estado precisava mostrar algum poder dissuasor.
Como explica o analista Ari Shavit, o Líbano é o trauma de Israel. A maioria dos israelitas viveu o a experiência da guerra no Líbano. É "o nosso Vietname", reconhece o analista, que no entanto, ameaça: "enquanto o Estado de Israel for atacado, as fronteiras forem desrespeitadas, nomeadamente pelos milicianos do Hezbollah, não há alternativa senão a da força".
O objectivo é,assim, o de restaurar a força de dissuasão que, durante décadas funcionou na região. Ehoud Olmert e Shimon Perez, respectivamente primeiro-ministro e ministro da Defesa, estão a passar a prova de fogo. Muitos vêem-nos incapazes de reconquistar os galões dourados do Tsahal de outrora; outros, consideram que eles são os únicos que podem reparar os erros crassos dos antecessores.
Um dos erros tácticos grosseiros foi a retirada, em 2000, do sul do Líbano, deixando o Hezbollah ocupar o terreno e desenvolver um poder de tiro que se tornou ameaçador.
François Heisbourg, de uma fundação de pesquisa estratégica, diz que a questão que se põe é de saber se o Hezbollah tem o Zelzal, uma arma iraniana que pode atingir Telavive. Na sua opinião, Israel usou a questão do sequestro dos soldados para resolver um problema estratégico novo na região.
Se o exército libanês tivesse ocupado as fronteiras como previa a resolução 1559 do Conselho de Segurança da ONU, o Tsahal não seria, agora, obrigado a forçar a classe política libanesa a desarmar as milícias que atacam Israel. Mas o apoio da Síria e do Irão ao Hezbollah podem gorar a estratégia e fragilizar, ainda mais, o Líbano.
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Sexta-feira, Julho 14, 2006
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18:37
por Maria João Carvalho
O primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, impôs hoje três condições para uma declaração de cessar-fogo no conflito com o Líbano: a libertação dos dois soldados israelitas capturados pelo Hezbollah, o fim do lançamento de "rockets" contra o território israelita e a aplicação da resolução 1559 do Conselho de Segurança da ONU para o desarmamento do movimento xiita libanês.
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18:33
por Maria João Carvalho
Durante dois dias, Vladimir Putin vai presidir ao clube dos antigos adversários, o clube dos oito países mais ricos do mundo que, há não muito tempo, ele queria sabotar. A Rússia de hoje faz parte do grupo e esta cimeira marca também a carreira de Putin.
A questão energética estará no centro da agenda da reunião em São Petersburgo. Nos últimos anos, Putin soube usar os recursos do país para aumentar a influência política a nível mundial. Os números mostram porquê:
Os países do G8 consomem 42 por cento do total de hidrocarbonetos consumidos em todo o mundo e a Rússia é o primeiro exportador de gás e o segundo exportador de petróleo.
E, por detrás desta dependência, a sombra de um gigante que detém um monopólio que há-de ser discutido durante a cimeira. Moscovo recusa ser um simples fornecedor de matérias-primas e quer obter vantagens em troca do fornecimento que faz, nomeadamente ganhar em termos geopolíticos.
Para os europeus, a Gazprom é indispensável: é ela que fornece 26 por cento do total do gás que consomem. E os peritos acham que essa dependência pode crescer para 70 por cento até 2020.
Por seu lado, os europeus gostariam de libertar-se de alguma da influência russa nos seus oleodutos e reforçar as garantias para os investidores estrangeiros. Só que Moscovo, ultimamente, reforçou ainda mais o monopólio dos oleodutos e reservou as explorações importantes para as companhias nacionais.
A Gazprom controla a mais vasta rede de oleodutos do mundo, com 155 mil quilómetros de comprimento. Para depender menos dos países por onde atravessam, como a Ucrânia, toma o controlo dos oleodutos estrangeiros ou constroi de raiz - o que o ocidente encara como meio de pressão política.
Como dizia Dick Cheney, no passado mês de Maio, "o petróleo não pode servir para legitimar interesses ou chantagear, seja com a suspensão de fornecimento ou o monopólio do transporte.".
A cartada energética para a Rússia volta a desempenhar o papel de superpotência do passado pode, assim, estar a viciar o jogo. O debate promete.
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Terça-feira, Julho 11, 2006
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16:36
por Maria João Carvalho
Vi e ouvi na SIC, e não quis acreditar nas evidências. Reli no Correio da Manhã e passo a transcrever o trabalho da autoria de Paulo Marcelino/C.P. /A.I.C. Com a devida vénia.
Armadores andaluzes estão a comprar embarcações e empresas de pesca algarvias, aproveitando-se da crise no sector. De acordo com fontes associativas, os espanhóis já estão em maioria nas licenças do arrasto de crustáceos e de bivalves e estão a assediar o arrasto de peixe.
Com os espanhóis a cobiçar as águas algarvias, o Estado português firmou um acordo transfronteiriço autorizando, desde 2003, a faina a 24 embarcações espanholas da ganchorra (arrasto de bivalves) na região. Para os fortes armadores da vizinha Andaluzia não foi suficiente.
Há dois anos que os espanhóis assediam os proprietários de pesca algarvios com propostas de compra das suas embarcações, por forma a terem mais licenças de pesca em águas algarvias. ¿Desanimados com os custos de produção e a não evolução do preço do pescado, muitos acabam por vender¿, reconhece Edgar Correia, director regional das Pescas. De acordo com Carlos Silva, vice-presidente da Associação de Armadores da Pesca Artesanal do Barlavento, os espanhóis já controlam 70 por cento das licenças do arrasto de crustáceos (gamba e lagostim). Rui Vairinhos, presidente da Associação de Armadores de Vila Real de Santo António, confirma que ele próprio vendeu a um espanhol um moderno arrastão com 25 metros. ¿São uns piratas. Aproveitam-se da nossa fraqueza¿, lamenta.
O presidente da Organização de Produtores de Pesca do Algarve ¿ Olhãopesca diz que os espanhóis controlam 30 das 54 licenças da ganchora na região. António da Branca lamenta a falta de apoios do Governo. Por isso, os homens da ganchorra estiveram parados no último sábado e também ontem planeavam não fazer-se ao mar.
PESO DA REGIÃO
O peso do Algarve na produção nacional de bivalves, moluscos e crustáceos é esmagador. De acordo com o director regional das Pescas, Edgar Correia, o Algarve é responsável por 50 a 60 por cento das capturas marítimas nacionais de moluscos e bivalves e por 70 a 80 por cento das capturas de crustáceos. Incluindo a aquacultura, a região passa a ser responsável por 80% da produção nacional de bivalves, área onde a aquacultura algarvia representa 90 por cento do total nacional.
Ao peso da quantidade alia-se o factor da qualidade. O presidente da Olhãopesca pergunta: ¿Porque é que não se diz aos portugueses que temos a melhor amêijoa pé-de-burrinho do Mundo?¿ É que, segundo António da Branca, esta amêijoa portuguesa acaba por ir toda para Espanha e ¿os espanhóis mandam-na para onde querem dizendo que é da Andaluzia¿.
PEIXE ESPANHOL AUMENTA NO MERCADO NACIONAL
Os armadores espanhóis estão a colocar mais peixe no mercado nacional em 2.ª venda (a que é feita directamente aos comerciantes ou por contrato de abastecimento), o que tem provocado a estagnação de preços, principalmente ao nível da 1.ª venda em Lota. Essencialmente, são as espécies de baixo valor comercial (pouco interessantes para o mercado espanhol) que são vendidas, como é o caso do carapau, cavala e faneca.
Os mesmos armadores, que possuem barcos com bandeiras dos dois países, e que operam em águas nacionais, levam os peixes de valor acrescentado (tamboril, pescada, safio e goraz) para o território espanhol.
LINHA DE CRÉDITO PROMETIDA PARA BREVE
O ministro da Agricultura e Pescas garantiu ontem, no Algarve, que a atribuição de uma linha de crédito aos pescadores será discutida em Conselho de Ministros na próxima semana, devendo ser aprovada em breve. Confrontado com a venda de embarcações algarvias a armadores espanhóis, Jaime Silva rejeita que este seja um efeito de dificuldades económicas que atingem o sector nacional, já que estas transacções já se verificavam antes do agudizar da crise.
¿Das 30 embarcações financiadas pelo anterior Quadro de Apoio, cinco já foram vendidas a espanhóis¿, ironizou o ministro, que exorta os homens do mar a aproveitarem os próximos apoios financeiros para ganharem competitividade.
NEGÓCIOS POR METADE DO PREÇO
Cada vez mais armadores nacionais estão a vender embarcações e empresas a capitais espanhóis. Não é apenas no Algarve, mas por todo o País, onde se contabiliza cerca de uma dezena de licenças transferidas, ou seja 20 por cento da frota.
Segundo António Cabral, da ADAPI, ¿a falta de apoios à pesca, a inexistência de subsídios ao abate e agora o gravíssimo problema dos custos com o gasóleo estão a deixar alguns armadores sem perspectivas de futuro. Preferem vender as embarcações a cair numa situação de ruptura¿.
O mesmo responsável adianta que ¿muitas destas vendas têm sido feitas por metade do valor de mercado¿, ou seja, um navio avaliado em 1,5 milhões de euros pode acabar transaccionado por 600 ou 700 mil euros.
CONQUILHEIROS VÃO RECEBER COMPENSAÇÃO
Os conquilheiros vão contar com uma compensação salarial nos períodos de paragem sanitária, garantiu ontem o ministro da Agricultura e Pescas. A proposta será discutida em Conselho de Ministros na próxima semana, revelou Jaime Silva. Desde Maio, dezenas de profissionais algarvios debatem-se com graves problemas económicos face à interdição da apanha da conquilha.
NOTAS
COMÉRCIO
Os pescadores queixam-se da especulação. Vendem a sardinha em lota a 30 cêntimos o quilo, por exemplo, e esta aparece depois nos mercados a 4 ou 5 euros o quilo.
GASÓLEO
Metade das receitas dos barcos é gasta em combustível. O preço do gasóleo subiu de 40 para 53 cêntimos em seis anos. Os espanhóis têm subsídios, os portugueses não.
CRÉDITO
O ministro da Agricultura e Pescas anunciou uma linha de crédito de 30 milhões de euros. Os pescadores ainda esperam por uma reunião para saber como aceder ao dinheiro.
CONFLITOS
De acordo com o relatório Anual de Segurança Interna, em 2005, existiram vários conflitos entre pescadores espanhóis e as autoridades portuguesas em águas algarvias, de que resultaram várias perseguições e detenções.
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15:37
por Maria João Carvalho
A oposição russa quer mostrar ao mundo, antes da Cimeira do G8 e na presença dos embaixadores ocidentais, "a outra Rússia", a do déficit das liberdades, da censura e das pressões do poder. Desde os militantes da extrema-esquerda aos defensores dos direitos do Homem das mais diversas ONG's, a acusação cresce de tom: "A Rússia oficial repele o debate, a equipa do KGB prossegue a guerra contra a sociedade civil".
Como diz Mikhail Kasyanov, ex-primeiro-ministro, agora na oposição, os participantes da jornada pretendem mostrar que têm alternativas sobre os mais variados aspectos da sociedade, não só na Rússia, como aos seus amigos no estrangeiro.
O famoso campeão de xadrez, Gary Kasparov, é um dos maiores críticos da oposição, acusando Putin de controlar os Media, afirmando que a televisão estatal não mostra a realidade.
Os embaixadores do Reino Unido e do Canadá, assim como cerca de 40 dignitários estrangeiros, assistiram à abertura da conferência da oposição, rodeada de um aparatoso dispositivo de segurança. Na véspera, a organização russa do G8, pelo seu porta-voz Igor Chouvalov, fez saber que a participação estrangeira neste forum seria considerada hostil.
O embaixador britânico, Anthony Brenton, defendeu a sua presença junto da oposição com alguma fleuma: "há 15 anos, no comunismo, não havia oposição alguma e agora, as pessoas já podem exprimir-se".
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Segunda-feira, Julho 10, 2006
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18:59
por Maria João Carvalho
A Basayev se devem as imagens que chocaram o mundo inteiro. No dia 1 de Setembro de 2004, um comando checheno tomou de assalto uma escola em Beslan, na Ossétia do Norte, sequestrando todos os ocupantes. Dois dias mais tarde, as tropas russas forçaram o fim da ocupação. Balanço final: 344 mortos, entre os quais, 186 crianças. Basayev reivindicou a autoria dessa invasão. Numa entrevista dada há um ano, afirmou que não tinha previsto um desenvolvimento tão dramático, mas não exprimiu qualquer arrependimento.
Pelo contrário, acusou o silêncio dos Media em relação à morte de 40 mil crianças chechenas ao longo dos anos e à mutilação de muitos milhares de outras.
Admitiu que as crianças não são responsáveis, mas a nação russa, no seu todo, é.
O combatente foi criado por uma geração que tinha acabado de voltar à Chechênia depois do exílio, ordenado por Estalin, no Cazaquistão e na Sibéria.
Durante a última década, Basayev foi o inimigo público número 1da Rússia, que utilizou todos os meios para o encontrar vivo ou morto.
Em 1995, ele e 150 dos seus homens fizeram entrar a Rússia na era do terrorismo em larga escala.
Em Budennovsk, sul do país, fizeram 1500 reféns num hospital: idosos, mulheres, crianças e mesmo recém-nascidos. Seis dias depois, tinham morrido mais de 100 reféns e 33 terroristas. Bassayev conseguiu fugir. As negociações de paz que se seguiram saldaram-se num enorme fracasso.
E depois do início da chamada segunda guerra da Chechénia, Basayev radicalizou, ainda mais, a resistência. Em 2002, lançou outra acção espectacular, no coração de Moscovo, sequestrando 800 pessoas no Teatro Dubrovka.
Herói da primeira guerra na Chechénia, Basayev tentou a política em 1997, mas não teve hipótese em comparação com o carisma do moderado Aslan Maskadov, o mesmo que depois do assalto de Beslan tornou público o seu afastamento de Basayev. Mesmo assim, isso não lhe salvou a vida, um ano antes da execução do rival.
A morte de Basayev estava programada há muito tempo pelo exército russo. Foi a melhor maneira que encontrou para decapitar a rebelião chechena.
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Terça-feira, Julho 04, 2006
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23:28
por Maria João Carvalho
Não há como aquela respiração que temos ao fugir. Não é bem fugir. É caminhar a passo largo e respirar hemmmmmmmm....hdemmmmm....ahh.....
não fugimos e caminhamos andando com aquela cruz na testa e nos lábios.Um dia distraímo-nos e roçamos o lábio no pestanejar da papoila azul que fluoresceu do subterrâneo.
Estou farta dos meus mortos.
Os meus mortos não são iguais aos outros.
Têm buraquinhos nas costas feitos com silenciadores.
Sempre fui repórter.
Agora... sou jornalista.
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