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Quarta-feira, Agosto 30, 2006
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18:34
por Maria João Carvalho
Ontem pensei e reli Rodrigo Emílio. Ficam aqui dois inéditos dele que encontrei no site que lhe lhe fizeram.
I
Quando eu morrer,
não haja alarme!
Não deitem nada,
a tapar-me:
nem mortalha.
Deixem-me recolher
à intimidade da minha carne,
como quem se acolhe a um pano de muralha
ou a uma nova morada,
talhada pela malha
da jornada...
E que uma lágrima me valha...!
Uma lágrima e mais nada...
II
A minha filha primeira
nasceu após o Natal.
Esta lágrima... Esta olheira...
datam do seu funeral.
Tinha um perfil tão perfeito
de filigrana franzina,
essa menina-de-peito
que me morreu, em menina...!
F`lipinha não se esvai...
Faz hoje anos. Trinta anos!
Veio convidar o pai
para a festa ser de ambos...
E no Recordatório Póstumo que lhe deixou Couto Viana, lá estava uma pérola da autoria do poeta que Rodrigo Emílio admirava como a um mestre, ao maior:
"Para Hoje"
E preciso ficar, aqui, entre os destroços,
E cinczelar a pedra e recompor a flor,
É preciso lançar no vazio dos ossos
A semente do Amor.
É preciso ficar, aqui, entre os caídos,
E desmontar o medo e construir o pão.
É preciso expulsar dos cegos dias idos,
A insónia da prisão.
É preciso ficar, aqui, entre os escombros,
E libertar a pomba e partilhar a luz.
É preciso arrastar, pausa a pausa, nos ombros,
A ascensão de uma cruz.
É preciso ficar, aqui, entre as ruínas,
E aferir a balança, e tecer linho e lã.
É preciso o jardim a envolver oficinas.
É preciso amanhã.
O mesmo Poeta Couto Viana escreveu, imediatamente depois do anúncio da morte do seu amigo, o Poeta Rodrigo Emílio:
Perguntas quem morreu?
Fui eu.
Eu morro de cada vez
Que me avisa o coração
Que morreu um poeta português
E eu não.
Mas ressuscito se escuto
A voz em que se exprimia,
Pois nunca visto com a dor do luto
A poesia.
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Terça-feira, Agosto 29, 2006
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18:54
por Maria João Carvalho
Os atentados na Turquia, ocorridos nos últimos dias, revelam a tensão existente na população: entre nacionalistas e separatistas, entre laicos e islamitas.
Um grupo armado curdo, os Falcões da Liberdade do Curdistão (TAK), reivindicou hoje no seu site os atentados na região turística mediterrânea turca de Antalya, de Marmaris, e de Istambul, cinco ataques ao todo em 24 horas, oito desde o início do ano.
Os Falcões são considerados uma ala dos separatistas curdos do PKK. Utilizam os atentados urbanos como retaliação às acções de mais de 200 mil soldados turcos na fronteira sul do pais.
Essa zona é um bastião do PKK e, desde 1984 é palco de guerra entre o exército turco e o movimento rebelde que luta pela independência do Curdistão. A região exigida pelos curdos compreende porções de diferentes países, nomeadamente, do sul da Turquia.
O conflito já provocou mais de 30 mil mortos de ambas as partes. Mas no último mês os dados mudaram, a Turquia obteve finalmente o apoio de Washington para endurecer os ataques contra o movimento no quadro da luta contra o terrorismo.
Estranho é que os Estados Unidos continuem a ter visões diferentes para os mesmos problemas, consoantes os parceiros. O Saddam está a responder pelo que fez aos curdos (está bem, condescendo: entre outras coisas); a Turquia obtem apoio para fazer o que o Saddam fez aos curdos.
Mas a Turquia, que apesar de ter uma maioria muçulmana é um Estado laico, tem outros problemas com os grupos islamitas.
Em Novembro de 2003, no momento em que Ankara apoiou a guerra no Iraque, dois ataques atribuídos à Al Qaeda visaram uma sinagoga e o consulado britânico em Istambul, fazendo 62 mortos e centenas de feridos.
Na república onde o exército é o único guardião histórico da laicidade, a tensão nos sectores islamitas está a aumentar. Muitos atentados cometidos nos últimos anos tiveram como objectivo provocar a diminuição da influência ocidental no país.
Um dos símbolos deste conflito interno é o primeiro-ministro, Erdowan. Por um lado é considerado muito próximo dos islamitas por causa do seu passado; mas por outro, é pressionado pelo exército para aprofundar os laços com o Ocidente.
O equilíbrio desta posição apenas provoca mais tensão e instabilidade.
O debate sobre a participação do exército turco na força de paz do Líbano é o último catalizador das tensões.
Se os nacionalistas acham que pode ser uma moeda de troca no combate contra os separatistas curdos, os islamitas contestam-na como uma concessão ao Ocidente.
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16:23
por Maria João Carvalho
O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, desafiou o presidente norte-americano, George W. Bush, para um frente a frente na televisão para discutir um novo sistema global. Põe como condição que o debate não seja censurado, mas tem a perfeita noção que Bush não o deverá aceitar.
Ahmadinejad acha que é tempo de os Estados Unidos e a Grã Bretanha deixarem para trás a época de privilégios adquiridos depois da II Guerra Mundial. "Estes países abusam da posição de membros permanentes do Conselho de Segurança", acusa, para concluir que isso é inadmissível "num tempo em que as relações internacionais se baseiam na democracia e na igualdade dos direitos das nações".
O Irão divulgou ao mundo, durante o fim de semana, depois da inauguração de mais uma fase do seu programa nuclear, as suas manobras militares com mísseis inteligentes de longo alcance e mísseis melhorados de terra-mar.
Teerão também fez saber, nesta segunda-feira, que é um insulto ao mundo civilizado a ameaça dos Estados Unidos formarem uma coligação independente para impôr as sanções do Conselho de Segurança da ONU por causa do programa nuclear.
O Conselho de Segurança aprovou no dia 31 de Julho uma resolução que dava ao Irão um mês para suspender o enriquecimento de urânio e ameaçava com sanções não especificadas se isso não acontecesse.
O presidente iraniano insiste no direito do povo iraniano à tecnologia nuclear com fins pacíficos.
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Domingo, Agosto 27, 2006
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21:07
por Maria João Carvalho
O chefe do Hezbollah, Hassan Nashrallah, disse que o seu movimento não teria capturado os dois soldados israelitas, a 12 de Julho, se soubesse que isso levaria a uma guerra de uma tal amplitude.
Nashrallah também declarou que não voltará a haver um novo capítulo bélico entre Israel e o Hezbollah. O Estado hebreu joga com a ameaça para pressionar o Líbano a aceitar que a FINUL controle os aeroportos, os portos e a fronteira com a Síria, concluiu.
O Hezbollah promete ajudar o Exército libanês e garante que não cria problemas à FINUL se a missão não for a de desarmar a resistência. Ora a resolução 1701 do Conselho de Segurança da ONU estipula que não haverá presença armada no sul do Líbano para além da do exército libanês. As declarações surgem a algumas horas da chegada de Kofi Annan ao Líbano, para informar as autoridades libanesas da reunião da União Europeia na sexta-feira em Bruxelas.
Por seu lado, a Síria fez saber que "está disposta a negociar o processo de paz quando Israel o quiser fizer na base das resoluções internacionais, de forma a poder chegar a resultados que restituam aos árabes os seus direitos legítimos".
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15:12
por Maria João Carvalho
O Conselho de Ministros aprovou, na quinta-feira passada, o Plano Nacional de Acção contra as drogas. Entre outras medidas, as salas de chuto ou em versão politicamente correcta, de injecção assistida, vão ser uma realidade em Portugal até 2008. A decisão ganhou forma durante o Governo de António Guterres e José Sócrates aproveitou e concretizou.
De acordo com João Goulão, Presidente do Instituto da Droga e Toxicodependência, o actual plano, que tem como base a estratégia nacional de luta contra a droga de 99, tem quatro princípios base: o princípio da territorialidade, a centralidade no cidadão, a integração das várias respostas e a busca da melhoria da qualidade das intervenções.
O presidente do CDS/PP foi um dos que discordou imediata e publicamente da criação de "salas de chuto", prevista no Plano Contra a Droga aprovado.
"Não achamos que essa seja a resposta adequada. A droga é um grande flagelo, que preocupa muito a sociedade e as famílias portuguesas, deve ser tratada no plano da saúde pública, mas permitindo a recuperação dos toxicodependentes", afirmou Ribeiro e Castro.
defendeu que a política anti-droga deve assentar em dois factores: o tratamento e a prevenção.
"Aqueles que foram apanhados pela droga devem poder recuperar-se e ter apoios para isso e a política pública deve orientar-se claramente nesse sentido e, a montante, deve ser claramente preventiva", considerou.
Para Ribeiro e Castro, os traficantes "devem ser reprimidos fortemente" e a política de prevenção deve ser "agressiva", para evitar o aumento do número de pessoas que nela se iniciam.
"É um problema sério, muito diversificado e muito complexo, que tem de ser tratado com seriedade e não com tiradas demagógicas, mas nós não achamos que gestos de rendição pública sejam adequados na política de combate à droga", sublinhou o dirigente partidário.
Quanto à troca de seringas nas prisões: os guardas prisionais consideram inaceitável que se coloquem máquinas de troca de seringas nos estabelecimentos prisionais.Jorge Alves, do Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional, considera que esta medida "vai ser um retrocesso muito grande no investimento que tem havido nos últimos anos para as melhorias das condições da população prisional no que toca ao consumo de drogas e do combate às doenças".
Este elemento considera que colocar as caixas nas casas de banho e zonas reservadas "vai fazer com que os reclusos que estão contra a medida destruam essas caixas espalhando seringas pela zona prisional".
Outra questão lembrada por Jorge Alves é que pode acontecer que os detidos, por terem pouco dinheiro, troquem as seringas entre eles".
A propósito de tudo isto, passo a transcrever a opinião de A. Lourenço Martins, Juiz Conselheiro do STJ (Jub), publicada no Correio da Manhã:
1. O objectivo legal dos programas de consumo vigiado, assim chamados pelo Decreto-Lei n.º 183/2001, vulgo salas de chuto, é o incremento da assépsia no consumo intravenoso e consequente diminuição de riscos inerentes, bem como a promoção da proximidade com os consumidores. Devem ser da iniciativa das câmaras municipais ou de certas entidades particulares, e são autorizadas pelo IDT.
0Prevista a hipótese há mais de cinco anos, nenhuma autarquia se aventurou a pedir a sua criação houve duas recentes tentativas frustradas na C.M. Lisboa, o que dá uma ideia da consistência desta necessidade.
Apesar disso e do seu aparecimento fortuito no novo Plano, é estranho que de entre uma enorme variedade de medidas aí referidas esta mereça tanto destaque, desde logo por parte do presidente do IDT em reiteradas declarações públicas.
A descriminalização do consumo de droga a partir do ano de 2000 trouxe, como era previsível, um aumento do consumo. Dois estudos mencionados no novo Plano evidenciaram, aumentos dos consumos de várias drogas, com excepção da heroína, o que combina com as excepcionais apreensões de cocaína no ano de 2005 em Portugal e Espanha e se repetem no corrente ano.
Criou-se a percepção de que consumir droga não traz quaisquer consequências sancionatórias. E o próprio Plano vem corroborar o que está adquirido há mais de dois anos que as Comissões de Dissuasão no figurino actual são um falhanço. Porquê a insistência nesta medida tão controversa?
Nem argumento com a afronta ao regime das convenções nem com o facto de o apregoado controlo de doenças infecto-contagiosas não garantir que os toxicodependentes não venham a utilizar seringas infectadas fora das salas.
Haver lugares em que os toxicodependentes, sob sua responsabilidade mas apoiados pelo Estado, tomem as drogas que adquirem no mercado ilícito, é um contra-senso.
2. O Ministério da Saúde tomou conta da política antidroga, quer na coordenação quer na composição das comissões ou grupos que estudam determinados temas. Foi assim com a Comissão para a ENCD de 1998 e continua no exemplo da Comissão (2006) sobre as doenças infecto-contagiosas em meio prisional.
Efectivamente, o epicentro de tal combate reside na Saúde mas há outros saberes e sensibilidades que devem ser acolhidos. Se a maioria se limita a explorar a sua legitimidade, direi como Hans Kelsen que a democracia não é uma regra da maioria mas um compromisso entre grupos representativos da maioria e da minoria, em favor da paz social.
Comissões plurais e independentes são um caminho para se alcançarem leis justas e aceites pela generalidade dos cidadãos.
A. Lourenço Martins, Juiz Conselheiro do STJ (Jubilado)
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Quinta-feira, Agosto 24, 2006
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12:46
por Maria João Carvalho
Rapariga austríaca passou a adolescência presa numa cave
Uma rapariga austríaca desaparecida há mais de oito anos libertou-se do raptor, em Viena, depois de ter saltado do carro em que seguia com ele.
Natascha Kampusch, de 18 anos, poderá ter estado encerrada todo o tempo na cave de uma casa na localidade de Strasshof, nos arredores de Viena.
A polícia encontrou um quarto dissimulado por baixo da garagem da casa onde Natasha esteve presa durante os oito anos da sua adolescência, com três metros por quatro, de área, e um postigo de 50 cm por 50, protegido por um sofisticado sistema electrónico.
O presumível raptor, um homem de 44 anos, electricista, atirou-se para debaixo de um comboio perto de Viena, depois da fuga de Natasha. O suicídio deu-se às 21 horas locais da noite de quarta-feira. A rapariga apareceu num jardim de uma casa em Strasshof, com a palidez de quem esteve quase uma década no cativeiro.
Testemunhas policiais adiantam que ela sofre do síndroma de Estocolmo, a simpatia patológica de uma pessoa raptada pelo responsável pela sua situação
Durante anos a polícia austríaca tentou encontrar a menina, inspeccionando mais de 700 camiões, dragando lagos e utilizando helicópteros com câmaras especiais. O desaparecimento de Natasha aconteceu depois de eclodir o escândalo Doutroux, na Bélgica
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Quarta-feira, Agosto 23, 2006
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18:33
por Maria João Carvalho
Se havia dúvidas, já não há: a fragilidade da resolução 1701 da ONU ficou provada no passado sábado com o ataque do Tsahal às posições do Hezbollah no Vale de Bekaa.
O texto impõe o cessar-fogo, no sul do Líbano, há nove dias, e permite ao exército israelita defender-se do Hezbollah, dando uma justificação à guerrilha xiita para não abandonar as armas.
O impasse, altamente explosivo, pode prolongar-se por três meses, antes da chegada dos militares necessários à ONU para manter a paz.
Missão essa sem mandato preciso, que é de alto risco neste clima de tensão. Mesmo com a ajuda dos soldados libaneses, cabe aos capacetes azuis vigiar as fronteiras.
O general Alain Pellegrini admite que a missão "é muito frágil, tensa, perigosa, volátil, porque ao mínimo incidente as coisas podem agravar-se".
Para cumprir a missão entre a linha azul e o rio Litani, a Força Interina das Nações Unidas no Líbano, FINUL, precisa:
Oito batalhões de Infantaria mecanizados;
Três batalhões de reconhecimento.
Quatro companhias de comunicações com 190 soldados cada).
Duas companhias de polícia Militar, com 80 agentes cada.
Cinco helicópteros de observação com 160 soldados.
Uma unidade hospitalar com 60 pessoas.
Um batalhão logístico de 300 soldados.
Três companhias para a base com uma secção de cartografia.
15 mil homens no total, que vários países como a França e a Itália se apressam a enviar mal obtenham as garantias sobre a segurança e competências da FINUL.
Os Média franceses revelam que a proposta de acção provisória para os capacetes azuis desarmarem o Hezbollah ou agir em caso de recomeço dos combates é manifestamente insuficiente.
O que dá o papel principal no desarmamento ao exército libanês, o que é perigoso, como afirma o comandante italiano Franco Angioni:
"Interferir na operação política do governo libanês, numa situação em que em que a população está desesperada pelo que viveu, usar a força militar em tal operação é extremamente perigoso".
Sem uma autonomia clara a FINUL arrisca-se a cumprir um papel mais diplomático do que militar. Quase a mesma situação que a confinou a estar entre dois fogos desde a sua ida para o sul do Líbano, em 1978.
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14:18
por Maria João Carvalho
Ontem, andei a navegar por alguns blogues que desconhecia, a partir do portal do eusou.com/jornalista. Entre outros, encontrei o do Costa Ribas que falava do "evento", referindo-se à ofensiva israelita contra o Hezbollah no Líbano e que tanta gente matou. Contava também a viagem no C-130 da esquadra 501. Saudosa esquadra! Fui, com ela, para uma base militar norte-americana em Tacoma, ao lado de Seatle, e passei o meu aniversário em 1994 com aqueles maravilhosos militares a quem os de esquadras de outros países da NATO se referiam como heróis: o Capitão Mimoso (agora Major), o Major Jorge Leça (hoje coronel), o Capitão Sá, o Capitão Pola Santos, o Sargento Rico...
E lembrei-me dos meus tempos de repórter de guerra, e fiz, de um fôlego, o poema que aqui deixo:
Podia não ter bebido
e querido comer o mundo
com fome de o matar
podia fechar os olhos
mentir-me manhãs
meses de aconchego
a namorar
proibir-me olhar
e revoltar de dores
dos outros e muito mais
que abrem sulcos consortes
venenos de mortes tribais...
podia, sim, podia
a mentira que fodia
o mais profundo de mim
que sempre jurou que não queria
a guerra como um só fim
podia, quiçá,
podia lembrar-me de mim
que não fiquei no terreno
não esqueci que não me lembro
de histórias que nunca vi
e os outros dizem que sim.
Podia se não fosse assim
podia esquecer-me de mim.
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Terça-feira, Agosto 22, 2006
Enviado às
16:26
por Maria João Carvalho
Para os curdos de Sossana, junto à fronteira do Iraque com o Irão, o segundo processo contra Sadam Hussein é um tardio ajuste contas.
A 22 de Março de 1988, o exército iraquiano atacou a cidade com gás mostarda e gás sarin, no quadro da operação Anfal - nome de um capítulo do Corão que significa "Espólios".
Oficialmente, o objectivo era pôr fim à insurreição militar curda, apoiada pelo Irão depois da guerra Irão/Iraque.
Mas como demonstram os registos no cemitério local, entre as 70 campas feitas na altura para os habitantes de Sossana, muitas são de mulheres e crianças.
Mesmo os que escaparam do gás, combatentes ou não, acabaram por ser apanhados pelos miliatres iraquianos.
Havia 300 famílias e hoje, na devastada paisagem restam 70.
Atya Rada lembra o que aconteceu:
"Fugimos dos ataques químicos mas caímos na armadilha e muitos foram levados pelos soldados. Os que sobreviveram podem estar vivos, mas não vivem de verdade - perderam demasiados familiares".
No total, foram exterminados entre 50 mil a 100 mil curdos. Muitos outros milhares fugiram enquanto durou a operação Anfal, entre 1987 e 88.
Os nove ataques desta campanha incluiram o gaseamento em 25 vilas e cidades. Duas mil povoações desapareceram do mapa à força de bombas e escavadoras.
Saddam Hussein encarregou o primo, Ali Hassan al-Majid, o "Ali Químico", de manter a região sob seu controle.
Ali declarou "zonas proibidas" na região, onde considerava todos os moradores insurgentes. Estas zonas eram bombardeadas e depois invadidas.Os habitantes eram executados.
A figura de Ali Hassan al-Majid é central no caso.
Pesam sobre ele diversas acusações, principalmente pela utilização de gases tóxicos, execuções em massa, e criação de campos de detenção para dominar o norte curdo.
Para os sobreviventes da operação Anfal, a condenação de Saddam não vai chegar: exigem indemnizações.
Apesar da amplitude da vaga de ataques aos curdos, e da mobilização da comunidade internacional, as compensações monetárias às famílias atingidas são inferiores a 100 euros por mês.
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Segunda-feira, Agosto 14, 2006
Enviado às
17:47
por Maria João Carvalho
A ofensiva israelita não serviu para cumprir os maiores objectivos: a destruição do Hezbollah e a libertação dos soldados raptados pelo movimento xiita libanês. No entanto, a demonstração de força de Israel alguns frutos há-de dar-lhe.
Quanto ao Líbano está, parcialmente, em ruínas, e os prejuízos são consideráveis.
Alan Ben David, correspondente da maior televisão privada israelita explica que "uma das coisas que Israel queria era reconstruir a imagem aos olhos dos vizinhos e isso de certa maneira foi conseguido. Demonstrando que o rapto de dois soldados não é algo que se faça sem pagar por isso".
E na verdade, o preço é alto. O balanço ainda não é oficial ou definitivo, mas pode adiantar-se que há mais de 1000 mortos libaneses e perto de um milhão de deslocados, ou seja, 25 por cento da população. Do lado israelita há 150 mortos e 330 mil deslocados, cerca de 5 por cento da população.
É impossível fazer uma estimativa real dos prejuízos a nível macro-económico, mas é possível um cálculo dos custos materiais. E, esse, é enorme para um pequeno país como o Líbano que já gastou seis mil milhões de dólares na reconstrução e tem uma dívida pública que ascende a mais de 200 por cento do seu Produto Interno Bruto (o PIB é de 18 milhões de dólares.)
Israel destruiu infra-estruturas do Líbano para isolar mais o Hezbollah e impedir o seu rearmamento no interior do país. Destruiu 29 portos, aeroportos, estações de tratamento de água e centrais eléctricas.
73 pontes e 630 quilómetros de estradas. Arrasou, também, 900 fábricas.
Os bombardeamentos israelitas e o bloqueio total provocaram o desemprego técnico do essencial das forças de produção. Alguns sectores como o agrícola, também estão profundamente afectados.
A ajuda prometida, nomeadamente por países árabes, traz a esperança de um futuro menos negro, de uma segunda reconstrução. Só a Arábia Saudita já depositou mil milhões de dólares no banco central, para reforçar a libra libanesa. Outros países do Golfo despositaram mil milhões, também, para a reconstrução. E há muitas ajudas bilaterais prometidas.
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Sexta-feira, Agosto 11, 2006
Enviado às
19:04
por Maria João Carvalho
Islamofobia ameaça comunidades em Londres
A comunidade muçulamana de Londres está em choque. As pessoas reagem com uma mistura de comoção e ceticismo ao anúncio da Polícia britânica de que frustrou o plano para explodir aviões comerciais em pleno vôo.
Repetem-se histórias de anteriores atentados, como as de vizinhos incrédulos com as detenções de gente que consideravam inofensiva. E todos defendem a comunidade à saída das mesquitas, porque "o bom muçulmano não mata".
Khurshid Ahmed, da Comissão para a Igualdade Racial de Birmingham, cidade onde foram feitas várias detenções relacionadas com a conspiração , felicitou as forças de segurança por terem impedido os atentados.
Pelo contrário, Fahad Ansari, da Comissão Islâmica de Direitos Humanos, afirmou que a comunidade muçulmana possivelmente vai reagir com "cinismo" a esta operação policial.
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Quinta-feira, Agosto 10, 2006
Enviado às
15:02
por Maria João Carvalho
Carta de Mounir Herzallah, médico libanês emigrado na Alemanha
"Até 2002 vivi numa pequena cidade no sul do Líbano, perto de Mardshajun, cujos habitantes eram na maioria xiitas, tal como eu. Depois de Israel ter abandonado o Líbano, não demorou muito para que o Hezbollah controlasse a nossa cidade, tal como todas as outras. Recebidos como lutadores vitoriosos da resistência, apareceram armados até aos dentes e, também na nossa cidade, escavaram bunkers para armazenar os seus arsenais de mísseis. A "obra social" do Hezbollah resumiu-se a construir uma escola e um prédio de habitação sobre esses bunkers! Um sheikh local explicou-me sorrindo que os judeus ficavam a perder de qualquer maneira, porque os mísseis ou seriam disparados contra eles ou, se eles atacassem os arsenais, seriam condenados pela opinião pública mundial por causa dos mortos civis. Esta gente não quer saber da população do Líbano, eles usam-na primeiro como escudos e, depois de mortos, como propaganda. Enquanto eles continuarem a existir, não haverá paz nem tranquilidade."
Carta publicada na edição de 30 de Julho de 2006 do jornal alemão Der Tagesspiegel
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Enviado às
12:20
por Maria João Carvalho
Os Media estão a divulgar algumas histórias de arrepiar em países lusófonos, países da CPLP, que nasceu torta e tarde ou nunca endireita.
A primeira que li, na BBC Brasil conta tudo sobre o assassinato de uma menina de 11 anos, Marielma, que a mãe entregou a um casal que lhe prometeu enviar a menina à escola, dar-lhe uma educação. Pobre, de espírito e de dinheiro, a mãe confiou a sua menina a dois energúmenos que a utilizaram como autêntica escrava: servia para tratar das crianças, servia de saco de porrada, era violada pelo cabeça de casal. Morreu com três costelas partidas e os pulmões e rins perfurados, além de cortes e de queimaduras por todo o corpo. O relatório médico realizado após a morte de Marielma (quatro meses depois de ter sido levada para Belém, com os indicava que a menina tinha semen no corpo, prova de violência sexual.
No Brasil, 170 mil crianças e adolescentes de 5 a 15 anos são forçados a trabalhar como empregados domésticos, segundo as estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. O trabalho doméstico nessa faixa etária é contra a lei. E mesmo isso é hipocrisia: as crianças não auferem salário e são torturadas, por isso são escravas.
Tratemos os bois pelos nomes.
Em Angola, conta o Notícias Lusófonas, um polícia pontapeou sem dó nem piedade e muito menos contemplações uma mulher grávida de oito meses. Ela estava na rua como vendedora ambulante. O criminoso de farda desferiu-lhe "um pontapé na vulva, o que causou, segundo a Luanda Antena Comercial (LAC), inflamação imediata e fortes hemorragias, apesar de a chefe da sala de partos da única maternidade do Rangel, Feliciana Buta, ter afirmado em declarações à LAC que a paciente pareceu lúcida, mas a sangrar e com uma inflamação enorme na vulva, bem como uma lesão no colo uterino.
Parece que ainda não foi feita a "limpeza" na Polícia de Segurança Pública angolana, prometida quando eu andava por lá, em 1990, 94, 95 etc...
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Enviado às
11:49
por Maria João Carvalho
No dia 24 de Maio de 2000, Israel apressou-se a retirar do sul do Líbano depois de 22 anos de ocupação. Os dois países esperavam assim fechar um velho e doloroso dossiê e abrir um período de serenidade na região. Mas as tropas do Tsahal não deixaram completamente a zona, há seis anos. Um pequeno território de uma vintena de quilómetros ficou sob controlo israelita.
Conhecido como Quintas de Sheeba, o território tem sido palco de confrontos, quase diários, entre os militantes do Hezbollah e o exército israelita. Para os libaneses, tal como afirmou o primeiro-ministro Fouad Siniora, Shebaa é terra ocupada.
Siniora propôs que o sector fique sob protecção da ONU enquanto não se fizer a delimitação da linha de fronteira e antes de assegurar a total soberania libanesa.As quintas espalham-se por 18 nascentes ricas de água, junto ao monte Hermon na fronteira com Israel e Síria e constituem um instrumento geo-estratégico na região.
O Líbano reivindica a propriedade das Quintas de Shebaa. Depois da invasão israelita em 1978, a ONU adoptou a resolução 425 que estabelece que elas devem ser restituídas ao Líbano.
Mas quando Israel as ocupou, em 1967, elas pertenciam à Síria, que por seu lado, as ocupava há 10 anos, desde 57. Portanto, o que vale é a resolução 242 adoptada depois da guerra dos seis dias, reivindica Israel.
E agora que Damasco confirma a posição libanesa, a ONU toma parte por Israel, afirmando que as quintas são objecto do acordo sírio-israelita sobre os Montes Golan e, por isso, não são incluídas nas linhas de retirada israelita do sul do Líbano.
O Hezbollah continua a justificar a luta armada dos últimos seis anos, com a ocupação destas terras. Israel condiciona a retirada de Shebaa a um acordo de paz. A Síria recusa reconhecer oficialmente que o território é libanês, para não se comprometer com o movimento xiita radical.
Todos fazem depender tudo destes 25 quilómetros quadrados de terreno.
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Quarta-feira, Agosto 09, 2006
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18:26
por Maria João Carvalho
Em 12.400 fogos desde Janeiro, em Portugal, a Judiciária investiga 543 como fogos postos. Portanto, é de longe a negligência que causa mais estragos. Por exemplo: beatas pela janela fora, do carro, latas a brilhar e vidros que fazem de espelho, moto-serras a trabalharem no pico do calor e a lançarem faíscas, queimadas proibidas.
A prevenção é, antes de mais, educação. Civismo. Para quando, em Portugal?
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17:13
por Maria João Carvalho
Resposta a Belinha, que deixou um comentário suscitado pelo post crítico sobre a Figueira, aqui no Rotativas:
Infelizmente há outros a pensar assim, porque a Figueira está no marasmo há uns tempos, e provoca este tipo de meditações. Ao contrário de si, eu gosto especialmente da antiga Rainha das Praias, cresci aí e aí vive a família, mas a Figueira que procuro nas minhas férias já não existe.
Vivo em Ecully, Lyon, que tem o título de "florida". Tudo é verde, salpicado de flores. Não há um espacinho onde não sejam plantadas flores. Inventam canteiros onde houver 50 cm2 livres à beira da rua (aliás, a profissão de jardineiro é uma profissão de sucesso, em França).
E as Finanças mandam-me todos os anos as contas ao dinheiro dos contribuintes. Sabemos quantos esgotos foram melhorados, quanto dinheiro foi para a rede eléctrica, postes e semáforos, para a segurança (há câmaras de vídeo nalguns pontos), quanto foi atribuido a organizações de solidariedade e quanto foi investido em todas as infra-estruturas municipais.Tal igual como aí, né? É impossível não fazer comparações. Quando vejo os terrenos de capim à entrada da Figueira, outrora turística, sinto uma enorme desolação. E a serra queimada. Vou aí de dois em dois meses e devo gostar muito de sofrer...estou sempre à espera que algo tenha mudado ou vá mudando para melhor, devagarinho.
Um jovem arquitecto figueirense, muito premiado no estrangeiro, disse-me, aí, imenso mal da concepção de pequenos ajardinados nos bairros residenciais. Chamou-lhes "desperdícios de pontos de água."
Pois eu, pelo contrário, acho que devemos gastar em água se for para termos uma cidade mais bonita que possa dar lucros turísticos e qualidade de vida aos cidadãos.
E devíamos ter uma lei municipal que proibisse a venda de terrenos incendiados nos 20 anos seguintes.
A quinta dos meus pais, na serra, foi incendiada 13 vezes ao longo dos anos (a última, em Outubro). Nos dias seguintes apareceu sempre alguém a oferecer-se para comprar a madeira ou o terreno. Os meus pais não vendem. Mas alguns vizinhos, mais abaixo, mais perto do Possidónio, venderam. Para urbanização. E nós precisamos tanto de dinheiro como todas as outras pessoas. Mas quando deixarmos de ter princípios deixamos de ter futuro.
Bem haja, Belinha. Lute pela qualidade de vida na Figueira. Vale a pena.
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Enviado às
16:28
por Maria João Carvalho
Escândalo de escutas telefónica volta a abalar o Reino de Sua Magestade Isabel II, mas desta vez foram detidas três pessoas - só uma já foi libertada sob fiança. A enormidade do caso está a chocar os britânicos porque, desta vez, não foram só Carlos e Camila os alvos, mas diferentes membros da família real e mesmo políticos do gabinete de Blair.
Um dos detidos que está a ser interrogado sobre a escutas em Clarence House, é um "jornalista" do tabloide "News of the World" do poderoso grupo Murdock que, entre outros, tem títulos como o The Sun, e vende perto de três milhões de exemplares ao domingo.
O chefe dos serviços de protecção real, Steve Park, salienta que é chocante o que aconteceu porque a família real tem o mais complexo sistema disponível com alta protecção tecnológica fornecida neste país, criada pelo país. É surpreendente que alguém tenha conseguido piratear essa rede sem que o sistema de segurança tivesse actuado.
O dito jornalista, Clive Goodman, mostrou-se à janela do palácio no passado mês de Novembro, e foi mostrado em foto para provar como era fácil ser contratado pela Família Real.
A investigação começou com a denúncia de irregularidades nas linhas telefónicas por parte dos empregados de Clarence House.
A Scotland Yard informou que o inquérito está a cargo da unidade anti-terrorista.
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Sexta-feira, Agosto 04, 2006
Enviado às
16:43
por Maria João Carvalho
Recebi um texto com pedido de divulgação (enviei por email para o maior número de pessoas possível), mas que não está assinado. Veio da Casa do Brigadeiro, e apenas lhe dei um título: "O ponto no i de Timor"
1 - Uma linha de força é dizerem mal do Alkatiri. Mesmo entre os jornalistas com mais pruridos, fica bem dizer que no mínimo Alkatiri não teve jeito, não soube lidar com a situação e não tem apoio popular...
Pois bem, de uma forma directa: Alkatiri é culpado de ter negociado as questões do petróleo sem corrupção, sem tirar nenhum proveito pessoal, apenas a pensar no seu povo. É culpado de ter defendido o mar de Timor e o governo da Austrália não gostou. É culpado de ter feito um concurso público para a concessão das explorações petrolíferas (que foi elogiado pelo Banco Mundial... pasme-se!) mas esse concurso não atribuiu nenhuma concessão às companhias petrolíferas australianas e estas não gostaram... Em 2005, durante semanas houve manifestações organizadas pelos católicos, com apoio do bispo de Dili, contra o Alkatiri, foram no máximo 5.000 pessoas. Nessa altura também se disse "Abaixo Alkatiri" e também se perguntou onde estava o apoio ao Governo e à Fretilin e ao Alkatiri. Quando acabaram essas manifestações realizou-se um comício da Fretilin (em 20 de Maio de 2005 - há fotos) de apoio ao Governo e a Alkatiri. QUANTOS ERAM? 40.000. Porque não foi mais cedo? para evitar confrontos...
2 - a segunda questão é que a Austrália se assume como força ocupante! Não é novo, já o fez no passado nas Ilhas Fiji e há bem pouco tempo nas Ilhas Salomão, mas está lá tão longe da Europa que nem reparamos e as notícias dão o que dão... por exemplo ainda alguém se lembra da intervenção americana em Granada e alguém ouviu falar em eleições depois disso? A Austrália sempre apoiou a ocupação pela Indonésia e com a Indonésia discutia a partilha do petróleo até... que tudo mudou... A Austrália quer decidir o futuro de Timor, substituir o Governo e o Parlamento, suspender parte da Constituição, liderar todas as forças militares dos diversos países que aí se encontram...Já se sabe que as tropas Australianas protegem os chamados rebeldes...Já se sabe que as tropas Australianas queriam pôr em respeitinho a GNR
>de Portugal... Já se sabe que agora as tropas australianas invadiram uma casa onde estavam médicos... cubanos... Já se sabe que querem um outro tipo de leis em Timor... A Austrália, mais a Inglaterra e os Estados Unidos têm um tipo de justiça diferente do resto do mundo (os juristas que expliquem), não têm o direito romano... e Timor seguiu os critérios da justiça internacional, fez a sua constituição, está a fazer os seus códigos, civil, penal, etc...mas não é à moda da Austrália, também por isso (mas não só) o governo australiano quer "substituir o aparelho judicial em Timor", os tribunais em Timor e juristas (que por acaso até
estão lá em missão da ONU e são portugueses e brasileiros...e etc.)...
O Tribunal de Recurso e os outros Tribunais de Timor foram destruídos e vandalizados, o que não foi furtado foi destruído! E por exemplo foram roubados os PROCESSOS DOS CRIMES DE 1999 que ocorreram após o referendo! E a tropa australiana deixou ocorrrer esse saque e destruição... porquê?
Adivinhem!
Acho que a questão essencial que agora se decide é se as tropas
internacionais
vão ficar sob a direcção da ONU ou sob a direcção da tropa que já está no
terreno, isto é, da Austrália - há uma grande diferença e uma profunda
influência quanto ao futuro...
Antes de terminar quero ainda referir duas notas:
- o profundo apreço pelos portugueses que estão em Timor e que nenhum
saíu voluntariamente! Mas queriam que saíssem; reparem que logo nos
primeiros incidentes os Estados Unidos fizeram deslocar um avião para
retirar os americanos e ofereceram lugares à embaixada portuguesa para
saírem portugueses...depois eram as imagens dos australianos a sair...
e os portugueses aguentaram bem. Parabéns para o pessoal que está por
lá!
>- os jornalistas estão a baralhar muitas notícias. Por exemplo, dizia o
>Público que alguns rebeldes tinham ocupado a fazenda Algarve "de Mário
>Carrascalão",
>bem a fazenda é do João Carrascalão ( a quem foi assassinado um filho em
>1999, que está enterrado nessa herdade), o seu irmão Mário foi o último
>Governador pelos Indonésios, e os dois irmãos nem se falavam por esse
>motivo. Será por acaso essa confusão entre Mário e João? O João não é
>Fretilin mas tem cooperado com o Governo, por exemplo, foi nomeado
>Presidente do Comité Olímpico de Timor...
>O texto vai longo, acho que vale a pena continuar a esclarecer e a
>denunciar
>o que se passa em Timor, se acharem que o texto vale alguma coisa,
>divulguem por favor
>um abraço
>XXXX
>
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Quinta-feira, Agosto 03, 2006
Enviado às
17:26
por Maria João Carvalho
A propósito do artido do Jota Alves no Diário das Beiras e a afirmação "Os figueirenses não vêem com bons olhos os turistas que compram o frango pelo caminho, deixam os ossos na Figueira e vão dormir a casa", surgiram alguns comentários de internautas indignados no Amicus Ficaria. Eu também deixei lá um comentário, este, que se pode ler também aqui:
Numa cidade em que as Juntas de Freguesia (Alhadas e Paião)fecham as piscinas públicas em Agosto "porque os miúdos vão p'rá praia" (operadora de telefone da Câmara dixit)e nem se põe em causa que haja pessoas que façam manutenção física pelas mais variadas razões, perdeu-se o senso comum. Como falar de turismo numa cidade que permitiu a construção de grandes superfícies (Leclerc e Jumbo), já depois dos 'intermarchés' e da crise no comércio? Queriam turismo de qualidade e apelam aos "pés descalços" que se passeiam pelos Centros Comerciais ao domingo (sítios onde me recuso a entrar por respeito para com os comerciantes tradicionais).Quando os espanhois deixaram de vir para o Casino, quando a Naval ardeu sem provocar escândalo nacional, quando o Parque de campismo e o terreno de motocross foram mutilados para as ditas superfícies gigantescas de comércio ...bem ... o passo em frente para o abismo foi evidente. Lá se foi a Motonáutica, o Mundialito, as guarreiadas da minha infância, as matinés do Casino, e os Festivais de Cinema. (claro que os eventos/desaparecimentos não estão ordenados cronologicamente) Lá se foi a fauna artística e intelectual do Picadeiro no Verão.
Agora, temos mesmo o que merecemos: uma serra com os troncos queimados por arrancar, a terra ardida sem arranjar e replantar (e claro que por isso, neve na praia e nas Abadias), uns turistas miseráveis que vêm cá deixar os ossos do frango. E ainda há quem conteste isto?
Como diz o meu amigo Bracourt: perdeu-se o senso.
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Quarta-feira, Agosto 02, 2006
Enviado às
19:13
por Maria João Carvalho
A Figueira da Foz foi notícia pelas piores razões: cinco jovens, com idades compreendidas entre os 16 e os 23 anos, morreram na via Tavarede-Buarcos, ao início da manhã (cerca das 6:00 h). Saíam de uma discoteca, aceleravam sem conhecer a estrada, capotaram antes do cruzamento urbano, perto do Centro de Saúde. O único sobrevivente morreu à chegada às urgências dos Covões, Coimbra.
Quando é que os portugueses aprendem que é necessário nomearem um, nos grupos de noctívagos, para conduzir sem álcool e com responsabilidade? Ou mesmo, a chamar um taxi se todos beberem? E a obedecer aos limites de velocidade nos centros urbanos e fora deles?
É um dia triste. Há cinco famílias de luto.
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Terça-feira, Agosto 01, 2006
Enviado às
13:54
por Maria João Carvalho
Olhem o que encontrei quando me documentava sobre a República Democrática do Congo, para uma análise que fiz aqui na EuroNews. O endereço é http://latinoamericana.org/2003/textos/portugues/Coltan.htm
O Coltan e a guerra do Congo
Coltan é a combinação de duas palavras que correspondem aos respectivos minerais: a columbita e a tantalita, dos quais se extraem metais mais cobiçados do que o ouro. Se tomarmos em conta que estes metais são considerados altamente estratégicos e agregarmos que 80% das suas reservas encontram-se na República Democrática do Congo, começaremos a vislumbrar porque há uma guerra neste país desde o dia 2 de agosto de 1998, porque dois países africanos como Ruanda e Uganda ocupam militarmente parte do território congolês, e porque já morreram mais de dois milhões de pessoas. O coltan é essencial para as novas tecnologias, estações espaciais, naves tripuladas que se lançam no espaço e às armas mais sofisticadas.
Esta guerra constitui a maior injustiça, em escala planetária, que se está cometendo contra um Estado soberano. Nas últimas décadas a história nos ofereceu tristes exemplos de assalto e até da ocupação militar de um país independente. O Iraque invadiu o Kuwait, e os EUA fizeram a mesma coisa em Granada, ainda que com resultados distintos. Bombardearam-se países como Afeganistão e Iraque, amparados por um duvidoso respaldo da ONU. Mas o que não havia acontecido desde a invasão de países europeus pela Alemanha de Hitler era a ocupação pura e dura de um território para aniquilar milhares de cidadãos e explorar os recursos minerais do país ocupado. É isso o que está acontecendo na R. D. do Congo. O que adiciona gravidade a esta pirataria é a passividade da comunidade internacional. Para aqueles a quem dói toda a opressão, assusta este desprezo por uma parcela da humanidade, duplamente ultrajada.
Já ninguém pode ignorar que a guerra de que padece a República Democrática do Congo tem como causa a depredação de metais preciosos e recursos estratégicos. Com isso se enriquecem alguns, e se financia a própria guerra. Os culpados são muitos. Segundo um grupo de especialistas da ONU, que elaborou um informe sobre a guerra neste país, o Exército Patriótico Ruandês (EPR) montou uma estrutura ad hoc para supervisionar a atividade mineradora no Congo e facilitar os contatos com os empresários e clientes ocidentais. Se criaram várias empresas mistas entre os negociadores europeus do coltan e membros do APR e do círculo de pessoas próximas ao presidente ruandês Paul Kegame.
Um milhão de dólares por mês
O Exército ruandês translada o mineral em caminhões até Kigali, capital de Ruanda, onde é tratado nas instalações da Somirwa (Sociedade Minera de Ruanda), antes de ser exportado. Os destinatários finais são os EUA, Alemanha, Holanda, Bélgica e Cazaquistão. A companhia Somigi (Sociedade Mineira dos Grandes Lagos) tem o monopólio do setor; é uma empresa mista de três sociedades: Africom (belga), Promeco (ruandesa) e Congecom (sul-africana). Entrega 10 dólares por cada quilo de coltan exportado ao movimento rebelde Reagrupação Congolesa para a Democraciaa (RCD), que conta com cerca de 40.000 soldados, apoiados por Ruanda. "Com a venda de diamantes - declarou Adolphe Onusumba, presidente da RCD - ganhávamos cerca de 200.000 dólares ao mês. Com o coltan chegamos a ganhar mais de um milhão de dólares por mês."
A mestiça paquistanesa-burundinesa Azazi Gulamani Kulsum, uma contrabandista famosa na região dos Grandes Lagos, é a gestora da Somigi. Esta mulher começou sua carreira em Bunia, vendendo tabaco de contrabando. Muito próxima ao dirigente hutu burundinês Léonard Nyangoma, era considerada há até pouco tempo a principal abastecedora de armas dos rebeldes ruandeses hutus. Hoje, graças à Somigi, trabalha com o exército ruandês, que a princípio se encontra em Kivu para perseguir aos hutus.
Na zona controlada pelos ugandeses - assinalou a jornalista Marina Rini depois de visitar o noroeste da R.D. do Congo - não existe monopólio. Assegura que em Butembo operam seis grandes compradores estrangeiros, oficialmente em competição entre si. Os empregados estrangeiros, com excessão de um ugandês, são todos soviéticos: russos ou cazaques. Sem revelar sua identidade confessaram a Marina Rini: "Vivíamos há muitos anos na África do Sul e agora viemos comercializar o coltan". Deles, compra o Cazaquistão. Informações reservadas da ONU revelam que o tráfico é organizado pela filha do presidente cazaque, Nursultan Nazarbaev, através de sociedades mistas belgas. A filha de Nazarbaev está casada com Vassili Mette, diretor geral da Ulba, empresa cazaque que extrae e refina urânio, coltan e outros minerais estratégicos. Ao que parece, Salim Saleh, irmão do presidente ugandês, Yoweri Museveni, não está fora deste florescente negócio.
Companhias ocidentais na exploração do coltan
Esta é, em linhas gerais, a sutil teia de aranha de um negócio internacional que está alimentando uma guerra no coração da África e empobrecendo os cidadãos de um dos países mais ricos da terra. Mas tem mais. O IPIS (Serviço de Informação para a Paz Internacional) realizou um estudo minuncioso sobre a vinculação das empresas ocidentais com o coltan e com o financiamento da guerra na R.D. do Congo.
Os documentos reunidos por esta organização estabelecem que a companhia belga Cogecom sprl é um sócio chave no monopólio instaurado pelos rebeldes congoleses. As transações entre Somigi e Cogecom envolveram 600.000 dólares para a RCD somente no mês de dezembro de 2000. Outras transações similares aconteceram entre Somigi e Cogear, uma companhia com uma direção fictícia na Bélgica.
A investigação sobre as atividades do grupo alemão Masingiro GMBH revelam três transações comerciais realizadas entre junho e setembro de 2001 e que cobriam a exportação de 75 toneladas de coltan. As quantidades em jogo fazem pensar que o coltan exportado pela companhia alemã procede de estoques acumulados pelo monopólio da RCD (a Somigi). Este coltan foi enviado à Alemanha através do aeroporto de Ostende e do porto de Amberes pelas três companhias de transporte TMK (vinculada à RCD), A.B.A.C. e NV Steinvweg (Bélgica). O coltan estava destinado sem dúvida à fabrica de tratamento de tântalo em mãos de H.C. Starck, filial da Bayer e líder mundial na matéria.
O homem de negócios suíço Chris Huber parece jogar um papel primordial no financiamento do esforço de guerra em Ruanda. A investigação demonstra que suas companhias Finmining e Raremet compram o coltan da Rwanda Metals, uma companhia que atua em nome do exército ruandês e o revende à fábrica de transformação Ulba no Cazaquistão. Sabe-se que existem transações entre a Finmining e a companhia cazaque de fretes Ulba Aviadomapnia/Irtysh Avia para o envio de coltan de Kigali ao Cazaquistão. Chris Huber poderia estar ligado a Victor Bout, um conhecido traficante de armas, fornecedor de diferentes grupos rebeldes e armados.
Eagle Wings Resources (EWR) é uma joint-venture (empresa de risco compartilhado) entre a norte-americana Trinitech e a holandesa Chemi Pharmacie Holland. O representante local da EWR em Kigali é Alfred Rwigema, cunhado do presidernte Paul Kagame. O informe das Nações Unidas acusa o presidente ruandês de jogar um papel motor na exploração dos recursos naturais da República Democrática do Congo. A direção da EWR afirma ter rechaçado propostas comerciais da Grands Lacs Metals, outra companhia de coltan controlada pelo exército ruandês.
Alcatel, Compaq, Dell, Ericsson, HP, Lucent, MOtorola, Nokia, Siemens e outras companhias de ponta utilizam condensadores e outros componentes que contém tântalo, assim como as companhias que fabricam estes componentes como AMD, AVX, Epcos, HItachi, Intel, Kemet, NEC.
Objetivo: dividir o Congo
Estes obscuros negócios são, em primeira instância, os culpados de uma guerra que não se torna menos dramática e pesada por ser esquecida. Com um agravante: teme-se que sobre o mesmo território da R.D. do Congo pese a ameaça da divisão em vários estados, o que facilitaria mais ainda a exploração dos recursos. Isto já foi pressentido e denunciado por Cristophe Munzihirwa, arcebispo de Bukavu ¿ e por isso o exército ruandês o assassinou.
Mais recentemente, o bispo congolês de Kaminha, Jean-Anatole Kalala Kaseba declarou: ¿os que criaram esta situação podem terminá-la, especialmente os EUA. A ONU está ali, inclusive na minha diocese. São observadores. Têm um programa que não querem dizer-nos. Asseguram que vieram para interpor-se aos beligerantes, mas vem a confirmar a repartição do país. Preferiríamos que estivessem em todas as cidades, mas não estão presentes em Uganda nem na Ruanda. Temos razões para crer que foram enviados pelas multinacionais. O presidente de Botsuana Kett Masire ¿ o mediador do conflito congolês ¿ disse claramente que se fracassar o diálogo inter-congolês, a ONU tomará de novo o país em suas mãos. Não é novidade. Esta guerra foi provocada para isso. A ONU quer que fracasse o diálogo inter-congolês para dirigir o país como um protetorado. Creio que a ONU está hoje a serviço de uma grande potência e faz o que esta quer.¿
Isto não é apenas um temor. Em março de 2002, o governo de Ruanda, que converteu parte de Kivu em uma extensão de seu território, se apropriou de todos os serviços telefônicos nacionais de Buvaku.
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