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Quinta-feira, Março 27, 2008
Enviado às
18:54
por Maria João Carvalho
In Diário dos Açores
Joaquim de Montezuma de Carvalho (In Memoriam)
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Opinião
João Alves das Neves
19/03/2008
A Cultura Portuguesa acaba de perder um dos seus maiores ensaístas - Joaquim de Montezuma de Carvalho, que morreu em Lisboa no dia 6 de Março último.
Os dados cronológicos habituais são insuficientes para se saber quem foi este grande intelectual que consagrou todas as horas que lhe sobraram da Magistratura enquanto a exerceu em Angola e Moçambique) e da Advocacia (após o seu regresso a Portugal) ao estudo e divulgação das Culturas dos Países de Língua Portuguesa.
O que dizer de um amigo, há cerca de quarenta anos, quando ele estava creio que em Nova Lisboa e depois em Inhambane e Lourenço Marques? Foi a Literatura que nos aproximou, antes de uma estima comum, verdadeira e desinteressada. Lembro que o primeiro contacto terá sido estabelecido pelo Padre José Vicente, mas o nosso diálogo à distância veio com publicação do Panorama das Literaturas das Américas, por volta de 1965. E assim se manteve.
Colaboradores de vários jornais e revistas, passámos a intercambiar artigos e, deste modo, Montezuma (como era mais conhecido) esteve bem presente no "Suplemento Literário" de O Estado de S. Paulo, no jornal A Comarca de Arganil e na revista Arganilia, enquanto ele me apresentou no Diário dos Açores e me reinseriu nas "Letras e Artes" de O Primeiro de Janeiro (onde eu colaborara por largos anos, usando um pseudônimo, já que a censura proibira o meu nome no prestigioso jornal portuense).
É claro que trocávamos impressões por carta e nas minhas visitas a Portugal - o ano passado, apesar de dois telefonemas, não nos reencontrámos, e há dias informou-me a escritora Dalila Teles Veras que, ao revisitar Portugal, não pôde falar-lhe, porque o nosso amigo estava muito doente. Nesse mesmo dia, telefonei para Lisboa e a Esposa confirmou a má notícia, até que há dois ou três dias me chegou o doloroso poema em que o professor e escritor João de Castro Nunes noticia o desaparecimento de Joaquim de Montezuma de Carvalho.
Admito que nenhum outro estudioso português divulgou mais e melhor as Letras Brasileira e Hispânicas do que ele, ao mesmo tempo que analisou interessadamente a nossa Literatura Portuguesa. Declarava sinceramente o que pensava, justificando documentadamente o que escrevia e, por isso, agia com independência das "capelas literárias" - muitas delas estão cada vez mais incompetentes e dogmáticas do que nunca. Daí, as injúrias de certos auto-proclamados "mestres de "capelo e borla", embora não passem de críticos de meia tigela.
Partilhando com o sangue e a alma a vida angolana e moçambicana, não hesitou afirmar o que pensava dos termos em que os ideólogos marxistas fizeram a "descolonização exemplar", conforme esclarece Ilídio Rocha no verbete do Dicionário Cronológico de Autores Portugueses, ao salientar que Montezuma de Carvalho "não alinha entre os que pretendem a imediata independência de Moçambique". Tem de se reconhecer a todos o direito de opinar, embora possam divergir do que pensamos.
Só não aceitam os pontos de vista dos contrários os propugnadores do totalitarismo da direita e da esquerda: ora, o pensamento de Joaquim de Montezuma de Carvalho é mais do que evidente nos milhares de artigos que assinou e nos livros que publicou, entre os quais relevamos os que pudemos consultar agora: Epistolário Ibérico: Cartas de Pascoaes a Unamuno (org. e pref., 1957); Panorama das Literaturas das Américas: De 1900 à Actualidade (4 vols.-1958-1965); O que pensa um Português da candidatura de Miguel Torga ao Prémio Nobel de 1960 (1959); A Minha Resposta ((1963); António Sérgio - a Obra e o Homem (1979) ; Drummon(D)tezuma / Correspondência Carlos Drummond de Andrade/Joaquim Montezuma de Carvalho (2004) e outros estudos, devendo assinalar-se a organização (em 1958) do livro Joaquim de Carvalho no Brasil, em homenagem ao seu Pai, que foi professor da Universidade de Coimbra e um dos mais destacados ensaístas da Cultura Portuguesa.
(escritor português radicado no Brasil)
email: jneves@fesesp.org.br
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Terça-feira, Março 25, 2008
Enviado às
18:58
por Maria João Carvalho
Crise nas Comores
Os soldados da União Africana, sudaneses e tanzaneses, e soldados franceses, retomaram o controlo da capital da ilha rebelde das Comores, Anjouan. Mas continuam os combates com as forças do presidente regional Mohamed Bacar.
Bacar, um coronel de 45 anos recebeu ordem do tribunal federal para se afastar, depois de se ter reeleito em 2007,contra a vontade das estruturas que superintendem no conjunto da Grande Comore, Moheli e Anjouan. Era presidente deste 2001.
Cada uma das três ilhas tem o seu próprio presidente, sob liderança de um Chefe de Estado da União, e entre elas formaram uma União que ocupa 2235 quilómetros quadrados, totalizando cerca de 800 mil habitantes, independentes desde 1975, depois de colonizados pela França (que conservou Mayotte, a quarta parcela do mesmo arquipélago).
Calcula-se que Bacar disponha de 300 soldados para se defender, em mais um dos muitos conflitos que têm perturbado a vida das Comores, ou "Ilhas da Lua", situadas frente à província moçambicana de Cabo Delgado.
Desde a secessão, em 1975, a ex-colónia francesa passou por uma trintena de golpes de Estado. E a sua história está intimamente ligada à do mercenário Bob Denard, ex-militar francês.
Foi ele que fez cair o presidente logo em 75, instalou outro no posto que, passados três anos voltou a substituir. Em 89, depois de um terceiro golpe de Estado em que assassinou o presidente, parecia ter saído definitivamente do país, mas regressou em 1995 para fazer um novo golpe de Estado. Só foi detido pelo exército francês uns meses depois, tendo sido condenado a cinco anos de pena suspensa por um golpe falhado no Benim.
Ele próprio dizia, antes da morte na sua Gironde natal, no passado Outono, a maior parte das missões foram contratadas pela França. Assim, nunca cumpriu prisão efectiva. Deu ordem para matar uma lutadora contra o apartheid, em Paris, às ordens de Pretória: Dulcie Sptember, em 1988. Semeou um rasto de tortura e morte em Angola, no Benim e no Biafra.
A França continua a apoiar logisticamente as forças governamentais das Comores e a União Africana.
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Segunda-feira, Março 24, 2008
Enviado às
19:03
por Maria João Carvalho
Quando entrevistei o ministro dos Negócios Estrangeiros tibetano no exílio, espantei-me com o trabalho de divulgação da cultura tibetana, a persistência com que foi facultado o estudo às crianças entregues a alguns ministros na Diáspora pelo mundo ocidental depois da forçada saída do Dalai Lama para a Índia. Essas crianças são hoje avós que continuam a estudar e transmitir o espírito, a língua e história do Tibete mas os netos, aculturados à sociedade ociedental que os acolhe, exigem democracia...têm pressa...querem que o seu Tibete Livre volte a ser pátria de tibetanos e não de chineses deslocados pelo governo para ocupar. E exigem que o Tibete deixe de ser um cemitério nuclear.
Eram seis milhões de tibetanos antes da ocupação chinesa, que matou um milhão.A nova região de l'Utsang tem dois milhões de tibetanos... o resto está disperso em quatro províncias chinesas. Em Lhassa vivem 50 mil tibetanos para 150 mil chineses.
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Enviado às
18:42
por Maria João Carvalho
Nova geração tibetana luta pelo boicote dos Jogos Olímpicos
As autoridades chinesas temiam-no e aconteceu mesmo: os militantes da causa tibetana não falharam a ocasião e perturbaram a cerimónia da chama olímpica dos jogos de Pequim, nas ruas de Olímpia, na Grécia.
A polícia grega deteve o líder da Associação dos Estudantes por um Tibete Livre, antes que ele pudesse iniciar qualquer acção de protesto.
Tenzin Dorjee ainda conseguiu apelar a que não enviassem a tocha para a China "porque o Tibete é um país independente".
A tensão aumentou quando Tenzin Dorjee denunciou à imprensa o silêncio do Comité Olímpico Internacional.
Acusou directamente o presidente do Comité, Jacques Rogge, pelo que está a acontecer no Tibete.
O presidente do Comité Olímpico defendeu "o silêncio diplomático" em relação a Pequim, repetindo que o organismo não é político nem é uma organização não governamental.
Afirmou, que este não é o momento para este tipo de acção. E reafirmou: não é o momento para boicotes. Os governos das maiores potências não o pretendem e a comunidade desportiva também não... definitivamente.
Mas os tibetanos no exílio pedem o boicote desde que a revolta eclodiu, a 14 de Março. Em França, país que vai exercer a presidência europeia a partir de 1 de Julho, o embaraço é evidente.
Bernard Kouchner, chefe da diplomacia e fundador dos Médicos sem Fronteiras, afirma agora que não se pode ser mais tibetano do que o Dalai Lama, que está absolutamente contra o boicote dos Jogos Olímpicos e pede uma autonomia cultural. É isso que defende a França também.
Mas os exilados tibetanos de terceira geração perderam a paciência e pressionam o Comité Internacional dos Jogos Olímpicos, já que não podem pressionar a China directamente - que até pretende levar a chama olímpica ao cume do Everest, no Nepal.
Depois do esmagamento da revolta dos monges da Birmânia, são os tibetanos que sentem a marca do ferro do autoritarismo contra o poder açafrão.
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