|
|
Terça-feira, Outubro 23, 2007
Enviado às
19:10
por Maria João Carvalho
Saúde pública britânica está maltratada (com Sophie Desjardin,, para a EuroNews)
A Grã Bretanha é o país mais doente da Europa. Só o relatório faz mal à saúde. Mas é assim: os britânicos bebem demais, fumam demais, e são obesos com todas as doenças que disso derivam, como a diabetes ou doenças do fígado.
A obesidade é alarmante. A média nacional é superior à da União Europeia e em certas regiões, como no nordeste de Inglaterra ou Londres, é mesmo superior à dos Estados Unidos.
Ainda há pouco tempo o caso de Connor Mac Creaddy, de 8 anos mas com 90 kg, trouxe à luz do dia o problema da obesidade infantil no país e a necessidade de agir, fazendo apelo aos pais.
Na Grã Bretanha há 900 mil crianças obesas com menos de 11 anos de idade, portanto, 20 por cento.
A primeira razão para isso é "o uso e abuso da junck food" - hambúrgueres com demasiada gordura, batatas fritas e peixe frito, chocolates, doces em geral e muitos refrigerantes. A publicidade a alguns produtos desses, como pastilhas e afins, já é proibida, mas há um grande caminho a fazer na área da mudança de hábitos alimentares.
Um britânico come menos 25 kg de fruta por ano do que os vizinhos europeus.
E depois, a peste negra da saúde pública britânica é o consumo de álcool e as consequências: consumo muito rápido e elevado, comportamentos violentos, perigos de todo o género e graves doenças do fígado. As autoridades têm tido dificuldades a gerir o problema.
Um britânico consome, em média, um litro de álcool a mais do que os vizinhos europeus, anualmente. E mesmo se, depois de 1 de Julho deste ano, é proibido fumar nos espaços públicos, continua a correr um risco muito maior de morrer de uma coença causada pelo tabaco do que qualquer outro fumador da União Europeia.
O balanço é triste num país em plena reflexão sobre o sistema de saúde, apontado como um dos mais retrógados da Europa. Se, por um lado, há serviço gratuito para os cidadãos, por outro as listas de espera interminável nos hospitais salientam a necessidade urgente de modernização.
Exerça aqui o seu Direito de resposta! Comente!
Quinta-feira, Outubro 18, 2007
Enviado às
18:42
por Maria João Carvalho
Quem viu o mapa de Portugal no Finantial Times de 13 de Outubro de 2007?
Chocante. O mesmo, repetido em duas páginas inteiras sobre a imobiliária na Praia da Luz e restante Algarve (parece que há um boom depois do caso Maddie...)
Bem...Segundo o mapa, repetido em duas páginas, não há Portugal: ha quatro cidades numa região que se chama Algarve (Praia da Luz, Lagos, Albufeira e Faro). Para cima, fica Espanha. Eu não estou a falar de um erro qualquer de um qualquer gráfico de jornal da Baixa da Banheira...
É uma ilustração colocada duas vezes em duas paginas inteiras do Finantial Times sobre a imobiliária no Algarve. No fim, traz os contactos dos agentes locais. Uma das páginas é assinada por um correspondente... de modo que não ha erro...há um deliberado interesse de provocação.
Eles prometeram que iam pedir desculpas e repôr o mapa como ele é. Não disseram quando.
Exerça aqui o seu Direito de resposta! Comente!
Quinta-feira, Outubro 11, 2007
Enviado às
14:00
por Maria João Carvalho
Poder Açafrão
No budismo Theravada da antiga Birmânia, os monges não podem sequer recusar serviços religiosos a violadores ou a assassinos, mas quando os recusaram aos membros da Junta Militar no poder, tornou-se claro que o descontentamento era mais profundo que nunca.
Bastou essa simples recusa, totalmente pacífica e simbólica, para que os birmaneses percebessem que a única fonte de poder existente no país para além da Junta Militar estava prestes a desafiar a sinistra ditadura militar que governa a Birmânia (ou Myanmar).
Há muito a dividir o budismo de tradição Theravada dos monges da Birmânia - que enfatiza o caminhar religioso do indivíduo em direcção à redenção (nirvana) através da renúncia das coisas - do budismo Mahayana - de carácter menos individual, cujo líder é o Dalai Lama no Tibete -, mas uma coisa as duas escolas têm em comum: uma profunda legitimidade social que lhes permite atingir objectivos políticos de forma totalmente pacífica.
Sociedades como a birmanesa, em que 90 por cento dos cerca de 47 milhões de habitantes são budistas Theravada, acreditam que a vida na terra é apenas um estágio antes de várias reencarnações até atingirem o nirvana. Os únicos guias neste caminho são os monges e daí a sua legitimidade moral.
A questão agora é qual a dinâmica que fez os monges manifestarem-se nesta altura, com tanto vigor, para além da razão imediata quando soldados dispararam tiros de aviso sobre um grupo de monges que se tinham juntado a uma manifestação contra o enorme aumento dos preços dos combustíveis, na cidade central de Pakokku, a 05 de Setembro.
Um mosteiro retaliou fazendo reféns 20 funcionários governamentais numa espiral de tensão até aos ataques de hoje das forças de segurança a milhares de monges que se manifestavam pacificamente no centro de Rangum, a maior cidade da Birmânia.
Na semana passada, a Aliança de Todos os Monges Budistas Birmaneses divulgou um comunicado em que declarava a Junta Militar, liderada pelo general Than Shwe, como "o inimigo do povo".
Os analistas dizem no entanto que a revolta dos monges é tanto contra o governo como contra a ordem interna da Sangha, a comunidade, para os budistas, dos monges e freiras ordenados.
"Não é um conflito novo, sempre existiu na história do budismo birmanês", explica Aung Zaw, editor do The Irrawaddy, publicação independente, cujos jornalistas birmaneses cobrem o país a partir do norte da Tailândia.
"O que existe é um conflito entre os monges mais novos e os superiores. Os monges superiores são vistos como corruptos e comprados pelo poder da Junta Militar", acrescenta o analista.
Os monges budistas têm uma longa história de participação nos combates políticos da Birmânia, desde as lutas contra o domínio colonial do país até ao levantamento pró-democracia de 1988, que a Junta Militar esmagou matando mais de três mil pessoas.
Após as revoltas de 1988, para controlar os monges, os militares reanimaram um supremo conselho da Sangha, que tinha caído no esquecimento desde o século XIX, quando a Birmânia caiu em poder do Império Britânico.
Se o conselho fazia sentido no século XIX, quando o rei na Birmânia era tomado como metade rei metade espírito do Buda reencarnado, no século XXI a população encara o órgão como uma forma de os militares mandarem na Sangha, ao aparecerem em público como patronos dos mosteiros, recebendo alguma da legitimidade social e política do clero budista.
"Os monges mais jovens são rebeldes e não estão felizes com a forma como o governo lida com a Sangha, com a forma como o governo joga com políticas de dividir para reinar entre os monges mais novos e os monges superiores", diz Aung Zaw.
Mas o poder político dos monges infiltra-se também na sociedade porque o papel do monge é inseparável e está presente em toda a malha social - para qualquer rapaz birmanês, dar entrada num mosteiro é um dever religioso, mesmo que por um curto período de tempo, e é uma forma de honrar a família.
Grande parte dos jovens birmaneses do sexo masculino dão entrada nos mosteiros, como noviços, antes de fazerem 16 anos e mais tarde, como monges, quando cumprem 20 anos, o que significa que em quase todas as famílias há - ou houve - um monge.
Ao longo do ano, os mosteiros da Birmânia têm em média cerca de 400 mil monges, 80 por cento dos quais na segunda cidade do país, Madalay.
Como deve ser numa sociedade budista devota, crente na reencarnação e sem uma divisão estanque entre a vida terrena e a vida após a morte, monges e povo dependem uns dos outros. Os monges vivem das esmolas do povo, que, acreditam os birmaneses, são a forma de ganhar méritos, as boas acções que permitem estar mais perto do nirvana na próxima vida.
Exerça aqui o seu Direito de resposta! Comente!
Quarta-feira, Outubro 10, 2007
Enviado às
17:12
por Maria João Carvalho
Séneca dizia com grande sabedoria que:
"O homem vive preocupado em viver muito e não em viver bem,
quando afinal não depende dele viver muito, mas sim viver bem"
Fausto gostava de Séneca. E nós gostávamos de Fausto.
Exerça aqui o seu Direito de resposta! Comente!
Enviado às
15:18
por Maria João Carvalho
O Faustinho só sabia fazer amigos (notícia do DN)
O funeral de Fausto deverá realizar-se sexta-feira em Coimbra
"Interrogo-me se não há qualquer injustiça, imanente ou transcendente, na morte de um homem aos 55 anos e quando se esperava ainda muito dele." A dúvida é de António Arnaut, a propósito do falecimento de Fausto Correia, vítima de um ataque cardíaco, ontem, em Bruxelas, onde o eurodeputado (eleito, pelo PS, em 2004) regressara na véspera.
"A vida não foi justa para com o Fausto", conclui, no entanto, o seu velho amigo. "Tinha 22 anos quando o conheci e foi pela minha mão e de Fernando Valle, que ele entrou [em 1973] para o PS", recorda, emocionado, Arnaut. "Era um homem generoso" e que dava "grande valor e afectividade às causas que abraçava, como o PS, a maçonaria e Coimbra". Ele era um 'coimbrinha', no "bom sentido do termo, pelo grande afecto que tinha à cidade".
"Nestas alturas, não sabemos o que dizer", desabafa Carlos Beja, outro seu bom amigo. "Há homens que nunca morrem. O Fausto não morreu", acredita o antigo deputado, recordando o homem "fraterno, solidário, generoso". Ele "só sabia fazer amigos", sublinha, "chocadíssimo", Almeida Santos. "Amou Coimbra como poucos e a cidade retribuía amando-o também."
Amigo e companheiro de "muitos combates na implantação do PS em Coimbra", Manuel Alegre também enaltece o "homem sempre fiel às suas amizades, aos ideais republicanos e socialistas". Nas últimas presidenciais, Fausto apoiou Soares, mas isso "não pôs em causa a nossa amizade e afectividade". Era, diz Alegre, "uma referência de Coimbra e do PS". E, sublinha José Sócrates, lamentando a perda de "um grande amigo", um dos "mais destacados dirigentes do PS. "Ele tinha amigos em todas as áreas partidárias", lembra o jornalista Jorge Castilho. Apesar das "nossas diferenças políticas", o eurodeputado Luís Queiró (CDS/PP), também releva "as qualidades humanas" de um homem que "valorizava sobretudo a amizade". E, diz Luís Filipe Menezes, "o PSD também está de luto, porque Fausto Correia era uma grande referência da democracia portuguesa".
Natural de Coimbra (completava 56 anos em 29 de Outubro), licenciado em Direito, Fausto de Sousa Correia foi eleito deputado em quatro legislaturas e secretário de Estado nos governos de Guterres, depois de ter sido jornalista (República, A Luta e Anop) e administrador da RDP e Lusa.
Foi, durante mais de 10 anos, líder do PS/Coimbra, presidente da "sua" Académica e era deputado municipal de Miranda do Corvo. Ter-lhe-á faltado a presidência da Câmara de Coimbra, como admitia, entre os amigos mais próximos.
Fausto Correia era casado com Maria de Lurdes Correia, médica, e deixa três filhos, Miguel, António e José. O funeral deverá realizar-se, em Coimbra, sexta-feira, dia em que deveria, reencontrar-se, à noite, com a sua tertúlia, no café Trianon, na alta da cidade. Com PAULA CARMO
Exerça aqui o seu Direito de resposta! Comente!
Terça-feira, Outubro 02, 2007
Enviado às
18:59
por Maria João Carvalho
Putin sucede a...Putin
Baseado na peça produzida por Sophie Desjardin para a EuroNews e na entrevista exclusiva de Diego Malcangi a Vladimir Bukovski em Cambridge
Como deixar o poder sem o perder? A fórmula não foi inventada por Putin mas serve a personagem e o país às mil maravilhas. É difícil renunciar ao governo de uma grande potência com apenas 55 anos de idade e uma popularidade enorme.
Vladimir Putin anunciou que volta ao poder como primeiro-ministro, seguro de que o seu partido vai ganhar as legislativas!
E afirmou, a propósito, que aceitava, agradecido, a proposta para liderar a lista da Rússia Unida.
Nikolai Petrov, analista, considera que tal como a maioria dos presidentes que vão ficando mais velhos, ele também ficou mais sábio. E gosta do poder - ergueu um sistema de poder pessoal e quer mantê-lo por mais algum tempo.
As sondagens dão 55 por cento dos votos à Rússia Unida, que, até às legislativas de Dezembro, pretende chegar aos 70 por cento com a chegada do novo cabeça de lista.
Putin acabou por "driblar" todos os adversários. Há menos de um mês, depois de uma remodelação ministerial, nomeeou Viktor Zubkov, de 66 anos, primeiro-ministro. Sem grande carisma, acaba por ser um possível candidato à presidência.
Mas outros candidatos à presidência de 2008, como Serguei Ivanov ou Dimitri Medvedev apresentan o perfil para o projecto de Putin: um presidente "secundário" e um primeiro-ministro forte.
Pela frente, uma oposição liberal com dificuldades em unir-se e em motivar-se. Apenas três por cento dos russos se acham prontos para votar num candidato da oposição. O antigo campeão de xadrês Gary Kasparov e o antigo primeiro-ministro Kassianov, saídos dos rangs do movimento A Outra Rússia, estão na corrida. São úteis para a democracia, mas não mudarão os dados.
O antigo dissidente soviético Vladimir Bukoski, que Diego Malcangi da Euronews entrevistou em Cambridge, conhece o jogo, viciado à partida:
"O que eu e outras pessoas como Kasparov tentamos é preservar a instituição das eleições; ou seja, se não fizermos o que estamos a fazer, isto seria apenas um espectáculo aborrecido com Putin como sucessor de si mesmo".
No fundo, a única e verdadeira oposição ao poder de Putin na rússia é a dos comunistas de Gennadi Zyuganov, com cerca de 20 por cento das intenções de voto. São talvez os únicos que vão entrar na Duma ao lado da Rússia Unida depois das legislativas.
Entrevista traduzida por Ricardo Figueira
Vladimir Bukovski: "A UE é uma cópia esbatida da URSS"
Vladimir Bukovski, antigo dissidente soviético, foi libertado e expulso do país em 1976 - depois de doze anos passados nos gulagues e nas clínicas psiquiátricas do regime.
A viver em Cambridge, no Reino Unido, Bukovski recebeu, em 1992, do então presidente russo Boris Ieltsin, a tarefa de investigar os arquivos do KGB. Com base nessas investigações, lança agora sérias acusações contra a União Europeia e contra Vladimir Putin.
O ex-dissidente apresenta-se como candidato às presidenciais russas de 2008, mesmo sem ter qualquer hipótese de ganhar.
Vladimir Bukovski: Será um milagre se me deixarem ser candidato. De ganhar, então, nem falo. Se me puserem face a face com qualquer candidato apoiado pelo Kremlin, ganho. Mas isso se nos derem condições iguais, e ninguém nos vai dar condições iguais. Não me devem sequer deixar correr. Há vários problemas legais que podem evocar para rejeitar o meu registo como candidato.
Diego Malcangi, EuroNews: Mas por que razão vão os russos votar num cidadão britânico? A minha outra questão é: o senhor abriu uma porta para o passado. Acha que os russos têm vontade de olhar para o passado e perceber que este ainda está presente?
VB: Bem, não tenho culpa de viver no estrangeiro. Primeiro, fui trocado, fui expulso do meu país. Não o pude visitar durante quinze anos e depois negaram-me um visto. Não tenho culpa de não viver na Rússia. A culpa é deles, a decisão é deles.
No que toca ao passado, há uma divisão em duas partes iguais, entre as pessoas que não querem, de todo, pensar no passado, e aquelas que insistem na ideia de que sem resolver os problemas do passado é impossível avançar. Assim são as coisas. Há uma divisão de mais ou menos cinquenta-cinquenta. É difícil dizer com certeza, mas é mais ou menos assim. Seja como for, há um forte chamamento para as pessoas se oporem ao Kremlin, hoje em dia.
EN: Disseram, nessa altura, que o senhor nunca iria poder regressar à Rússia...
VB: Era o que toda a gente pensava, na altura, embora soubessem que a União Soviética estava condenada e iria fracassar, um dia. Só ninguém podia prever quando é que esse dia iria acontecer.
EN: Mas teve também problemas depois de 1990...
VB: Sim, ao princípio podia ir lá, e fui bastantes vezes à Rússia. Mas, desde 1996, deixaram de me dar visto. Impediram-me de repente e durante mais de onze anos não pude ir lá. E agora, por alguma razão estranha, renovaram o meu passaporte russo.
EN: Por que é que o fizeram?
VB: É difícil dizer. Havia muitas mudanças em marcha nos anos 90, no final dos anos 90. Segundo as informações que temos, o KGB estava já a propulsionar-se para o poder e não queriam ninguém que os conhecia, nem aos antigos agentes à volta deles, por isso impediram-me, não só a mim, como a muitos antigos dissidentes e opositores de visitar a Rússia na altura.
Agora, como se sentem suficientemente instalados no poder, não temem nenhuma concorrência, controlam tudo, incluindo o processo eleitoral, por isso não estão assim tão preocupados.
EN: Quem vai vencer as eleições?
VB: Alguém designado pelo Kremlin. Isso é certo e sabido. Há uma chance, num milhão, de as pessoas se fartarem e saírem para a rua como fizeram na Ucrânia e na Geórgia. É uma chance muito pequena.
EN: O Sr. Putin tinha bastante aceitação, no plano internacional, até à altura em que começou a agir de uma forma mais agressiva. Mas era aceite, como líder russo. O que tem o senhor contra ele?
VB: Eu sou um dos poucos que sempre estiveram contra ele, desde o princípio, antes de ter sido eleito pela primeira vez, quando Ieltsin o nomeou como sucessor. Porque eu sei o que é o KGB. Hoje, está um pouco esquecido, quando se fala de terrorismo internacional, o facto de o terrorismo internacional ter sido iniciado na União Soviética. Estes documentos provam-no. Como recrutaram, treinaram, financiaram e forneceram todas as organizações terroristas internacionais. Isso foi nos anos 60, 70 e 80.
Essas pessoas não morreram. Ainda andam por aí e, com a chegada ao poder de Putin, com o KGB a tomar todas as posições de controlo, reavivaram todas as antigas redes. Sei-o de fonte segura: reactivaram os agentes que o serviço tinha no estrangeiro e estão de volta às lides.
EN: Não acredita que mudaram de mentalidade?
VB: Não, não mudaram. Olhe para Putin e veja o que ele está a fazer. A primeira prioridade dele foi controlar tudo. Controlar os media, introduzir a censura, começara a repressão política. Hoje, temos prisioneiros políticos. Durante dez anos, com Ieltsin, isso não existiu. Até reavivaram a perseguição psiquiátrica.
EN: Está a dizer que, hoje, estão de volta as clínicas psiquiátricas, como nos tempos soviéticos?
VB: Exactamente. Houve alguns casos espectaculares, recentemente. E parece que há uma decisão, no centro, de ir em frente e voltar a usá-las.
EN: O senhor parece que vê soviéticos em todo o lado. Quer dizer, até vê a mão da União Soviética na União Europeia dos nossos dias...
VB: Segundo estes documentos, documentos secretos do Politburo, todo o conceito de integração europeia avançada é o resultado de conversações entre os partidos de esquerda do Ocidente e Gorbatchov. Os comunistas italianos tiveram um grande papel no impulso que deram a essas ideias. Alessandro Natta, então secretário-geral do Partido Comunista Italiano, foi a Moscovo e persuadiu Gorbatchov de que a integração europeia era a única forma de preservar as conquistas do socialismo. Foi o que ele disse.
EN: Esta edição está em romeno, mas acho que consigo perceber: "Europa, um clone da URSS".
VB: Com certeza que a União Europeia é uma cópia esbatida da União Soviética. Ainda não desenvolveram políticas repressivas, nada disso. O que podem, um dia, de certa forma, vir a fazer. De momento, é semelhante em termos de estrutura, mas não em muitos outros aspectos.
Exerça aqui o seu Direito de resposta! Comente!
Segunda-feira, Outubro 01, 2007
Enviado às
19:18
por Maria João Carvalho
Bloco laranja volta a governar na Ucrânia
Os ucranianos vão repetir a receita governamental do bloco Timochenko-Yuchenko. Na quinta-feira passada, o presidente, Viktor Yuchenko e a sua antiga primeira-ministra, Iulia Timochenko, fizeram o pacto:
"Há apenas uma opção, que é formar uma coligação democrática. Apenas isto. Não haverá outras alianças".
Timochenko confirma: "Acredito que tudo o que fizémos ao longo destes anos fez-nos chegar a esta conclusão: o resultado, a nossa unidade obriga-nos a satisfazer os eleitores que esperavam isto".
Ficaram conhecidos como os heróis da Revolução Laranja. Em 2004, Iulia Timoshenko e Viktor Yuchenko aliaram-se em nome de uma Ucrânia democrática aberta à Europa. Lideraram multidões nas ruas para anular as eleições por fraude... e conseguiram.
Em novo escrutínio, Yuchenko foi eleito, em Dezembro seguinte. A esperança do eleitorado laranja era imensa. Obteve o controlo do executivo e elegeu Timochenko para chefe do governo.... mas as reformas empreendidas pela princesa do gás, mãe de todas as promessas, assustou os empresários. Terá feito algumas concessões numa área que jurava combater: a da corrupção. E sete meses depois, rompia a lua de mel governativa com o aliado da Revolução.
A rivalidade com o presidente também era grande... a demissão foi inevitavel.
A crise política não se resolveu nem com as legislativas de 2006. Uma coligação contra-natura entre Yutchenko e o rival Yanukovitch, pró-russo, como primeiro-ministro, arrastou a Ucrânia até às urnas, de novo, como exigia Iulia Timochenko.
A futura chefe de governo ganhou a aposta...por agora. Mas o por agora líder da oposição também pode esperar calmamente pelas presidenciais de 2009, enquanto os rivais desgastam a imagem em contínuas lutas pelo poder.
Exerça aqui o seu Direito de resposta! Comente!
|