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Segunda-feira, Junho 25, 2007
Enviado às
19:00
por Maria João Carvalho
Darfur: "o silêncio mata"
Em crise desde 2003, o Darfur está na origem da mais grave crise humanitária do mundo actual. O governo sudanês recusa dar a independência a um território do tamanho da França. A nível internacional, esforça-se por catalogar como étnico-religioso um conflito do qual surgem cada vez mais provas de ser fomentado pelo governo de Cartum. O ex-presidente da ONG "Médicos Sem Fronteiras" considera que para resolver o conflito vai ser preciso investir mais do que o esforço da Conferência de Paris ou de Sarkozy... "são os sudaneses que têm de resolver isto", afirma Rony Brauman. "A comunidade internacional apenas pode ajudar os beligerantes a juntarem-se para discutir. A ideia é pressioná-los a chegar a um acordo de paz, e um acordo de paz nunca se pode impor".
Nesta região de 500 mil km2, particularmente desértica, vivem populações árabes com tradições nómadas donde saíram os temíveis janjawids que massacram os aldeãos, incendeiam casas e matam o gado com o apoio dos helicópteros do governo sudanês - o que Cartum nega.
As tribos africanas sedentárias e não árabes estão a organizar uma resistência, , o SLA, mal armada e treinada, mas com voluntários motivados por elevados índices de mortalidade nas famílias. Querem estabelecer um Sudão livre e democrático.
A água, a terra e, principalmente, o petróleo fazem do Sudão uma potência cobiçada - em 2005, produziu 400 mil barris por dia, o que não desagrada aos americanos e que os chineses têm aproveitado. 6 por cento do consumo chinês é alimentado pelo Sudão.
Para restringir a faculdade de Cartum para financiar continuamente matanças, bombardeamentos e limpezas étnicas, o Conselho de Segurança das Nações Unidas deverá introduzir um fundo de investimento petrolífero de obrigações como propõe a Aegis Trust e a Human Rights Watch.
O conflito já matou 200 mil pessoas, desde 2003, e fez dois milhões e meio de deslocados de guerra que sobrevivem em condições em condições de precariedade absoluta.
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Sexta-feira, Junho 15, 2007
Enviado às
18:23
por Maria João Carvalho
Hoje deixei um post- comentário no blog da co-autoria do meu amigo e camarada de tarbalho António Neves da Lusa. Transcrevo o seu post e o meu comentário, porque a discussão é actual e quero especificar porque defendo a manutenção da Portela, apesar da construção de outro aeroporto (independentemente da localidade).
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Portela? Não, obrigado
Publicado por Antonio Martins Neves 14 Junho 2007 em Portugal.
Votante Fernando,
venho confessar-te que estou desiludido com os candidatos à Câmara de Lisboa e a história, que tanto tem empolgado os debates e os ânimos, sobre a decisão de construir um novo aeroporto internacional na região. Já o disse em conversas de amigos, mas tu desconheces essa minha inquietação, presumo: nenhuma das pessoas que quer presidir aos destinos da capital portuguesa se mostra preocupado com perigo gigantesco que é ter o actual aeroporto quase no coração da cidade.
Igualmente os governantes que querem fazer a nova estrutura alguma vez usaram esse argumento de uma forma veemente. É nestas alturas que percebemos que valemos pouco, muito pouco, como eleitores, ao contrário do que nos apregoam quando nos enchem os ouvidos de promessas.
O que me preocupa, enquanto residente, em Lisboa, é que todos os dias, a quase todas as horas, pode cair um avião comercial a abarrotar de passageiros sobre Lisboa e provocar uma catástrofe. Ao aterrar ou a descolar. E todos os dias, a quase todas as horas, muitos habitantes da cidade têm que interromper as conversas que estão a ter porque o ronco das ditas aeronaves nalgumas zonas é tal que se sobrepõe a todo e qualquer outro som.
E o que dizem os nossos governantes e candidatos a autarcas sobre isto, Fernando? Nada, zero. Conclusão óbvia e indesmentível: estão-se nas tintas para a segurança dos habitantes e da capital do país.Falam do bem e do mal para o turismo, vantagens e desvantagens económicas, mas das pessoas¿
O único que diz de forma frontal querer encerrar a Portela e ¿abrir¿ na Ota é o antigo ministro António Costa, candidato do partido do Governo à Câmara. Por razões evidentes: mudar de opinião como quem muda de casaco, saltando de ministro para candidato, dava um bocado nas vistas e alguém ainda podia reparar.
Tudo isto me deixa muito triste, como deves imaginar. Uma catástrofe a poder acontecer a toda a hora e tão avisadas criaturas não se preocuparem com isso. Mas o que me deixa quase fora de mim é que as posições que conheço dos candidatos a presidente de Lisboa é a defesa do actual aeroporto, apesar do risco que significa e do incómodo que provoca. Eu sei, tu sabes, todos sabemos, que as pessoas vivem cada vez menos aqui, fogem para a periferia, onde as casas são mais baratas, mas ainda somos mais de 500 mil. Não deve ser suficiente¿
E porquê, interrogaste tu. Por causa das ¿vantagens económicas¿. Lá vem o dinheiro à frente, a comandar. E quantas pessoas morreriam se caísse um daqueles monstros que não conseguisse atingir a pista?? Tinha preço isso?????
Fernando, por aquilo que tenho ouvido, parece-me que a opção por fazer um aeroporto na Ota é um disparate, pelos custos que envolve. Já foram apresentadas soluções mais baratas e com menos inconvenientes na margem sul do Tejo, como sucedeu agora com o Campo de Tiro de Alcochete.E até o Governo, empedernido a defender que só pode ser na Ota, na Ota e na Ota - quase só porque sim - como já te contei noutra carta, até já admitiu ir ver os novos estudos.
Façam-no onde seja mais barato, traga menos inconvenientes, fique menos longe da capital, incomode menos gente¿mas tirem este daqui. Não sou assim muito viajado, mas desconheço outro aeroporto na Europa assim, dentro da cidade. Ficam afastados, mas têm comboios rápidos para lá chegar e se ouviu que sejam entraves ou tenham arruinado a economia dos respectivos países ou tenham perdido passageiros por isso. E funcionam 24 horas por dia, sem restricções à noite, porque ninguém mora perto, o que torna mais barata a utilização e permite um maior aproveitamento das suas capacidades.Aqui na Portela perde-se por vezes mais tempo, pois a única forma de lá chegar ou sair é de carro. Outra singularidade. Só agora começaram a prolongar uma das linhas de metro até lá. Espero que faça pouca falta e espero vivamente não assistir a demissões quando acontecer uma calamidade, que é o máximo que sucede a quem nos governa quando a sua irresponsabilidade tem consquências graves como sucedeu com a queda da ponte de Entre-os-Rios. E que tu jamais tenhas que ir ao baú buscar esta carta¿
Um desolado abraço.
António Martins Neves
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1 Responses to ¿Portela? Não, obrigado¿
1 Maria João
Jun 15th, 2007 at 17:15
Desculpa lá, António, mas desta vez não estou de acordo. Se conhecesses os aviões-miniatura da PGA em que viajo tantas vezes para Lisboa, não falarias de roncos de aeronaves a abarrotar de gente perceberias melhor a pressa com que corremos dali para fora. E depois, quanto ao elemento das horas de viagem: queremos é chegar a casa e estender as pernas, em silêncio. No meu caso, tenho de apanhar um taxi para ir até ao apartamento da minha irmã em Paço D'Arcos, ou hotel nos Restauradores, antes de ir para a Figueira da Foz /(se ninguém me esperar). Ou ir directamente (mais a pobre da gata que viaja comigo sem fazer necessidades uma data de horas) para o comboio ou estrada.
Defendo, claro, um aeroporto na 'city', como em Londres, para os pequenos aviões comos os da PGA, ou os de milionários que paguem bem o tráfego e estacionamentos dos jet¿s privados e helicópteros.
Também acho que deviam começar por tirar daí o aeroporto militar de Figo Maduro, que é na Portela, um bocadinho mais ao lado¿ um amigo meu, capitão, ia falhando a aterragem de um C-130. Isso sim, uma aeronave barriguda e é fazer os alfacinhas correrem um riscos desnecessários.
Quando um passageiro chega ao destino, já tem hora e meia de espera em aeroporto mais as horas de viagem e jet leg. Fora o tempo que demorou a chegar ao ponto de partida - no meu caso, 45 minutos/uma hora de taxi.
E tenho dito, beijinhos e abraços.
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Quarta-feira, Junho 13, 2007
Enviado às
18:29
por Maria João Carvalho
Obstetras alegam objecção de consciência para praticarem o aborto, pelo que a nova legislação enfrenta dificuldades nos Açores.
Os seis médicos obstetras do Hospital de Angra do Heróismo já manifestaram por escrito objecção de consciência. O mesmo se passa no Hospital de Ponta Delgada.
São seis os médicos obstetras no Hospital de Angra do Heroismo. Todos manifestaram por escrito objecção de consciência para realizar a interrupção voluntária da gravidez a pedido da mulher, de acordo com a nova legislação.
Dos 17 enfermeiros da especialidade, todos manifestaram igualmente objecção de consciência à prática de abortos. Onze já o fizeram por escrito.
Em declarações à Agência Lusa, a presidente do Conselho de Administração do Hospital de Angra adiantou que todos os clínicos mantêm disponibilidade profissional nos casos previstos na legislação anterior - violação, má formação do feto ou perigo para a vida da Mãe.
No Hospital de Ponta Delgada, a indicação é que os 12 obstetras também se preparam para alegar objecção de consciência. A única excepção no arquipélago dos Açores é, para já, o Hospital da Horta, onde os três obstetras ainda não manifestaram intenção de alegar objecção de consciência.
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Segunda-feira, Junho 11, 2007
Enviado às
18:46
por Maria João Carvalho
As eleições legislativas na Bélgica constituem o culminar de uma tensão crescente entre as comunidades linguísticas, flamenga e francesa.
Em 1993, a Bélgica tornou-se um Estado federal composto por três regiões:
a norte, a Flandres que fala a língua holandesa, a sul, a Valónia francófona e, encravada na Flandres, Bruxelas.
Para os partidos valões-francófonos o equilíbrio institucional foi atingido, enquanto os flamengos exigem mais autonomia para a sua região. Fizeram do escrutínio de ontem deste escrutínio o ponto de partida para novas negociações.
Discurso repetido na campanha pelos partidos flamengos, que reclamam mais competências para a região de Flandres, nomeadamente nos domínios da saúde e da fiscalidade.
Os flamengos da Flandres não querem pagar mais impostos para sustentar os valões. Dizem que eles são suficientemente crescidos para suportarem financeiramente as suas necessidades.
Mas uma sondagem recente mostra que só 10 por cento dos flamengos são pela separação da Bélgica e 51 por cento estão, mesmo, prontos para um sistema centralizado.
Anunciam-se dias difíceis na Bélgica. É que, apesar de haver vencedores e vencidos nestas eleições, a complexidade do sistema faz com que nada seja dado como adquirido. Quem tem mais cartas na mão é o flamengo Yves Leterme, e essa é uma das perspectivas que inquieta, à partida, os valões.
Como diz um cidadão, "no momento de integração na Europa, em que é preciso regionalizar o emprego, etc, enfim, fazer um esforço, tudo isto é ridículo. É uma causa de dispersão. Ninguém conhece a Valónia e a Flandres no estrangeiro."
Yves Leterme, o democrata-cristão que lidera o partido que mais votos conseguiu a nível nacional, pretende dar mais poder às regiões e menos ao Estado federal, confiante na superioridade demográfica e económica da Flandres.
Reconhece que o problema, de momento, é a evolução económica e que, para fazer face a esta situação, há que dar mais possibilidades a cada região para desenvolver as próprias políticas. É que as diferenças entre a Flandres, Bruxelas e Valónia colocam, realmente, o país, numa situação difícil.
Para reformar o Estado, o governo precisa de uma maioria de dois terços, ou seja, que inclua os socialistas que, vencidos, ontem, decidiram passar à oposição.
Resta a possibilidade de uma maioria simples, saída de uma coligação azul-laranja, entre os liberais, que a nível federal obtiveram 41 lugares e os democratas-cristãos, com 40 lugares.
Mas nas regiões as negociações vão ser complicadas pelas diferentes "nuances políticas".
A analista Caroline Sgesser explica que cerca de 80 por cento das pessoas são de direita. Enquanto na Valónia, apesar da derrota dos socialistas, a tendência mantem-se à esquerda. Este é mais um factor a acentuar as diferenças entre a Flandres e a Valónia e que vai dificultar a tarefa do governo.
Na Bélgica, o governo federal tem de ter o mesmo número de ministros francófonos (da Valónia) e de ministros de língua holandesa (ou seja, flamengos da Flandres e de Bruxelas). Têm de se apoiar numa maioria na Câmara dos Representantes. Assim se percebe como tudo se pode complicar....
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