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Sexta-feira, Abril 27, 2007
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19:10
por Maria João Carvalho
O véu islâmico está a dividir de novo a Turquia agora por causa da perspectiva de uma possível primeira dama se recusar a tirá-lo e tornar-se num símbolo do Islão político.
Hayrünisa Gül, casada com Abdullah Güll chegou a reivindicar o uso permanente do véu no Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, nomeadamente nas fotografias do cartão da universidade e do bilhete de identidade. Depois desistiu da queixa.
O analista político Tarhan Erdem considera que a Turquia deve atravessar esta experiência. As consequências não são previsíveis. Mas a democracia não vai ser posta em questão.
Na verdade, seré que um homem casado com uma mulher que não larga o véu islâmico, pode ocupar o mais alto posto de poder num Estado laico?
Para muitos, isso representaria uma inegável marcha atrás em relação às reformas feitas em 1920 pelo pai fundador da Turquia, o amado Mustafa Kemal Atatürk, que proibiu mesmo o uso do turbante aos homens e desencorajou o porte do véu islâmico.
O chefe de Estado Maior, general Yasar Büyükanit afirma ser muito difícil conceber um comandante supremo das forças armadas turcas com uma esposa que usa o mesmo véu que é interdito às mulheres de todos os outros oficiais do exército. Os militares consideram-se o garante dos valores republicanos instituidos por Atatürk. O próximo presidente deve ser sinceramente leal aos princípios laicos da República, "por convicção e não simplesmente da boca para fora", insiste o general.
O chefe do Estado Maior do Exército também se pronunciou sobre o PKK - partido separatista curdo - no norte do Iraque, sublinhando a necessidade de "uma operação militar no Iraque". "
Reclamam mais firmeza do governo na luta contra o PKK.
O Exército entendia-se muito bem com o antigo presidente Ahmet Necdet Sezer, um acérrimo defensor da laicidade. A elite laica do país, à qual
pertencem os oficiais mais graduados e os magistrados, teme o rumo que o sucessor possa seguir.
com François Chignac para a EuroNews
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17:15
por Maria João Carvalho
A Directora de Candidaturas do MIT, o prestigiado Instituto Tecnológico de Massachusetts, demitiu-se, depois de admitir que adulterou o seu curriculum académico quando se juntou à instituição.
Marilee Jones, com três décadas ao serviço do MIT, é a protagonista do escândalo.
Jones anunciou a saída logo depois de ter sido confirmado que a responsável pela selecção das candidaturas falseou os seus graus académicos apresentados ao Instituto, anunciou o director de Ensino Universitário, Daniel Hastings.
Na confissão publicada na página da Internet do MIT, Jones admite que falseou o seu grau académico "quando me candidatei pela primeira vez ao MIT, há 28 anos, e não tive a coragem de corrigir o curriculum quando me candidatei para o meu emprego actual ou noutro momento qualquer depois disso", declara.
Jones, de 55 anos, é reconhecida por acalmar os alunos e tentar dissuadi-los da pressão de tentarem ser perfeitos.
Na sua declaração, Jones diz-se ainda "profundamente triste por desapontar tantas pessoas no MIT" e que a acompanharam ao longo dos últimos anos.
O jornal New York Times de hoje cita fontes do MIT que afirmam que Jones fingiu, várias vezes, ter graus académicos de instituições de Nova Iorque: Albany Medical College, Union College and Rensselaer Polytechnic Institute, diplomas que não existem, afirmam as mesmas fontes.
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Segunda-feira, Abril 23, 2007
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19:21
por Maria João Carvalho
O duelo Sarko-Ségo vai continuar. O centristra François Bayrou pode tornar-se no fazedor de presidentes, devido à terceira posição alcançada na primeira volta das presidenciais francesas. Já lhe chamam Queenmaker.
O conservador Nicolas Sarkozy e a socialista Ségolène Royal terão um fiel de balança na nova corrida presidencial pois, como diz o que ficou conhecido como homem do consenso: "há uma renovação política em curso".
A extrema-esquerda e o partido comunista deram a seua indicação de voto na candidata socialista.
No dia 6 de Maio há mais.
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18:49
por Maria João Carvalho
Morreu 'O Pai da Federação Russa'
Boris Nikolayevich Ieltsin, ou o homem que fica para a história como o pai da liberdade dos russos, segundo as palavras do seu sucessor Vladimir Putin.
Apesar de afastado desde 1999, a sua chegada ao cenário político encerrou a história das repúblicas soviéticas.
Nasceu nos Urais, no seio de uma família de camponeses. Foi um produto do comunismo, devendo a carreira ao aparelho de Estado. Homem de pulso firme, de carácter, chegou ao topo a escalar cada degrau que o separava do Kremlin.
Logo que Gorbatchev lançou as propostas da Glasnost e da Perestroika, Ieltsin passou a defendê-las com vigor. Era um ultra-reformista. Por isso, sofreu violentas pressões dos conservadores e bateu com a porta nos anos 90, ao abandonar o Partido Comunista.
Gostava de ser lembrado como o homem que, em cima de um tanque, fez gorar o golpe de Estado de 1991, enquanto Gorbachov passava "tranquilamente" férias na Crimeia (era forçado, pela força das armas, a ficar na "dacha"). Durante a crise, Ieltsin tornou-se o homem forte do país, sendo apenas uma questão de tempo até que Gorbachev fosse obrigado a afastar-se. A eleição democrática de Ieltsin como presidente da Federação Russa, foi um triunfo. Em plena sessão parlamentar, ditou as novas regras, o fim da URSS e do sistema. O Ocidente descobria Ieltsin.
Os tanques russos sempre o acompanharam. Foi com eles que, em 1993, reprimiu os deputados que se opunham às reformas, defendendo a democracia com as armas. A operação correu mal, e morreram 150 pessoas.
Fez jus à sua formação de velho comunista e voltou a reagir com violência em 1994, desta vez contra os separatistas da Chechénia. Uma guerra violenta e sangrenta que afectou a sua popularidade . Dois anos de guerra e quatro mil mortos depois, Moscovo assinou um cessar-fogo em 1996 que teve a aparência de rendição do exército russo.
Mas o "czar do Kremlin" tinha outra face: a do homem do campo que cantava a "kalinka", bebia um copo de vodka a mais, não escondia o desejo pelo sexo oposto, e fazia amizade com os líderes ocidentais, entre eles Bill Clinton.
Com a imagem já bastante afectada e depois do abandono dos parceiros liberais, Ieltsin surpreendeu todos ao renovar o madato em 1996, apoiado pelos nacionalistas.
Mas já estava impossibilitado de governar. Uma longa convalescença, depois de uma intervenção cirúrgica cardíaca, em Novembro do mesmo ano, e várias outras ausências,oficialmente "devido a resfriados", suscitaram dúvidas sobre a capacidade para cumprir o mandato.
Além da fragilidade do presidente, o isolamento político, o caos económico e uma vaga de escândalos financeiros e de corrupção no seio do Kremlin, forçaram o fim político do velho chefe. Finalmente, assegurando imunidade, cedeu o cargo a um desconhecido a nível internacional, Vladimir Putin.
Ieltsin foi o primeiro presidente eleito democraticamente na Rússia.
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Quinta-feira, Abril 19, 2007
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17:10
por Maria João Carvalho
As calinadas dos nossos Universitários:
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O 25 de Abril Um instituto superior da capital. 1º ano de Relações Internacionais. A cadeira é Ciência Política. O professor é um distinto deputado à Assembleia a República. A aluna, com rara convicção, explica ao examinador tudo o que se passou no 25 de Abril de 1974: "A revolução de 74 significou a queda de um regime militar dominado pelo Almirante Américo Tomás e pelo marechal Marcelo Caetano, que governava o país depois de deposto o último rei de Portugal, Oliveira Salazar.
"O 25 de Abril foi uma guerra entre dois marechais: o Marechal Spínola e o Marechal Caetano". Obviamente, chumbou.
Outra versão, ainda mais criativa, desta vez numa universidade privada de Lisboa. É ainda uma senhora a responder, longos cabelos loiros, 3ºano de Relações Internacionais:
- Descreva-me brevemente o que foi o 25 de Abril de 1974.
- Foi um golpe levado a cabo pelos militares, liderados por Salazar, contra Marcelino (sic) Caetano.
- (O professor, já disposto a divertir-se) E como enquadra o processo de descolonização nesse contexto?
- Bem, a guerra em África acabou quando Sá Carneiro, que entretanto subiu ao poder, assinou a paz com os líderes negros moderados. Foi por causa disso que ele e esses líderes morreram todos em Camarate.
- Já agora, pode dizer-me quem era o presidente da República Portuguesa antes de 1974?
- Samora Machel.
Conta quem assistiu à oral que o professor quase agrediu a aluna.
Um último ponto de vista sobre a revolução dos cravos, prova oral da cadeira de Direito Constitucional, uma universidade privada da capital:
- O que aconteceu no 25 de Abril foi o início do regime autoritário salazarista. Mas quem subiu ao poder foi o presidente do então PSD, Álvaro Cunhal, que viria a falecer em circunstâncias misteriosas no acidente de Camarate.
A Monarquia Quais são as batalhas mais importantes da história portuguesa?
- Antes de mais, senhor doutor, a batalha de Alves Barrota.
O exame terminou aqui.
Era um aluno de uma faculdade estatal lisboeta, questionado para o efeito, "O último rei de Portugal foi Américo Tomás".
Universidade privada em Lisboa, 2º ano de Relações internacionais. O aluno na oral insiste que "Marcelo Caetano foi último rei de Portugal".
Uma professora de Direito Constitucional numa universidade privada do Porto questiona o aluno sobre a Constituição de 1933. Esta consagra a impossibilidade de os descendentes da casa de Bragança se candidatarem à presidência da República.
- "Diga-me lá porque é que D. Duarte, segundo a Constituição portuguesa de 1933, não poderia candidatar-se à presidência da república?"
- "Porque ele é actualmente o presidente português."
Noutra resposta à mesma pergunta, que esta professora recebeu:
- "Porque vivemos num sistema monárquico".
Ainda os obscuros incidentes da governação, numa universidade privada do Porto, curso de Direito:
- Como é que são assegurados os trabalhos da Assembleia da República entre 15 de Julho e 15 de Outubro?
- Quase não há trabalhos durante o Verão. Os únicos trabalhos que há da Assembleia, durante o Verão, são umas reuniões na casa do Dr. Mário Soares, no Vau. Mas é sempre difícil fazer as reuniões, porque a casa é muito pequenina e tantos políticos juntos provocam muitos problemas de segurança. Pela crença imaginativa, a professora quase passou a aluna em causa.
Mais uma divagação sobre a pessoa e obra do Dr. Mário Soares. O cenário é uma universidade privada do Norte, curso de Direito. Responde um cavalheiro. A época, era ainda presidente o patriarca Mário.
- Explique-me como se encontra o sucessor do Dr. Mário Soares, quando este terminar o seu mandato.
- Isso já se sabe quem é.
- Ai sim?
- É o Dr. João Soares.
- E como justifica essa escolha?
- Porque é o descendente.
Uma universidade privada em Lisboa, 1997. A correcção manda que se diga que "as leis são emanadas pela Assembleia da República". Discorrendo sobre o processo legislativo, um aluno responde que "as leis vêm em manadas da Assembleia da República".
Soberania e Política Externa Nos exames orais da cadeira de Direito Internacional, é frequente os alunos defenderem convictos a teoria de que continuamos a ser um império, referindo-se aos PALOPS como sendo actualmente "as nossas colónias".
Cadeira de Política Internacional, uma universidade privada de Lisboa.
- Fale-me da política externa portuguesa durante a Guerra Civil de Espanha.
- Salazar apoiava Franco.
- E qual era a razão desse apoio?
- O facto de o maior aliado de Franco ser à época a União Soviética. E também porque os maiores bastiões do comunismo na Europa desse tempo eram Hitler e Mussolini.
História Prova Oral de Política Internacional, 3º ano de Relações Internacionais, uma universidade privada de Lisboa. O professor questiona o aluno sobre o tratado Ribbentrop-Molotov.
- Como se chamava o tratado germano-soviético de não-agressão?
- (Silêncio total...)
- (O professor tenta ajudar) O primeiro nome do tratado é Ribbentrop.
- Aaaaaah....
- Então?
- (Novo silêncio...)
- (O professor, em desespero) O segundo tem nome de pudim...
- Ah! É o Flan!
Para os universitários do país, Maquiavel é personagem tão polémica como misteriosa. Mais dois exemplos:
- De quem era contemporâneo Maquiavel?
- De Aristóteles, por exemplo.
Um exemplo de chumbo rotundo:
- Explique-me o que defendia Maquiavel, com precisão e em pormenor.
- Queria uma Itália unida e sem padres. (A resposta do aluno consistiu na repetição exaustiva desta frase.)
Para alguns dos alunos de um instituto superior lisboeta, a nacionalidade do Papa "é russa".
A pergunta "quando acabou a Segunda Guerra Mundial", muitos respondem "não sei".
Já numa universidade privada do Porto, durante uma prova oral, um aluno preferiu situar a Segunda Guerra Mundial "no século dezanove". O professor, disposto a levar o caso até às últimas consequências, pede-lhe para se explicar um pouco melhor. Inquebrantável, o aluno responde: "É mesmo no final do século. Logo a seguir, começa o século XX, em 1950".
1º e 2º ano do curso de Relações Internacionais, uma universidade privada de Lisboa. 1988/1996. Algumas preciosidades.
- Quem é o actual presidente dos Estados Unidos?
- O Perez Troika.
- Paris é a capital de que país?
- Bruxelas.
- Quando foi a Revolução Liberal em Portugal?
- Em 1640.
- Diga-me por favor o que é a NATO.
- É a Organização do Tratado do Atlântico Norte.
- E a OTAN?
- (O examinado, depois de pensar demoradamente) Bem, aí a doutrina divide-se.
O Nazismo Hitler é também personagem histórica altamente controversa nas universidades portuguesas. Três exemplos:
- Então diga-me lá qual era o nome próprio de Hitler?
- Heil.
- Minha senhora, em que época histórica situa Adolfo Hitler?
- No século XVIII, senhor professor.
- Tem a certeza?
- Não! Desculpe. No século XVII.
- Quem foi o grande impulsionador do nazismo?
- (O aluno, rápido e incisivo) O Fura João Hitler.
- O "Fura"?
- Sim. É a designação hierárquica de Hitler.
E ainda, numa outra oral. Cadeira de História das Ideias Políticas e Sociais.
- Qual é a obra de fundo de Adolfo Hitler?
- É a Bíblia alemã.
E um triste destaque:
- Pode dizer-me o que é um genocídio?
- É a morte dos genes.
- Como?
- É a morte dos genes e dos fetos.
Geografia e Demografia Cadeira de Direito Internacional Público, uma universidade privada portuense. O professor, desesperado com a vacuidade das respostas de certo aluno em orais da especialidade, resolve tentar ajudar, recorrendo à geografia. Pior a emenda que o soneto. Questionado sobre a localização da Escandinávia, o aluno responde que fica algures na Ásia. O examinador, rendido, brinca agora.
- Podemos então passar a chamar-lhe Escandinásia.
- Se calhar, senhor doutor.
- Não sabe que a Escandinávia fica na Europa?
- Pois é, tem razão!
- E fica a Norte ou a Sul?
- A sul.
- E sabe apontar-me alguma característica dos escandinavos?
- (O aluno, depois de longa pausa) Bem, eu acho que eles não são pretos.
Curso de Segurança Social, uma universidade privada lisboeta.
- Diga-me lá porque é que a taxa de natalidade é menor nos países desenvolvidos.
- Porque se trabalha mais do que nos países subdesenvolvidos.
- Ai sim?
- E tem-se menos tempo.
- Menos tempo para quê?
- (O aluno, hesitante e já embaraçado) Menos tempo para fazer amor.
Economia Oral numa universidade privada lisboeta.
- Qual é o mais importante produto vegetal do continente africano?
- O marfim.
Outra oral, na mesma universidade. Uma senhora de sotaque afectado e curvas bem feitas responde.
- Dê-me um exemplo do papel das multinacionais na política externa dos países desenvolvidos.
- Os Estados Unidos da América e a República das Bananas.
- (O examinador, engasgando-se) Como?
- Os Estados Unidos e a República das Bananas.
- Pode dizer-me onde fica a República das Bananas?
- Na América do Sul.
- Muito bem. Já agora, como se chamam os habitantes dessa República?
- Os bananos.
- (O examinador, cada vez mais estupefacto) Porquê?
- (A aluna, por momentos hesitante, mas sempre sincera) Deve ser porque são tão parvos, tão parvos, que até deixam as multinacionais instalarem-se lá.
Mais tarde, na mesma sessão de orais, desta vez com um aluno, bastante nervoso.
- Como se chama o grupo dos sete países mais industrializados do mundo?
- Jet-Set.
Direito Porto, uma universidade privada.
- Dê-me uma definição de dolo.
- É o diminutivo carinhoso de Dolores.
Faculdade estatal, em Lisboa. Uma fórmula muito utilizada para terminar as orais de Direito é a frase cristalina "Fez o seu exame". Ainda aturdido com a pressão da prova, um aluno responde trémulo à afirmação: "Bem, essa não sei".
Universidade privada, em Lisboa. Exame oral de Processo Civil, 3º ano.
- Descreva-me a constituição de um tribunal colectivo.
- Bom, senhor professor, há o juiz presidente e os juizes presidentes das comarcas "limitrofs".
- (O professor, impassível) Acaba de fazer o seu exame de russo. No de português, chumbou.
Faculdade de Direito de Lisboa. É procedimento habitual nas faculdades de Direito o professor terminar a exposição de casos práticos nas provas orais com a expressão "quid juris?" ("o que é de direito?"). Em anos consecutivos de prestação de provas orais com o mesmo professor, uma aluna respondia ao "quid juris" do examinador com um misterioso "obrigado". Ao 3º ano do curso, questionada, pelo cada vez mais estupefacto examinador, a aluna respondeu que julgava que a expressão em latim significava um amistoso "boa sorte".
Direito Constitucional, uma universidade privada em Lisboa.
- Dois ministros podem aprovar o mesmo Decreto-Lei?
- Só se for em jantar de família, com as respectivas mulheres.
- E porquê as mulheres?
- Para haver quorum mínimo de aprovação.
Prova oral do 1º ano de Direito Constitucional, Faculdade de Direito de Lisboa.
- Quais são os órgãos de soberania, segundo a nossa Constituição de 1986?
- São o Presidente da República, o Governo, osTribunais... aaaaah... aaaaaah...
- Então a senhora não lê o Diário da República?
- Exactamente, senhor professor, o Diário da República é o órgão que faltava!
A mesma faculdade. Cadeira de Direito do Trabalho. Questionado acerca de exemplos de acidentes de trabalho, o aluno, em raciocínio estonteante e sinceridade insuspeita, responde: "o trabalhador cair na banheira de manhã, enquanto toma banho". E acrescenta: "É obrigação da entidade empregadora indemnizar o trabalhador por este acidente".
Universidade privada da capital. Cadeira de Direito Constitucional. A pergunta é: "porque é que o nosso Estado é um Estado de direito, um Estado democrático?". O professor espera, como é suposto, que o aluno utilize referências bibliográficas, recorrendo a constitucionalistas com livros publicados. O aluno esboça um sorriso, satisfeito com o toque contemporâneo da sua resposta: "bem, como dizia o engenheiro António Guterres na campanha eleitoral...". A campanha de passagem de ano termina por ali.
Introdução ao Estudo do Direito, Faculdade de Direito de Coimbra, Junho. Primeira pergunta do exame.
- Pegue no Código Civil e leia o artigo 32.
- O Código Civil?
- Sim, o Código Civil.
- Bem, Sr. professor, isso é que ainda não tive oportunidade de comprar.
Universidade privada lisboeta. Exames orais de Política Internacional II. O examinador, à beira de um ataque de nervos, lança a pergunta da derradeira salvação:
- O que é que Marx pensava da religião?
Resposta lapidar da aluna bonacheirona.
- Bom, ele pessoalmente não era uma pessoa religiosa, mas não se importava nada que cada um tivesse a sua religião.
O professor, em gozo discreto, resolve retorquir:
- Então, Marx é como o Dr. Mário Soares?
A aluna mais confiante:
- Exactamente.
Um intervalo de Medicina, oral na Faculdade de Medicina de Coimbra.
- Minha senhora, diga-me por favor qual é o órgão do corpo humano que dilata até sete vezes o seu tamanho normal. A aluna retorce-se, transpira, cora indecentemente. Decide mesmo recusar-se a responder à pergunta. Numa sucessão de respostas infelizes a outras questões, acaba por chumbar. Na oral imediatamente seguinte, o professor resolve insistir na pergunta.
- Minha senhora, qual é o órgão do corpo humano que dilata até sete vezes o seu tamanho normal?
- (A aluna, respondendo prontamente) É a íris, senhor professor.
- (O examinador, com um sorriso largo) Por favor diga à sua colega que vai ter muitas desilusões ao longo da vida.
E um significativo caso avulso, exame numa universidade privada de Lisboa, 1990.
- Dê-me um exemplo de um mito religioso.
- Um mito religioso? Sancho Pança. (estupefacto, o professor pede ao aluno para este escrever o que acabou de dizer. O aluno escreve no papel: "S. Xupanssa").
Um aluno quando questionado sobre o significado da sigla ZEE responde, Zona Económica Europeia. Estupefacto, o professor pergunta-lhe como é que é nos EUA: Isso é fácil Sr. Professor. É a ZEA, Zona Económica Americana.
Numa oral de Relações Internacionais o professor pergunta ao aluno onde é que ficam os Estados Balcânicos. Resposta pronta do aluno: No Báltico.
Esta passou-se na Universidade Lusíada, no final do anterior ano lectivo. Na cadeira de "Introdução ao Direito" iam realizar-se exames orais. Tal como muitas outras cadeiras, esta também tem os seus professores que são uma espécie de monstros sagrados. Daqueles que dão um sete e são capazes de dizer que um sete já é uma nota muito boa... Uma pergunta típica dos exames orais desta cadeira é: " À luz do Direito, qual é a diferença entre você e uma vaca?" A pergunta serve como provocação. Mas a resposta é elementar...
Pois lá apareceu uma daquelas alunas que vinha tentar fazer a cadeira pela terceira vez... Um daqueles professores tipo monstro sagrado começou por perguntar: "À luz do Direito, qual e a diferença entre você e uma vaca?
" A aluna hesitou um pouco mas depois respondeu com à vontade: "Apalpe-me as mamas!"
O professor ficou perplexo, "- Como?!"
"Apalpe-me as mamas!" - repetiu a aluna tranquilamente.
"Você tem a noção do que está a dizer?!"
"Claro. Quando me estão a foder, gosto que me apalpem as mamas!"
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16:00
por Maria João Carvalho
Quinta-feira, 19 de Abril de 2007
Lula vê indígenas como entrave, critica líder de Associação dos Índios
19 de Abril de 2007 - Revista Veja
O vice-presidente do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Saulo Feitosa, afirmou que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva vê a questão indígena como um problema. "Infelizmente, o governo Lula reproduz na sua política o mesmo que governos anteriores fizeram em relação aos povos indígenas", disse, segundo o UOL News. O Cimi é ligado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
A crítica aparece justamente na data em que é celebrado nacionalmente o dia do índio. Feitosa apontou diversas questões pendentes em relação ao tema. Entre elas, estariam a aprovação pelo Congresso do Estatuto dos Povos Indígenas, pendente há 12 anos; a instalação da Comissão Nacional de Política Indigenista, criada em março de 2006; a demarcação de terras, promessa da campanha de Lula; e o enfrentamento de temas como desnutrição. Segundo a Fundação Nacional de Saúde (Funasa), entre 2005 e fevereiro de 2007, a carência alimentar matou 47 crianças menores de quatro anos das tribos guaranis e caiuás no Mato Grosso.
Feitosa tem ainda outras críticas a Lula. Segundo ele, ao anunciar o lançamento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o presidente teria dito que os índios eram um "entrave" ao desenvolvimento do país.
Recentemente, o ministro da Justiça, Tarso Genro, confirmou o nome do novo presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), o historiador Márcio Meira. É uma das poucas medidas elogiadas pela Cimi. "O novo presidente tem um perfil indigenista e, através do seu discurso, tem se revelado bastante sensível; ele afirma querer desenvolver uma política onde os povos indígenas passarão a ser ouvidos - o que não aconteceu no primeiro mandato do governo Lula."
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12:34
por Maria João Carvalho
Miguel Sousa Tavares in Expresso:
"(...) Nenhum aluno que tenha feito um curso a sério numa Universidade a sério teve, no ano de licenciatura, cinco cadeiras, das quais quatro dadas pelo mesmo professor; nenhum aluno se esqueceria do nome dos professores, para mais se só teve dois; nenhum aluno acreditaria que era possível ser membro do Governo e simultaneamente concluir uma licenciatura com aulas nocturnas e fazendo o ano com média de 17; nenhum aluno viu um professor dar-lhe as notas durante as férias de Agosto, e logo quatro no mesmo dia; nenhum aluno tem um certificado de curso passado durante as férias, num domingo, e assinado pelo reitor e pela filha, na qualidade de directora administrativa (típico de Universidade de vão de escada). (...)"
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Terça-feira, Abril 17, 2007
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18:22
por Maria João Carvalho
Ontem, a RTPi apresentou uma reportagem do Paulo Dentinho sobre uma ida do Sarkozy à Rádio Alfa, em Paris, mas...mistério...do candidato só se viram as primeiras imagens...da entrevista...nickles... viu-se o Dentinho, de perfil, dentinho em pormenor, até...botões de punho em destaque, com ar atento a ouvir a rádio do taxi... e depois...uma entrevista do repórter a...Mário Barroso, o cineasta, da família, sim...pelo menos, assim foi apresentado: da família de Mário Soares. Devia querer dizer da Dra Maria Barroso...
Enfim: pergunto apenas porque foi apresentada uma entrevista da qual não foi visto um único excerto? Porque apresentaram uma pessoa a dar a (má) opinião sobre o candidato?
Ele há razões que a razão desconhece...
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Segunda-feira, Abril 16, 2007
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19:09
por Maria João Carvalho
Os números do horror.
A ONU lança o alerta: uma nova crise humanitária ameaça o Médio Oriente se os Estados Ocidentais não agirem rapidamente em prol dos quatro milhões de iraquianos desalojados por causa da guerra. É o maior êxodo na região desde a fuga dos palestinianos depois da criação do Estado de Israel em 1948. Mensalmente, 50 mil pessoas abandonam as suas casas devido ao conflito.
Muitos refugiados chegam a Damasco, a que deram o nome de pequena Bagdad. Mas como se vê, vivem encurralados em pequenos abrigos provisórios, com os preços sempre a aumentarem. O estatudo é de "convidados", não podem trabalhar, não tendo por isso rendimentos nem perspectivas de futuro.
Calcula-se que estejam, na Síria, um milhão e duzentos mil refugiados iraquianos. Damasco já acolhia 432 mil desalojados palestinianos. Na Jordânia, que acolhia quase dois milhões de palestinianos, estão 800 mil iraquianos.
Beirute também não tem capacidade para acolher mais do que os quase 50 mil iraquianos que se juntaram aos 404 mil palestinianos que viviam no Líbano.
Estão ainda 100 mil no Egipto e 54 mil no Irão.
No interior do Iraque há cerca de dois milhões de deslocados de guerra.
No entanto, quatro milhões de iraquianos foram obrigados a mudar de aldeia ou vila para fugir aos combates e à violência sectária. A ONU e a Amnistia Internacional solicitam donativos, não só para os refugiados como para os países anfitriãos. Na Síria, 27 por cento dos refugiados iraquianos sobrevivem nos campos graças à ajuda humanitária.
Mas o problema dos deslocados é diferente do dos refugiados. Um milhão e novecentos mil são considerados deslocados; a esses devem juntar-se os 300 mil que regressaram ao Iraque depois da queda de Saddam. É uma prioridade ajudá-los antes de eles fugirem para os países vizinhos, mas a violência diária complica o trabalho das organizações de assistência humanitária no terreno.
p/ a EuroNews
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18:52
por Maria João Carvalho
É quase obrigatório reproduzir o trabalho do Correio da Manhã sobre o José Esteves, o terrorista. Decididamente, a República precisa de ajuda!
CM:
Alegar atentados em aviões não é a única especialidade de José Esteves, o homem que garante ter fabricado a bomba que matou Sá Carneiro. Só no último mês está acusado de ter feito em chamas dois carros dos vizinhos e de incendiar a sua própria ervanária, em Lisboa. A PSP já foi chamada por ter amarrado a namorada nua à cama " e, na noite em que o apanharam na rua com três facas e uma catana, insultou a polícia e avisou conhecer gente importante. Já foi detido e internado. Mas hoje continua à solta.
Quando a PSP chegou à porta do número 13 da rua João Penha, Lisboa, pouco passava das 16h30 de 20 de Março, já um Mercedes estava tomado pelas chamas. Valeu o esforço dos Sapadores, "com a ajuda dos populares e de extintores", para que se conseguisse extinguir o incêndio, apurou o CM junto de fonte policial.
E "refugiado em casa", no prédio ao lado, continuava José Esteves, 53 anos, conhecido da polícia " e que, "no instante em que foi dado o alarme na rua, passou a correr junto ao carro com um objecto amarelo e gritou ao dono do mesmo que andava por aí a Mossad. Para ter cuidado...".
No dia anterior "foi incendiada outra viatura na rua e com o mesmo "modus operandi", pelo que José Esteves, mais conhecido do grande público como o vidente "SôZé", das suas passagens pela televisão, foi no mesmo dia detido pela PSP e entregue à Polícia Judiciária. Voltou à rua, acabou internado compulsivamente no Hospital Curry Cabral, já no último dia 3 "mas saiu e, de cajado em punho, "como é seu hábito, andava a passear pela rua na última semana".
Entre comerciantes e vizinhos da rua "o silêncio é de ouro", mas nem só ali se fazem sentir os estragos de José Esteves. E na madrugada de 14 de Março, uma semana antes de incendiar os automóveis, foi a vez de a sua ervanária ser tomada pela fúria das chamas.
"SôZé" foi contactado pela PSP, respondeu não estar "preocupado com isso" e na origem do incêndio esteve "um balde com combustível no interior, ervas e várias velas à volta", o que indicia os seus "rituais de culto".
Ainda este ano, em 18 de Janeiro, Esteves partiu para uma discussão com a mãe da namorada, no Centro Comercial das Amoreiras, passando para os "gestos obscenos e insultos" e pelas ameaças de "espetar uma faca de ponta e mola, que exibiu". Só foi parado "pela força dos seguranças" e ainda "atirou a faca para um caixote", de onde a PSP a recuperou.
Mas já em 2005 a relação de José Esteves com a namorada não seria a mais saudável e, em Junho, a polícia e a tripulação de uma ambulância foram chamados à rua João Penha. A namorada, hoje com 43 anos, estava esticada na cama, "completamente nua e com os pulsos amarrados por uma corda".
Tinha várias escoriações, nódoas negras e estava bastante sonolenta, pelo que "foi accionada uma ambulância do INEM". Mas era afinal uma medida "preventiva", segundo terá dito o "SôZé", porque ela se tornara "bastante agressiva" depois de uma noite com ele. E daí amarrá-la.
José Esteves contabiliza ainda um cheque sem provisão a uma funcionária sua, em 2005, facto menor comparado com "ameaças" e a tinta que atirou à porta e com que conseguiu fechar um conhecido bar em Lisboa, em Outubro do ano passado.
MALA CHEIA DE FACAS E CATANA
Os gritos de José Esteves faziam eco entre as ruas da Bombarda e das Olarias, Lisboa. Os moradores descreveram um homem de t-shirt às riscas e na posse de armas. Era madrugada de 29 de Junho do ano passado e a PSP foi encontrar um Mercedes de mala aberta. Justificou que estava ali "para os matar a todos [leia-se traficantes]".
Esteves ameaçou a PSP e, logo depois de o algemarem, os agentes contabilizaram o arsenal. Uma faca de arremesso com 23 centímetros; uma faca com 27; outra faca, tipo canivete, com 19; uma catana com 13 centímetros de cabo e 38 de lâmina; uma arma de ar comprimido e mira telescópica; dois sacos de pólvora negra; chumbos " e, só para enfeitar, um isqueiro a imitar na perfeição uma granada.
PORMENORES
GUERRILHEIRO
José António dos Santos Esteves foi guerrilheiro em Angola e em Portugal passou a operacional dos Comandos de Defesa do Continente (CODECO), a rede bombista de direita nos anos de brasa a seguir ao 25 de Abril. Foi guarda-costas de Freitas do Amaral nas presidenciais em 198, e arguido no processo da morte de Sá Carneiro, em Camarate, na noite de 4 de Dezembro de 1980. Chegou a ser ouvido numa comissão de inquérito na Assembleia da República, numa altura em que era ainda detective privado.
PRESO PELA PJ
No último mês de Novembro, depois te ter confessado a autoria da bomba que matou Sá Carneiro, Esteves foi detido e interrogado pela Direcção Central de Combate ao Banditismo da Polícia Judiciária e presente ao Tribunal de Instrução Criminal. Mas foi ouvido e saiu em liberdade.
MULTIFACETADO
Primeiro José Esteves, depois vidente, usava o nome de "SôZé", participando nas ¿Noites Marcianas¿ e noutro programa, na SIC, com Herman José. Foi segurança na Universidade Moderna. Passou a ganhar a vida como bruxo e, mais recentemente, converteu-se ao islamismo. Gosta de se vestir à professor Karamba e já ganhou a vida a treinar papagaios. Uma vez, vestido de árabe, anunciou fazer explodir a Procuradoria.
INIMPUTÁVEL
Contactada pelo CM, fonte judicial adiantou que há uma grande possibilidade de José Esteves ser ¿inimputável¿ (não responsável pelos seus actos devido a doença mental), razão pela qual está em liberdade.
Trabalho assinado por João de Almeida Ferreira para o jornal Correio da Manhã
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Quarta-feira, Abril 11, 2007
Enviado às
17:52
por Maria João Carvalho
Saudade do mano Pedro (Raposo)...a fazer o segundo Doutoramento no Japão, onde já se tinha doutorado em Economia;
Em baixo, a foto de Pedro e da sua gémea Patrícia (de Medeiros), pintora, com a irmã mais velha...
giro, nesta família, é que escolhemos apelidos diferentes
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Quinta-feira, Abril 05, 2007
Enviado às
21:07
por Maria João Carvalho
Quando o António Sala fazia digressões pelos Casinos de Portugal contou, no Peninsular da Figueira, uma história para ilustrar o problema do desemprego que se vivia há uma vintena de anos (e é endémico) mas que serve também para demonstrar a fiabilidade de uma instituição académica.
Eu não sei contar com tanta graça...mas aqui vai:
Um rapaz, acabadinho de formar no Técnico, foi a um circo pedir um emprego. Acabaram por o apresentar ao domador de leões que, não tendo mais nada, lhe estendeu um fato de rei da selva.
Entrar na jaula não foi nada comparado com o estalar do chicote que o obrigava a saltar do tamborete para a arena com os outros cinco leões.
Assustadíssimo, encolheu-se, gemendo:
- Mas eu sou um mero diplomado em engenharia com fome, não quero morrer!
Estupefacto, ouve uma foz do fundo de um outro fato de veludo:
- Deixa lá que nós também, todos formados no Técnico.
Na altura, não havia verdadeira engenharia civil fora do Instituto Superior Técnico.
Ora, quando passou a haver, os CV's deviam especificá-lo bem.
Isto é o mínimo.
Outra história. Só que esta é verdadeira, e deu dois anos de prisão efectiva ao seu autor.
Não é certo que tenha sido em 1978, mas foi mais ano menos ano.
Advogava, na Figueira, um licenciado em Direito que fez as cadeiras do curso todo, exames e estágio. Era bom colega. No prédio em que vivia, tinha residência um outro que talvez tivesse mau perder nalguma causa e terá vasculhado o passado até encontrar a falha:
Para ser admitido na Faculdade de Direito sem o exame final de aptidão, era necessário obter-se 14 valores nas disciplinas nucleares, no Latim e em Filosofia, por exemplo. Mas na altura, havia as Pedagógicas na Universidade de Letras, um ano que dava para leccionar no liceu e era equiparado a um curso superior.
Pois foi isso que o advogado da Figueira engendrou: um diploma das Pedagógicas que não fez.
Tudo o resto foi "direitinho" (tal como um parlamentar do PS duas décadas depois... só que sem a mesma cobertura).
O comportamento do estudante e do advogado foi exemplar até que a Ordem recebeu a informação, enviou polícia e juizes lá a casa, lhe retirou a carteira e os clientes. O tribunal obrigou-o cumprir prisão efectiva de dois anos.
Não se discute aqui a questão do primeiro-ministro ter bacharelato, mestrado e equivalências, licenciatura, ou "o diabo a sete".
O primeiro-ministro deve apresentar-se com uma honestidade intelectual irrepreensível, quando fala tanto em transparência.
Além do mais, "o país de doutores" precisa de mudar de mentalidades.
Portugal não precisa de um engenheiro, mas de milhões deles...e eles saiem do país todos os dias para ganharem melhor no estrangeiro. Também fazem falta todos os Doutores, com doutoramento, que o país obriga a pós-doutorarem-se internacionalmente se quiserem investigar, pois as universidades portugueses pouco oferecem.
Portugal necessita de um bom primeiro-ministro. Independentemente da questão de saber se o tinha ou não tinha até agora.
Portugal precisa JÁ... porque algo está muito errado "no país que não se governa nem se deixa governar", como disse Caius Julius Caeser (100-44 AC).
No pós-25 de Abril, estava um gracejo anarca escrito numa parede do aeroporto da Portela que dizia: "o último a sair que apague a luz".
Infelizmente, três décadas depois, o país vota Salazar e avia as malas como se estivesse em permanente saldo.
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Quarta-feira, Abril 04, 2007
Enviado às
18:56
por Maria João Carvalho
Confrontos marcam último dia da campanha eleitoral em Timor (mjc p/ a EuroNews)
Neste último dia da campanha eleitoral para as presidenciais em Timor, continuam a ser registados diversos confrontos, tendo a segurança sido reforçada em Dili. Há 19 feridos no hospital e foram estabelecidos vários postos de controlo nas artérias principais para a evitar o cruzamento entre as campanhas adversárias.
Os elementos da Polícia das Nações Unidas em Timor (UNPol) foram obrigados a intervir na Estrada de Comoro - que liga o aeroporto ao centro da capital - junto à embaixada da Austrália, devido ao lançamento de pedras na altura em que passava a caravana da Fretilin.
Os soldados da GNR detiveram dois activistas mas não sabem quantos mais foram detidos pelos outros elementos da UNpol.
Os principais favoritos na corrida presidencial timorense são o primeiro-ministro José Ramos Horta e um dos líderes históricos da FRETILIN Francisco "Lu-Olo" Guterres.
Ramos Horta já declarou que, se ganhar sem uma larga maioria"carregará uma cruz de pau muito pesada". Os apoiantes da candidatura cumprimentam-no pacificamente, com sorrisos, beijos ou bandeiras, pois é a manutenção da paz que ele promete e a construção do país, lenta, mas continuada.
Na campanha do rival, as manifestações têm sido menos amistosas: foram jovens apoiantes de Lu Olo que se envolveram nos confrontos de hoje.
A FRETILIN canta a necessidade de mudança. Mas tem pressa.
O eleitorado está apreensivo. Desde que um terço dos militares passou à reserva que a violência grassa periodicamente em território timorense. O próprio presidente cessante Xanana Gusmão já disse, a propósito, que tinha sido mais fácil ser guerrilheiro do que presidente.
Mas, como comenta um cidadão "é preciso ter esperança que o novo presidente consiga melhorar a situação".
No dia 9 de Abril as eleições serão acompanhadas por 180 observadores internacionais.
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Terça-feira, Abril 03, 2007
Enviado às
19:41
por Maria João Carvalho
Estatégia de defesa nacional causou crise política na Ucrânia: o primeiro-ministro não está interessado em ter o país como alvo das ameaças nucleares se tiver escudos norte-americanos de defesa no território. Se houver ofensivas, os estragos podem atingir facilmente a zona...com sistema de defesa ou sem...
Mas esta opinião separou-o irremediavelmente do presidente e o confronto entre ambas as partes ultrapassou a habitual barreira entre a linha pró-ocidental (com que se identificava o presidente) e a linha pró-russa (do primeiro-ministro).
O presidente da Duma, Boris Grislov, explica que a batalha pelo poder deixou de ser uma questão de concorrência, é uma confrontação para ambas as partes, e, tal como antes, também se faz nas ruas.
Em Outubro e Novembro de 2004, a seguir a uma fraude eleitoral e à pressão popular da Revolução Laranja, o Supremo Tribunal anulou o resultado que dava como vencedor o que agora é chefe de governo, Ianoukovitch.
Iushchenko, sob a bandeira da Europa, do liberalismo e o apoio dos Estados Unidos, conseguiu a presidência, prestando juramento em 2005. Designou como primeiro-ministra a controversa heroína do povo Iulia Tymochenko. Mas o idílio durou apenas oito meses. Depois de graves acusações de corrupção e manobras políticas diversas o governo foi destituído.
A divisão do país tornou-se evidente: de um lado os defensores da revolução laranja a quererem responder ao apelo do Ocidente e da NATO; do outro, os portadores das bandeiras azuis pró-Ianukovich a alinharem pela Rússia e pelos países da CEI, mas também pela Europa alargada.
Em Março de 2006, Iushchenko sofreu a derrota nas legislativas e a coligação laranja foi ultrapassada pela azul. Foi o início da crise política actual.
A 6 de Julho, o pequeno partido socialista da aliança laranja rebelou-se e aderiu ao campo pró-Ianukovitch, que assim obteve a maioria. No entanto, um Pacto de União Nacional salvou a situação e Iushchenko nomeou o rival como chefe do governo, em Agosto.
A coabitação foi, no entanto, caótica.
Em Setembro, o novo primeiro-ministro anunciou uma pausa no processo de integração do país na NATO, por causa das manobras na Crimeia, um exercício conjunto americano e ucraniano, no qual a Aliança Atlântica negou envolvimento.
O presidente não gostou. Em Janeiro deste ano, o chefe da diplomacia, um pró-ocidental da corrente laranja, demitiu-se.
Agora, a decisão do presidente Iushchenko parece uma desesperada tentativa para se manter no poder. "É necessário dissolver o Parlamento - justifica - para salvar a oposição, sem a qual a democracia é impossível".
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Peça que fiz para a EuroNews com François Chignac e Piotr Fyodorov
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