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Terça-feira, Novembro 27, 2007
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19:22
por Maria João Carvalho
O primeiro-ministro israelita, Ehud Olmert, mais céptico do que o presidente da Autoridade palestiniana, Mahmoud Abbas, está disposto a aceitar as resoluções da ONU em relação às fronteiras de 1967 e a resolver o problema dos refugiados palestinianos. Exige a libertação dos soldados isarelitas raptados e denuncia estes dois últimos anos de fracassos diplomáticos do processo de paz, mas abriu os braços aos vizinhos árabes com quem, até agora, não manteve relações diplomáticas. Oxalá os judeus aceitem as suas concessões. Abbas foi muito optimista. O pior são as cobras venenosas do Hamas em território palestiniano.
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Enviado às
19:16
por Maria João Carvalho
Na base naval norte-americana do Maryland, Annapolis, George Bush relança o processo de paz do Médio Oriente.
O primeiro-ministro israelita e o presidente palestiniano reuniram, primeiro, com George W. Bush, mas, na cimeira, participam mais 50 representantes internacionais, entre eles o ministro Luís Amado, como representante da presidência da União Europeia.
Esta reunião constitui o ponto de partida para relançar o processo de paz, após um hiato de sete anos, em Camp David. Desde esta manhã que milhares de palestinos que se opõem às negociações de Anápolis estão concentrados no centro da cidade de Gaza.
Olmert e Abbas multiplicaram os gestos de boa vontade antes da cimeira. Olmert reafirmou, publicamente, o fim da política de construção de colonatos na Cisjordânia e a destruição dos que foram erguidos clandestinamente. Ordenou também a libertação de algumas centenas de prisioneiros palestinianos.ligados à Fatah. Abbas apelou aos habitantes de Gaza para derrubarem o governo do Hamas, sabendo que o fim deste governo é condição essencial para a aceitação de um estado palestiniano.
Mas os analistas mostram-se cépticos quanto a resultados concretos no processo de paz israelo-árabe. A dividir as duas partes têm pontos-chave difíceis como as fronteiras definitivas entre Israel e o futuro Estado Palestiniano, Jerusalém e o futuro dos refugiados palestinianos.
Além destas, há também as questões internas. A oposição do Hamas que governa a isolada Faixa de Gaza à revelia da Autoridade Palestiniana e as críticas de que Telavive tem feito demasiadas concessões aos palestinianos dificultam a missão tanto de Abbas como de Olmert.
Israel tem as forças de segurança em alerta máximo, face a eventuais ataques dos que se opõem ao diálogo. Mesmo em solo americano há protestos dos judeus radicais.
As vozes críticas ouvem-se também na cidade de Gaza, onde Hanieh apelidou de inútil a Cimeira de Annapolis. No Irão, a autoridade máxima da nação, Ali Khamenei, chamou-lhe conferência falhada.
O chefe da diplomacia saudita, príncipe Saud al-Faisal afirmou, antes do início da cimeira, que os Estados Unidos prometeram que as negociações estarão concluídas no prazo de um ano.
Justificou que a Arábia Saudita participa na reunião porque serão trataads questões importantes na disputa entre palestinianos e israelitas, assim como assuntos relacionados com a Síria e o Líbano.
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Discurso de Bush: excertos:
-Hoje, palestinianos e israelitas consideram que ajudar a outra parte a cumprir as suas aspirações é vital para realizar as suas. Um Estado palestiniano independente, democrático e viável é bom para as duas partes. Os palestinianos podem viver uma viad digna, livre, e os israelitas conseuem o objectivo de tantas gerações: viver em paz com os vizinhos. Conseguir este objectivo não vai ser fácil, se o fosse já teria sido conseguido há muito tempo.
- O nosso objcetivo aqui em Annapolis não é conduzir o acordo, mas lançar as negociações entre israelitas e palestinianos. A nossa missão é impulsionar as partes e dar-lhes o apoio que necessitam para o conseguir.
- À luz dos recentes acontecimentos, alguns sugeriram que este não é o momento para alcançar a paz. Não estou de acordo Acho que é precisamente agora o momento indicado para lançar as negociações pro várias razões:
Para começar, tanto os israelitas como os palestinianos têm agora líderes determinados a alcançar a paz, e em segundo lugar, é o momento adequado porque há uma batalha em marcha pelo futuro do Médio Oriente, não devemos deixar que os extremistas a ganhem... e em terceiro lugar, é o momento oportuno porque o mundo entende a necessidade de apoiar estas negociações.
A missão que começa aqui em Annapolis será extremamente difícil. Trata-se do início de um processo, e não do final. Fica muita coisa pendente. ... mas partes podem empreender a tarefa com confiança ... é o momento adequado, uma causa justa e, com muito esforço, sei que o conseguirão.
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Bush parece ter aceitado o argumento dos que acreditam que a causa palestina esteja na raiz da desconfiança islâmica em relação aos Estados Unidos, ou pelo menos que a solução do conflito israelense-palestino possa cessar o avanço do Hamas, movimento radical islâmico que já declarou Annapolis como um fracasso de alta traição de Abbas.
Para os conservadores, essa poderia ser a maior aposta de Bush: arriscar que um esforço de paz fracassado leve a uma radicalização ainda intensa.
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Sexta-feira, Novembro 23, 2007
Enviado às
19:17
por Maria João Carvalho
Holodomor na Ucrânia (1933): a fome é inimiga da razão - com Beatriz Beiras para a EuroNews
O cadáver de uma criança na via pública... era uma cena banal nas ruas de Kharkiv na terrível fome, em 1933. Todos os dias, 25 mil morriam assim na Ucrânia soviética. Foi o Holodomor, a exterminação pela fome.
Como é que uma tal tragédia se pôde passar na Ucrânia, onde a fertilidade legendária da terra negra era conhecida em toda a Europa? Como é que o celeiro da União Soviética não deu para alimentar a população apesar das boas colheitas?
Em 1933, Estaline promulgou a "lei das 5 espigas": todos os que atentassem contra a propriedade socialista eram punidos com a pena de morte ou uma pena de prisão até 10 anos.
A lei visava os agricultores ucranianios, que tinham sofrido a expropriação das terras pelos bolcheviques até 1932.
No mesmo ano, a União Soviética exportou 1,6 milhões de toneladas de trigo e 2,1 milhões de toneladas um ano depois, em 1933.
No campo, as autoridades impunham quotas exorbitantes de grãos de trigo. As aldeias e os camponeses independentes que não conseguissem fornecê-los viam as reservas confiscadas, de comestíveis e gado. A venda ao retalho, mesmo de um pão, era proibida. E havia um sistema de lista negra para o combustível, fósforos e outros produtos de primeira necessidade nas quintas colectivas e para os particulares que passassem a quota dos cereais.
Nadia Sapar, de 94 anos, demostra que a fome é o pior inimigo de todos, e pod criar boatos, mas não é a única a afirmar o que afirma.
"Quase todos os vizinhos de Davydivka sofriam de fome. A gente ia trabalhar para a fábrica e morria pelo caminho. Alguns comiam os filhos para sobreviver Diz que uma mulher foi condenada a 10 anos de prisão por canibalismo".
Nunca se confirmou o que conta, mas os rumores correm...
Para evitar o êxodo em massa para procurar comida, o exército cercou a Ucrânia e o Kouban, uma região do Cáucaso do norte povoada de ucranianos.
Os números do Holodomor suscitam dúvidas: a política do Holodomor pode ter custado entre dois ...e 12 milhões de vidas.
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