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por Maria João Carvalho
CONHECER A CHINA EM CASA
A China é um pormenor do mundo que está para vir; está bem que é um grande pormenor, mas é um exemplo das economias emergentes e nós temos estado distraídos porque esses países já representam mais de metade da economia mundial e daqui a 20 anos são dois terços da economia mundial. Se não estamos preparados para a China, não estamos preparados para o mundo com o Japão e toda a Ásia, daqui a 20 anos. E estamos a esquecermo-nos de que a Índia vai abrir-se ao mundo. A Índia, com 300 milhões de pessoas da classe média...
Chega para aguçar a curiosidade?
Pois este é apenas um pequeno excerto da intervenção do Professor Pedro Jordão, da Universidade de Aveiro, presidente do CINT, que se apresentou no Casino da Figueira como ex-aluno do Liceu da Figueira, sobre a chamada Ameaça Chinesa. O contexto não podia ser melhor: China Século XXI, Painel Português, no Casino da Figueira no âmbito do aniversário da República Popular da China. Um evento promovido por Y. Ping Chow, presidente do Conselho Consultivo para os Assuntos de Imigração, entre outras associações.
Segundo o artigo de 15 de Junho de Pedro Jordão na Visão, nos últimos três anos, as economias emergentes e em desenvolvimento (que representam 85% da população mundial) cresceram a um ritmo anual de cerca de 6%, enquanto esse valor foi de apenas 2,4% nos países ricos ( em 2005 a Zona Euro cresceu apenas 1.3% ). Em 2005, a dimensão das economias emergentes e em desenvolvimento ultrapassou a dos países ricos, pela primeira vez depois de 180 anos. Apesar de algumas fragilidades, aquelas economias ¿atrasadas¿ evoluem e representam já a maior parte da economia mundial.
Nas próximas décadas empresários e governos ¿ricos¿ não se preocuparão apenas com a China e a Índia. Todos os dias os seus clientes serão contactados por competidores de muitos países que eles nem sabem localizar no mapa. Não se trata de ofertas de produtos simples mas de tudo, inclusive alta tecnologia. No Ghana há empresas que realizam o trabalho ¿interno¿ de facturação de muitas empresas alemãs. É a realidade que se verifica em todo o mundo. Como refere o Prof. Jordão no seu artigo na Visão de 15 de Junho de 2006: ¿as indústrias movem-se, mas a próxima revolução será o crescente offshoring global de serviços (que representam 2 terços da economia europeia ).¿
O Professor Doutor Heitor Romana, do Instituto de Ciências Sociais e Políticas e da Universidade Técnica de Lisboa, lembrou que a China quis substituir-se à União Soviética e manter-se ao leme nos diálogos Sul-Sul, mais do que por interesse de carácter económico, para, gradualmente, se aproximar da União Europeia. Por dois motivos: para esvaziar a visão unipolar dos Estados Unidos, e neutralizá-los. E para o desenvolvimento da Grande China, ou seja, para optimizar todas as energias e estratégias, económicas, sociais, culturais, a nível de comunidades de imigrantes, como as de Hong Kong e de Macau.
É impossível não visualisar a inserção gradual da China no continente africano, que se fortaleceu com o Fórum para a Cooperação África /China em 2001, precisamente quando a União Europeia reformulava os Acordos de Lomé (Kotonu). A China pretende ter acesso a recursos energéticos, sim, mas isso leva, também, a um crescimento de 20% em África, não é um acesso gratuito. Há algumas décadas que a China aposta no bilateralismo.
Esta acção de promoção da China no Casino da Figueira é mérito do presidente da referida associação chinesa e também representante do município de Tianjien para captação do investimento estrangeiro. Tianjien vai ser a terceira zona económica especial da China a seguir a Shenzen e Shanghai (Puton). Está em pleno desenvolvimento..
A história deste empresário perspicaz começa pela de seu avô, há 70 anos. Emigrou com uma vaga de aventureiros, para França. Mas eram muitos. E um grupo de 60, aventurou-se para Ocidente e deu a terras de Vila do Conde e por lá se estabeleceu em diferentes comércios. Muitos chineses casaram com portuguesas. Mas o avô de Y Ping Sow deixara a mulher e filho na China. Só teve dinheiro para os ir buscar ... 25 anos depois. E foi. E, depois, continuou a família!
A Associação nasceu na década de 80. Foi promovida por interesse da Embaixada da República Popular da China. De uma Associação Nacional partiu-se para três regionais e, com o aumento da população, foram criadas (com objectivos diferentes) cinco: comercial, social, cultural, política e religião. As associações chinesas são diferentes das portuguesas, são ¿mais viradas para o interior¿, explica o presidente da associação comercial, Y Ping Show .
Para se darem a conhecer, trouxeram um calígrafo chinês, uma executora de pipa (um instrumento musical de cordas com um som específico e tradicional) fizeram mostras e venda de pintura e outros artigos chineses, dança dos dragões, demonstrações de Taichi (arte marcial) e gastronomia chinesa.
A excelência dos oradores do Painel Português, (falta referir o Dr. Júlio Pereira do ICODEPO ¿ Instituto para a Cooperação e Desenvolvimento de Portugal no Oriente, que por sua vez leu uma carta do Professor Nuno Grande e o Professor Dr. Machado da Silva da Universidade do Porto) leva a que desejemos profundamente que se repita a celebração do aniversário da República da China no Casino da Figueira. Para o próximo ano e também com casa cheia.
Maria João Carvalho
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