Rotativas

Quinta-feira, Setembro 21, 2006


O facto da arguida ter dado à luz uma menina no sábado passado não foi causa de adiamento e a audiência fez-se sem a sua presença. Elif Shafak, de 35 anos, foi hoje ilibada, em Istambul, por "insulto à identidade nacional" no seu livro sobre o massacre de arménios durante o império otomano.



Foram impostas rigorosas medidas de segurança enquanto decorreram as manifestações em frente ao Tribunal.



Antes de Elif, vários outros intelectuais turcos - entre os quais o escritor Orhan Pamuk - foram julgados, ao abrigo de um controverso artigo 301 do código penal turco sobre "insulto à identidade turca".



Hoje, depois de conhecida a sentença, o primeiro-ministro Tayyip Erdogan considera seriamente apresentar uma proposta de revisão deste artigo no parlamento.



A União Europeia tem vindo a reclamar que o referido artigo seja alterado, de modo a respeitar a liberdade de expressão.



A Turquia não admite o termo "genocídio" empregue pela romancista em relação à questão arménia.





As reacções à absolvição da escritora turca não se fizeram esperar. Às portas do tribunal de Istambul que decidiu que Elif Shafak não insultou a identidade turca, os fundamentalistas mostraram o descontentamento.



"A Turquia pertence aos turcos e que não há aqui lugar para Eli Shafak e outros como ela".



Por seu lado, um dos advogados defendeu a independência da justiça do país.



"Os juízes da Turquia deixaram claro com a sua decisão que defendem o interesse do povo turco e não o interesse do povo de Bruxelas, de Washington, Paris ou Berlim".

Um dos presentes reivindica que "a Turquia pertence aos turcos e que não há aqui lugar para Eli Shafak e outros como ela".

Krisztina Nagy, porta-voz de Oli Rehn, encarregado do alargamento na Comissão Europeia, anunciou e felicitou a decisão do tribunal turco.


O pecado de que a novelista foi judicialmente absolvida foi o de ter recriado no seu último romance a figura dos "carniceiros turcos". A Turquia nega a evacuação em massa e o genocídio de milhão e meio de arménios, que viviam no país, entre 1915 e 1923.





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Durão Barroso em entrevista exclusiva ao correspondente da EuroNews, Sérgio Cantone, em Bruxelas, teimou em dar a entrevista em francês. Eu traduzi e o Nuno Barradas deu a voz. O Michel Santos dobrou o Sérgio. Pode ser vista no site www.euronews.net ou no canal em toda a Europa, na RTP N e, um extracto, no jornal da RTPi das 20:00 GMT (21:00CET).

A sombra do Não à Constituição Europeia paira sobre o discurso de Durão Barroso, enquanto este põe em marcha uma agenda carregada de questões sociais. Na sua primeira entrevista na rentré política, o presidente da Comissão apela aos 25 para serem mais coesos em matéria de imigração, energia, defesa e política externa... e deixa o aviso à Turquia para respeitar os compromissos com Bruxelas.




EuroNews: Quais são as políticas para os cidadãos que a Comissão Europeia pretente pôr em marcha nos próximos meses?





Durão Barroso: Em termos de iniciativas concretas, posso dizer que, no conselho informal de Lathi, na Finlândia, no mês de Outubro, vamos apresentar sugestões para uma política de inovação mais agressiva na Europa. Queremos apresentar a proposição formal, a criação de um instituto europeu de tecnologia com base numa rede, mas poderá ser, digamos, o grande projecto emblemático, mobilizador, para a pesquisa e inovação na Europa. Uma pesquisa que não queremos apenas dentro das universidades, mas também em ligação com as economias mais competitivas na Europa. Trabalhamos também sobre um pacote energético que apresentaremos no início do próximo ano.



EuroNews: Pensa que, para fazer face às reformas económicas, os Estados membros devem, talvez, abandonar um pouco a via estritamente nacional e proceder sob uma via europeia?




Durão Barroso: Precisamos de ambas as vias. A estratégia de Lisboa trata disso. Os esforços de reforma ao nível nacional, mas acompanhados também de medidas a nível europeu. Disse bem, que há preocupações de carácter social, é preciso, ao mesmo tempo , ter medidas sociais para os que podem ser afectados pelos processos de restruturação. Mas de uma maneira geral, podemos dizer que começamos a ver os efeitos positivos de certas reformas; a verdade é que temos um crescimento bem superior ao que se registou nos últimos anos. A criação de emprego na Europa, este ano, é a mais elevada desdes que temos estatísticas nos 25 Estados membros. Portanto, a Europa está em melhor forma agora do que há dois anos.




EuroNews: Sim, mas o que é um facto é que isso tem um preço e, normalmente toca aos dividendos sociais. Por exemplo, nas pensões, há países onde houve reformas nesta área e para certas faixas da população foram dolorosas...



Durão Barroso: Sem dúvida que houve problemas, mas, de uma maneira geral, creio que o mais importante foi conseguir criar mais emprego. O desemprego está, geralmente, a um nível mais baixo que nos anos precedentes. Isto é muito importante, creio que dá razões de confiança à Europa. Mantenhamo-nos lúcidos, pois ainda não é suficiente, é preciso mais crescimento para ter mais emprego, mas, de uma maneira geral, podemos dizer objectivamente, que a Europa está mais preparada agora do que há dois, três anos, sobretudo para a globalização.



EuroNews: Que política energética comum vai a Comissão Europeia propôr?



Durão Barroso: Estamos a explicar no interior da União Europeia que é no interesse de todos os Estados membros evitar a fragmentação. É irracional, e peso as palavras, é irracional ter 25 mini-mercados de energia. Precisamos utilizar o potencial do mercado único também no domínio da energia. É também do nosso interesse falar a uma só voz com os outros parceiros, a Rússia e outros países também fornecedores. Ao mesmo tempo dizemos à Rússia que se temos interesse em que seja uma fornecedora credível a Rússia também tem interesse numa Europa consumidora credível que pague suficientemente bem.



EuroNews:

Brevemente, vai viajar para África. Tratando-se do Sudão, estatá esta viagem, de alguma forma, ligada à questão da guerra contra o terrorismo?



Durão Barroso: Hoje em dia tudo está ligado a nível internacional. Mas, efectivamente, a principal razão desta minha viagem não é a questão anti-terrorista, é, antes do mais, uma reunião com a Comissão da Comissão da União Africana e vamos a Adis Adeba iniciar o diálogo sobre imensas questões, nomeadamente sobre a imigração. Porque, aí, temos efectivamente um problema que só podemos resolver todos juntos e não com medidas de segurança... devemos ajudar e esperar pelo desenvolvimento, a longo prazo, dos países de origem da imigração, é essencial. Vou também ao Sudão porque é lá que há o problema trágico de Darfur. Quero falar com as autoridades sudanesas, explicando com clareza a nossa posição, perante esta tragédia humanitária. Não procuramos protagonismo, o que me interessa são resultados. O que precisamos fazer enquanto União Europeia, e aí os Estados membros têm a maior responsabilidade, é falar a uma só voz, pois a Europa pode contar muito mais no mundo se tiver uma verdadeira política externa comum, o que ainda não tem, e se tiver, um dia, uma política de defesa comum, o que também não tem.



EuroNews:

O que propõe e que posição pensa dar à Comissão Europeia no debate e no processo marcado para Outubro sobre a Constituição Europeia?



Durão Barroso:

Propus, e foi aceite pelo Conselho Europeu, que possamos celebrar o 50° Aniversário do Tratado de Roma, momento da fundação da nossa comunidade, para dar um novo fôlego, obter uma declaração política que possa tornar-se no contexto político para encontrar a solução, posteriormente, para a questão institucional. Mas ainda não chegámos lá. Efectivamente, haverá mudanças nalguns Estados membros muito importantes na comunidade, nomeadamente em França, que é um país que votou Não. Isto ainda é, do ponto de vista da Comissão, um pouco prematuro: não estamos em vias de propôr a solução porque ela não é da nossa responsabilidade, mas queremos ajudar os Estados membros porque isto é um Tratado entre eles. Acredito que estamos a avançar nesta reflexão com a opinião pública dos Estados membros para encontrar uma solução para a questão institucional. Esta questão deve ser resolvida, é importante e urgente, mas não devem ser cometidos novos erros.



EuroNews:

Uma última questão: a Turquia.



Durão Barroso:

De momento não estamos muito encorajados pelas notícias que recebemos. É preciso que a Turquia compreenda que deve respeitar as obrigações e os compromissos. Nomeadamente as obrigações do protocolo de Ancara, ou seja, garantir o acesso dos navios cipriotas aos portos turcos, são navios de um Estado membro da União Europeia. No início do mês de Novembro, vai ser publicado o nosso relatório sobre o estado das negociações com a Turquia. O que posso garantir é que se trata de um relatório honesto, objectivo e rigoroso.



EuroNews:

É de esperar uma suspensão das negociações?



Durão Barroso: Não quero antecipar as coisas. faremos um relatório muito honesto, muito objectivo e muito rigoroso.




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Segunda-feira, Setembro 18, 2006


No início da década de 90, silhuetas como a de Kate Moss ainda eram as mais procuradas pelos estilistas, mas a extrema magreza está longe de ser tendência no século XXI. Ao pesadelo dos nutricionistas, juntam-se agora os donos das passereles: todos contra a anorexia.
Em Espanha, onde um milhão de jovens sofre da doença, a organização do evento de moda Passarela Cibeles, proibiu a participação de 30 por cento dos modelos previstos devido ao peso, inferior ao normal para a estatura.
O director, António Pernas, explica que chegaram todos a um acordo. O objectivo é o de evitar que as imagens dos modelos influencie de maneira negativa os mais jovens.
Madrid impôs os critérios do bom senso: para 1,75 m de altura, pelo menos 57 quilos. A massa corporal passa a fazer parte do critério de selecção e deve corresponder pelo menos ao índice 18, o nível mais baixo aceite pela Organização Mundial de Saúde. A maioria das mulheres tem de 22 a 26 de massa corporal.
Depois dos desfiles de Madrid, Londres e Milão parecem querer seguir o exemplo e zelar pela saúde pública.
A anorexia é a doença mental que mais mulheres mata no mundo, cerca de 6 a 10 por cento das pacientes.
Os mais vulneráveis são os adolescentes, considerados mais sensíveis às mensagens do mundo da moda.
Numa época em que a obesidade atinge níveis preocupantes, o contraste com os ícones das passereles e do espectáculo propaga comportamentos pró-anoréxicos.
Na Argentina ou no Sul de Espanha, as autoridades impuseram a mesma interdição na venda de vestiário abaixo do 38, equivalente ao 36 espanhol.
A manequim Catherine, desculpa-se: "sabe, as roupas parecem melhor numa rapariga magrinha por isso as pessoas as procuram. Mas a moda, em geral, vira-se para raparigas maiores. Já querem miúdas com peito, com curvas, com números maiores. É natural que vá no sentido em que a população vai, desde que continuem a querer-nos dentro de um vestido."
Mas a saúde está na moda com o apoio das grandes marcas, que propõem tamanhos maiores, mais adaptados aos novos tempos.
Magra em excesso deixou de querer dizer magrérrima; passou a ser esquelética. Muito mal vista.
























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Sexta-feira, Setembro 08, 2006


Desde 1996, Bin Laden é o inimigo público número um dos Estados Unidos. Quando se deram os atentados de 11 de Setembro, as suspeitas recairam imediatamente sobre ele e, na véspera do primeiro aniversário, confirmavam-se num vídeo em que reivindicava os atentados.
A perseguição foi feroz, mas infrutífera. Cinco anos depois, informam os serviços de espionagem do mundo inteiro que ele continua entre as zonas tribais e montanhosas da fronteira paquistanesa e afegã. Em Tazagram, 150 quilómetros a norte de Peshawar, os homens sempre combateram no Afeganistão. Usman Ghani é um deles.
Diz que as forças da Coligação e da Aliança do Norte são inimigas de morte dos talibã e que, mal possam, vingar-se-ão pela perda de vidas dos "irmãos". Preparar-se-ão e prepararão os filhos para a vingança até ao último sopro de vida, até ao julgamento final.
Depois do 11 de Setembro, perto de 100 aldeões partiram para lutar com os talibãs contra os americanos. Muitos não voltaram. A popularidade de Bin Laden continua intacta na região. Consideram-no um herói e recebê-lo-iam de braços abertos se ele aparecesse por aqui.
Humayun Khan é um dos que se sentirá privilegiado se Osama vier à aldeia e ficar como seu convidado, porque "é um grande herói e é inimigo dos Estados Unidos". Assegura que velará por ele e apoiá-lo-à. Explica que, de maneira alguma, haverá ali alguém capaz de trair Osama por dinheiro. E se isso acontecesse, essa pessoa não poderia viver mais na região.
Há um rapazinho na mesquita que mal se lembra do pai, que foi fazer a guerra santa para o Afeganistão a seguir aos atentados e à invasão americana. O avô nunca mais teve notícias do filho, dado como morto, mas está orgulhoso pela causa que defendeu e educa o neto na mesma tradição, levando-o para a madrassa logo de madrugada.
Nada mudou por aqui nos últimos cinco anos e Bin Laden pode contar com o apoio das populações. As autoridades afegãs (de Cabul) reconhecem que certas regiões paquistanesas são santuários talibãs onde os líderes vêm recrutar directamente às escolas corânicas.
Isto apesar dos 100 mil soldados afegãos e paquistaneses que controlam as fronteiras com equipamento de alta tecnologia.







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Ground Zero das Torres Gémeas em 2001. Bush tinha razão: ele ouvia os bombeiros, os que tinham ordenado o embate nas torres também os ouviam e o resto do mundo ia continuar a ouvi-los.
Convictos de que tinham uma vingança a cumprir em nome de um mundo mais sereno, os Estados Unidos desembarcaram no Afeganistão à procura do inimigo público número um apoiados pelo mundo inteiro.
O especialista Ivo Daalder, do Instituto Brookings, explica:
"Tínhamos a oportunidade de usar o que aconteceu, o choque que provocou... podíamos ter usado isso no sentido de fazer avançar a grande coligação de nações e do povo contra o terrorismo e na verdade fizémo-lo, ao princípio, no Afeganistão. Mas não continuámos nesse sentido e, basicamente, deitámos fora toda essa boa vontade, e escavámos um fosso. E o buraco é tão grande, agora, e estamos tão sozinhos no fundo deste fosso, que muito pouca gente nos quer ajudar."
Em 2003 foi a vez do Iraque se tornar o eixo do mal. Depressa o regime de Saddam caiu e Bush gritou pela vitória.
"Na batalha do Iraque, os Estados Unidos e os seus aliados ganharam", anunciava George W. Bush.
Mas três anos depois, a guerra no Iraque continua. A intervenção foi um fracasso. E quando se coloca a Bush a questão da ligação da guerra do Iraque com os ataques às Torres Gémeas, o presidente norte-americano perde nitidamente os argumentos:
"O que é que o Iraque tem a ver com quê? O repórter explica: o ataque no World Trade Center...Nada. Excepto a parte de...ninguém nunca sugeriu nesta administração que Saddam Hussein ordenou os ataques... Iraque foi...o Iraque... a lição do 11 de Setembro é acabar com as ameaças antes que elas se materializem".
Os argumentos já não convencem. As famosas armas de destruição em massa do Iraque nunca foram encontradas.
O analista Charlie Cook lembra que mesmo depois do 11 de Setembro havia muita credibilidade quanto a assuntos de segurança. A guerra no Iraque acabou com isso e não parece que a comemoração desta data vá mudar algo.
Pelo contrário, aumenta o número de pessoas que questiona cada vez mais o que aconteceu naquele fatídico 11 de Setembro.






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Quinta-feira, Setembro 07, 2006


Partilham as primeiras páginas dos jornais mas nem sempre estão de acordo.
Tony Blair e Gordon Brown estão unidos politicamente para o melhor e para o pior há 12 anos.
Mais cedo ou mais tarde, Blair vai ceder o leme do país a Brown.
 
O casamento político entre os dois homens terá sido objecto de um contrato em 1994, no qual ambos planificaram o acesso ao poder. Ficou conhecido como "pacto de granita", derivado do nome do restaurante onde foi feito. Nele se previa a chefia do executivo para Blair e, ao fim de quatro anos, a passagem de poder para o seu acólito. E esse foi o ponto de ruptura.
 
Blair fez menção de esquecer a promessa, o que instalou o mau-estar entre os dois sem jamais os separar definitivamente. Durante a longa espera nos bastidores do poder, Brown consolidou a sua imagem de "futuro bom primeiro-ministro".
 
Durante 10 anos nas Finanças, este filho de pastor escocês de ar austero, transformou a pasta económica e financeira em bastião do contra-poder. Assegurou a independência do Banco de Inglaterra e, contra Blair, conseguiu manter o país fora da Zona Euro.
 
No seio do Partido Trabalhista, os amigos de Blair são cada vez mais raros e os de Brown são cada vez mais reivindicativos.
Gordon Brown, aos 55 anos, não terá a hipótese de ser o mais jovem primeiro-ministro britânico, mas foi o ministro que mais tempo se aguentou na Economia e foi o arquitecto da prosperidade britânica. Os súbditos de Sua Magestade, decerto que lhe retribuirão, em 2008.


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O Governo da República resolveu interferir na velha questão de quem é o legítimo herdeiro e sucessor ao trono de Portugal, optando por D. Duarte Pio, duque de Bragança. Além disso, decidiu agir contra Rosário Poidimani, que se arroga também herdeiro da Casa Real Portuguesa, porque a sua actuação em Itália se revelou lesiva para o bom nome e honra de Portugal.



Em carta datada de Julho deste ano e dirigida ao advogado Romeu Francês, defensor de Rosário Poidimani, o Departamento de Assuntos Jurídicos do Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) fundamenta o reconhecimento de D. Duarte Pio como legítimo herdeiro da Casa Real Portuguesa pelo reconhecimento histórico e da tradição do Povo Português; pelas regras consuetudinárias da sucessão dinástica; e pelo reconhecimento tácito das restantes casas reais da Europa e do Mundo com as quais a legítima Casa de Bragança partilha laços de consanguinidade.

Acresce ainda que com base nesse reconhecimento, o Estado confere a D. Duarte representatividade política, histórica e diplomática porquanto afirma no citado documento a que o CM teve acesso, que os duques de Bragança são várias vezes enviados a representar o Povo Português em eventos de natureza cultural, humanitária ou religiosa no estrangeiro, altura em que lhes é conferido o passaporte diplomático. O documento nega que o Estado esteja a pagar qualquer habitação a D. Duarte, mas nada diz quanto ao suporte financeiro para financiar os serviços prestados em nome de Portugal.

Este reconhecimento do Estado português criou algum mal-estar junto dos defensores do duque de Loulé, Pedro Folque de Mendoça, que o consideram herdeiro legítimo do trono.

Quanto à questão de Rosário Poidimani, e respectivas pretensões à representação da Casa Real Portuguesa, o Governo decidiu agir contra ele por querer salvaguardar os interesses portugueses no estrangeiro. Segundo consta, Rosário Poidimani tem atribuído títulos de nobreza e condecorações das ordens honoríficas portuguesas sem estar mandatado para isso, lesando os interesses do Estado Português.

A carta do MNE baseia-se num parecer jurídico pedido quando Freitas do Amaral era o chefe da diplomacia portuguesa.

D.PEDRO PROTESTA

A questão do herdeiro e sucessor da Casa Real tem dado muita polémica. Os apoiantes do duque de Loulé, Pedro Folque de Mendoça, congratularam-se pelo facto do Governo registar a representatividade política, histórica e diplomática que é oficialmente reconhecida à Casa Real de Portugal e ao seu representante. Contudo, protestam pelo facto de o Governo quebrar a neutralidade nesta questão. Luís Bivar, um dos defensores de Pedro Folque de Mendoça, diz que os duques de Loulé são os descendentes e representantes da Infanta D. Ana de Jesus Maria, filha do Rei D. João VI e da Rainha D. Carlota Joaquina, sendo o actual titular o senhor D. Pedro, VI Duque de Loulé de Juro e Herdade. O duque Pedro Folque de Mendoça nasceu a 9 de Março de 1958 em Lisboa, filho de D. Alberto Nuno Folque de Mendoça e de D. Maria Augusta Moraes Cardoso de Menezes.


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Quarta-feira, Setembro 06, 2006


 
A decisão de enviar militares turcos para o Líbano é muito impopular. Uma parte da opinião pública é anti-americana e anti-israelita e encara a missão como uma ajuda a Israel, temendo confrontos entre turcos e milicianos do Hezbollah.
 
O partido  do governo, AKP, de tendência islâmica e conservadora, repetiu vezes sem conta que essa eventualidade implicaria a retirada imediata. Só assim conseguiu fazer aprovar a missão no parlamento. Em 2003, muitos deputados do AKP recusaram aos americanos a utilização do território turco para atacar o Iraque.
 
Mas para o exército turco, a contribuição para a constituição da FINUL é uma reafirmação da influência internacional da Turquia, ao mesmo tempo que permite controlar o Irão, e por conseguinte, a a nuclearização que tanto inquieta os chefes militares turcos.
 
Por outro lado, a Turquia envolveu-se, nestes últimos anos, nas mais importantes missões de manutenção de paz, como as da Bósnia, do Kosovo e do Afeganistão, onde os seus homens formaram o terceiro contingente em número, o único de um país de maioria muçulmana - apesar da Turquia ser um Estado laico.
 
Ankara tem relações privilegiadas de cooperação com Israel, nomeadamente em termos estratégicos, tanto militares como energéticos. A Turquia faz parte da NATO e também é o primeiro parceiro comercial de Israel na região.
 
Com o destacamento de militares para o Líbano, os dirigentes turcos sublinham a importância geoestratégica do seu país, e lembram a Bruxelas o interesse que terá em abrir-lhe as portas da União Europeia.
 
Formalmente, só o dossiê cipriota continua a bloquear as negociações entre Ankara e Bruxelas, mas Recep Tayyp Erdogan, deu provas de pragmatismo respondendo positivamente à chamada da comunidade internacional para o Líbano.   


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Terça-feira, Setembro 05, 2006


Por razões que deconheço, a única maneira de finalizar a transcrição do texto do post anterior e deste foi esta. Era um simples copie/paste. Ao fim de cinco ou seis tentativas, fica assim...coincidências?



e nós próprios as levamos?

ML: Na sua opinião, os EUA fizeram algo de positivo ao derrubar Saddam Hussein e o seu governo?

CM: Se se lembra do primeiro ano da guerra, os comentadores diziam aos que eram contra, "Afinal, o que está a dizer? Está a querer dizer que eles estariam melhor se o Saddam estivesse no poder?". Isso era algo que calava qualquer um, porque um ano depois, ainda toda a gente acreditava no mito de que nós libertámos os iraquianos. Neste momento, a razão por que já não perguntam isso, é que já ficou bem transparente a qualquer um, excepto a um clone Republicano, que eles estavam muito melhor quando o Saddam estava no poder.

ML: Pensa que, algum dia, a verdade chegará aos media de referência, sobre a Batalha de Bagdade?

CM: Os media de referência parecem ser irrelevantes. Condenaram-se a si mesmos. Fazem parte de um pacto Faustiano quando se colocam por trás de uma guerra que é sobre petróleo e Israel. Eles concordaram tornar-se agentes infiltrados. O que pode ser mais vergonhoso do que um infiltrado? Não são media que forneçam informação relevante. São uma operação de propaganda que fornece racionalização.

É isto que nos leva ao termo "info guerra". Agora, a informação relevante e importante vem daquilo a que poderíamos chamar, "media clandestinos". Chamem-lhes media alternativos ou o que quiserem. O que significa é que dois rapazes, como eu e tu, que ambos temos capacidade para estar em qualquer um dos programas televisivos, a falar do que estamos a falar, não podemos ir à televisão deles, por isso, fazemo-lo através deste meio alternativo. As melhores entrevistas que se podem fazer estão disponíveis fora do sistema dos grandes meios de comunicação. O talento mostrado, pelas pessoas que não estão ligadas a esse sistema, para fazerem um trabalho de qualidade, indica que o sistema irá inevitavelmente falir.

Eu comparo com a hierarquia católica, depois da criação da máquina de impressão. A Internet, para nós, tornou-se na nossa máquina de impressão da "info guerra". A informação não pode ser totalmente controlada. Se tu dizes. "Eu sou o guardião e vou fechar esta grande porta", a Internet faz com que a informação deslize pelas suas frinchas.

Aquilo a que chamamos media, eu chamo colaboracionistas. Todos os colaboracionistas, ao longo da história, tiveram a mesma sorte. Eles perderam toda a reputação e dignidade, depois da vitória do lado certo.

Só nessa altura, quando os media forem expostos, é que a verdadeira história do Iraque será escrita. Estás a escrever uma agora. Eventualmente, surgirá o reconhecimento da Batalha de Bagdade e da Batalha de Fallujah. Estes assuntos estão a ser abafados neste momento, porque a muito frágil "Liga Bush" ainda tem controlo sobre os igualmente frágeis, media infiltrados. Isso não pode durar muito.


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Bagdade e as "info guerras" (I)

por Malcom Lagauche

Tem havido sempre algumas coisas que vão acontecendo na actual guerra dos EUA contra o Iraque que me deixam com a sensação de não ter aprofundado totalmente certos incidentes. Muitas vezes, a pesquisa fornece respostas, mas algumas coisas sobressaem como questões por resolver.

Uma destas dúvidas foi a tomada do Aeroporto Internacional Saddam (mais tarde chamado pelos EUA de Aeroporto Internacional de Bagdade), no início de Abril de 2003. Leio a maioria das notícias da imprensa de referência de vários países. A maioria disse que o aeroporto foi facilmente dominado e com poucas baixas norte-americanas.

No entanto, havia falhas nos relatos, bem como declarações contraditórias. Inicialmente, a maioria das agências de informação ou publicações relataram duros confrontos à chegada das tropas dos EUA ao aeroporto. Depois fez-se silêncio. Cerca de quatro dias depois, ouvimos falar na tomada do aeroporto pelos EUA. Mas, foi assim tão fácil como disse a imprensa?

Agências da Rússia divulgaram reportagens de violentos embates nos quais teriam morrido muitos soldados dos EUA. Algumas agências árabes falavam de uma batalha sangrenta com pesadas baixas de ambos os lados. Estes relatos eram totalmente contrários aos que vinham dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha.

Para mim, foi fácil acreditar que as pessoas tinham sido iludidas, mas a experiência em jornalismo ensinou-me a ser prudente em relação a alguma informação que pareça estranha e tentar investigar antes de fazer um julgamento. Todos nós vimos as alegações absurdas feitas nalguns sítios da Internet, por pessoas que se opunham, e outras que apoiavam a invasão ilegal do Iraque em Março de 2003: Saddam estava por trás dos ataques de 11 de Setembro; Saddam e a CIA planearam a invasão do Iraque; a Bíblia previa a invasão, etc.

Em 1991, ouvi uma gravação de uma batalha na qual os EUA tinham perdido milhares de militares. Era grande o barulho de fundo, com disparos e explosões. O narrador (supostamente no local) falava em árabe e dizia que os americanos caíam como moscas. Esta gravação foi largamente distribuída depois do cessar-fogo da Guerra do Golfo em 1991. Supostamente, mostrava que os meios de comunicação não tinham relatado as dezenas de milhares de mortos norte-americanos. Era uma fraude, realizada por um cidadão da Arábia Saudita.

Mais tarde, uma enfermeira dos EUA que costumava visitar o Iraque com ursos de peluche para as crianças, durante o embargo, falou de uma pequena ilha no Pacífico, na qual teriam sido sepultados secretamente, 20 mil soldados dos Estados Unidos, mortos na Guerra do Golfo. Ele repreendeu-me por eu não saber isso. Mais uma vez, fraude.

Há umas semanas atrás, li um artigo escrito pelo Capitão Eric May, um veterano com 14 anos de experiência no Exército dos EUA. Ele alega que a Batalha de Bagdade, que começou no Aeroporto Internacional de Bagdade, foi bastante mais devastadora, para as forças dos EUA, do que aquilo que foi relatado. Fui a vários sítios na Internet que publicavam as suas declarações e fiquei impressionado. Ele não era nenhum teórico da conspiração à procura de notoriedade. Para além disso, ele tinha melhores conhecimentos do que muitos que escrevem sobre o Iraque (incluindo eu próprio): forte especialista na área de tácticas militares e informações militares secretas dos EUA. Pareceu-me que valia a pena contactá-lo para uma entrevista. Nesse mesmo dia, falamos durante mais de uma hora e eu vou publicar a nossa conversa, em duas partes.

Antes de passarmos à entrevista, vou dar-vos uma pequena biografia do Capitão May. Ele entrou no Exército dos EUA em 1977 e prestou serviço durante 14 anos. Eventualmente, recebeu formação avançada em espionagem e passou vários anos a decifrar mensagens, principalmente da antiga União Soviética.

Em 1990, voltou à vida civil e ensinou línguas (latim, grego e russo) na Escola Secundária Mt. Carmel, em Houston, onde uma vez foi eleito professor do ano. Em 1995 mudou de carreira, tornando-se um escritor, por conta própria, de discursos de executivos, para muitas empresas proeminentes, tais como a Texaco, Compaq, Hill & Knowlton, etc. Ao mesmo tempo, fez artigos para a KPRC-TV de Houston, uma subsidiária da televisão NBC. Para além disso, escreveu para dois jornais diários de Houston: o Houston Post e o Houston Chronicle.

ML: Diga-nos, por favor, o que o levou a questionar a Batalha de Bagdade, principalmente a batalha pelo aeroporto.

CM: Tinha acabado de dar uma aula de artes marciais na sexta-feira, 4 de Abril de 2003, e regressei a casa. Isso seria a manhã de 5 de Abril, em Bagdade. O que vi imediatamente na CNN, por volta das 9 da noite (TMG -6) foi que Bagdade estava cercada. Tínhamos empenhado as forças militares no cerco e em fazer com que sucumbisse, pouco a pouco, talvez enviando a 101ª Aero-Transportada.

Depois, de repente, houve relatos de explosões e a CNN começou a agir como se eles estivessem confusos e não estivessem a contar com isto. Dado que eu já tinha sido um oficial de informações e relações públicas, sabia muito bem que isso significava um contacto não esperado. Rapidamente, passaram a dizer que havia enormes explosões no aeroporto, e em pouco tempo passaram para o incorporado Walter Rogers da CNN. Com ele a emitir a partir do Aeroporto de Bagdade, podia ouvir-se artilharia a cair perto do seu veículo militar e conseguia ouvir-se o som disparos de armas menores: um distinto ping, ping, ping. Isso indicou-me que estavam debaixo de fogo.

Nessa altura ainda não tinha nascido o sol em Bagdade. Na alvorada, o Tenente Coronel Terry Ferrel, comandante do Grupo de Cavalaria 3/7, apareceu na televisão durante a cobertura nocturna da CNN, e desatou a chorar quando tentava dizer que estava tudo bem no Aeroporto de Bagdade. Isso bastou-me para perceber que a 3/7, uma unidade avançada, o esquadrão de cavalaria que pertence à 3ª Divisão de Infantaria, a divisão do Exército dos EUA que cercou Bagdade, se tinha envolvido num combate cerrado, no Aeroporto de Bagdade. Foi o que me pareceu na altura.

No dia seguinte, a CNN dizia que havia contradições substanciais nos factos relatados por vários meios de comunicação. Os media árabes contavam 200 mortos norte-americanos, no aeroporto. Fontes russas diziam que havia dúzias de mortos e que tinha havido uma grande batalha. Os media dos EUA estavam a contar que Jessica Lynch tinha sido resgatada.

ML: Como explica que os media estrangeiros falem de uma batalha sangrenta e os media dos EUA a não dizerem nada sobre o aeroporto e a focarem o resgate de Jessica Lynch ?

CM: Para mim, nesta altura, era um dado certo. A Batalha de Bagdade foi essencialmente apagada desde 5 até 8 Abril. A 9 de Abril, tivemos o derrube da estátua de Saddam, que representa um final eficaz da Batalha de Bagdade. Mas, no fundo, foi um final para propaganda. O derrube foi um acontecimento encenado e já ouvi dizer que os poucos iraquianos que lá apareceram, nem iraquianos eram.

ML: Por que razão se interessou tanto sobre a Batalha de Bagdade?

CM: O encobrimento propagandístico da Batalha de Bagdade, a que chamamos BOBCUP [sigla de Encobrimento da Batalha de Bagdade, em inglês], foi tão obviamente contrário aos princípios da informação dos EUA, que é o que temos seguido nas operações do Departamento de Relações Públicas da Defesa. Foi tão notoriamente fora do normal que foi aí que eu me mobilizei, na minha missão de consciência, porque basicamente me apercebi que estávamos sob uma ditadura. Omitir os acontecimentos de uma batalha inteira e não os mencionar muito depois da batalha ter terminado¿ claro que se pode dizer, "Bem, nós não queríamos dizer aos iraquianos onde estavam as nossas tropas", ou algo semelhante. Mas não se pode dizer o mesmo, meses e meses e anos depois do acontecimento.

Bagdade foi o começo. Terminei uma carreira de sucesso, dentro e fora do Exército e da reserva. O meu último serviço foi de oficial de um general. Tenho andado por aí. Bagdade trouxe-me da observação e análise desta guerra para a participação naquilo que podemos chamar a "info guerra". A guerra para obter informação real para as pessoas.

ML: Descreva, por favor, as condições que fazem uma "info guerra".

CM: O que me pareceu evidente foi a vontade que eles têm em esconder qualquer tipo de informação que não se encaixe no grande plano. Parece que o sistema de governação que crescemos a aprender nos livros ¿ os três sistemas que mantêm a honestidade do governo ¿ se tornou, na realidade, um governo bipolar, em que temos um executivo imperial ¿ nós chamamos-lhe o Rei George e a Liga Bush ¿ que controla o país. Os media transcrevem tal como se fossem um ministério da propaganda. As outras duas partes do triângulo, os braços legislativo e judicial do governo, só lá estão para disfarçar. Só permanecem lá para parecer uma democracia, mas não é. (Nota: para os meus leitores fora dos EUA, o termo "bush league" ¿ liga bush ¿ representa nos EUA, uma entidade de classe inferior. O Capitão May usou o termo com duplo sentido: Bush é o nome do presidente e encaixa bem na "bush league". ML)

ML: Você, como outras pessoas que raciocinam, previu por escrito o resultado da invasão. Desenvolva, por favor.

CM: Tenho publicado análises da guerra no jornal Houston Chronicle, desde 1992, prevendo este atoleiro. Em retrospectiva, agora que as coisas chegaram onde chegaram, parece óbvio o que eu escrevi a 3 de Abril de 2003, quando nos aproximávamos de Bagdade. Escrevi no Houston Chronicle que esta se iria chamar "Guerra das Areias Movediças". Iria transformar-se em areia movediça. Agora, isso parece claramente óbvio. Mas lembro-me de quando submeti o texto ao meu editor, ele se ter rido e dizer que eu ia arruinar a minha reputação, porque o Exército dos EUA ia chegar a Bagdade no dia seguinte e provar que eu estava enganado.

Como tantas outras pessoas que nunca vestiram o uniforme, ele pensou que assim que se chega e se conquista a capital dos outros, automaticamente eles desistem. Mas para alguém que tinha estado no exército até essa altura, em três diferentes décadas e que estudou a arte da guerra durante três décadas, a ideia de que a guerra termina quando se domina a capital¿Eu li Napoleão. Também li o que as pessoas diziam a caminho de Moscovo.

ML: Qual é a sua opinião sobre a resistência iraquiana nessa altura? Poucas pessoas sabiam que estava organizada antes da invasão dos EUA.

CM: Quando aprofundámos o encobrimento da Batalha de Bagdade, verificámos que era só uma parte do que estava a ser escondido. Eu estava a receber relatos da resistência iraquiana de que estavam a preparar um movimento de resistência e apercebi-me disso enquanto decorria a Batalha de Bagdade. Grupos como os Fedayeen de Saddam estavam envolvidos, não apenas os militares iraquianos.

Ensinar populações indígenas a fazerem uma guerra de guerrilha é como dizer que é preciso ensinar os adolescentes que têm um encontro íntimo a dois, como fazer sexo. Inevitavelmente, eles vão descobrir como o fazer, se os deixarem a sós. Sempre que se começa uma guerra de guerrilha, que nos envolvemos num ataque e domínio de um país, o trabalho mais brilhante dessa campanha vai ser feito pelas pessoas que estão a tentar vingar-se do ataque inicial.

A resistência estava planeada e, de acordo com a minha pesquisa, eles estavam a publicar um jornal clandestino já na altura da Batalha de Bagdade. Encobrir uma batalha e esconder a realidade militar são apenas vantagens temporárias, mas trazem problemas a longo prazo. A administração mostrou-se empenhada em dizer que tinha tido uma guerra bem sucedida, com resultados conclusivos. Como resultado disso, todo o paradigma estava distorcido. Em conjunto com a política errada no campo militar. Quando se negam bastantes realidades militares, está-se a tramar os seus militares.

Tenho ligações a Camp Casey. O filho de Cindy Sheehan, Casey, foi morto a 4 de Abril de 2004. Aqui está a ironia. Ele foi morto no primeiro aniversário da Batalha de Bagdade. Vamos fingir que acabamos de sair da escola de Oficiais. No aniversário de uma grande batalha, onde os iraquianos se empenharam bastante e deram grande luta, não seria de esperar que aumentasse o perigo de ataques recorrentes nessa altura?

Esses rapazes que foram desperdiçados, como o Casey, no primeiro dia no Iraque, acabados de sair do autocarro, foram enviados para uma cidade que fervilhava com sentimentos renovados de nacionalismo porque era o primeiro aniversário da batalha que os EUA encobriram, e esses rapazes não sabiam. Os seus oficiais não sabiam. Os seus comandantes não sabiam. Não lhes foi permitido saberem que era o primeiro aniversário da Batalha de Bagdade, de Abril de 2003.

Na segunda parte, o Capitão May entra em mais detalhes sobre a Batalha de Bagdade, bem como sobre a censura dos meios de comunicação)

20/Agosto/2006


O original encontra-se em http://www.uruknet.info/?p=25921 . Tradução de AL
Bagdade e as "info guerras" (II)

por Malcom Lagauche




Na primeira parte desta entrevista , o Capitão Eric May, um antigo oficial do Exército dos EUA, deu-nos uma visão daquilo que ele considera ser um dos mais manhosos encobrimentos de todos os tempos: a Batalha de Bagdade, principalmente a batalha pelo aeroporto. Também referiu que estamos, neste momento, num processo de condução de uma "info guerra", que irá eventualmente alterar o modo como os principais meios de comunicação podem ser manipulados, pelo governo dos EUA. O artigo de hoje entra em mais detalhe sobre os pontos focados pelo Capitão May, na primeira parte da entrevista.

ML: Explique detalhadamente, por favor, aquilo que entende por "info guerra" e em que tipo de campo de batalha irá ela ser travada.

CM: É óbvio que estamos numa "info guerra". Quando Eisenhower avisou sobre o complexo militar/industrial, podia ter dito, em termos orwellianos, o complexo militar/industrial/media.

As "info guerras" são produzidas por coisas como a manipulação da captura de Saddam. Lembro-me de várias companhias de comunicação resmungarem, porque a história contada pela administração dos EUA estava a cair por terra.

Em todas as histórias que discutimos, a informação foi manipulada. Se ouvirem o Rumsfeld, ele diz sempre, "Nós precisamos vencer a guerra da propaganda e também a guerra informativa". Guerra informativa não é mais do que "info guerra". No entanto, ninguém quer admitir que está a decorrer uma "info guerra", pois desse modo, torna-se claro que temos aqui uma situação de deslealdade.

ML: Como é que pode ser encoberto o número de baixas dos EUA, na Batalha de Bagdade? Como é que poderiam fazer desaparecer quatro ou cinco centenas de soldados?

CM: Esse constituiu o primeiro nível da minha investigação sobre a Batalha de Bagdade. Depois de assistir à CNN a 4 de Abril de 2003, eu passei um par de semanas a fazer análise televisiva. Depois, decidi que iria a Fort Stewart, na Georgia, onde é a base da Terceira de Infantaria e do 3/7 de Cavalaria.

Quando lá cheguei, confirmei imediatamente a existência da Batalha de Bagdade, com o capelão, que também me disse que a Constituição está no tanque de guerra. Estavam a encobrir o que queriam. Controlam o que as pessoas sentem, vêm e fazem.

Apercebi-me também que decorria um encobrimento na base militar. No final do Verão, soube-se que as viúvas estavam a sentir-se incomodadas e foram-lhes dados cocktails de fármacos psicotrópicos. Havia um bloqueio às notícias. Quando eles (Terceira Divisão de Infantaria) finalmente voltaram, vieram numa espécie de comboio da meia-noite.

Havia muitos mais feridos do que os que o hospital conseguia acomodar. Dormiam em campo aberto. A razão para isso, acredito eu, era manter todos os que tinham estado na Batalha de Bagdade, no mesmo quartel, para conseguirem controlar toda a informação.

Entre os sobreviventes e seus próximos, havia uma tentativa de forçar o silêncio. Eu costumo dizer que foram amordaçados e drogados.

Em Janeiro de 2004, consegui que uma jornalista "freelance", vinda de Nova Iorque, me viesse ajudar a completar a história. Ela descobriu que houve cerca de 100 visitas "pela porta das traseiras", o que significa que o oficial responsável por comunicar as baixas, aparecia e informava a viúva do que tinha acontecido. Estavam a pegar nas mulheres e tirá-las da cidade, a partir do quartel.

Calculou que houvessem cerca de 100 viúvas de guerra: É sabido que um em cada três soldados, é casado. Isso batia certo com o que eu imaginava: entre 300 e 500 mortos em combate. Pouco tempo depois de ela começar a investigação, foi ameaçada de morte.

Talvez tenhamos 500 baixas. Parece uma enorme quantidade. O que acontece é que temos 500 caixões a irem para 500 diferentes estações de comboio, em 500 diferentes cidades e pequenas vilas. Ninguém envia um cartão a dizer que há mais 499. Quem recebe um, sabe que tem um militar morto. Mas ninguém pensa que o seu militar é apenas uma parte de uma grande batalha. É o elefante da verdade. Cada pessoa tem uma sensação. Toda a gente recebe um pedaço do elefante, sem perceber que é uma parte de um grande animal.

Esconder a contagem de mortos não é nada difícil de fazer. O que é preciso é não relatar que houve uma grande batalha. Fizeram o mesmo na batalha de Fallujah, ambas foram encobertas.

É fácil de perceber o que aconteceu em Fallujah. O mesmo que na Batalha de Bagdade. O que disseram às pessoas não teve nada a ver com a carnificina que estava a acontecer. Pararam a contagem de mortos dos EUA. Não é possível ter combates urbanos, rua-a-rua, e ter apenas dois mortos por dia. As coisas não se passam assim. Houve grandes operações militares em Fallujah.

ML: Se George Bush declarou a vitória a 1 de Maio de 2003, porque é que ainda há combates em Bagdade?

CM: Uma coisa que temos de perceber é que está a decorrer, neste momento, uma Batalha de Bagdade. Está a ser encoberta. Está escondida por baixo da história maior, que é a guerra israelense no Líbano.

Como um exemplo do que acontece quando se transmite propaganda em vez da história, a verdade perde-se. Disseram ao público americano que tínhamos conquistado Bagdade de uma forma mais fácil do que realmente tinha acontecido, como se fosse uma simples caminhada, mas na realidade não foi. Agora o público americano foi enganado. É como um truque de magia: quando seguimos o mágico, ficamos perdidos. O mágico tem controlo sobre nós. Os media são um truque de magia. Aquela televisão é uma caixa, e a artimanha que sai dela, diz-nos que estamos a reforçar as tropas em redor de Bagdade, de forma a reconquistarmos a cidade. A gritante questão deveria ser, "Que diabo! Quer dizer que perdemos Bagdade?". Temos estado a perder Bagdade desde que lá chegamos.

ML: Falou com algum iraquiano, participante na Batalha de Bagdade?

CM: Um par de jornalistas que esteve em Bagdade falou devidamente com pessoas que regressavam da batalha. A coisa mais extrema que ouvi foi que a Batalha de Bagdade começou no aeroporto, com as forças dos EUA e serem esmagadas. Terá sido uma troca de fogo de seis horas, a curta distância, e a minha ideia é que o nosso lado começou a ficar sem munições e alguém decidiu passar ao nuclear. Isto parece ser universalmente aceite por toda a gente, excepto pelos americanos.

Evidentemente, o que se passou foi que os militares dos EUA se abrigaram nas suas protecções, que impedem a transmissão de radiação, e foi usado algum tipo de armamento nuclear no aeroporto de Bagdade. Desde aí, a doutrina norte-americana em termos de batalhas, foi revista, para permitir aos comandantes fazer exactamente aquele tipo de coisas, que eu tenho deduzido a partir das minhas fontes, terem sido feitas no aeroporto de Bagdade. Por outras palavras, reajustaram retroactivamente a sua doutrina.

De qualquer forma, a questão nuclear é uma coisa bastante peculiar, nesta guerra. Já passamos a usar o urânio empobrecido. Isso, de algum modo, torna esta, uma guerra nuclear. Claro que se percebe porque é que a Batalha de Bagdade tinha de ser encoberta. Como é que se vai para uma guerra a dizer que vamos remover um perigoso louco, porque ele tem armas de destruição em massa, e nós próprios as

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Segunda-feira, Setembro 04, 2006


Arriar da bandeira iraquiana, ainda não é sessessão curda
 
Reacende-se a polémica sobre a retirada da bandeira nacional iraquiana dos edifícios públicos do Curdistão.
A decisão, tomada na passada sexta-feira pelo presidente do Curdistão iraquiano, Masud Barzani, provocou duras críticas por parte da comunidade sunita, que considera que se trata de um mais passo pela independência do território curso.
Mas todas as comunidades criticaram Barzani, que teve de se defender no parlamento.
Começou por dizer que não aceitava nenhum acto de provocação. "Se quisessem a independência, era fácil separarem-se do Iraque, sem hesitações ou medos. O tempo das ameaças acabou. Agora fazem parte de uma espécie de Iraque federal. Constituem uma parte inseparável e os programas aprovados pelo governo e pela presidência apenas darão mais força ao Curdistão, tanta quanto aquela que têm as cidades sunitas", concluiu.
O Curdistão é o Estado-fantasma entre o Iraque, a Turquia, a Síria e o Irão.
O Iraque transformou-se no país que é hoje depois do Tratado de Sevres, de 1920, que dissolveu o Império Otomano depois da derrota na Primeira Guerra Mundial e deu aos britânicos o controle sobre o Iraque.
Apesar de o tratado prometer que os curdos receberiam seu próprio país, o Curdistão, o sonho foi por água abaixo. A Turquia, outro país novo determinado pelo tratado e lar da maior população de curdos no mundo, recusou-se a ratificar o documento. No lugar dele, o tratado de Lausanne, mais favorável aos turcos, foi redigido e ratificado em 1923. Desde então, os curdos não têm país próprio e, por consequência, vivem em conflito com seus compatriotas.
Os curdos do Iraque, que constituem perto de 20 por cento da população, sofreram perseguições e limpezas étnicas durante o regime de Saddam Hussein, pelo qual este responde no Supremo Tribunal Penal do Iraque.
A revolta curda de 1991 levou à criação de uma zona de segurança e de um estatuto de autonomia. Actualmente é como um Estado semi-independente, com as próprias administrações e insfra-estruturas políticas, forças armadas e uma tranquilidade que atrai mais investidores que o resto do país.
Depois da queda de Saddam, os curdos obtiveram vitória com a eleição de um dos seus à frente do país, Jalal Talabani.
Mas a questão da bandeira voltou a acender os ânimos e a tornar mais difícil a defesa dos interesses curdos com a reconciliação nacional.
Num comunicado marcado pela ambiguidade, Talabani defendeu a decisão de Barzani, apoiando-se num "vazio constitucional", até porque o governo interino já tinha decidido mudar a bandeira iraquinana.

Sobre o Tratado de Sèvres e Gulbenkian:
CALOUSTE SARKIS GULBENKIAN
O visionário

Numa época em que a importância estratégica e económica do Médio Oriente era desconhecida, Gulbenkian soube antecipar o valor das reservas de petróleo e mobilizar investidores internacionais, assim como o governo Otomano, para a necessidade de organizar racionalmente toda a exploração.
Participa na criação do Royal Dutch Shell Group, estabelece relações com as indústrias petrolíferas americana e russa e dá o primeiro impulso a esta indústria no Golfo Pérsico.

A par do papel determinante que desempenhou nas mais altas esferas dos meios do petróleo e das finanças, Gulbenkian foi levado a assumir importantes responsabilidades em matéria política. Inicialmente, servirá os interesses da sua pátria, o Império Otomano. Em 1898, é nomeado conselheiro financeiro junto das embaixadas otomanas em Paris e Londres.

Em 1902, Calouste Gulbenkian adquire a nacionalidade britânica, trunfo que lhe vai permitir associar os interesses das duas pátrias, tendo em conta a grande influência que os britânicos exercem sobre o Império Otomano.

Depois da I Guerra Mundial, Gulbenkian é nomeado representante comercial e diplomático da Pérsia em Paris ¿ cargo que exercerá durante 24 anos. A França ficará a dever-lhe infatigáveis esforços para proteger os interesses do país a nível petrolífero. No fim da I Guerra Mundial, teve um importante papel nas negociações que conduziram, em 1920, à assinatura do Tratado de Sèvres e depois, em 1923, à do Tratado de Lausanne.


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Sexta-feira, Setembro 01, 2006


O dossiê iraniano deve regressar, em meados de Setembro, ao Conselho de Segurança da ONU, dividido entre a via diplomática e a aplicação de sanções.
Segundo a carta da ONU, o Irão arrisca sanções que, excluindo o uso da força, são, essencialmente, de âmbito económico e diplomático.
Na próxima semana, em Berlim, os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU mais a Alemanha voltam a falar dessa possibilidade
mas a impressão generalizada é que o castigo do Irão será mais simbólico do que efectivo.
Apesar das pressões norte-americanas para adoptar uma nova resolução mais firme, tanto a União Europeia como a China e a Rússia preferem não fechar as portas às negociações para evitar repercussões negativas que possam isolar o Irão. É a opinião de uma especialista do grupo "Investigação para a Paz".
"Neste caso, é verdade que os actores internacionais funcionaram com uma lógica contínua de diplomacia-sanções-uso da força. Falta ver se o Conselho de Segurança, e sobretudo a Rússia e a China, pouco inclinadas a adoptar sanções contra o Irão, acabam por juntar aos outros membros do Conselho de Segurança da ONU".
Consciente das divisões internacionais, Ahmadinejad, utiliza a linguagem do duplo sentido.
Desafiador, reafirma o direito de controlar o ciclo nuclear; tranquilizador, assegura que o faz com fins pacíficos.
Para a república islâmica, o braço de ferro com o Ocidente e a continuação do programa nuclear servem para reafirmar a importância de potência regional.
Teerão mostra ao mundo imagens dos ensaios de mísseis de longo alcance melhorados para mostrar a crescente influência geoestratégica em oposição ao fracasso americano no Iraque e do seu aliado hebreu com o Hezbollah.
"Realmente, podemos imaginar que o Irão esteja a desenvolver um programa nuclear militar clandestino, dado o contexto regional: Israel tem a arma nuclear, tal como a Índia e o Paquistão, e os três países estão fora de todo o controlo internacional".
A Agência Internacional de Energia Atómica reconheceu que, apesar do avanço da tecnologia para o enriquecimento do urânio, o processo ainda é lento e não tem ligação com um programa de armamento nuclear. Pelo menos, à vista.



















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